Acho que apesar de não fazer sentido, tudo se renova. Depois da meia-noite, é uma nova fase, um novo sentimento. Eu sinto medo, um medo que não faz muito sentido. Medo do futuro, que tem tudo pra ser bom.
Vamos nos juntar, em copos cheios de expectativa brindaremos rumo ao incerto, transitando de 31 de dezembro para 1º de janeiro, esperando sempre que as coisa melhorem.
Meus desejos são de felicidades para todos, felicidade de modos únicos, felicidade de qualquer modo.
Feliz 2010.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Ansiedade.
Às vezes eu só queria ter um motivo para tudo o que faço, um significado para tudo isso. De que adianta respirar e caminhar se estou morto? Mas é a ridícula e óbvia realidade vampiresca. Hoje podemos nos camuflar facilmente entre as pessoas, podemos nos passar por qualquer mortal comum, podemos beber nos locais mais movimentados. A "vida" se tornou entediante, e permanece piorando na ausência de companhia.
Hallowd dizia que eu precisava de um par, mas eu nunca me dei bem em relacionamentos. Em geral, eles acabavam antes de começar, e eu nunca cheguei a lutar por um romance. Ah! Por que estou pensando em tais coisas?
- Maldita garota! Atormenta-me durante meu sono com sonhos e me faz acordar de dia! -gritei, e ouvi os batimentos de alguém na casa vizinha se tornarem mais frenéticos. Com certeza eu havia assustado alguém.
Eu não notei que ela havia me enfeitiçado de tal forma, a garota. Ela conseguiu cativar minha atenção naquela noite, mas, eu deveria tê-la matado. Deveria ter sugado seu sangue até a última gota, como fiz com o motorista que estava com ela.
Quando caiu a noite peguei meu conversível, um belo Peugeot 207 CC preto, e saí pelo centro da cidade... de repente alguma festa iria aparecer como mágica em minha frente, ou algo assim. Mas, um aroma peculiar invadiu o ar. Um cheiro familiar... tão familiar, mas tão diferente, tão... exótico... e logo me lembrei, era o sangue da garota.Então fiz uma curva absurda com meu carro e entrei na próxima rua à direita, seguindo aquele cheiro. Ela não estava longe, mas, havia muitos outros ao redor dela. Certamente ela estava numa festa ou algo assim.
As luzes da cidade brilhavam e ofuscavam meus olhos, mas, seu rastro permanecia intocado, quase chegando a ser visível. Numa das ruas nas quais entrei acabei me deparando com um belo local que mais parecia uma pequena cidade, pois ali haviam diversos restaurantes, agências bancárias, livrarias e ainda grandes construções intituladas "Blocos". Eu estava na universidade local.
O ar estava carregado de aromas diferentes, mas eu ainda conseguia sentir o cheiro dela, e logo a vi... saindo da biblioteca da universidade com algumas pilhas de livros nas mãos. Obviamente, andei em meio a multidão para evitar qualquer tumulto em público, mas pude ver quando ela deixou a faculdade e pegou um táxi. E eu a segui. Mas, resolvi deixar que o cheiro dela me guiasse, ignorando que o táxi estava sumindo de vista.
Logo cheguei até a casa, onde o doce perfume de seu vitae incendiava minhas narinas. Estacionei meu carro em frente à casa e entrei, saltando com facilidade para dentro da casa através de uma janela. Foi uma entrada silenciosa, que me deu o elemento surpresa.Mas, a casa estava uma completa bagunça. A garota mais parecia uma anarquista, pois havia chegado com inúmeros livros nas mãos e não foi capaz de guardá-los, apenas atirou-os no chão. E eu, como qualquer ser organizado, tratei de empilhá-los em cima da mesa, bem como abrir um de seus cadernos, somente por curiosidade.
Mas, faltava algo... ela com certeza não agüentaria ficar a noite inteira acordada discutindo sobre imortalidade, então, tratei de ir até a cozinha e preparar um café, que depois depositei em uma caneca, a qual coloquei em cima da mesa, junto aos cadernos. Entretanto, quando a caneca pousou na mesa, ouvi uma porta se abrir e o vapor do banheiro emitir um leve chiado.
Ouvi passos e um botão ser pressionado. Ela havia ligado a secretária eletrônica. "Elle? Onde você anda? Fazem dias que não ouço de você, poderia me ligar? Val."
Elle... esse era seu nome. Ah, a bela garota de olhos azuis chamava-se Elle...
"Senhorita Wess, você perdeu seu horário com o Doutor Richard na quarta-feira, gostaria de remarcar? Ligue-nos o mais rápido possível, temos boas notícias!"
"Elle, é o Jet, porque não responde às minhas ligações? Precisamos conversar, acho que isso não está funcionando..."
Algo nesse último recado incitou minha raiva, pois o jeito deste tal de Jet falar era... afetuoso. E sua voz ostentava preocupação, receio.
"Filha, você me deve explicações para esse sumiço..."
Ela deu mais alguns passos em direção à sala, provavelmente pensando em pegar algum dos livros. Ela iria se deparar com a visão de um imortal parado em sua sala, e isso poderia... não sei se impressioná-la seria a palavra certa, mas, iria impressioná-la. Aí que resolvi ir para a cozinha, de onde eu poderia ver seus longos e cacheados cabelos castanhos.
"Elle, porque o Jet me ligou perguntando de você? Porque a mamãe me perguntou de você? Porque TODO MUNDO me liga querendo saber de você? O que tá acontecendo einh?..."
Seu coração disparou.
- Vampiro... Wayne? - disse ela, e, em resposta, eu apareci na sala, no lado oposto ao que ela estava.
- Chamou, milady? - perguntei com um sorriso de escárnio. - Já tenho uma resposta sua? Já sabe se quer se tornar imortal? Pelo visto o assunto a interessou... - e apontei para os inúmeros livros na mesa com a cabeça.
Estavam diminuindo. Seus batimentos estavam diminuindo, e ela empalideceu e desmaiou. Felizmente eu fui rápido e pude segurá-la, impedindo uma violenta colisão de sua cabeça com a mesa. Oh, seu rosto, tão belo e doce, agora dormia, e eu me aproveitei da situação para passar a mão por entre seus sedosos cabelos. Senti uma vontade incontrolável de beijá-la, mas, minha resistência foi maior, e eu a carreguei para sua cama, onde deitei-a e puxei algumas cobertas para cima de seu corpo.
Fui até a porta, onde o som de passos tumultuou a minha mente e logo cessou para dar lugar às batidas incessantes na porta e aos toques frenéticos na campainha.
- Elle! Precisamos conversar! Abre a porta! - gritava uma voz masculina, que me convenceu a abrir a porta para matar minha curiosidade.
- Quem gostaria de conversar com ela? - perguntei ao belo rapaz que estava parado na soleira.
- Ah... - disse, confuso. - Você, quem é? - perguntou.
- Eu faço as perguntas aqui. Quem é você?
- Sou o Jet. O namorado da Elle. E você? - perguntou ele, desconfiado. Sua mente articulava alguma traição ou algum problema maior, enquanto a raiva crescia dentro de mim.
- Suma da minha frente.
- Como é? Você tá na casa da MINHA namorada e me manda "sumir da sua frente"? - gritou ele.
- Não falarei duas vezes. Saia daqui ou sofra as conseqüências. - a raiva já havia me dominado, e era somente uma questão de tempo para que um estrago maior fosse feito.
Jet apenas me fulminou com os olhos. Ele sabia que eu era alguém perigoso, ou, pelo menos, tinha uma leve idéia, afinal, seu coração estava acelerado demais, mesmo para quem estava com raiva, e eu diria que ele batia num misto de raiva e medo.
- Vai se ferrar! - gritou ele, e partiu para cima de mim.
Seu punho fechado acertou meu rosto, mas a dor foi mínima, ao contrário de sua mão, que, pela sua expressão facial, havia sido ferida. Rapidamente levei minha mão direita até seu pescoço e o ergui no ar, apertando com força. Suas mãos se agitavam freneticamente tentando, em vão, remover minha mão de seu pescoço. Sua respiração começou a se alterar, e tive certeza de que ele respirava com dificuldade. Ele agora se debatia ferozmente e ainda bufava de raiva e terror.
- Já teve o suficiente? - perguntei friamente.
- Já... já... - resmungou, então o soltei.
Jet emitiu um ganido desesperado, e respirou profundamente para obter o ar que antes estava lhe sendo negado. Seu pescoço ostentava uma escura e profunda marca roxa.
- Wayne.
- O... que? - perguntou ele.
- Meu nome. - falei calmamente. - Wayne Lynch Walters. - e voltei para o meu carro.
Por Nathan Ritzel dos Santos
Hallowd dizia que eu precisava de um par, mas eu nunca me dei bem em relacionamentos. Em geral, eles acabavam antes de começar, e eu nunca cheguei a lutar por um romance. Ah! Por que estou pensando em tais coisas?
- Maldita garota! Atormenta-me durante meu sono com sonhos e me faz acordar de dia! -gritei, e ouvi os batimentos de alguém na casa vizinha se tornarem mais frenéticos. Com certeza eu havia assustado alguém.
Eu não notei que ela havia me enfeitiçado de tal forma, a garota. Ela conseguiu cativar minha atenção naquela noite, mas, eu deveria tê-la matado. Deveria ter sugado seu sangue até a última gota, como fiz com o motorista que estava com ela.
Quando caiu a noite peguei meu conversível, um belo Peugeot 207 CC preto, e saí pelo centro da cidade... de repente alguma festa iria aparecer como mágica em minha frente, ou algo assim. Mas, um aroma peculiar invadiu o ar. Um cheiro familiar... tão familiar, mas tão diferente, tão... exótico... e logo me lembrei, era o sangue da garota.Então fiz uma curva absurda com meu carro e entrei na próxima rua à direita, seguindo aquele cheiro. Ela não estava longe, mas, havia muitos outros ao redor dela. Certamente ela estava numa festa ou algo assim.
As luzes da cidade brilhavam e ofuscavam meus olhos, mas, seu rastro permanecia intocado, quase chegando a ser visível. Numa das ruas nas quais entrei acabei me deparando com um belo local que mais parecia uma pequena cidade, pois ali haviam diversos restaurantes, agências bancárias, livrarias e ainda grandes construções intituladas "Blocos". Eu estava na universidade local.
O ar estava carregado de aromas diferentes, mas eu ainda conseguia sentir o cheiro dela, e logo a vi... saindo da biblioteca da universidade com algumas pilhas de livros nas mãos. Obviamente, andei em meio a multidão para evitar qualquer tumulto em público, mas pude ver quando ela deixou a faculdade e pegou um táxi. E eu a segui. Mas, resolvi deixar que o cheiro dela me guiasse, ignorando que o táxi estava sumindo de vista.
Logo cheguei até a casa, onde o doce perfume de seu vitae incendiava minhas narinas. Estacionei meu carro em frente à casa e entrei, saltando com facilidade para dentro da casa através de uma janela. Foi uma entrada silenciosa, que me deu o elemento surpresa.Mas, a casa estava uma completa bagunça. A garota mais parecia uma anarquista, pois havia chegado com inúmeros livros nas mãos e não foi capaz de guardá-los, apenas atirou-os no chão. E eu, como qualquer ser organizado, tratei de empilhá-los em cima da mesa, bem como abrir um de seus cadernos, somente por curiosidade.
Mas, faltava algo... ela com certeza não agüentaria ficar a noite inteira acordada discutindo sobre imortalidade, então, tratei de ir até a cozinha e preparar um café, que depois depositei em uma caneca, a qual coloquei em cima da mesa, junto aos cadernos. Entretanto, quando a caneca pousou na mesa, ouvi uma porta se abrir e o vapor do banheiro emitir um leve chiado.
Ouvi passos e um botão ser pressionado. Ela havia ligado a secretária eletrônica. "Elle? Onde você anda? Fazem dias que não ouço de você, poderia me ligar? Val."
Elle... esse era seu nome. Ah, a bela garota de olhos azuis chamava-se Elle...
"Senhorita Wess, você perdeu seu horário com o Doutor Richard na quarta-feira, gostaria de remarcar? Ligue-nos o mais rápido possível, temos boas notícias!"
"Elle, é o Jet, porque não responde às minhas ligações? Precisamos conversar, acho que isso não está funcionando..."
Algo nesse último recado incitou minha raiva, pois o jeito deste tal de Jet falar era... afetuoso. E sua voz ostentava preocupação, receio.
"Filha, você me deve explicações para esse sumiço..."
Ela deu mais alguns passos em direção à sala, provavelmente pensando em pegar algum dos livros. Ela iria se deparar com a visão de um imortal parado em sua sala, e isso poderia... não sei se impressioná-la seria a palavra certa, mas, iria impressioná-la. Aí que resolvi ir para a cozinha, de onde eu poderia ver seus longos e cacheados cabelos castanhos.
"Elle, porque o Jet me ligou perguntando de você? Porque a mamãe me perguntou de você? Porque TODO MUNDO me liga querendo saber de você? O que tá acontecendo einh?..."
Seu coração disparou.
- Vampiro... Wayne? - disse ela, e, em resposta, eu apareci na sala, no lado oposto ao que ela estava.
- Chamou, milady? - perguntei com um sorriso de escárnio. - Já tenho uma resposta sua? Já sabe se quer se tornar imortal? Pelo visto o assunto a interessou... - e apontei para os inúmeros livros na mesa com a cabeça.
Estavam diminuindo. Seus batimentos estavam diminuindo, e ela empalideceu e desmaiou. Felizmente eu fui rápido e pude segurá-la, impedindo uma violenta colisão de sua cabeça com a mesa. Oh, seu rosto, tão belo e doce, agora dormia, e eu me aproveitei da situação para passar a mão por entre seus sedosos cabelos. Senti uma vontade incontrolável de beijá-la, mas, minha resistência foi maior, e eu a carreguei para sua cama, onde deitei-a e puxei algumas cobertas para cima de seu corpo.
Fui até a porta, onde o som de passos tumultuou a minha mente e logo cessou para dar lugar às batidas incessantes na porta e aos toques frenéticos na campainha.
- Elle! Precisamos conversar! Abre a porta! - gritava uma voz masculina, que me convenceu a abrir a porta para matar minha curiosidade.
- Quem gostaria de conversar com ela? - perguntei ao belo rapaz que estava parado na soleira.
- Ah... - disse, confuso. - Você, quem é? - perguntou.
- Eu faço as perguntas aqui. Quem é você?
- Sou o Jet. O namorado da Elle. E você? - perguntou ele, desconfiado. Sua mente articulava alguma traição ou algum problema maior, enquanto a raiva crescia dentro de mim.
- Suma da minha frente.
- Como é? Você tá na casa da MINHA namorada e me manda "sumir da sua frente"? - gritou ele.
- Não falarei duas vezes. Saia daqui ou sofra as conseqüências. - a raiva já havia me dominado, e era somente uma questão de tempo para que um estrago maior fosse feito.
Jet apenas me fulminou com os olhos. Ele sabia que eu era alguém perigoso, ou, pelo menos, tinha uma leve idéia, afinal, seu coração estava acelerado demais, mesmo para quem estava com raiva, e eu diria que ele batia num misto de raiva e medo.
- Vai se ferrar! - gritou ele, e partiu para cima de mim.
Seu punho fechado acertou meu rosto, mas a dor foi mínima, ao contrário de sua mão, que, pela sua expressão facial, havia sido ferida. Rapidamente levei minha mão direita até seu pescoço e o ergui no ar, apertando com força. Suas mãos se agitavam freneticamente tentando, em vão, remover minha mão de seu pescoço. Sua respiração começou a se alterar, e tive certeza de que ele respirava com dificuldade. Ele agora se debatia ferozmente e ainda bufava de raiva e terror.
- Já teve o suficiente? - perguntei friamente.
- Já... já... - resmungou, então o soltei.
Jet emitiu um ganido desesperado, e respirou profundamente para obter o ar que antes estava lhe sendo negado. Seu pescoço ostentava uma escura e profunda marca roxa.
- Wayne.
- O... que? - perguntou ele.
- Meu nome. - falei calmamente. - Wayne Lynch Walters. - e voltei para o meu carro.
Por Nathan Ritzel dos Santos
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Nathan
domingo, 27 de dezembro de 2009
Sobre chaves e chaveiros.
Todo dia eu acordo e me lembro de meus sonhos. Muitas vezes eles são horríveis, e me deixam chateada, pois não mostram a realidade, mas sim, meus medos.
Isso me faz pensar nessa sensação que tenho, e quase sempre tive, de possuir o chaveiro mas não as chaves. Sabe como é? Você tem algo, que só é útil quando junto à outro algo. As duas coisas se completam. É como sentir amor, mas não ter quem amar. É ter a possibilidade de praticar o que você sabe, mas não saber nada. É como ser ouvido mas não saber o que falar, ter os motivos mas não saber quais são.
É difícil. Pois essa sensação me arranca os cobertores e a razão todo o dia, e leva tudo ao chão. É tão dificil quanto ser vista mas não ser notada.
E entre garrafas, choros e declarações me deito. O choro enche as garrafas e as declarações me matam.
E quando lentamente a saniedade se aproxima, mais uma garrafa de lágrimas vai ao chão, quebrando em milhares de cacos e lamúrias, me cortando dos pés a cabeça, me fazendo ver que sou apenas de carne e osso, um ser humano comum, com preocupações comuns, com uma vida comum. Mas com um coração dilacerado, perto de mais do cérebro, por ter sido arrancado de meu peito e jogado ao lado do meu corpo sem utilidade.
E mais tarde, com flashes e sorrisos a graciosidade tenta voltar, iluminando o que antes era como um breu, deixando visíveis as falhas que os olhos por si só não enxergam, escancarando a verdade sobre o sentimento. E a verdade é que o amor é procurado pela perfeição, e não por si.
A verdade é que tudo é mentira, e as cicatrizes nada provam, e as palavras nada dizem, e os gestos nada expressam.
Pois eu tenho apenas o chaveiro, mas as chaves...
Isso me faz pensar nessa sensação que tenho, e quase sempre tive, de possuir o chaveiro mas não as chaves. Sabe como é? Você tem algo, que só é útil quando junto à outro algo. As duas coisas se completam. É como sentir amor, mas não ter quem amar. É ter a possibilidade de praticar o que você sabe, mas não saber nada. É como ser ouvido mas não saber o que falar, ter os motivos mas não saber quais são.
É difícil. Pois essa sensação me arranca os cobertores e a razão todo o dia, e leva tudo ao chão. É tão dificil quanto ser vista mas não ser notada.
E entre garrafas, choros e declarações me deito. O choro enche as garrafas e as declarações me matam.
E quando lentamente a saniedade se aproxima, mais uma garrafa de lágrimas vai ao chão, quebrando em milhares de cacos e lamúrias, me cortando dos pés a cabeça, me fazendo ver que sou apenas de carne e osso, um ser humano comum, com preocupações comuns, com uma vida comum. Mas com um coração dilacerado, perto de mais do cérebro, por ter sido arrancado de meu peito e jogado ao lado do meu corpo sem utilidade.
E mais tarde, com flashes e sorrisos a graciosidade tenta voltar, iluminando o que antes era como um breu, deixando visíveis as falhas que os olhos por si só não enxergam, escancarando a verdade sobre o sentimento. E a verdade é que o amor é procurado pela perfeição, e não por si.
A verdade é que tudo é mentira, e as cicatrizes nada provam, e as palavras nada dizem, e os gestos nada expressam.
Pois eu tenho apenas o chaveiro, mas as chaves...
sábado, 26 de dezembro de 2009
E eles diziam...
Que não saberíamos lidar com essas mudanças, que não saberíamos o que fazer com essa liberdade. Mas sinceramente? Acho que nos saímos bem, acho que nos saímos melhor do que imaginávamos.
Apesar de não termos conquistado nossas próprias vidas, estamos cuidando delas do modo que nos agrada, e então eles apontam seus dedos compridos e nos acusam de irresponsabilidade, falta de caráter e de originalidade. E quando lhes mostramos um espelho eles enxergam no reflexo que todos tem os mesmos empregos, as mesmas roupas, o mesmo corte de cabelo, os mesmos sapatos, e a mesma opinião. Então seus gritos agudos quebram os mil espelhos que estão em volta, e resta a todos apenas juntar os cacos de suas imagens, tão importantes e tão comuns.
Apesar de não termos conquistado nossas próprias vidas, estamos cuidando delas do modo que nos agrada, e então eles apontam seus dedos compridos e nos acusam de irresponsabilidade, falta de caráter e de originalidade. E quando lhes mostramos um espelho eles enxergam no reflexo que todos tem os mesmos empregos, as mesmas roupas, o mesmo corte de cabelo, os mesmos sapatos, e a mesma opinião. Então seus gritos agudos quebram os mil espelhos que estão em volta, e resta a todos apenas juntar os cacos de suas imagens, tão importantes e tão comuns.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Simon e Glória I
"Glória, sinto sua falta. E você sabe disso. Mas na noite do teatro de marionetes, algo a assustou. Eu sei disso, mas não sei o que foi! Lembro-me de te olhar durante o teatro inteiro, tentando adivinhar o que você achava ou pensava à respeito do que via e ouvia.
Teve um momento em que sua expressão ficou fria, dura. Indecifrável. Começei a prestar atenção no que acontecia com os marionetes, mas não consegui encontrar o motivo para sua mudança de humor. Assim como não encontrei o motivo para sua saída sem dizer nada, sumindo na noite. Assim como não encontrei razão alguma para você me evitar nessas últimas semanas.
Por isso deixo essa carta à sua porta nesta manhã de fevereiro, quando completaríamos 3 meses juntos.
Por favor, me dê uma chance, não caminhe assim para longe de mim. A partir de hoje mandarei uma carta a cada dois dias para você, até o dia em que você me responder ou me der alguma explicação.
Glória, você é o amor da minha vida, não acho justo o que você está nos fazendo passar, pois sei que sou o amor da sua vida também. Volte para mim. O que quer que a tenha assustado, eu espanto. Eu sempre vou te defender dos seus fantasmas.
Espero que saiba disso. Estarei a espera, e eu realmente não tenho preguiça de escrever para você, portanto, não confie na possibilidade de eu desistir.
Te amo pra sempre.
Simon."
Glória leu a carta pacientemente. Duas lágrimas cairam na carta de Simon, então ela respirou fundo e guardou novamente a primeira carta das 14 que até hoje Simon havia lhe mandado, sem pular um dia sequer. Todas elas lindas, contando dos dias dele sem ela, com histórias e coisas que a faziam rir. Mas Glória não respondeu. Em dois dias Simon escreveria para ela de novo, a 15ª carta. E seu coração estava quase cedendo, e quase confessando à ele o que realmente havia acontecido naquela noite. Tinha até uma carta préviamente escrita, desde que Simon havia lhe mandado a primeira. Queria entregar à ele... deveria esperar a 15ª carta?
Com esses pensamentos ela deitou na cama e lá permaneceu por horas, sem ter noção de tempo. Sem ouvir o telefone, a campainha, a sirene, os gritos. Mas quando a fumaça invadiu o seu quarto ela acordou de seu transe.
Teve um momento em que sua expressão ficou fria, dura. Indecifrável. Começei a prestar atenção no que acontecia com os marionetes, mas não consegui encontrar o motivo para sua mudança de humor. Assim como não encontrei o motivo para sua saída sem dizer nada, sumindo na noite. Assim como não encontrei razão alguma para você me evitar nessas últimas semanas.
Por isso deixo essa carta à sua porta nesta manhã de fevereiro, quando completaríamos 3 meses juntos.
Por favor, me dê uma chance, não caminhe assim para longe de mim. A partir de hoje mandarei uma carta a cada dois dias para você, até o dia em que você me responder ou me der alguma explicação.
Glória, você é o amor da minha vida, não acho justo o que você está nos fazendo passar, pois sei que sou o amor da sua vida também. Volte para mim. O que quer que a tenha assustado, eu espanto. Eu sempre vou te defender dos seus fantasmas.
Espero que saiba disso. Estarei a espera, e eu realmente não tenho preguiça de escrever para você, portanto, não confie na possibilidade de eu desistir.
Te amo pra sempre.
Simon."
Glória leu a carta pacientemente. Duas lágrimas cairam na carta de Simon, então ela respirou fundo e guardou novamente a primeira carta das 14 que até hoje Simon havia lhe mandado, sem pular um dia sequer. Todas elas lindas, contando dos dias dele sem ela, com histórias e coisas que a faziam rir. Mas Glória não respondeu. Em dois dias Simon escreveria para ela de novo, a 15ª carta. E seu coração estava quase cedendo, e quase confessando à ele o que realmente havia acontecido naquela noite. Tinha até uma carta préviamente escrita, desde que Simon havia lhe mandado a primeira. Queria entregar à ele... deveria esperar a 15ª carta?
Com esses pensamentos ela deitou na cama e lá permaneceu por horas, sem ter noção de tempo. Sem ouvir o telefone, a campainha, a sirene, os gritos. Mas quando a fumaça invadiu o seu quarto ela acordou de seu transe.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Reencontro.
As duas semanas que se passaram depois daquele episódio aterrorizante na beira da estrada foram maçantes. Eu não comia, não conseguia me concentrar na faculdade, não conseguia falar direito com ninguém.
Eu havia abandonado o corpo de Jaime na estrada aquela noite, e o mais estranho foi que nada sobre o corpo foi divulgado em lugar nenhum. Talvez aquele homem, aquele ser tivesse dado um jeito de escondê-lo. Ou talvez ninguém soubesse o que havia acontecido e preferiam ocultar toda a história. Eu não fui ao encontro das autoridades, nem de ninguém.
Toda vez que eu pensava em recordar o modo como Jaime havia morrido para poder relatar à alguém, as coisas que eu havia imaginado ou visto... eu desatava a chorar. E era essa a questão. Eu não sabia se aquilo tudo havia sido real ou apenas fruto da minha imaginação. Será que eu estava me transformando em um Tyler Durden? Dois em um? Que espécie de mente doente imaginaria algo desse tipo?
Não, aquilo HAVIA acontecido. Era impossível Jaime sumir assim, e ainda mais impossível que eu tivesse o matado. Sem rastro nenhum, sem sangue.
Wayne. Esse era o nome que me assombrava noite após noite, sorrindo para mim e estendendo meu brinco, me convidando a me juntar à ele. Algo em mim dizia que sim, Wayne existia, e ele era algo extraordinário que me intrigava, mas do qual eu deveria manter distância.
“- Minha cara, estou lhe oferecendo um presente, um dom. Gostaria de ser imortal?”
- Senhorita Wess? Algo errado?
Olhei em volta, todos me encaravam preocupados, então percebi que eu estava rangendo os dentes e chorando. Limpei meu rosto e levantei.
- Desculpe Senhor Rigged, mas eu poderia tomar um ar?
- Claro, vá vá.
Saí da sala e fui até o banheiro, me olhei no espelho e revirei os olhos.
- Ridícula.
Liguei a torneira e joguei água no rosto, mas quando sequei-o e abri os olhos novamente, vi a imagem do misterioso Wayne no lugar da minha, refletido no espelho, e mais uma vez gritei. Mas bastou piscar para a imagem desaparecer.
- RIDÍCULA RIDÍCULA! - Chutei a lata de lixo do banheiro e saí com pressa. Estava ficando maluca, no dia seguinte mesmo procuraria algum profissional, algum psiquiatra ou psicanalista, caso contrário começaria a arrancar meus cabelos. Resolvi ir até a biblioteca e procurar algum livro, mas o que eu encontrei foi algum tipo de feira de quadrinhos, pessoas vestidas de Superman, The Flash e outros super heróis. Até que algo chamou minha atenção.
'WAYNE'. Na verdade dizia 'BRUCE WAYNE'. Era um cartaz grande, muito bem feito, com o milionário Wayne e o herói Batman desenhados, a metade de cada um. Foi então que as coisas pareceram se conectar.
O homem morcego.
Isso me fez correr em direção à biblioteca, me xingando baixinho o caminho todo. Claro, porque não? Quem disse que vampiros não existem? Fazia perfeito sentido, não sabia como não tinha pensado naquilo antes. Me direcionei ao balcão da bibliotecária.
- Vocês tem alguma sessão sobre vampiros?
A mulher me olhou estranho, e indicou uma prateleira. Olhei naquela direção e vi que era a parte de ficção.
- Não não, eu digo, aquele tipo de livro que vemos nos filmes sabe? Grandes, antigos, sobre a suposta história da origem de vampiros, lobisomens, unicórnios...?
Sorri para fazer graça, mas não adiantou nada.
- Desculpa, mas não estamos em um filme.
Com isso suspirei e fui até a prateleira de ficção vampiresca. O que fiz foi retirar três livros de autores diferentes, queria ver o que eu conseguia espremer da ficção, se seria algo parecido com o qual eu havia passado duas semanas antes.
Resolvi reler o romance de Anne Rice, 'Entrevista com o Vampiro', 'Prazeres Malditos' me chamou atenção por seu título, de Laurell K. Hamilton, e por fim, 'Irmãs de Sangue', de Rick Nobre. Não sei o que esperava encontrar nesses livros, mas logo que os retirei fui direto para casa. Quando cheguei larguei tudo no chão e fui direto para o banho.
Quando saí já vestida, apertei o botão da secretária para ouvir os recados. A maioria deles eram iguais.
"Elle? Onde você anda? Fazem dias que não ouço de você, poderia me ligar? Val."
"Senhorita Wess, você perdeu seu horário com o Doutor Richard na quarta-feira, gostaria de remarcar? Ligue-nos o mais rápido possível, temos boas notícias!"
"Elle, é o Jet, porque não responde às minhas ligações? Precisamos conversar, acho que isso não está funcionando..."
"Filha, você me deve explicações para esse sumiço..."
Enquanto ouvia fui em direção à porta, onde havia deixado minhas coisas. Agora era minha irmã que falava na secretária.
"Elle, porque o Jet me ligou perguntando de você? Porque a mamãe me perguntou de você? Porque TODO MUNDO me liga querendo saber de você? O que tá acontecendo einh?..."
Meu sangue gelou. Minhas coisas não estavam mais no chão. Fiquei 5 segundos parada, olhando para o mesmo lugar. Então engoli em seco e olhei em volta. Estava tudo em cima da mesa, organizado. Livros empilhados, materiais organizados com a matéria do dia aberta, e ainda uma xícara cheia do que, pelo cheiro, eu suspeitava ser café.
- Vampiro... Wayne?
Sussurrei. Como que ouvindo ao meu chamado, ele praticamente se materializou na outra extremidade da sala.
- Chamou, milady?
Mais uma vez, aquele sorriso zombeteiro estava em minha frente. As lembranças me atingiram em cheio como um bastão de baseball.
- Já tenho uma resposta sua? Já sabe se quer se tornar imortal? Pelo visto o assunto a interessou...
Ele apontou os livros em cima da mesa e eu acompanhei com o olhar. Muda. Estarrecida.
Comecei a me sentir fraca e a tremer. Então tudo ficou escuro.
Eu havia abandonado o corpo de Jaime na estrada aquela noite, e o mais estranho foi que nada sobre o corpo foi divulgado em lugar nenhum. Talvez aquele homem, aquele ser tivesse dado um jeito de escondê-lo. Ou talvez ninguém soubesse o que havia acontecido e preferiam ocultar toda a história. Eu não fui ao encontro das autoridades, nem de ninguém.
Toda vez que eu pensava em recordar o modo como Jaime havia morrido para poder relatar à alguém, as coisas que eu havia imaginado ou visto... eu desatava a chorar. E era essa a questão. Eu não sabia se aquilo tudo havia sido real ou apenas fruto da minha imaginação. Será que eu estava me transformando em um Tyler Durden? Dois em um? Que espécie de mente doente imaginaria algo desse tipo?
Não, aquilo HAVIA acontecido. Era impossível Jaime sumir assim, e ainda mais impossível que eu tivesse o matado. Sem rastro nenhum, sem sangue.
Wayne. Esse era o nome que me assombrava noite após noite, sorrindo para mim e estendendo meu brinco, me convidando a me juntar à ele. Algo em mim dizia que sim, Wayne existia, e ele era algo extraordinário que me intrigava, mas do qual eu deveria manter distância.
“- Minha cara, estou lhe oferecendo um presente, um dom. Gostaria de ser imortal?”
- Senhorita Wess? Algo errado?
Olhei em volta, todos me encaravam preocupados, então percebi que eu estava rangendo os dentes e chorando. Limpei meu rosto e levantei.
- Desculpe Senhor Rigged, mas eu poderia tomar um ar?
- Claro, vá vá.
Saí da sala e fui até o banheiro, me olhei no espelho e revirei os olhos.
- Ridícula.
Liguei a torneira e joguei água no rosto, mas quando sequei-o e abri os olhos novamente, vi a imagem do misterioso Wayne no lugar da minha, refletido no espelho, e mais uma vez gritei. Mas bastou piscar para a imagem desaparecer.
- RIDÍCULA RIDÍCULA! - Chutei a lata de lixo do banheiro e saí com pressa. Estava ficando maluca, no dia seguinte mesmo procuraria algum profissional, algum psiquiatra ou psicanalista, caso contrário começaria a arrancar meus cabelos. Resolvi ir até a biblioteca e procurar algum livro, mas o que eu encontrei foi algum tipo de feira de quadrinhos, pessoas vestidas de Superman, The Flash e outros super heróis. Até que algo chamou minha atenção.
'WAYNE'. Na verdade dizia 'BRUCE WAYNE'. Era um cartaz grande, muito bem feito, com o milionário Wayne e o herói Batman desenhados, a metade de cada um. Foi então que as coisas pareceram se conectar.
O homem morcego.
Isso me fez correr em direção à biblioteca, me xingando baixinho o caminho todo. Claro, porque não? Quem disse que vampiros não existem? Fazia perfeito sentido, não sabia como não tinha pensado naquilo antes. Me direcionei ao balcão da bibliotecária.
- Vocês tem alguma sessão sobre vampiros?
A mulher me olhou estranho, e indicou uma prateleira. Olhei naquela direção e vi que era a parte de ficção.
- Não não, eu digo, aquele tipo de livro que vemos nos filmes sabe? Grandes, antigos, sobre a suposta história da origem de vampiros, lobisomens, unicórnios...?
Sorri para fazer graça, mas não adiantou nada.
- Desculpa, mas não estamos em um filme.
Com isso suspirei e fui até a prateleira de ficção vampiresca. O que fiz foi retirar três livros de autores diferentes, queria ver o que eu conseguia espremer da ficção, se seria algo parecido com o qual eu havia passado duas semanas antes.
Resolvi reler o romance de Anne Rice, 'Entrevista com o Vampiro', 'Prazeres Malditos' me chamou atenção por seu título, de Laurell K. Hamilton, e por fim, 'Irmãs de Sangue', de Rick Nobre. Não sei o que esperava encontrar nesses livros, mas logo que os retirei fui direto para casa. Quando cheguei larguei tudo no chão e fui direto para o banho.
Quando saí já vestida, apertei o botão da secretária para ouvir os recados. A maioria deles eram iguais.
"Elle? Onde você anda? Fazem dias que não ouço de você, poderia me ligar? Val."
"Senhorita Wess, você perdeu seu horário com o Doutor Richard na quarta-feira, gostaria de remarcar? Ligue-nos o mais rápido possível, temos boas notícias!"
"Elle, é o Jet, porque não responde às minhas ligações? Precisamos conversar, acho que isso não está funcionando..."
"Filha, você me deve explicações para esse sumiço..."
Enquanto ouvia fui em direção à porta, onde havia deixado minhas coisas. Agora era minha irmã que falava na secretária.
"Elle, porque o Jet me ligou perguntando de você? Porque a mamãe me perguntou de você? Porque TODO MUNDO me liga querendo saber de você? O que tá acontecendo einh?..."
Meu sangue gelou. Minhas coisas não estavam mais no chão. Fiquei 5 segundos parada, olhando para o mesmo lugar. Então engoli em seco e olhei em volta. Estava tudo em cima da mesa, organizado. Livros empilhados, materiais organizados com a matéria do dia aberta, e ainda uma xícara cheia do que, pelo cheiro, eu suspeitava ser café.
- Vampiro... Wayne?
Sussurrei. Como que ouvindo ao meu chamado, ele praticamente se materializou na outra extremidade da sala.
- Chamou, milady?
Mais uma vez, aquele sorriso zombeteiro estava em minha frente. As lembranças me atingiram em cheio como um bastão de baseball.
- Já tenho uma resposta sua? Já sabe se quer se tornar imortal? Pelo visto o assunto a interessou...
Ele apontou os livros em cima da mesa e eu acompanhei com o olhar. Muda. Estarrecida.
Comecei a me sentir fraca e a tremer. Então tudo ficou escuro.
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009
A criatura.
"Esplêndida", foi a única coisa que pensei quando a vi. Fazia pouco tempo que havia despertado, e a bela visão daquela garota despertou-me um interesse descomunal. Hallowd chamaria isso de "paixão vampiresca", mas isso é um termo muito ridículo, e prefiro dizer que sua beleza exterior era similar ao aroma de seu sangue, que me convidava, debochando.
Havia um homem, o motorista, junto com ela no carro. Creio ter ouvido o nome "Jaime" em minha mente, e certamente o homem calvo se chamava assim. Mas a bela dama ofuscava minha visão, sua beleza era radiante, uma beleza que eu não via há séculos. E eu a segui.
Quando o carro parou, em frente a uma construção abandonada, tratei de vigiar de cima de uma árvore, e vi Jaime sair pela porta do motorista e abrir o capô do carro. Provavelmente estava verificando algum defeito no motor, pois o ouvi dizer à garota:
- O motor está muito quente, teremos que esperar a temperatura baixar um pouco se quisermos seguir.
Suas palavras incitaram meu desejo de agir, e me aproximei rapidamente do carro, parando ao lado da porta do passageiro, para onde a garota permanecia olhando. Então, ela me viu - uma pálida figura de longos cabelos cacheados cor de mel - e tentou gritar.
Entretanto, seu grito foi abafado por minha fria mão, que agora tocava suavemente seus lábios, ah, o doce dom das trevas. Os sublimes poderes que cada um recebia de forma diferente, e que foram de grande utilidade quando meu olhar penetrante fez a bela donzela ficar inconsciente, pendendo sua cabeça para o lado.
Jaime avistou-me e gritou algumas ofensas, mas o medo rugia em seus batimentos cardíacos, e ele não conseguiu sair do local onde estava. Foi extremamente fácil me aproximar de seu rosto e proferir em seu ouvido as últimas palavras que ele ouviria outro ser dizer, e acredito ter falado algo como "bons sonhos" ou "durma bem", mas isso é irrelevante.
Seu coração assumiu um tamborilar frenético, e o impulso de sentir esse ritmo correr por minhas veias tomou conta de meus instintos, fazendo-me cravar meus caninos em seu pescoço, sugando suave e lentamente o seu sangue quente e atraindo toda a minha atenção para o vitæ que corria por minha boca.
Jaime agora jazia no chão, morto e frio. Drenei totalmente seu sangue, enquanto a garota, inconsciente, permanecia no banco do passageiro, esperando por seu destino. Mas, fiquei em dúvida se iria realmente matá-la, pois ela parecia um alvo perfeito para um momento de terror.
Resolvi então carregá-la para dentro da antiga pousada abandonada e deixá-la atrás de uma porta, e assim o fiz, abrindo, posteriormente, todas as portas da antiga pousada.Achei um isqueiro no chão e o coloquei no bolso, e o acendi quando a garota acordou, desnorteada.
Oh, o ruflar de seu coração soou como música em meus ouvidos, e tratei de apagar o isqueiro, fazendo a penumbra inundar aquele cômodo. A garota estava em um estado de desespero tão inocente, tão doce, que acabei não resistindo e falei carinhosamente em seu ouvido:
- Corra.
Como um pobre animal assustado ela virou-se, mas minha velocidade sobrenatural era tremendamente superior à velocidade mortal dela, e pude me locomover rapidamente enquanto via ela correr pela pousada. Corri de sala em sala, de quarto em quarto enquanto ela olhava para o interior dos mesmos, e pude assim atormentá-la com a mesma visão de uma criatura não-humana.
Suas passadas largas e seus movimentos bruscos ocasionaram na queda de um de seus brincos, uma peça que parecia valiosa, e eu peguei este belo artefato rubro. A garota, assustada, encontrou a porta da frente e correu de volta para o carro, onde eu já a aguardava no banco do passageiro, com seu brinco em mãos.
Então, ela riu. Gargalhou de seu momento de terror, e ouvi em minha mente que aqueles minutos foram a ilusão mais banal que ela já tinha vivido. Isso me afetou como uma espécie de insulto, e a raiva cresceu dentro de mim.
"Wayne, as pessoas não nos vêem mais como figuras sombrias, como seres que se alimentam de vida, a idéia humana de hoje em dia é ridícula", dizia Hallowd, mas eu nunca acreditei em suas palavras lamuriosas, afinal, se temos a imortalidade, devemos usá-la da maneira que melhor nos serve, certo? E o que mais gosto é atormentar e torturas os mortais.
- Você deixou cair esse brinco.
Seus olhos se arregalaram, e ela não pôde produzir o grito que sua mente comandava.
- Não quero que se assuste, minha cara. - menti. - Eu me chamo Wayne, e vim fazer-lhe um pedido. - eu disse, esperando despertar o interesse naquela jovem beldade. - Eu gostaria que você se juntasse a mim nesta caminhada, afinal, sua beleza me encantou, devo admitir.
Pela primeira vez em minha vida imortal eu estava dizendo palavras sem pensar. Estaria eu apaixonado pela mortal? Não. Eu jamais me apaixonaria por um ser inferior. Seria ridículo.
- Minha cara, estou lhe oferecendo um presente, um dom. Gostaria de ser imortal? - perguntei, e não obtive resposta, pois seu medo a dominava. - Pois bem, eu volto quando estiveres mais calma, então poderemos conversar melhor. Tenha uma boa noite, milady.
E saí do carro, rumando a noite.
Por Nathan Ritzel dos Santos
Havia um homem, o motorista, junto com ela no carro. Creio ter ouvido o nome "Jaime" em minha mente, e certamente o homem calvo se chamava assim. Mas a bela dama ofuscava minha visão, sua beleza era radiante, uma beleza que eu não via há séculos. E eu a segui.
Quando o carro parou, em frente a uma construção abandonada, tratei de vigiar de cima de uma árvore, e vi Jaime sair pela porta do motorista e abrir o capô do carro. Provavelmente estava verificando algum defeito no motor, pois o ouvi dizer à garota:
- O motor está muito quente, teremos que esperar a temperatura baixar um pouco se quisermos seguir.
Suas palavras incitaram meu desejo de agir, e me aproximei rapidamente do carro, parando ao lado da porta do passageiro, para onde a garota permanecia olhando. Então, ela me viu - uma pálida figura de longos cabelos cacheados cor de mel - e tentou gritar.
Entretanto, seu grito foi abafado por minha fria mão, que agora tocava suavemente seus lábios, ah, o doce dom das trevas. Os sublimes poderes que cada um recebia de forma diferente, e que foram de grande utilidade quando meu olhar penetrante fez a bela donzela ficar inconsciente, pendendo sua cabeça para o lado.
Jaime avistou-me e gritou algumas ofensas, mas o medo rugia em seus batimentos cardíacos, e ele não conseguiu sair do local onde estava. Foi extremamente fácil me aproximar de seu rosto e proferir em seu ouvido as últimas palavras que ele ouviria outro ser dizer, e acredito ter falado algo como "bons sonhos" ou "durma bem", mas isso é irrelevante.
Seu coração assumiu um tamborilar frenético, e o impulso de sentir esse ritmo correr por minhas veias tomou conta de meus instintos, fazendo-me cravar meus caninos em seu pescoço, sugando suave e lentamente o seu sangue quente e atraindo toda a minha atenção para o vitæ que corria por minha boca.
Jaime agora jazia no chão, morto e frio. Drenei totalmente seu sangue, enquanto a garota, inconsciente, permanecia no banco do passageiro, esperando por seu destino. Mas, fiquei em dúvida se iria realmente matá-la, pois ela parecia um alvo perfeito para um momento de terror.
Resolvi então carregá-la para dentro da antiga pousada abandonada e deixá-la atrás de uma porta, e assim o fiz, abrindo, posteriormente, todas as portas da antiga pousada.Achei um isqueiro no chão e o coloquei no bolso, e o acendi quando a garota acordou, desnorteada.
Oh, o ruflar de seu coração soou como música em meus ouvidos, e tratei de apagar o isqueiro, fazendo a penumbra inundar aquele cômodo. A garota estava em um estado de desespero tão inocente, tão doce, que acabei não resistindo e falei carinhosamente em seu ouvido:
- Corra.
Como um pobre animal assustado ela virou-se, mas minha velocidade sobrenatural era tremendamente superior à velocidade mortal dela, e pude me locomover rapidamente enquanto via ela correr pela pousada. Corri de sala em sala, de quarto em quarto enquanto ela olhava para o interior dos mesmos, e pude assim atormentá-la com a mesma visão de uma criatura não-humana.
Suas passadas largas e seus movimentos bruscos ocasionaram na queda de um de seus brincos, uma peça que parecia valiosa, e eu peguei este belo artefato rubro. A garota, assustada, encontrou a porta da frente e correu de volta para o carro, onde eu já a aguardava no banco do passageiro, com seu brinco em mãos.
Então, ela riu. Gargalhou de seu momento de terror, e ouvi em minha mente que aqueles minutos foram a ilusão mais banal que ela já tinha vivido. Isso me afetou como uma espécie de insulto, e a raiva cresceu dentro de mim.
"Wayne, as pessoas não nos vêem mais como figuras sombrias, como seres que se alimentam de vida, a idéia humana de hoje em dia é ridícula", dizia Hallowd, mas eu nunca acreditei em suas palavras lamuriosas, afinal, se temos a imortalidade, devemos usá-la da maneira que melhor nos serve, certo? E o que mais gosto é atormentar e torturas os mortais.
- Você deixou cair esse brinco.
Seus olhos se arregalaram, e ela não pôde produzir o grito que sua mente comandava.
- Não quero que se assuste, minha cara. - menti. - Eu me chamo Wayne, e vim fazer-lhe um pedido. - eu disse, esperando despertar o interesse naquela jovem beldade. - Eu gostaria que você se juntasse a mim nesta caminhada, afinal, sua beleza me encantou, devo admitir.
Pela primeira vez em minha vida imortal eu estava dizendo palavras sem pensar. Estaria eu apaixonado pela mortal? Não. Eu jamais me apaixonaria por um ser inferior. Seria ridículo.
- Minha cara, estou lhe oferecendo um presente, um dom. Gostaria de ser imortal? - perguntei, e não obtive resposta, pois seu medo a dominava. - Pois bem, eu volto quando estiveres mais calma, então poderemos conversar melhor. Tenha uma boa noite, milady.
E saí do carro, rumando a noite.
Por Nathan Ritzel dos Santos
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Dias Quentes.
É estranho passar por esse tipo de dia. Dia quente que me dá uma sensação de nostalgia. Uma saudade que contagia. Essa loucura que me dá arrepios e me enche os olhos de dor.
Os dias quentes que me fazem pensar em tudo que eu deveria fazer naquele instante, em tudo o que eu poderia fazer. Os dias quentes que me entristecem.
Nas nuvens medo, curiosidade, divertimento, enquanto o sol me impede de ver, enquanto eu derreto em lágrimas, enquanto eu derretia em mãos e me fundia com uma espécie de vazio.
Dias quentes me fazem andar sem razão, me fazem girar e pedir perdão. Confissões. Seriedade.
Tudo isso, seria o que? Tudo isso, significa algo?
Os dias quentes que me fazem pensar em tudo que eu deveria fazer naquele instante, em tudo o que eu poderia fazer. Os dias quentes que me entristecem.
Nas nuvens medo, curiosidade, divertimento, enquanto o sol me impede de ver, enquanto eu derreto em lágrimas, enquanto eu derretia em mãos e me fundia com uma espécie de vazio.
Dias quentes me fazem andar sem razão, me fazem girar e pedir perdão. Confissões. Seriedade.
Tudo isso, seria o que? Tudo isso, significa algo?
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
A presa
Eu estava atrás da porta, tentando respirar devagar e sem fazer muito barulho, tudo estava escuro naquele momento. Mas ao longe uma luz acendeu. Meus olhos se arregalaram e eu ouvi uma risada, que trouxe lágrimas aos meus olhos, minha mão imediatamente estava sobre minha boca, me impedindo de gritar. E então eu comecei a tremer quando a luz apagou. Eu não sabia o que estava acontecendo. Minutos antes eu estava com Jaime no carro, e agora estava dentro dessa espécie de pousada abandonada fugindo de alguém. Alguém? Não, de alguma coisa, o que quer que fosse não era humano.
Tanto tempo se passou que a minha tremedeira diminuiu e não ouvi nada. Nenhuma risada, nenhum passo, nenhuma voz. Engoli em seco e saí de trás da porta, olhando para todos os lados, me certificando de que não tinha ninguém lá.
- Corra.
A voz foi tão baixa e parecia estar tão próxima que naquele silêncio eu gritei mais alto do que achava possível. Dei um salto e virei para trás para encontrar o vazio. Como se tivesse obedecendo a voz comecei a correr nos corredores, buscando uma saída. Nada além da minha respiração, do meu coração e de minha passada rápida e cheia de medo. Quando virei no corredor da saída, por cada porta que eu passava correndo eu tinha a impressão de ver alguém. E não eram pessoas diferentes, era sempre a mesma. “Pessoas?”, pensei comigo novamente.
Quando minha mão tocou na maçaneta dourada da porta eu senti algo pegajoso. Pensei ter ouvido algo atrás de mim e por isso não parei para ver o que tinha na maçaneta, só abri a porta e corri em direção ao campo vazio para longe daquela casa estranha amaldiçoada. Quando cheguei no carro novamente comecei a rir. Rir alto. Mas ao olhar para o banco do passageiro meu riso se transformou em um grito de horror.
- Você deixou cair esse brinco.
Meus olhos ficaram mais arregalados do que haviam ficado instantes antes. Minhas mãos travaram no volante, e a mão pálida daquela criatura encostou em mim. Um filete rubro se esticava do canto de sua boca até seu queixo. Então minha boca só abria e fechava, sem emitir som algum.
A criatura sorriu apenas com o canto dos lábios
Tanto tempo se passou que a minha tremedeira diminuiu e não ouvi nada. Nenhuma risada, nenhum passo, nenhuma voz. Engoli em seco e saí de trás da porta, olhando para todos os lados, me certificando de que não tinha ninguém lá.
- Corra.
A voz foi tão baixa e parecia estar tão próxima que naquele silêncio eu gritei mais alto do que achava possível. Dei um salto e virei para trás para encontrar o vazio. Como se tivesse obedecendo a voz comecei a correr nos corredores, buscando uma saída. Nada além da minha respiração, do meu coração e de minha passada rápida e cheia de medo. Quando virei no corredor da saída, por cada porta que eu passava correndo eu tinha a impressão de ver alguém. E não eram pessoas diferentes, era sempre a mesma. “Pessoas?”, pensei comigo novamente.
Quando minha mão tocou na maçaneta dourada da porta eu senti algo pegajoso. Pensei ter ouvido algo atrás de mim e por isso não parei para ver o que tinha na maçaneta, só abri a porta e corri em direção ao campo vazio para longe daquela casa estranha amaldiçoada. Quando cheguei no carro novamente comecei a rir. Rir alto. Mas ao olhar para o banco do passageiro meu riso se transformou em um grito de horror.
- Você deixou cair esse brinco.
Meus olhos ficaram mais arregalados do que haviam ficado instantes antes. Minhas mãos travaram no volante, e a mão pálida daquela criatura encostou em mim. Um filete rubro se esticava do canto de sua boca até seu queixo. Então minha boca só abria e fechava, sem emitir som algum.
A criatura sorriu apenas com o canto dos lábios
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domingo, 20 de dezembro de 2009
Facilidade.
Tão fácil quanto ficar feliz. Tão fácil quanto parecer morta.
Tão fácil quanto chegar ao extremo, ou quanto à ser o mínimo que se pode.
É fácil sorrir, é fácil chorar, é fácil trair e é fácil amar. É fácil gritar ou ficar em silêncio. É fácil de mais retribuir um sorriso ou usar uma máscara.
Mais fácil ainda é abraçar, beijar, dançar.
O difícil mesmo, quando gostamos da sensação ou precisamos de tudo isso, é parar.
Não começe algo que você acha que não vai conseguir terminar.
Tão fácil quanto chegar ao extremo, ou quanto à ser o mínimo que se pode.
É fácil sorrir, é fácil chorar, é fácil trair e é fácil amar. É fácil gritar ou ficar em silêncio. É fácil de mais retribuir um sorriso ou usar uma máscara.
Mais fácil ainda é abraçar, beijar, dançar.
O difícil mesmo, quando gostamos da sensação ou precisamos de tudo isso, é parar.
Não começe algo que você acha que não vai conseguir terminar.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Labirinto?
Aqui novamente. Como sempre, volto ao ponto de partida onde entre lágrimas e arranhões me entrego ao vazio da falta de vontade. A solidão às vezes parece ser muito melhor, principalmente quando me sinto presa.
Fiquei aqui estagnada, presa aos motivos errados e aos quereres errados. Sempre pensei muito mais que isso, e me esqueci porque esse meu "sempre", essa pessoa que eu sou de verdade, ama. E amar não é fácil para mim. Acredito que não seja fácil para ninguem.
Me atraí a idéia de andar sem rumo, de sempre procurar por algo em algum lugar, e quando nao acho, vou para o próximo. Sempre. Sem nunca chegar ao ponto do qual parti. Sempre sentido algo novo em algum lugar novo. Sofrendo mudanças tão rápidas que nem dá tempo de sentir. Que nem dá tempo de doer.
Porque sempre volto pra cá? Se meu destino é sair pra não mais voltar?
Fiquei aqui estagnada, presa aos motivos errados e aos quereres errados. Sempre pensei muito mais que isso, e me esqueci porque esse meu "sempre", essa pessoa que eu sou de verdade, ama. E amar não é fácil para mim. Acredito que não seja fácil para ninguem.
Me atraí a idéia de andar sem rumo, de sempre procurar por algo em algum lugar, e quando nao acho, vou para o próximo. Sempre. Sem nunca chegar ao ponto do qual parti. Sempre sentido algo novo em algum lugar novo. Sofrendo mudanças tão rápidas que nem dá tempo de sentir. Que nem dá tempo de doer.
Porque sempre volto pra cá? Se meu destino é sair pra não mais voltar?
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
1000 crônicas
"1000 crônicas de uma vida, dia após dia o mundo a enche de novidades e de mais bagagem.
O questionamento da saniedade permanece forte, e as mentiras pairam em volta, porque elas não vêm de dentro pra fora. É de fora pra dentro.
O questionamento da inteligência também se mantêm firme, e a promessa sempre é quebrada pela vontade de quebrar a si mesma.
Saindo do corpo ela consegue ver tudo de cima, manipular a situação como quiser, como se não fosse ela lá. Mas ninguém pode bancar o deus por muito tempo sem ser atingido.
Ela foi atingida em cheio. Em lágrimas de chuva ela deita, em lamentos de solidão ela fica, e lá permanece. Aos poucos perdendo o fio de vida que lhe resta, de olhos abertos e expressão serena. Em uma mão, o coração, na outra, sua mente. Quando o tempo acabar, ela escolherá um dos dois. Os dois machucam, tem seus prós e contras.
Desfaleceu.
Aos poucos os olhos se fecham, os olhos derretem, a pele cai. E então ela sorri. Não esperava nada mais, nem nada menos de si."
O questionamento da saniedade permanece forte, e as mentiras pairam em volta, porque elas não vêm de dentro pra fora. É de fora pra dentro.
O questionamento da inteligência também se mantêm firme, e a promessa sempre é quebrada pela vontade de quebrar a si mesma.
Saindo do corpo ela consegue ver tudo de cima, manipular a situação como quiser, como se não fosse ela lá. Mas ninguém pode bancar o deus por muito tempo sem ser atingido.
Ela foi atingida em cheio. Em lágrimas de chuva ela deita, em lamentos de solidão ela fica, e lá permanece. Aos poucos perdendo o fio de vida que lhe resta, de olhos abertos e expressão serena. Em uma mão, o coração, na outra, sua mente. Quando o tempo acabar, ela escolherá um dos dois. Os dois machucam, tem seus prós e contras.
Desfaleceu.
Aos poucos os olhos se fecham, os olhos derretem, a pele cai. E então ela sorri. Não esperava nada mais, nem nada menos de si."
domingo, 13 de dezembro de 2009
Shh!
Uma vez eu queria ganhar. Só queria ser diferente. Só queria sonhar e sentir de novo.
Esqueci do mundo, e fui por ele esquecida.
Esqueci do mundo, e fui por ele esquecida.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Você está bonita hoje...
"Inspiração vem da onde a gente menos espera, carinho brota nas horas mais inesperadas, e um pensamento triste pode ser afastado. Elas me ensinaram isso. Me fizeram aprender, e em cada dia acrescentaram coisas diferentes em mim. Tiraram o chato, substituiram pelo alegre. Eu só tenho mesmo é que agradecer, e que dizer que se eu sou feliz, é porque todo dia vocês me fizeram e me fazem feliz, vocês me põem pra cima, me fazem rir e esquecer o que me incomoda. Vocês são as melhores que poderiam ser , e sinto que despertam o meu melhor. Depois de tanto tempo, posso afirmar SIM que é amor. Vocês me entendem nos dias que eu estou incompreensível. Me aproximam nos dias que eu quero repelir todo mundo. Me respeitam quando é tudo o que preciso. E sempre, sempre mesmo, me fazem sorrir quando estão por perto, mesmo que eu queira chorar. E quando eu quero chorar, me abraçam antes que eu começe. Obrigada minhas guardiãs, sem vocês eu não seria nada, sem vocês eu não sentiria felicidade."
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Água.
Não entendo como sempre tenta se mostrar a verdade toda, mas nunca se consegue. Parece que a verdade muda constantemente, deixando para trás a antiga verdade, transformada em mentira pelo presente. Em palavras simples, as coisas mudam.
Andei despreocupada pois me foquei em algo, mas a angústia e a dor de ver minha imagem refletida no espelho não vão embora. A sensação de estar presa a qualquer coisa me irrita, quero fechar os olhos e sair de mim. Muitas vezes nem lembro o que acontece então.
A verdade é que ninguém sabe, mas eu quero muito falar, aquele motivo que é só meu, aquele motivo que me mata um pouquinho cada dia. Tem nome, endereço, data e hora. Mas agora que o motivo desapareceu o que me resta? A não ser a solidão e a ânsia por mais?
Beijar e não sentir os lábios. Tocar só por desespero, ansiedade das mãos, dor do corpo.
Lágrimas não vem quando eu chamo, elas vem quando são difíceis de explicar.
As coisas mudam, mas a minha maldita essência continua aqui, minha certeza reforçada pela rotina, meus motivos transformados em coisas vazias. Quem sabe assim, tudo não melhora? Quem sabe assim...
Meu quarto inundou.
Andei despreocupada pois me foquei em algo, mas a angústia e a dor de ver minha imagem refletida no espelho não vão embora. A sensação de estar presa a qualquer coisa me irrita, quero fechar os olhos e sair de mim. Muitas vezes nem lembro o que acontece então.
A verdade é que ninguém sabe, mas eu quero muito falar, aquele motivo que é só meu, aquele motivo que me mata um pouquinho cada dia. Tem nome, endereço, data e hora. Mas agora que o motivo desapareceu o que me resta? A não ser a solidão e a ânsia por mais?
Beijar e não sentir os lábios. Tocar só por desespero, ansiedade das mãos, dor do corpo.
Lágrimas não vem quando eu chamo, elas vem quando são difíceis de explicar.
As coisas mudam, mas a minha maldita essência continua aqui, minha certeza reforçada pela rotina, meus motivos transformados em coisas vazias. Quem sabe assim, tudo não melhora? Quem sabe assim...
Meu quarto inundou.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Colecionando dor.
(...) Então, aqui estou, no mesmo lugar de sempre. Perdida em lembranças, em desejos, em decisões e em tristeza. Acho que mesmo que eu tivesse tomado outras decisões, que eu tivesse escolhido outros caminhos, mesmo assim eu estaria onde estou. Sempre me encontro em situações como essa, onde finalmente se volta ao vazio e á indiferença, quando ponho minhas lembranças em pílulas que somente tomarei em caso de emergência. Colecionando dor e talvez, um pouco de amor. Mas acho que cada um sabe o seu lugar, e acredito que o meu seja meu, sozinha. E como eu queria que não fosse assim! Mas ás vezes simplesmente é. Tem tanta gente que daria tudo pra ter uma vida que nem a minha, pra ter essa minha realidade que é menos pior do que a de tanta gente. (...)
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
A hipocrisia nos olhos da falsa sabedoria.
Não passa disso quando tu te vês no espelho de meus olhos, que levam ao que penso. Tu não passas disso para mim, um orgulho que virou desprezo. Uma carga que serviu apenas de peso morto, arrastada por anos, e agora que ela finalmente é grande o suficiente para ser usada, não pareces usá-la com sabedoria, parece que nem a percebestes lá, e não serei eu quem mostrarei em que momento do seu fatídico dia perdestes tua moral. Para mim é nojento o jeito que te vejo, é algo que não queria que fosse como é. Tuas ações e palavras sem justificativa, só mostram o quanto tu perdestes o controle das coisas e o quão desesperado estás para ter algo em mãos novamente. Tenho tanta certeza dessa minha verdade que sou disposta a por o que quiseres nessa mesa de jogos que transformastes nossa relação. E dentro desse barraco que vives, do teu mundo, onde ninguém viveu tanto quanto tu, onde ninguém sabe tanto quando sabes, onde tanto amor e tanto horror abalam os pilares da frágil construção de algo sincero, irás ficar. Condenado estás. Sorria para o teu lar, o circo. Porque realmente, não passas de um palhaço para mim.
E podes bradar aos quatro ventos que o que eu quiser tu me darás, mas te digo que só quero justiça, que quero que use a sabedoria que adquiriu de tantos anos de maneira correta e menos equivocada, quero que sejas menos normal, quero que te esqueças um momento, que pares de falar o que não queres ou o que preferes, o que não farias ou o que achas. Achar não é saber. Julgar não é amar. Porque julgar é como definir, julgando limita-se. No momento que julga outro, outro tem o direito de te julgar. Te julgo agora, como uma pessoa que defende interesses, e estás batendo de frente com quem defende o que ama. Podes te surpreender com o que vier a seguir.
E podes bradar aos quatro ventos que o que eu quiser tu me darás, mas te digo que só quero justiça, que quero que use a sabedoria que adquiriu de tantos anos de maneira correta e menos equivocada, quero que sejas menos normal, quero que te esqueças um momento, que pares de falar o que não queres ou o que preferes, o que não farias ou o que achas. Achar não é saber. Julgar não é amar. Porque julgar é como definir, julgando limita-se. No momento que julga outro, outro tem o direito de te julgar. Te julgo agora, como uma pessoa que defende interesses, e estás batendo de frente com quem defende o que ama. Podes te surpreender com o que vier a seguir.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Denegrida.
"Estou no carro. Eu e ela estamos. É Eduarda quem revira os olhos quando o ouve falar algo óbvio de mais. Eu a repreendo, só então ela percebe que tudo o que ela faz, ele consegue ver pelo retrovisor. Não fazemos absolutamente mais nada.
Descemos do carro em silêncio, mas então a discussão começa.
- Ele sempre teve boas intenções, nunca nos quis mal, você não precisa tratar ele dessa maneira.
- Sempre o tratei assim.
- Será que poderia parar então? Falar algo bom pra ele só pra variar?
- O que tem com você einh? Nunca reclamou, até concordava comigo a pouco tempo atrás.
Apresso o passo, fecho os olhos e respiro fundo.
- Que foi, não vai me responder?
- Eu percebi uma coisa...
Paro bruscamente. E ela também.
- Eu amo ele. Apesar de tudo, eu o amo. Você não. Isso me aborrece mais do que deveria.
- Eu o odeio.
- Eu sei.
- Tá cada vez mais visível a linha que nos separa, você percebeu isso?
- Uhum.
Passamos o resto do dia sem nos falarmos, cada uma imersa em seus próprios pensamentos. Mas quando chego em casa, sento na mesa da cozinha e o observo entrar com um largo sorriso no rosto, depois de um longo dia de trabalho. Me dá vontade de chorar. Percebo que divido o sentimento de ódio com Eduarda, assim como ela percebe que divide o sentimento de amor por ele, comigo. Nos dá uma tremenda vontade de chorar. Saio da mesa e a deixo sentada lá, em choque por perceber como confundimos as coisas na maioria das vezes.
Entro no meu quarto e sinto a escuridão se apossar dele quando Eduarda entra comigo. Nos encaramos e por um momento penso em matá-la. Mas sei que não vivo sem ela.
- Separadas não existimos, você sabe disso não?
- Sei. Precisamos uma da outra. Em nome do equilibrio, certo?
- Certo. Desculpa te deixar triste a maioria do tempo. Te impeço de mostrar o que você realmente sente. Desculpa.
- Tudo bem.
Sorrio para ela e deito na cama.
- Boa noite.
A luz se apaga."
Descemos do carro em silêncio, mas então a discussão começa.
- Ele sempre teve boas intenções, nunca nos quis mal, você não precisa tratar ele dessa maneira.
- Sempre o tratei assim.
- Será que poderia parar então? Falar algo bom pra ele só pra variar?
- O que tem com você einh? Nunca reclamou, até concordava comigo a pouco tempo atrás.
Apresso o passo, fecho os olhos e respiro fundo.
- Que foi, não vai me responder?
- Eu percebi uma coisa...
Paro bruscamente. E ela também.
- Eu amo ele. Apesar de tudo, eu o amo. Você não. Isso me aborrece mais do que deveria.
- Eu o odeio.
- Eu sei.
- Tá cada vez mais visível a linha que nos separa, você percebeu isso?
- Uhum.
Passamos o resto do dia sem nos falarmos, cada uma imersa em seus próprios pensamentos. Mas quando chego em casa, sento na mesa da cozinha e o observo entrar com um largo sorriso no rosto, depois de um longo dia de trabalho. Me dá vontade de chorar. Percebo que divido o sentimento de ódio com Eduarda, assim como ela percebe que divide o sentimento de amor por ele, comigo. Nos dá uma tremenda vontade de chorar. Saio da mesa e a deixo sentada lá, em choque por perceber como confundimos as coisas na maioria das vezes.
Entro no meu quarto e sinto a escuridão se apossar dele quando Eduarda entra comigo. Nos encaramos e por um momento penso em matá-la. Mas sei que não vivo sem ela.
- Separadas não existimos, você sabe disso não?
- Sei. Precisamos uma da outra. Em nome do equilibrio, certo?
- Certo. Desculpa te deixar triste a maioria do tempo. Te impeço de mostrar o que você realmente sente. Desculpa.
- Tudo bem.
Sorrio para ela e deito na cama.
- Boa noite.
A luz se apaga."
terça-feira, 3 de novembro de 2009
42 minutos.
Em 42 minutos, o dia acaba. De novo me jogo na cama e me deixo cair dentro de mim. Quem é hoje? Quem foi hoje? Quem será amanhã?
Acho que força de vontade, o meu querer, apesar de não ser meu, tem algum valor. Ele só faz a carga parecer mais pesada, mas me leva a um caminho que me chama, me puxa para ele. Coisas me desviam do que quero, essas "coisas" me distraem. Mas te digo, não é fácil assim. Dessa vez eu não vou desistir. Já disse isso antes e continuo aqui, vou me manter forte.
A verdade é que eu fico horrível sorrindo, e pro sorriso ficar bonito, só resta um recurso.
E só assim o sorriso será verdadeiro.
Acho que força de vontade, o meu querer, apesar de não ser meu, tem algum valor. Ele só faz a carga parecer mais pesada, mas me leva a um caminho que me chama, me puxa para ele. Coisas me desviam do que quero, essas "coisas" me distraem. Mas te digo, não é fácil assim. Dessa vez eu não vou desistir. Já disse isso antes e continuo aqui, vou me manter forte.
A verdade é que eu fico horrível sorrindo, e pro sorriso ficar bonito, só resta um recurso.
E só assim o sorriso será verdadeiro.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Guerra
Sempre brava. Sempre irritada. E eu não sei porque. É como uma bomba humana, pronta pra explodir a qualquer momento. À 11 meses atràs não era assim, mas não consigo dizer o que era pior, aquele vazio ou esse ódio por tudo e por todos, e principalmente por mim. Tá sendo uma repetição do ano passado, eu já sei o que esperar. Vamos mergulhar na escuridão por mais 3 meses, vamos nos esforçar pra nada, pros outros. Me sinto enjoada constantemente, e não sei se é pelo que vejo ao meu redor ou se é pelo que vejo no espelho.
E não tentem entender, quando a gente conhece de mais perde a graça, quando a gente se aproxima de mais perde a magia.
Eu to tão cansada dessa guerra interna, de pensar, de tentar, de sofrer e de não saber superar. Ando tão cansada de ser fraca. Eu não quero deixar ele ganhar, mas geralmente 80% do meu corpo é escuridão, geralmente 90% do meu corpo é indiferença, geralmente 95% de mim não se importa. Mas prometo que vou tentar me apegar à esses 5%. Deixa a tristeza passar. Como provado antes, eu só preciso de alguém que não saiba de nada disso, só preciso de uma pessoa que me faça bem sem perceber. Só não agora.
Vou viajar no tempo, vou saltar de lugar em lugar, de pessoa em pessoa, vou arrancar pedaços meus e de vocês, eu vou fugir e me esconder, até eu conseguir conter as lágrimas de vergonha. Eu sinto vergonha de mim, e eu não quero que vocês vejam. Não quero que vejam atravéz de mim.
Só quero alguém que diga que eu fico melhor sorrindo.
E não tentem entender, quando a gente conhece de mais perde a graça, quando a gente se aproxima de mais perde a magia.
Eu to tão cansada dessa guerra interna, de pensar, de tentar, de sofrer e de não saber superar. Ando tão cansada de ser fraca. Eu não quero deixar ele ganhar, mas geralmente 80% do meu corpo é escuridão, geralmente 90% do meu corpo é indiferença, geralmente 95% de mim não se importa. Mas prometo que vou tentar me apegar à esses 5%. Deixa a tristeza passar. Como provado antes, eu só preciso de alguém que não saiba de nada disso, só preciso de uma pessoa que me faça bem sem perceber. Só não agora.
Vou viajar no tempo, vou saltar de lugar em lugar, de pessoa em pessoa, vou arrancar pedaços meus e de vocês, eu vou fugir e me esconder, até eu conseguir conter as lágrimas de vergonha. Eu sinto vergonha de mim, e eu não quero que vocês vejam. Não quero que vejam atravéz de mim.
Só quero alguém que diga que eu fico melhor sorrindo.
sábado, 31 de outubro de 2009
E te falo com quem converso quando estou sozinha.
Às vezes agradeço por não ser tão impulsiva quanto Eduarda. Ela me aborrece e pensa coisas horríveis para dizer e fazer. Tem vezes que parece que ela não se importa com os sentimentos dos outros, é como se ela lançasse uma bomba e saísse caminhando tranquilamente, sem senso de culpa, sem pensar em quem saiu ferido. Mas o pior de tudo é que na maioria dessas situações, Eduarda não mente, o pensamento dela está correto, ela me faz entender o conceito de "verdade dolorosa".
Sempre brigamos, pois nossos valores são diferentes, mas acabamos por nos completar, porque muitas vezes ela preenche o vazio de meus pensamentos, ela já indicou saídas para meus porblemas as quais eu nunca encontraria sozinha. A Eduarda não aparenta ter sentimentos profundos, é como se para ela as coisas simplesmente acontecessem. Eu sou tão diferente dela. Ela é tão radical, eu sou tão pateta. Ela consegue coisas que ela nem ao menos quer, ao contrário de mim, que perco o que quero antes de o ter. Por isso que preciso dela, por isso que quase não nos separamos. A minha insegurança precisa da confiança dela, minha covardia precisa de sua coragem, minha falta de graça precisa do brilho dela, meu negativismo necessita do positivismo dela. A impulsividade dela precisa dos meus freios, a insensibilidade aparente dela precisa do meu sentimentalismo escancarado, as mentiras dela precisam da minha repreensão, a loucura dela precisa da minha.
A única coisa, acredito eu, que nós duas temos em comum é que não sabemos falar o que sentimos de verdade, várias vezes libertamos pessoas pois achávamos que elas mereciam mais que aquilo. A Eduarda se ama, ela é cheia de si, ela é confiante, mas ainda temos esse ponto no qual nos encontramos, o nosso meio termo. Somos extremos, que se encontram.
A Eduarda é só aparência.
Sempre brigamos, pois nossos valores são diferentes, mas acabamos por nos completar, porque muitas vezes ela preenche o vazio de meus pensamentos, ela já indicou saídas para meus porblemas as quais eu nunca encontraria sozinha. A Eduarda não aparenta ter sentimentos profundos, é como se para ela as coisas simplesmente acontecessem. Eu sou tão diferente dela. Ela é tão radical, eu sou tão pateta. Ela consegue coisas que ela nem ao menos quer, ao contrário de mim, que perco o que quero antes de o ter. Por isso que preciso dela, por isso que quase não nos separamos. A minha insegurança precisa da confiança dela, minha covardia precisa de sua coragem, minha falta de graça precisa do brilho dela, meu negativismo necessita do positivismo dela. A impulsividade dela precisa dos meus freios, a insensibilidade aparente dela precisa do meu sentimentalismo escancarado, as mentiras dela precisam da minha repreensão, a loucura dela precisa da minha.
A única coisa, acredito eu, que nós duas temos em comum é que não sabemos falar o que sentimos de verdade, várias vezes libertamos pessoas pois achávamos que elas mereciam mais que aquilo. A Eduarda se ama, ela é cheia de si, ela é confiante, mas ainda temos esse ponto no qual nos encontramos, o nosso meio termo. Somos extremos, que se encontram.
A Eduarda é só aparência.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
27/10/2009
E eles voam para longe, onde não é possivel alcançá-los. Pensamentos somem, idéias surgem, a revolta cresce. A revolta de um coração perdido, de uma infância roubada, de um amor derrubado.
Mas o que se sabe do amor, a não ser que ele pode construir ou demolir? O que se sabe? Não defina amor, não defina alguém, não defina seu ponto de vista. Definir é limitar, e alguns nasceram para serem livres. A idéia de pensamentos sempre soltos, é a possibilidade de mudar quando não me agrado de mim.
A paixão pelas palavras está embaixo da minha pele, está em mim, nas minhas mãos. Papel e caneta passaram a ser essenciais para mim, aprende-se a calar a boca, porém as mãos se tornaram inquietas, junto com as pernas.
Acontece pois a alma procura saída, ser prisioneira não agrada. Prender é matar. Amar é morrer.
Quando um toque basta, quando um beijo sacia, quando você sabe o que o frio na barriga, conhece a sensação de ter o estômago revirado por medo, quando se tem medo ao mesmo tempo que se quer descobrir. Esse é o meu amor.
Meu amor não aparece, é tímido. É triste, pois não o sinto. Sinto falta de ver alguém sorrir e sentir felicidade por essa pessoa. Dá saudades.
E milhares de coisas passam pela sua cabeça durante o dia, e durante a noite as principais idéias permanecem ali. Intactas. Mas hoje, só consigo expressar de maneira confusa o que flutuou em minha frente quando fechei os olhos. E a triste realidade quando os abri.
Mas o que se sabe do amor, a não ser que ele pode construir ou demolir? O que se sabe? Não defina amor, não defina alguém, não defina seu ponto de vista. Definir é limitar, e alguns nasceram para serem livres. A idéia de pensamentos sempre soltos, é a possibilidade de mudar quando não me agrado de mim.
A paixão pelas palavras está embaixo da minha pele, está em mim, nas minhas mãos. Papel e caneta passaram a ser essenciais para mim, aprende-se a calar a boca, porém as mãos se tornaram inquietas, junto com as pernas.
Acontece pois a alma procura saída, ser prisioneira não agrada. Prender é matar. Amar é morrer.
Quando um toque basta, quando um beijo sacia, quando você sabe o que o frio na barriga, conhece a sensação de ter o estômago revirado por medo, quando se tem medo ao mesmo tempo que se quer descobrir. Esse é o meu amor.
Meu amor não aparece, é tímido. É triste, pois não o sinto. Sinto falta de ver alguém sorrir e sentir felicidade por essa pessoa. Dá saudades.
E milhares de coisas passam pela sua cabeça durante o dia, e durante a noite as principais idéias permanecem ali. Intactas. Mas hoje, só consigo expressar de maneira confusa o que flutuou em minha frente quando fechei os olhos. E a triste realidade quando os abri.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Poeira.
Estamos girando. Mas no sentido contrário, estamos voltando no tempo. E de algum modo isso nos faz viver mais depressa. Começamos no final, terminamos no mesmo lugar. Talvez essa vida não tenha sentido, podemos ser um monte de poeira cósmica, assumimos um formato e muitas vezes não o queremos.
Nossos ossos, alvos. Me reduzo a poeira para melhor transitar, ao vento flutuo junto com frases prontas, com risadas verdadeiras e gritos de dor. Eu viajo na velocidade do desejo, que depende do ser humano. E só com um desejo eu me transfomo, os osssos viram poeira, a poeira vira o sonho, o sonho se torna intocável. Para sempre vento e desejo, sempre me movendo e movendo o mundo. Por entre dedos escapo e dou risada, mas quando minha necessidade e desejo surgem, não são meus. Quando meu querer aparece, ele passa a não me pertencer, pois escolhi abdicar disso para ser do mundo.
Mas com um desejo, um querer, passo a ser sua.
Nossos ossos, alvos. Me reduzo a poeira para melhor transitar, ao vento flutuo junto com frases prontas, com risadas verdadeiras e gritos de dor. Eu viajo na velocidade do desejo, que depende do ser humano. E só com um desejo eu me transfomo, os osssos viram poeira, a poeira vira o sonho, o sonho se torna intocável. Para sempre vento e desejo, sempre me movendo e movendo o mundo. Por entre dedos escapo e dou risada, mas quando minha necessidade e desejo surgem, não são meus. Quando meu querer aparece, ele passa a não me pertencer, pois escolhi abdicar disso para ser do mundo.
Mas com um desejo, um querer, passo a ser sua.
domingo, 25 de outubro de 2009
Vida.
(...) Felicidade não é dificil de fingir. Sabe quando acordamos sentindo que não poderiamos estar mais tristes, nos sentindo para baixo? Acontece de vez enquando, não?... Quando começa a acontecer com mais frequência você percebe algo sem saber o que está acontecendo. Os dias só passam. Você se olha no espelho e não consegue ver nada de bom, então fica deprimido. Cada um trata suas depressões ao seu jeito. Sua postura muda. Seu cabelo, as cores, coisas que significavam muito passam a ser só coisas. Você pensa mais na morte do que antes. Esquece coisas importantes. Sente saudades. Se repete, se torna egocêntrico. Se sente encolhido. Chora por nada, absolutamente nada. Você acaba na cama, abraçado no cobertor e acorda com seu cachorro lambendo a sua mão. Você senta na sua cama, olha por quarto e tenta descobrir de onde vem toda aquela bagunça. E um milhão e coisas passam pela sua cabeça, enquanto seu cachorro chora por carinho, te olhando com os olhos arregalados. Até que ele desiste e vai embora. Todos desistem e vão embora. Aí que você percebe que tá morto, e que é o único quem nota. (...)
sábado, 24 de outubro de 2009
Tá tudo certo.
Tudo bem. Tudo certo. Melhor, entende? Mais resolvido, mais claro. E esse é o pior de tudo. Fico reclamando em monólogos internos sobre tudo, tem coisas que não gosto, tem coisas que odeio. Tem muitas coisas que odeio. Mas elas não seriam diferentes se minha vida fosse. Eis o problema: Mesmo se tudo fosse diferente, eu não me sentiria diferente, por mais que eu tente mudar eu sempre me sinto igual, e não consigo sair desse buraco, não me sinto confortável. Eu só quero ir. Por favor me deixem ir sem culpa, sozinha. Nada que vocês fizerem vai melhorar as coisas pra mim. Nada que disserem vai me fazer sentir melhor. Eu sei o que tô fazendo, e não tenho medo. Não mais. E se eu conseguir o que eu quero, pra mim tá tudo certo. Tudo certo.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Só uma teoria.
Eu já amei. Amei de verdade, com todas as minhas forças e com toda a minha sinceridade, era algo que me deixava feliz, era um amor impossivel, e hoje percebo que era. Mas era um amor impossivel que me fazia sentir viva, amada, feliz. E agora eu já não sei mais o significado disso, eu não lembro mais como é me sentir amada, me sentir bem comigo mesma. Eu ando arrasada, pois sei que o que eu senti nunca vai voltar, apesar de aquilo não ter sido um grande amor, foi o meu maior amor. O mais estranho, o mais necessário, o mais bonito. E quando eu percebi que podia ser mais do que era, eu destruí ele. Eu, com toda minha crueldade me destruí e abri novas portas, que me proporcionaram dores que aquele amor nunca me proporcionaria. E já se passaram 2 anos agora. Depois disso, toda chance que eu tive de amar de novo era exposta na minha frente, só que um vidro espesso me separava da possibilidade. Era um vidro impossivel de quebrar, mas quando percebi que aquele vidro não tava mais lá, quando eu tinha o que queria ao meu alcançe, era de mais pra mim, era de mais assumir um compromisso como aquele. Eu não era capaz de segurar um sentimento daquele tamanho dentro de mim. Então eu dei um jeito de fugir e ser odiada, dei um jeito de afastar todos, de me afastar de todos.
Alguém não simplesmente começa a te amar, você FAZ alguém te amar. Assim como você faz alguém desistir de você. Você faz suas chances. Você faz a sua própria depressão. Só uma teoria de nada que leva a nenhuma conclusão.
Alguém não simplesmente começa a te amar, você FAZ alguém te amar. Assim como você faz alguém desistir de você. Você faz suas chances. Você faz a sua própria depressão. Só uma teoria de nada que leva a nenhuma conclusão.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Fuck it.
Hoje comprei uma escova de dentes super legal, sabe? É, foi o auge do meu dia, porque eu nunca comprei uma escova de dentes com cerdas brancas e azuis nas pontas. Tipo, cara é Deep Clean! 360°! É uma escova de dente do caramba! Mas não é disso que eu queria falar. Eu queria falar sobre esse lance, de se imaginar daqui a 5, 10 anos... Não consigo. Queria realmente conseguir, mas não dá. Não desse jeito, não da maneira que eu tenho levado a vida. É por isso que eu decidi ir embora. Porque não aguenta a vida assim, não vai funcionar se continuar dessa maneira. Eu to brincando de morta, e não é divertido. Quero mudar a brincadeira pra variar. Quero começar já, agora, o quanto antes, quebrar tudo e por em vários sacos de lixo, manter apenas o que considero importante. E sabe, foda-se, eu parei de falar, e to feliz assim, eu parei de criticar e to feliz assim, passei a observar e aprendi assim. Já acho que é possivel tomar minhas próprias decisões, e ficar sentada só observando é uma bosta, uma grande bosta, e ninguém vai fazer o que eu faria, o que eu fiz, o que eu vou fazer. É um 'bang', certo? Você pensa, você age. Você só pensa, ninguém age por você. É um mundo realmente ferrado, e você acaba ficando ferrado também se ficar insistindo no que vê que te trás pra baixo. Não to dizendo que vou melhorar minha vida, não to dizendo que vou melhorar a vida dos outros. Eu só vou agir. Fazer. E só porque eu posso. E quando eu descobrir o que eu quero, eu vou fazer porque vai ser pelo que quero. E eu queria que todos lessem isso, eu queria que vocês vissem, entendessem que com o tempo parece que cansamos das pessoas, das músicas, parece que precisamos dizer adeus. Eu acho que não, a gente só tem que tentar ver de uma maneira diferente. Outro ângulo. E se a gente não tentar, a gente perde tudo que a gente conquistou, e eu já perdi várias vezes várias coisas que eu conquistei, e assim aprendi a baixar a cabeça pra variar, e tentei manter o que me restava. No momento eu não tenho nada, daqui a 5 anos, acho que não vou ter nada também. Tudo o que eu tenho tá na minha cabeça, no meu corpo, em mim, e eu decidi que vou fazer o que eu quiser com isso.
E eu decido não ficar essa noite.
E eu decido não ficar essa noite.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Fortaleza
Encontrei forças em algo maior, encontrei incentivo e ídolos. Sei o que seguir e admito que essa força é minha fraqueza, e que o que tenho é tudo que posso e provavelmente irei perder. Para me lembrar disso eu tenho as músicas no rádio, as lembranças nas ruas, as cicatrizes na mente. E eu não vou desistir, de me ter como quero e de me ver como quero. E a gente não vai deixar que nos digam que é errado, ou que é burrice, muito menos que não sabemos o que estamos fazendo. Sabemos, e aqueles que nos advertem, não sabem que a nossa intenção é auto-destruição. É um vício, e não nos livramos de vícios assim tão facilmente. Não vejo quem consegue como um traidor, mas como alguém que se curou dessa doença que é o nosso realismo. Não procuro libertação, não procuro amor, nem esperança. Eu só procuro o vácuo das palavras, o breu da insaniedade.
E mil anos vão se passar, e mil pessoas vão se amar, mil viverão e morrerão, e garanto que nenhuma delas terá um motivo como eu tive, um sonho como eu tive, e uma gratidão como eu tive. Nenhuma delas te terá como eu tive.
E mil anos vão se passar, e mil pessoas vão se amar, mil viverão e morrerão, e garanto que nenhuma delas terá um motivo como eu tive, um sonho como eu tive, e uma gratidão como eu tive. Nenhuma delas te terá como eu tive.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Clareza
Mudei meu pensamento, mudei o que eu achava e mudei o que eu queria. Mas não consigo mudar o que sinto.
Agora consigo pensar na verdade, e não na ilusão. Ver alguém sem um manto de adoração em cima é muito melhor, muito mais claro.
Não paro de pensar que as coisas que aconteceram foram um acidente. Eram coisas que queriam estar juntas, ao mesmo tempo, em um mesmo lugar. Dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço, ao mesmo tempo. Então eles se repelem. É só ver um acidente de carro, entre dois carros que se chocaram de frente. Observe o que restou de cada carro. É no estado em que me encontro. Eu tentei ir contra o mundo, por alguns segundos parecia que eu ia conseguir. Mas não, eu não consegui. Foi do jeito errado. Duas pessoas não podem ocupar o mesmo espaço no coração de uma pessoa ao mesmo tempo.
Agora consigo pensar na verdade, e não na ilusão. Ver alguém sem um manto de adoração em cima é muito melhor, muito mais claro.
Não paro de pensar que as coisas que aconteceram foram um acidente. Eram coisas que queriam estar juntas, ao mesmo tempo, em um mesmo lugar. Dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço, ao mesmo tempo. Então eles se repelem. É só ver um acidente de carro, entre dois carros que se chocaram de frente. Observe o que restou de cada carro. É no estado em que me encontro. Eu tentei ir contra o mundo, por alguns segundos parecia que eu ia conseguir. Mas não, eu não consegui. Foi do jeito errado. Duas pessoas não podem ocupar o mesmo espaço no coração de uma pessoa ao mesmo tempo.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Here's looking at you, kid. ~ V
Toda vez que eu ia na casa do Du eu me sentia como em algum seriado chique de mais, ou em algum filme irreal de mais. Essa situação toda parecia irreal.
Enquanto eu estava sentada com o braço imobilizado, apenas olhando para a televisão, e não assistindo. Enquanto isso algumas empregadas passavam apressadas por mim, com montes de toalhas e roupas, e de minuto em minuto elas passavam me distraindo enquanto eu tentava assistir algo na televisão. Não que tivesse nada muito interessante, então logo fiquei entediada. Como ninguém ali estava me dando muita atenção, resolvi mexer na caixa de dvd's do Eduardo. Eu sabia que ali, tinham muitos filmes que eu amava. E então encontrei: Casablanca.
Era quase hora do almoço, mas eu não me importava, o Du ia chegar atrasado mesmo. Até que a governanta, Leana, sentou ao meu lado, assistimos o início de Casablanca juntas, porém, em silêncio. Até que veio a cena em que alemães e franceses competem através da música, e mostra-se quem realmente está no comando em Casablanca. Na sequência, Ilsa olha para Victor, enquanto ele canta alto junto com os vários franceses dentro do bar do Rick. Então aparece Yvonne, cantando alto e chorando. O rosto de Yvonne enche a tela, me fez quase sentir o que ela sentia, toda vez que eu assistia aquela cena, meus olhos enchiam de água. Em seguida, aparece Ilsa novamente, olhando para Victor e suspirando. Aos poucos, ela muda a expressão, e dá pra ver um leve sorriso e pequenas covinhas. Mas nada, nada supera o olhar que ela alnça para Victor. É como se ela percebesse o verdadeiro motivo por ter se apaixonado por ele.
- Ambas sabemos como esse filme acaba, Sundance.
- Sabe porque a Ilsa vai dizer ao Richard que ainda o ama?
- Diga-me.
- Porque podemos estar apaixonadas por um Victor, ele pode ser o amor da nossa vida. Mas o Richard, o homem que vai nos fazer esquecer o Victor, pode sumir da nossa vida, mas ele vai voltar. E quando ele voltar, e nos disser eu te amo, nós diremos de volta. A Ilsa é uma colecionadora de 'eu te amo' sinceros. Assim como nós, Leana. Nós não cansamos de ouvir, só cansamos de ouvir da mesma pessoa.
Virei para a televisão novamente.
- O nosso Richard, vai nos mostrar o quanto ele nos ama. Mesmo que para isso, seja necessário irmos embora com o nosso Victor.
- Eu espero que você nem conheça o seu Richard Sun.
Tudo ficou em silêncio de novo. Não ousei retrucar o que ela comentou. Apenas assistimos a cena final enquanto Victor e Ilsa desapareciam na neblina.
- Casablanca garotas?
Olhamos para trás e lá estava o Du, de gravata torta e terno aberto.
- Passou por algum tornado Du? - Ele viu que eu tentava levantar e correu para o sofá, me segurando. Sim, eu estava totalmente machucada, e totalmente com dor.
- Acho que a Sundance deveria tomar algum comprimido, não acha, Eduardo?
- Não Lea, ela já tomou muitos medicamentos no hospital.
- É, estou bem Dona Leana.
O Eduardo não notava a ironia nas palavras da Leana, mas eu notava. E ele não notava também a hostilidade nas minhas palavras. Eu não sei se ele ignorava porque achava que a governanta dele estava com ciumes da namorada, ou se ele REALMENTE não percebia. Mas isso não mudava o fato de que eu e Leana tinhamos um passado. Um passado pelo qual ela me condenava, e do qual Eduardo não desconfiava.
Enquanto eu estava sentada com o braço imobilizado, apenas olhando para a televisão, e não assistindo. Enquanto isso algumas empregadas passavam apressadas por mim, com montes de toalhas e roupas, e de minuto em minuto elas passavam me distraindo enquanto eu tentava assistir algo na televisão. Não que tivesse nada muito interessante, então logo fiquei entediada. Como ninguém ali estava me dando muita atenção, resolvi mexer na caixa de dvd's do Eduardo. Eu sabia que ali, tinham muitos filmes que eu amava. E então encontrei: Casablanca.
Era quase hora do almoço, mas eu não me importava, o Du ia chegar atrasado mesmo. Até que a governanta, Leana, sentou ao meu lado, assistimos o início de Casablanca juntas, porém, em silêncio. Até que veio a cena em que alemães e franceses competem através da música, e mostra-se quem realmente está no comando em Casablanca. Na sequência, Ilsa olha para Victor, enquanto ele canta alto junto com os vários franceses dentro do bar do Rick. Então aparece Yvonne, cantando alto e chorando. O rosto de Yvonne enche a tela, me fez quase sentir o que ela sentia, toda vez que eu assistia aquela cena, meus olhos enchiam de água. Em seguida, aparece Ilsa novamente, olhando para Victor e suspirando. Aos poucos, ela muda a expressão, e dá pra ver um leve sorriso e pequenas covinhas. Mas nada, nada supera o olhar que ela alnça para Victor. É como se ela percebesse o verdadeiro motivo por ter se apaixonado por ele.
- Ambas sabemos como esse filme acaba, Sundance.
- Sabe porque a Ilsa vai dizer ao Richard que ainda o ama?
- Diga-me.
- Porque podemos estar apaixonadas por um Victor, ele pode ser o amor da nossa vida. Mas o Richard, o homem que vai nos fazer esquecer o Victor, pode sumir da nossa vida, mas ele vai voltar. E quando ele voltar, e nos disser eu te amo, nós diremos de volta. A Ilsa é uma colecionadora de 'eu te amo' sinceros. Assim como nós, Leana. Nós não cansamos de ouvir, só cansamos de ouvir da mesma pessoa.
Virei para a televisão novamente.
- O nosso Richard, vai nos mostrar o quanto ele nos ama. Mesmo que para isso, seja necessário irmos embora com o nosso Victor.
- Eu espero que você nem conheça o seu Richard Sun.
Tudo ficou em silêncio de novo. Não ousei retrucar o que ela comentou. Apenas assistimos a cena final enquanto Victor e Ilsa desapareciam na neblina.
- Casablanca garotas?
Olhamos para trás e lá estava o Du, de gravata torta e terno aberto.
- Passou por algum tornado Du? - Ele viu que eu tentava levantar e correu para o sofá, me segurando. Sim, eu estava totalmente machucada, e totalmente com dor.
- Acho que a Sundance deveria tomar algum comprimido, não acha, Eduardo?
- Não Lea, ela já tomou muitos medicamentos no hospital.
- É, estou bem Dona Leana.
O Eduardo não notava a ironia nas palavras da Leana, mas eu notava. E ele não notava também a hostilidade nas minhas palavras. Eu não sei se ele ignorava porque achava que a governanta dele estava com ciumes da namorada, ou se ele REALMENTE não percebia. Mas isso não mudava o fato de que eu e Leana tinhamos um passado. Um passado pelo qual ela me condenava, e do qual Eduardo não desconfiava.
domingo, 20 de setembro de 2009
Negação.
Negue. Negue até quando é verdade, quando todos sabem. Negue a si mesmo, tampe seus olhos e sorria, finga que não aconteceu. Afinal, não é muito mais fácil desse modo? Negando tudo, até a negação, ser você.
sábado, 19 de setembro de 2009
Sells ~ Du e Su - parte IV
Assinei alguns papéis no hospital e levei Sunnie para meu apartamento, já que ela morava sozinha e estava com medo do cachorro, e eu tinha uma "governanta" que poderia cuidar dela e fazê-la companhia. Após isso decidi passar na casa da Su, ver o estrago que o tal ataque havia causado, ver se poderia fazer alguma coisa. Sim, eu entrei na casa e vi que eu DEVIA fazer alguma coisa. O cachorro estava deitado num canto da sala, quando eu abri a porta ele acordou e veio correndo em minha direção, mas fechei a porta e ouvi um baque contra a madeira. Pelo visto esse cachorro não era muito inteligente e estava com fome. Então liguei para o controle de animais, e pronto, problema resolvido, 4 homens foram necessários para pegar o cachorro, e um deles foi mordido. Então, comecei a analizar os danos. Cacos de vidro pelo chão, sangue (não sei se dela ou do cachorro), dois quadros no chão, a escada derrubada, e curiosamente alguns móveis estavam roídos. Realmente, o cão estava faminto.
Limpei o que era necessário e pendurei os quadros para a Su. Eu já havia falado a ela, que eu faria o trabalho pesado se ela precisasse, mas parecia que ela queria mostrar que conseguia sozinha.
"Foi uma tentativa de dizer que eu não preciso de você, mas acho que preciso mais do que pensava..."
Suas exatas palavras enquanto saíamos do hospital. Terminado tudo, tranquei a casa e saí. Mais tarde compraria móveis novos para ela. Sim, a Su ia dar um ataque, reclamar e bater pé, mas eu não me importava. Eu tinha dinheiro e queria gastar com ela.
Enquanto eu estava dirigindo, o sonho de algumas horas atrás passou pela minha cabeça. Eu não sabia o que queria dizer, mas me dava medo. Será que a Sunnie algum dia chegaria a ponto de tentar suicídio? Ou eu simplesmente sentia quando ela se machucava e precisava de mim? A possibilidade de ambas perguntas terem resposta positiva me deixava um pouco preocupado. Se ela se suicidasse, eu não aguentaria. Não seria o primeiro suicidio em minha vida. E o fato de eu sentir se ela não estivesse bem, significa que nossa conexão é maior do que deveria.
De fato, minha relação com a Su é mais séria do que deveria. Nos conhecemos a apenas 3 anos, mas parece que nos conhecemos á 150. Eu simplesmente iria para o inferno por ela.
- Senhos Sells?
Mas no momento, precisava trabalhar. Tinha uma empresa inteira para administrar.
Limpei o que era necessário e pendurei os quadros para a Su. Eu já havia falado a ela, que eu faria o trabalho pesado se ela precisasse, mas parecia que ela queria mostrar que conseguia sozinha.
"Foi uma tentativa de dizer que eu não preciso de você, mas acho que preciso mais do que pensava..."
Suas exatas palavras enquanto saíamos do hospital. Terminado tudo, tranquei a casa e saí. Mais tarde compraria móveis novos para ela. Sim, a Su ia dar um ataque, reclamar e bater pé, mas eu não me importava. Eu tinha dinheiro e queria gastar com ela.
Enquanto eu estava dirigindo, o sonho de algumas horas atrás passou pela minha cabeça. Eu não sabia o que queria dizer, mas me dava medo. Será que a Sunnie algum dia chegaria a ponto de tentar suicídio? Ou eu simplesmente sentia quando ela se machucava e precisava de mim? A possibilidade de ambas perguntas terem resposta positiva me deixava um pouco preocupado. Se ela se suicidasse, eu não aguentaria. Não seria o primeiro suicidio em minha vida. E o fato de eu sentir se ela não estivesse bem, significa que nossa conexão é maior do que deveria.
De fato, minha relação com a Su é mais séria do que deveria. Nos conhecemos a apenas 3 anos, mas parece que nos conhecemos á 150. Eu simplesmente iria para o inferno por ela.
- Senhos Sells?
Mas no momento, precisava trabalhar. Tinha uma empresa inteira para administrar.
Orgulho.
Lágrimas de dever cumprido, de orgulho, de compreensão. Te entendo, e me mantenho fiel. Pessoas como nós nunca ficam de fato, felizes. Pessoas como nós não conhecem satisfação. Somos vermelhas e brancas, doentes na cabeça. E nossa doença é um vício, mas é necessária. É tudo o que temos, e tudo o que somos
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
5h ~ Du e Su - parte III
Eram 5 horas da manhã. Eu estava olhando pro teto. Branco, sem nenhuma mancha. Meus olhos pesavam mas eu não queria dormir, pelo menos não antes de ele chegar. O que aconteceu mais cedo não saía da minha cabeça... se ele tivesse ficado um pouco mais, talvez eu não estaria no hospital.
Eu fui uma idiota em pensar que seria uma boa idéia pendurar quadros no meio da noite, e fui mais idiota ainda quando pensei que o cachorro na rua era engraçadinho. Aquilo não era um cachorro. E porque minha janela tava aberta ás 4:20 da manhã? Eis o que aconteceu: Eu estava pendurando o segundo quadro na parede, em cima de uma escadinha, do lado da janela, então eu tava com o martelo na mão, e com o quadro que era bem pesado apoiado na escada. Pois então, ouvi um barulho do lado de fora, olhei pela janela e era um cachorro, parecia tão bonitinho tentando derrubar minha lata de lixo, eu chamei ele pra janela e sentei no parapeito. Quando o cachorro me viu, parece que os olhos dele ficaram vermelhos e ele começou a rosnar. Foi aí que eu vi que não era um cachorro normal, era um monstro sedento por sangue. Aquela coisa começou a correr na direção da minha casa, e eu me atrapalhei toda, toda mesmo. quebrei o quadro no chão, caí da escada no parapeito da janela, e quando aquele animal insano tava muito perto, eu fechei o vidro nos meus dedos. Mas não para por aí, o cachorro se ATIROU contra o vidro da janela, que quebrou e os pedaços de vidro me deixaram toda cortada nos braços. O cachorro ficou tontão com a batida e caiu duro no chão. Eu tava caída no chão, e quando fui levantar meu pé tava preso na escada, caí com a cabeça na moldura do quadro e cortei em cima da sobrancelha. Agora me diga, em que MUNDO alguém acreditaria em mim se eu contasse isso? Pois então, liguei para uma ambulância, eu tava muito tonta, tranquei o cachorro dentro da minha casa e caí na varanda. Lembro apenas de acordar no hospital.
- Su? Sunnie?!
- 3ª porta á esquerda moço!
Pela voz dele, ele parecia desesperado, e confesso que isso me deixou meio exaltada também.
- Du?!
Ele apareceu na porta do quarto e parou. Ficou me olhando, analizando meus ferimentos (cortes por toda parte visível do meu corpo, dedos enfaixados, pontos acima da sobrancelha e um roxo na maçã do rosto, de quando caí na varanda). Parecia que estava tentando entender o que havia acontecido, como se ele esperasse ver outra coisa. Acho que ele pensava que eu tava sem cabeça, algo do gênero. Ele chegou mais perto, parando do lado da cama.
- O que aconteceu? Foi procurar briga com alguma gangue de skinheads?
- Não, a MINHA gangue fez um motim, eles tinham tudo planejado, fui uma besta por não perceber logo. - Rolei os olhos e ele riu, sentou-se no sofá ao lado da cama e passou a mão na minha testa, onde não havia nenhum ferimento.
- Você vai me contar o que aconteceu depois... mas só pra deixar gravado, mesmo cortada, enfaixada, roxa e costurada, você é a mulher mais linda do mundo.
Eu fui uma idiota em pensar que seria uma boa idéia pendurar quadros no meio da noite, e fui mais idiota ainda quando pensei que o cachorro na rua era engraçadinho. Aquilo não era um cachorro. E porque minha janela tava aberta ás 4:20 da manhã? Eis o que aconteceu: Eu estava pendurando o segundo quadro na parede, em cima de uma escadinha, do lado da janela, então eu tava com o martelo na mão, e com o quadro que era bem pesado apoiado na escada. Pois então, ouvi um barulho do lado de fora, olhei pela janela e era um cachorro, parecia tão bonitinho tentando derrubar minha lata de lixo, eu chamei ele pra janela e sentei no parapeito. Quando o cachorro me viu, parece que os olhos dele ficaram vermelhos e ele começou a rosnar. Foi aí que eu vi que não era um cachorro normal, era um monstro sedento por sangue. Aquela coisa começou a correr na direção da minha casa, e eu me atrapalhei toda, toda mesmo. quebrei o quadro no chão, caí da escada no parapeito da janela, e quando aquele animal insano tava muito perto, eu fechei o vidro nos meus dedos. Mas não para por aí, o cachorro se ATIROU contra o vidro da janela, que quebrou e os pedaços de vidro me deixaram toda cortada nos braços. O cachorro ficou tontão com a batida e caiu duro no chão. Eu tava caída no chão, e quando fui levantar meu pé tava preso na escada, caí com a cabeça na moldura do quadro e cortei em cima da sobrancelha. Agora me diga, em que MUNDO alguém acreditaria em mim se eu contasse isso? Pois então, liguei para uma ambulância, eu tava muito tonta, tranquei o cachorro dentro da minha casa e caí na varanda. Lembro apenas de acordar no hospital.
- Su? Sunnie?!
- 3ª porta á esquerda moço!
Pela voz dele, ele parecia desesperado, e confesso que isso me deixou meio exaltada também.
- Du?!
Ele apareceu na porta do quarto e parou. Ficou me olhando, analizando meus ferimentos (cortes por toda parte visível do meu corpo, dedos enfaixados, pontos acima da sobrancelha e um roxo na maçã do rosto, de quando caí na varanda). Parecia que estava tentando entender o que havia acontecido, como se ele esperasse ver outra coisa. Acho que ele pensava que eu tava sem cabeça, algo do gênero. Ele chegou mais perto, parando do lado da cama.
- O que aconteceu? Foi procurar briga com alguma gangue de skinheads?
- Não, a MINHA gangue fez um motim, eles tinham tudo planejado, fui uma besta por não perceber logo. - Rolei os olhos e ele riu, sentou-se no sofá ao lado da cama e passou a mão na minha testa, onde não havia nenhum ferimento.
- Você vai me contar o que aconteceu depois... mas só pra deixar gravado, mesmo cortada, enfaixada, roxa e costurada, você é a mulher mais linda do mundo.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
4:35 ~ Du e Su - parte II
Ela era incrível. A Sunnie sempre fazia isso comigo, me deixava sem palavras quando mostrava o que estava pensando. O que eu queria, era só abraçar ela com força, naquele momento mesmo, enquanto ela saía do meu carro, parava na porta da própria casa e acenava, sorrindo. Eu observei ela espiar por uma festra entre as cotinas, pela janela, pra garantir de que eu ainda estava lá. Então ela saiu de casa, correndo até meu carro e abrindo a porta do motorista.
- Você tem que tomar um banho, também tá encharcado! Vem!
Ela me puxou pelo braço e fechou a porta, me arrastando até a casa dela embaixo da chuva. Não, a gente não se beijou na chuva como nos filmes, ela tinha feito eu prometer que nunca tentaria fazer isso.
Então, enquanto eu fui pro banho, fiquei pensando nessas coisas sobre a Sunnie que eu não entendia, as coisas que ela não me falava porque, ou só falava sem me dar oportunidade de perguntar. Ela me deixava tonto, e mulheres assim você não quer dexar tão rápido. Mas elas amam fugir.
Cheguei na cozinha e ela havia feito café, dava pra sentir o cheiro. Mas quando cheguei na cozinha, eu não consegui pegar meu café, não tive nem vontade de pegar ele. Eu queria é que alguém me acordasse daquele pesadelo.
- Su...
- Du... eu...
Havia uma faca em cima do balcão, e os pulsos dela estavam cortados, pingando sangue por toda a cozinha, como se la tivesse feito um caminho de sangue pra eu seguir.
- Desculpa Du.
Foi então que eu acordei. O telefone tocou, eram 04:35 da manhã, e era do hospital. Sunnie tinha sofrido um acidente, não me especificaram nada, eu só peguei as chaves do carro e pisei fundo no acelerador. A Su precisava de mim. Não me importava se eu tinha trabalho no dia seguinte, ou se em 2 horas eu precisava estar no escritório. Simplesmente não importava
- Você tem que tomar um banho, também tá encharcado! Vem!
Ela me puxou pelo braço e fechou a porta, me arrastando até a casa dela embaixo da chuva. Não, a gente não se beijou na chuva como nos filmes, ela tinha feito eu prometer que nunca tentaria fazer isso.
Então, enquanto eu fui pro banho, fiquei pensando nessas coisas sobre a Sunnie que eu não entendia, as coisas que ela não me falava porque, ou só falava sem me dar oportunidade de perguntar. Ela me deixava tonto, e mulheres assim você não quer dexar tão rápido. Mas elas amam fugir.
Cheguei na cozinha e ela havia feito café, dava pra sentir o cheiro. Mas quando cheguei na cozinha, eu não consegui pegar meu café, não tive nem vontade de pegar ele. Eu queria é que alguém me acordasse daquele pesadelo.
- Su...
- Du... eu...
Havia uma faca em cima do balcão, e os pulsos dela estavam cortados, pingando sangue por toda a cozinha, como se la tivesse feito um caminho de sangue pra eu seguir.
- Desculpa Du.
Foi então que eu acordei. O telefone tocou, eram 04:35 da manhã, e era do hospital. Sunnie tinha sofrido um acidente, não me especificaram nada, eu só peguei as chaves do carro e pisei fundo no acelerador. A Su precisava de mim. Não me importava se eu tinha trabalho no dia seguinte, ou se em 2 horas eu precisava estar no escritório. Simplesmente não importava
sábado, 12 de setembro de 2009
Eduardo. ~ Du e Su - parte I
Eu estava caminhando na chuva, esperando que ele passasse por mim. Como sempre ele estava atrasado, e como sempre ele só se atrasava quando chovia.
- Sai da chuva e entra no carro Su.
Continuei caminhando, enquanto ele acompanhava ao meu lado de carro.
- Você tá toda molhada, vai ficar doente, e você sabe Su, quando você fica doente é sempre doente pra caramba.
- Vai se ferrar Eduardo.
Continuei caminhando sem olhar pra trás, ele tinha parado o carro. Ouvi o barulho da porta fechando com força e apressei o passo. Foi então que senti ele segurar meu braço.
- Você pode por favor, entrar no carro Sunnie? Me desculpa estar atrasado ainda mais porque tá chovendo, mas se você não entrar no carro eu vou ter que te por lá dentro á força.
Dei uma risada baixa e virei de frente pra ele. Instantaneamente a chuva começou a ficar mais forte, ele sorriu pra mim. Idiota. Suspirei e revirei os olhos, tirando a mão dele do meu braço, então corri pro carro.
- Porque você sempre tem que ser tão difícil?
- Por isso.
- Isso o que?
- Pra ouvir você pedir desculpas, Du. Se você não quisesse que eu entrasse no carro de verdade, teria me deixado caminhar na chuva. Ainda mais por minha casa estar a cerca de 20 metros daqui. Se você não me quisesse aqui, agora, dentro do seu carro, eu não estaria onde estou.
Ele me olhou como se eu fosse maluca, mas ainda assim pegou minha mão e a beijou. Por mais que eu parecesse louca, por mais que eu tivesse molhada e com a maquiagem borrada, com o cabelo totalmente bagunçado, ele conseguia me fazer sentir a mulher mais bonita do mundo.
- Sai da chuva e entra no carro Su.
Continuei caminhando, enquanto ele acompanhava ao meu lado de carro.
- Você tá toda molhada, vai ficar doente, e você sabe Su, quando você fica doente é sempre doente pra caramba.
- Vai se ferrar Eduardo.
Continuei caminhando sem olhar pra trás, ele tinha parado o carro. Ouvi o barulho da porta fechando com força e apressei o passo. Foi então que senti ele segurar meu braço.
- Você pode por favor, entrar no carro Sunnie? Me desculpa estar atrasado ainda mais porque tá chovendo, mas se você não entrar no carro eu vou ter que te por lá dentro á força.
Dei uma risada baixa e virei de frente pra ele. Instantaneamente a chuva começou a ficar mais forte, ele sorriu pra mim. Idiota. Suspirei e revirei os olhos, tirando a mão dele do meu braço, então corri pro carro.
- Porque você sempre tem que ser tão difícil?
- Por isso.
- Isso o que?
- Pra ouvir você pedir desculpas, Du. Se você não quisesse que eu entrasse no carro de verdade, teria me deixado caminhar na chuva. Ainda mais por minha casa estar a cerca de 20 metros daqui. Se você não me quisesse aqui, agora, dentro do seu carro, eu não estaria onde estou.
Ele me olhou como se eu fosse maluca, mas ainda assim pegou minha mão e a beijou. Por mais que eu parecesse louca, por mais que eu tivesse molhada e com a maquiagem borrada, com o cabelo totalmente bagunçado, ele conseguia me fazer sentir a mulher mais bonita do mundo.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Cristal.
O simples se torna necessário, o necessário se torna vital. Mas a dúvida permanece quando o dia amanhece, deixando nada além de pedaços de cristal, cristal de mim. Com eles vai o brilho dos olhos, com eles vai o sorriso verdadeiro.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Então.
Só pra constar, que não parei de sonhar, só pra lembrar que deixei de acreditar. Com o real e o irreal se misturando, então, o passado parece não ter estado lá e o futuro apenas não existe. Então você se vê destruindo o que construiu, simplesmente porque ficou louco. Louco sem aviso, sem sentido e sem sintomas. Louco sem sorriso... Então faz sentido falar que não aguenta, e faz mais sentido ainda falar que não importa e que entende. E a realidade da rotina te pega e te torçe, te expreme e drena o que de bom você tem. E só resta hostilidade e saudade, e só resta burrice e falta de coragem.
A gente tenta, então, e acredito que seja esforçado... não sei o que tá errado, mas não vai. A gente tentou, então, acreditando que era pro bem, somos pessoas que nada tem, e o que nos resta é o que sentimos, e você pega no sono querendo fazer o que sabe que nunca irá. Você se despede de novo da nostalgia fingindo alegria por ter de morrer, fingindo ser normal se arrastar pra cova. Então?
A gente tenta, então, e acredito que seja esforçado... não sei o que tá errado, mas não vai. A gente tentou, então, acreditando que era pro bem, somos pessoas que nada tem, e o que nos resta é o que sentimos, e você pega no sono querendo fazer o que sabe que nunca irá. Você se despede de novo da nostalgia fingindo alegria por ter de morrer, fingindo ser normal se arrastar pra cova. Então?
sábado, 5 de setembro de 2009
Esperança.
Descobri meu erro, que era te esperar o tempo inteiro, noite após noite. Mas agora eu percebo realmente o que aconteceu. Aconteceu que antes de você chegar, antes de tudo acontecer, eu não lembro de uma coisa em especial. Não foi amor, não foi paixão, não foi um gancho que me tirou de uma "depressão", o que você me deu foi bem simples, algo que eu não lembro de sentir. Esperança. E eu agradeço. Quebrei de novo minha promessa á mim mesma, de não escrever nada sobre ti. Mas é algo que eu acho que você deveria saber, mesmo que voce não vá saber a não ser que eu te fale. Você sabe que não vou falar. E finalmente ter percebido isso me deixa feliz. Mas assim como você trouxe a esperança com você quando chegou, você afastou ela quando foi embora. O texto acaba aqui, eu acabo aqui. Te acabo aqui.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Fita
Amarra-se tudo, se joga dentro da mala, fecha-se bem. Se sabe que a dor espera do outro lado da porta, se sabe que na outra sala se encontram cadeiras de metal pretas, frias, que te sugam de uma maneira inexplicável. Mãos que te seguram ou mãos que te levam pra te destruir? O choro inexplicável pode ser explicado afinal? Vocâ quer só se deixar levar, acreditar que aquilo que antes era tudo agora não é nada. Mas o choro não avisa quando chega, música entra e estralhaça tudo, a mão amiga aparece e te faz relembrar o que voce lembra todo o dia. E como andar entre os carros era legal, como se esconder de todos era uma aventura, como viajar de ônibus sozinha se tornou algo necessário de tempos em tempos. Como alguém faz falta quando voce sabe que não tem volta.
Por isso que você chora. E você pega a fita e enrrola tudo isso, joga numa parede elástica e tudo volta pra você, te lançando longe, voando e fazendo seus pensamentos se embaralharem. Tudo é sempre o mesmo, por mais que mude.
Por isso que você chora. E você pega a fita e enrrola tudo isso, joga numa parede elástica e tudo volta pra você, te lançando longe, voando e fazendo seus pensamentos se embaralharem. Tudo é sempre o mesmo, por mais que mude.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Claro.
Quando se quebra e não se concerta, ou nem se tenta, é porque não quer mais. Quando os olhos perdem o foco é porque deu. Chega! Está mais do que claro, mais do que óbvio a troca, a mudança, o intercâmbio.
Então me quebra e depois me deixa, mas me quebra de um jeito que não dê pra colar de volta, de um jeito irreal e animal, me faz desejar mais, me deixa sangrar até que não sobre mais nada a não ser um sopro. O sopro.
E fica claro que solidão não me cai bem, o que me cai bem é o coração quebrado que eu sempre tento concertar, mas ninguém tenta por mim. E me apego a ilusões, me apego ao irreal. Eu simplesmente não desejo partir agora.
Então me quebra e depois me deixa, mas me quebra de um jeito que não dê pra colar de volta, de um jeito irreal e animal, me faz desejar mais, me deixa sangrar até que não sobre mais nada a não ser um sopro. O sopro.
E fica claro que solidão não me cai bem, o que me cai bem é o coração quebrado que eu sempre tento concertar, mas ninguém tenta por mim. E me apego a ilusões, me apego ao irreal. Eu simplesmente não desejo partir agora.
Rosto
Cansada do rosto, cansada da pessoa, cansada da falta de presença. Uma agulha pode limpar, uma pinça pode limpar, e o espelho pode matar... Ou simplesmente mover tudo de lugar. A chuva lacra e o tempo cala, as palavras jamais proferidas, nunca mais mencionadas, guardadas onde servem apenas para machucar. Se o céu fecha, me sinto presa. Se o céu abre não sei o que fazer com a liberdade. Não se sabe se ama ou odeia, não se sabe se quer ouvir ou ser ouvida.
E quando se aprende pra que tipo de limpeza serve a agulha, e pra que tipo de limpeza serve a pinça?
Abra o peito, tire o que dói e custure de volta depois. Abra a mente, arranque o rosto e feche depois.
E quando se aprende pra que tipo de limpeza serve a agulha, e pra que tipo de limpeza serve a pinça?
Abra o peito, tire o que dói e custure de volta depois. Abra a mente, arranque o rosto e feche depois.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Mochila
Tudo o que vemos não é, tudo o que sabemos não é, tudo o que sentimos, o que é? Vejo o olho na boca, o cabelo no rosto, a roupa no chão. Se eu pegar tudo e por na minha mochila, isso acaba agora.
Vejo mão no rosto, pé no chão, ouvido no peito. Coração. Estamos com o olho nele, com a mente nele, queremos ter um em nossas mãos, mas não sabemos o que faríamos até te-lo.
Olho no céu, cabeça no travesseiro, lágrima no olho. Saudade. E a poesia se torna impossivel, e os ouvidos se tornam insaciáveis assim como as mãos se tornam desesperadas.
A luz apaga, a música começa e os movimentos param. Sempre em caixa, sempre em aquário. A alma e o corpo, o desejo e o dever, se separando e se desencontrando, cortando. Lentamente some o brilho do que se torna opaco, e o nítido fica fosco e tosco. E absurdamente lindo.
E entra a mochila de novo. Não é uma mochila, é só aquele símbolo de que eu posso ir embora, de que eu posso agarrar aquilo e partir. Pro lugar onde o lindo é simplesmente lindo, onde beleza não se explica, onde ninguém menciona nome de maquiagem, marca de roupa, pó para rosto.
Mas a questão, não é o lugar, são as pessoas. É você e a sua mochila. É você e o seu lugar.
É o olho no seguinte, a cabeça no que vier, o ouvido no vento. O vento que sopra e com ele vem todos os desejos jogados, todas as palavras proferidas, todas as energias transmitidas.
Olho na boca, cabeça no travesseiro, ouvido no coração.
Vejo mão no rosto, pé no chão, ouvido no peito. Coração. Estamos com o olho nele, com a mente nele, queremos ter um em nossas mãos, mas não sabemos o que faríamos até te-lo.
Olho no céu, cabeça no travesseiro, lágrima no olho. Saudade. E a poesia se torna impossivel, e os ouvidos se tornam insaciáveis assim como as mãos se tornam desesperadas.
A luz apaga, a música começa e os movimentos param. Sempre em caixa, sempre em aquário. A alma e o corpo, o desejo e o dever, se separando e se desencontrando, cortando. Lentamente some o brilho do que se torna opaco, e o nítido fica fosco e tosco. E absurdamente lindo.
E entra a mochila de novo. Não é uma mochila, é só aquele símbolo de que eu posso ir embora, de que eu posso agarrar aquilo e partir. Pro lugar onde o lindo é simplesmente lindo, onde beleza não se explica, onde ninguém menciona nome de maquiagem, marca de roupa, pó para rosto.
Mas a questão, não é o lugar, são as pessoas. É você e a sua mochila. É você e o seu lugar.
É o olho no seguinte, a cabeça no que vier, o ouvido no vento. O vento que sopra e com ele vem todos os desejos jogados, todas as palavras proferidas, todas as energias transmitidas.
Olho na boca, cabeça no travesseiro, ouvido no coração.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Noite.
Eis um atestado de um fraco, eis aqui palavras de um morto. Aqui estamos mostrando as mentiras e as verdades, e as verdades por trás das mentiras, e as mentiras escondidas nas verdades. Aqui está o testemunho de quem não mais deseja viver, de quem não mais vê além de mentiras. A noite consome o dia, e ela vem linda, pena temos que ter dos que não apreciam sua real beleza, sua real magia. Mas ainda digo, aqui está o testemunho de quem já não deseja mais nada, de quem apenas deseja silêncio, vontade, de quem deseja querer. Quero querer. A noite vem sempre úmida, com água do mar que banha minha cama, meu quarto, minha cabeça. Sinto a alma inundada, sinto o sangue querendo sair. Sinto tanto novamente, ao mesmo tempo que nada consigo sentir. E a solidão da noite, essa sim me entende. E meus filmes, meus livros e minhas músicas. Todos me entendem. Minha vontade não vai me procurar, minha vontade não vem me buscar.
domingo, 23 de agosto de 2009
Diferença
Gostaria de repetir aqui, tudo o que ela me disse. Apesar das repetições, das palavras erradas e da falta de sentido, eu gostaria muito de ter tudo o que ela me disse gravado. Foi tanto, pesou tanto, tocou tanto. Me arrancou tudo, me deixou totalmente sem defesas! Ela acabou comigo sem saber, ela soube me ler e soube o que falar. Quando a gente fala coisas porque estamos bêbados, por mais que digamos que não lembramos, e por mais que realmente não se lembre, apenas falamos porque pensamos naquilo por mais tempo do que deveríamos.
" -Tudo vai ser diferente agora, não quero mais coisas pequenas! Eu aprendi muito contigo, coisas que eu nem dava bola... tu é muito especial, e eu não to falando isso por causa da bebida, e sim porque eu fiquei horas pensando nisso, horas... Me perdoa? Por mim?"
Então me encontrei desarmada, destroçada, acabada no chão, vi quem era o real culpado, vi quem merecia aquele meu sentimento de mágoa.
" -Eu te quero aqui, Marina. Só tu pode me ajudar, e tu sabe como. Pra eu ser feliz com teu pai, com a tua mãe, volta. Vem pra cá. É a tua casa..."
Todas as suas declarações, tudo o que você disse me deixou tão indefesa, como podem duas pessoas tão diferentes como nós, nos entendermos desse modo, quando pessoas parecidas comigo, ou parecidas com você não entendem? Como você conseguiu, finalmente admitir um erro? Como eu não consegui entender a dificuldade pela qual você passava? Não precisa perguntar se te perdoô, quem tem que perguntar isso sou eu, você me perdoa? Gostei tanto de me ver pelos teus olhos, aqueles mesmos que me olharam com lágrimas pedindo perdão, pedindo algo, pedindo tudo.
Sim, amadureci rápido de mais por questões que não convém mencionar, sim pareço ser forte ás vezes, e com certeza to pronta pro que vier. Eu só queria que você não fosse a única que me vê assim, mas por ser, obrigada. Obrigada mesmo, por se mostrar alguém que quer melhorar mesmo depois de tanto tempo. Obrigada por me fazer ter esperança. Você tá fazendo a diferença na minha vida.
E agora eu tanto quero, e agora, eu tanto sinto.
" -Tudo vai ser diferente agora, não quero mais coisas pequenas! Eu aprendi muito contigo, coisas que eu nem dava bola... tu é muito especial, e eu não to falando isso por causa da bebida, e sim porque eu fiquei horas pensando nisso, horas... Me perdoa? Por mim?"
Então me encontrei desarmada, destroçada, acabada no chão, vi quem era o real culpado, vi quem merecia aquele meu sentimento de mágoa.
" -Eu te quero aqui, Marina. Só tu pode me ajudar, e tu sabe como. Pra eu ser feliz com teu pai, com a tua mãe, volta. Vem pra cá. É a tua casa..."
Todas as suas declarações, tudo o que você disse me deixou tão indefesa, como podem duas pessoas tão diferentes como nós, nos entendermos desse modo, quando pessoas parecidas comigo, ou parecidas com você não entendem? Como você conseguiu, finalmente admitir um erro? Como eu não consegui entender a dificuldade pela qual você passava? Não precisa perguntar se te perdoô, quem tem que perguntar isso sou eu, você me perdoa? Gostei tanto de me ver pelos teus olhos, aqueles mesmos que me olharam com lágrimas pedindo perdão, pedindo algo, pedindo tudo.
Sim, amadureci rápido de mais por questões que não convém mencionar, sim pareço ser forte ás vezes, e com certeza to pronta pro que vier. Eu só queria que você não fosse a única que me vê assim, mas por ser, obrigada. Obrigada mesmo, por se mostrar alguém que quer melhorar mesmo depois de tanto tempo. Obrigada por me fazer ter esperança. Você tá fazendo a diferença na minha vida.
E agora eu tanto quero, e agora, eu tanto sinto.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Meu Sorriso.
Leio no meu passado o medo do futuro que se consumou. Sabe quando lutamos contra um acontecimento impossivel de ser contrariado, perdemos, e quando perdemos não pensamos no que pode acontecer depois, acabamos estagnados no pior?
Estive abraçada com o meu sorriso uma última vez. Foi perfeito, foi um dia perfeito, e creio que tenha sido um fim perfeito. O calor dele me assustarva, o encaixe do nosso abraço me confortava. Nosso andar juntos me fazia feliz, o jeito que ele estendia a mão pra mim, seu velho jeito de ser, seu jeito velho de ser. Como ele me olhava, como eu queria guardar tudo aquilo, aquele dia, daquele modo. Duas vezes ele pôs as duas mãos em minhas bochechas, duas vezes dando um beijo de adeus, duas vezes me dando duas sensações que se resumiam em uma. "Não vou ver ele de novo", seguido de "eu quero, mas não vou".
Não, não daquele modo, não com aqueles olhos. Dei adeus ao meu sorriso sem nem pensar se algum dia ele voltaria. Antes meu abraço não se encaixava no dele... o tempo passou e lá passou a ser o lugar onde eu mais me sentia confortável. Meu sorriso me fez esquecer. Me fez aprender a guardar somente uma memória, e ela valeu por todas as outras.
Estive abraçada com o meu sorriso uma última vez. Foi perfeito, foi um dia perfeito, e creio que tenha sido um fim perfeito. O calor dele me assustarva, o encaixe do nosso abraço me confortava. Nosso andar juntos me fazia feliz, o jeito que ele estendia a mão pra mim, seu velho jeito de ser, seu jeito velho de ser. Como ele me olhava, como eu queria guardar tudo aquilo, aquele dia, daquele modo. Duas vezes ele pôs as duas mãos em minhas bochechas, duas vezes dando um beijo de adeus, duas vezes me dando duas sensações que se resumiam em uma. "Não vou ver ele de novo", seguido de "eu quero, mas não vou".
Não, não daquele modo, não com aqueles olhos. Dei adeus ao meu sorriso sem nem pensar se algum dia ele voltaria. Antes meu abraço não se encaixava no dele... o tempo passou e lá passou a ser o lugar onde eu mais me sentia confortável. Meu sorriso me fez esquecer. Me fez aprender a guardar somente uma memória, e ela valeu por todas as outras.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Ouvindo.
"Seu grande amor é pra sempre, e acredito que quando mais tarde você vive ele, melhor. Seu grande amor, é provavelmente a pessoa com quem você vai ter filhos, se algum dia você tiver. Provavelmente, seu grande amor é o que vai te fazer chorar, mesmo que você já o tenha superado, é aquele que vai te dar as lembranças mais lindas, e possivelmente as mais dolorosas. Ele vai segurar a sua mão sem hesitar, vai te olhar nos olhos e te falar toda a verdade. Mas ele vai conseguir te olhar nos olhos e mentir também se necessário. Você vai sentir quando ele for a pessoa certa para você, mas provavelmente depois que tudo terminar, torça para perceber logo de cara. Seu grande amor vai ser seu melhor amigo, a pessoa que vai lhe mostrar como ela realmente é. Eu acho que o nosso grande amor, é aquele que nos faz viver, querer viver, e nos sentirmos vivos. Nosso grande amor é quem nos tira da escuridão e nos põe num mundo diferente. É aquele que nos ouve, e que nos faz ouvir. É quem ás vezes, é a única pessoa que nos faz abrir os olhos, e nos faz ver que a vida pode ser difícil, ou pode ser simplesmente vivida. As lembranças desse grande amor, serão um eterno filme em sua mente, com os momentos que você mais ama, com os instantes mais vitais.
Se assim for, eu quero muito ser o grande amor de alguém."
Se assim for, eu quero muito ser o grande amor de alguém."
domingo, 9 de agosto de 2009
Poxa.
Poxa, dessa vez minhas palavras realmente fugiram de mim, agora me restam algumas perguntas... responder elas vai levar um tempo, eu sei que vai. Bom que leve mesmo. As coisas precisam de tempo. Poxa, tantas ações evitadas poderiam previnir tanta coisa... ser impulsivo ás vezes atrapalha.
- Filho, sabe o que foi? Você se afastou de Deus, você precisa estudar mais a bíblia. Deus não nos procura, a gente que tem que procurar ele, aceitar ele na nossa vida.
Será? Será que isso ajudaria? Não concordo com essas palavras... Tanta coisa que poderia dizer, mas não acredito que as coisas dêem errado por nos afastarmos do "caminho de Deus", não existe tal ser, tal imagem. Se fosse por isso, muita gente que vive na miséria e acredita Nele com todo seu coração, taria melhor, então temos a desculpa de que 'era pra ser assim'. Ninguém é predestinado á miséria, a infelicidade, á solidão. O poder das pessoas é muito maior do que o poder de qualquer outra coisa que exista. Mas esses são meus pensamentos escritos, nada mais!
Poxa...
- Filho, sabe o que foi? Você se afastou de Deus, você precisa estudar mais a bíblia. Deus não nos procura, a gente que tem que procurar ele, aceitar ele na nossa vida.
Será? Será que isso ajudaria? Não concordo com essas palavras... Tanta coisa que poderia dizer, mas não acredito que as coisas dêem errado por nos afastarmos do "caminho de Deus", não existe tal ser, tal imagem. Se fosse por isso, muita gente que vive na miséria e acredita Nele com todo seu coração, taria melhor, então temos a desculpa de que 'era pra ser assim'. Ninguém é predestinado á miséria, a infelicidade, á solidão. O poder das pessoas é muito maior do que o poder de qualquer outra coisa que exista. Mas esses são meus pensamentos escritos, nada mais!
Poxa...
sábado, 8 de agosto de 2009
Referente à 'Nothing else fit here'
"Me contradisse nessas palavras, me transformei em mais uma de várias, me fiz comum. Quase desisti, penso em desistir todos os dias. Acho que você esqueceu. Eu queria te esquecer. Parei de calcular as coisas que faço. Eu mudei. Muita coisa mudou. O que não muda é que eu sinto saudades, e preciso aprender a lembrar com carinho, e não com saudade. O que não muda, é que ninguém mais se encaixa aqui. Só você.
Mas se não fosse desse jeito, de que jeito seria?
Pensamos que o certo seria um caminho... já imaginou que aquele caminho pode ser certo pra um, e errado pra outro?
Você já quis simplesmente ser abraçado? Só abraçado enquanto dorme, pra sentir companhia, e não ter que ficar pensando em um fantasma?
Essa é a última coisa sincera que escrevo sobre nós, porque talvez aqui eu sele tudo. É necessário, entende? Você tá tão adiante e eu to tão empacada. Então vou cortar essa cordão de espinhos que me liga a você. Essas coisas já estão me cansando, e como já falei, é bom ficar nesse mar de nada um pouco. Tem uma placa bem grande piscando pra mim "BEM VINDA AO MAR DE NADA!". To indo, to indo, eu disse que eu ia e eu vou.
To partindo, tá na minha hora, obrigada por assistir ao meu show, mas as cortinas tão se fechando e o coração também. Quando você quiser eu estarei aqui, quando você chamar eu irei. Mas eu não faço, não falo nem tento mais. Não depende de mim, nunca dependeu.
Obrigada obrigada, pelas rosas e pelos tomates, obrigada!"
Mas se não fosse desse jeito, de que jeito seria?
Pensamos que o certo seria um caminho... já imaginou que aquele caminho pode ser certo pra um, e errado pra outro?
Você já quis simplesmente ser abraçado? Só abraçado enquanto dorme, pra sentir companhia, e não ter que ficar pensando em um fantasma?
Essa é a última coisa sincera que escrevo sobre nós, porque talvez aqui eu sele tudo. É necessário, entende? Você tá tão adiante e eu to tão empacada. Então vou cortar essa cordão de espinhos que me liga a você. Essas coisas já estão me cansando, e como já falei, é bom ficar nesse mar de nada um pouco. Tem uma placa bem grande piscando pra mim "BEM VINDA AO MAR DE NADA!". To indo, to indo, eu disse que eu ia e eu vou.
To partindo, tá na minha hora, obrigada por assistir ao meu show, mas as cortinas tão se fechando e o coração também. Quando você quiser eu estarei aqui, quando você chamar eu irei. Mas eu não faço, não falo nem tento mais. Não depende de mim, nunca dependeu.
Obrigada obrigada, pelas rosas e pelos tomates, obrigada!"
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Aparência.
Aparento sempre estar feliz, aparento estar sempre falando besteira, aparento sempre me sentir bem, aparento me divertir a noite inteira, aparento gostar, aparento ser insensível, aparento tudo que é possível. A gente aparenta tanta coisa, sabe?
Nós chegamos tão perto, sabe? Agora certas lembranças são zona proibida pra mim. Agora não me importo mais de ficar aqui, assim. A culpa foi minha e de vocês, a culpa foi de quem não soube o que quis. Nossa culpa, nossos monstros, carregamos eles junto com coisas alegres... Por isso é bom parar de pensar, parar de lembrar, de sentir saudades. É bom simplesmente parar por um tempo, entrar num mar de nada e ficar ali um pouquinho. Mas só um pouquinho, porque se acostumar com a solidão machuca, meu amigo. Mas a culpa é de vocês, é minha, a culpa é totalmente nossa. E ao fim, digo que as vezes o que aparenta nem sempre é... mas acredite, na maioria das vezes, só é. Mesmo assim, a culpa, é sempre nossa.
Nós chegamos tão perto, sabe? Agora certas lembranças são zona proibida pra mim. Agora não me importo mais de ficar aqui, assim. A culpa foi minha e de vocês, a culpa foi de quem não soube o que quis. Nossa culpa, nossos monstros, carregamos eles junto com coisas alegres... Por isso é bom parar de pensar, parar de lembrar, de sentir saudades. É bom simplesmente parar por um tempo, entrar num mar de nada e ficar ali um pouquinho. Mas só um pouquinho, porque se acostumar com a solidão machuca, meu amigo. Mas a culpa é de vocês, é minha, a culpa é totalmente nossa. E ao fim, digo que as vezes o que aparenta nem sempre é... mas acredite, na maioria das vezes, só é. Mesmo assim, a culpa, é sempre nossa.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Vamos.
"Olhe pra mim, vamos partir desse campo de batalha. É uma guerra e eu e você, eu e você podemos fugir.
A Lua, tão linda, me prende o olhar e me faz crer que assim seremos felizes, ela seduz e me faz acreditar... vamos embora?
É, acho que tô partindo... logo eu to partindo."
A Lua, tão linda, me prende o olhar e me faz crer que assim seremos felizes, ela seduz e me faz acreditar... vamos embora?
É, acho que tô partindo... logo eu to partindo."
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Loucura
To ficando louca, e não preciso de ninguém pra me afirmar isso. Eu sei porque a loucura diária já não me serve mais, eu preciso de uma quantidade maior. Então eu fico assim. Sabe quando você faz as coisas, vê que é errado, mas faz mesmo assim? Pois é...
Loucura me faz lembrar filmes, me faz lembrar que aprendo muito com filmes, e geralmente o personagem mais louco é o que mais fala coisas que me atingem...
"Seus olhos não se movem sempre para as coisas que você quer?"
Tantas citações, de tantos lugares, de tantos loucos. Loucos por cinema, loucos por amor, loucos pelas imagens e pela sensação. Somos todos loucos, impossivel negar meu amigo, olhe para si mesmo. Nos dias de hoje precisamos ter a mente aberta, e os olhos mais abertos ainda.
E veja as coisas que escrevo, que falo e que penso. Ah se você pudesse ver minha mente... entenderia do que falo. Depois disso tenho certeza da afirmação que fiz alguns dias atrás: Minhas palavras tão cansando de mim.
Se isso não são inúteis palavras jogadas aos seus olhos, o que são? Se essa não é minha loucura, o que é isso?
Minhas palavras cansam de mim, você cansa de mim, eu canso de mim... alguém ainda acredita nessa pessoa que aqui se encontra, sempre insatisfeita e reclamona, sempre procurando algo a mais, sempre tentando quando não deveria? Alguém acredita nessa pessoa que acredita em todo mundo? Que não quer ver maldade nem acreditar nela, que tá ali, beirando largar tudo de mão mas sabe que isso seria suicido, e pensa que pode adiar isso mais um pouco. Alguém acredita em mim? Pessoa dependente que não tem auto-confiança? Desculpem, desculpem.
Loucura me faz lembrar filmes, me faz lembrar que aprendo muito com filmes, e geralmente o personagem mais louco é o que mais fala coisas que me atingem...
"Seus olhos não se movem sempre para as coisas que você quer?"
Tantas citações, de tantos lugares, de tantos loucos. Loucos por cinema, loucos por amor, loucos pelas imagens e pela sensação. Somos todos loucos, impossivel negar meu amigo, olhe para si mesmo. Nos dias de hoje precisamos ter a mente aberta, e os olhos mais abertos ainda.
E veja as coisas que escrevo, que falo e que penso. Ah se você pudesse ver minha mente... entenderia do que falo. Depois disso tenho certeza da afirmação que fiz alguns dias atrás: Minhas palavras tão cansando de mim.
Se isso não são inúteis palavras jogadas aos seus olhos, o que são? Se essa não é minha loucura, o que é isso?
Minhas palavras cansam de mim, você cansa de mim, eu canso de mim... alguém ainda acredita nessa pessoa que aqui se encontra, sempre insatisfeita e reclamona, sempre procurando algo a mais, sempre tentando quando não deveria? Alguém acredita nessa pessoa que acredita em todo mundo? Que não quer ver maldade nem acreditar nela, que tá ali, beirando largar tudo de mão mas sabe que isso seria suicido, e pensa que pode adiar isso mais um pouco. Alguém acredita em mim? Pessoa dependente que não tem auto-confiança? Desculpem, desculpem.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Verdade...
- Não.
- Como assim 'não'?
- Simplesmente não.
- Você... Eu tenho o direito a uma resposta!
Os dois se olhavam fixamente.
- Não, não tem. Desista.
Lágrimas deixaram os olhos arregalados de Gabrielle marejados. Ela cerrou os punhos.
- Pra que fazer isso? Você sabe que estou quase desistindo, não faça isso, por favor!
- Eu não posso te dar a verdade. Seria pior assim, você não entende?!
- NÃO! Não entendo esse segredo, seria a verdade tão dolorosa assim?
- A verdade seria pior.
Gabrielle saiu da posição ofensiva em que se encontrava, aquelas palavras simplesmente a convenceram.
- De qualquer modo, eu desisto, certo?
- Certo.
Gabrielle arrastou seus pés até sua cama, se deitou e ficou olhando para o quarto vazio, com lágrimas contornando seu rosto em silêncio.
- Se ao menos eu pudesse ouvir de você e não da minha imaginação...
Então fechou os olhos fingindo desistir, mas sabendo que no dia seguinte tentaria de novo. Não conseguia acreditar em suas ilusões por muito tempo, precisava de algo sólido. Algo de verdade.
- Como assim 'não'?
- Simplesmente não.
- Você... Eu tenho o direito a uma resposta!
Os dois se olhavam fixamente.
- Não, não tem. Desista.
Lágrimas deixaram os olhos arregalados de Gabrielle marejados. Ela cerrou os punhos.
- Pra que fazer isso? Você sabe que estou quase desistindo, não faça isso, por favor!
- Eu não posso te dar a verdade. Seria pior assim, você não entende?!
- NÃO! Não entendo esse segredo, seria a verdade tão dolorosa assim?
- A verdade seria pior.
Gabrielle saiu da posição ofensiva em que se encontrava, aquelas palavras simplesmente a convenceram.
- De qualquer modo, eu desisto, certo?
- Certo.
Gabrielle arrastou seus pés até sua cama, se deitou e ficou olhando para o quarto vazio, com lágrimas contornando seu rosto em silêncio.
- Se ao menos eu pudesse ouvir de você e não da minha imaginação...
Então fechou os olhos fingindo desistir, mas sabendo que no dia seguinte tentaria de novo. Não conseguia acreditar em suas ilusões por muito tempo, precisava de algo sólido. Algo de verdade.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Carta.
" 'Lembra de quando pensar em ti machucava? Não machuca mais, querido, estou melhor, você não fica feliz por mim? Gostaria que perdoasse todas as minhas bobeiras, geralmente estou fora de mim quando as faço, você sabe, eu sou uma besta! Mas meu querido, meu amigo, estou muito feliz por você não se tornar uma lembrança dolorosa! Agora sei que quando te ver, posso sorrir, e não mais chorar depois. Isso não te deixa feliz? E sim, ainda gosto de você como sempre disse que gostava, só acho que eu amadureci e que esse sentimento se tornou mais maduro, sabe? E eu queria saber como você está, o que anda fazendo, como está sua saúde física e mental, haha! Realmente queria querido, realmente queria. Eu to esperando, de qualquer maneira, simplesmente esperando. Com todo o meu carinho... Giovanna.'
Essa foi a última carta que ela trocou comigo, á dois anos atrás. Eu ainda a leio, e nunca tive coragem de respondê-la, mas o que eu queria mesmo dizer, minha Giovanna, é que fico na esperança de que você continue me esperando, pois sei que alguma hora irei até você, e lamento por depois dessa carta não termos nos visto mais, queria lhe proporcionar sorrisos novamente. Eu lembro de tudo, Giovanna, e não acabou minha querida. Espere por mim, preciso disto. Eu te amo"
Essa foi a última carta que ela trocou comigo, á dois anos atrás. Eu ainda a leio, e nunca tive coragem de respondê-la, mas o que eu queria mesmo dizer, minha Giovanna, é que fico na esperança de que você continue me esperando, pois sei que alguma hora irei até você, e lamento por depois dessa carta não termos nos visto mais, queria lhe proporcionar sorrisos novamente. Eu lembro de tudo, Giovanna, e não acabou minha querida. Espere por mim, preciso disto. Eu te amo"
terça-feira, 28 de julho de 2009
Apartamento
"Os dois estavam deitados, em silêncio. Cabeças lado a lado, corações na mão. Enquanto ele observava o apartamento vazio, ela o observava. Ela sempre o observava em silêncio, pensando no que ele poderia estar pensando, o que ele poderia estar imaginando. Não conseguia saber se ele pensava tantas besteiras quanto ela, se ele tinha tanto medo quanto ela. Jenn morria de medo de perdê-lo de novo. Com esse pensamento ela virou para a parede, e olhou pela janela.
- Jenn?
Se virou séria para Joe. Tinha esquecido de como o olhar dele podia derrete-la.
- Sim Joe?
Ele riu e aproximou o rosto do dela.
- Já te disse que você fica bem melhor sorrindo?
Jenn abriu um sorriso gigante, ela e Joe riram. Eram momentos como esses que amedontravam a menina, porque neles parecia que nada podia tirar a alegria dela, que nada podia estragar aquilo que eles tinham. Queria muito acreditar que isso era verdade.
- Já Joe, você sempre diz.
E com um beijo no nariz dele, eles seguraram as mãos e ficaram mais um pouco, no apartamento sem móveis, só olhando, um do lado do outro, cada um com seus próprios pensamentos confusos. Juntos. Sim, juntos."
- Jenn?
Se virou séria para Joe. Tinha esquecido de como o olhar dele podia derrete-la.
- Sim Joe?
Ele riu e aproximou o rosto do dela.
- Já te disse que você fica bem melhor sorrindo?
Jenn abriu um sorriso gigante, ela e Joe riram. Eram momentos como esses que amedontravam a menina, porque neles parecia que nada podia tirar a alegria dela, que nada podia estragar aquilo que eles tinham. Queria muito acreditar que isso era verdade.
- Já Joe, você sempre diz.
E com um beijo no nariz dele, eles seguraram as mãos e ficaram mais um pouco, no apartamento sem móveis, só olhando, um do lado do outro, cada um com seus próprios pensamentos confusos. Juntos. Sim, juntos."
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Ali.
Ali. Tá ali tudo o que ela quer ser, ver, ouvir, sentir, tudo tudo tudo. Ela daria tudo pra saber, como seria a vida sem as escolhas que tomou, sem as ridiculas depressões e discussões, sem que ela tivesse que puxar sua alma pra que ela acompanhasse seu corpo... Era aquela parte ali. Bem ali.
domingo, 26 de julho de 2009
Nojo
"Ela estava de volta, ria alto, falava alto, cantava, gritava, pulava, sorria... mas com uma tremenda vontade de sair correndo e chorar. Não entendia o que estava vendo e ouvindo, não queria entender. Mas a escuridão se apossou dela, tiraram o sorriso dela, então com um abraço e um ato estúpido, ela o pegou de volta, para disfarçar os pedaços que haviam caído. Não queria disfarçar, só queria ir embora, pra bem longe daquilo ali, não estava na hora ainda, e ela estava estúpida, sabia que algo de errado ia dar, sempre dá...
Deu uma opinião, ficou com vontade de chorar, viu que podia ter morrido. Mas deu um sorriso verdadeiro antes de... Antes de...
Triste, fez sua alma rastejar atrás de seu corpo até sua caverna, olhou aquilo e bagunçou tudo, jogou as coisas no chão, e por mais incrível que pareça fez tudo silenciosamente, só na sua cabeça. Caiu num poço fundo, seu estômago arrancado, nas mãos do passado que o revirava constantemente. Em um ato de pura estúpidez, então uma série de palavras estúpidas se sucedeu.
Sonhou de novo, com coisas que não queria lembrar, então quando acordou esqueceu tudo o que havia sonhado. Não lembrava. Mas não se moveu, queria ficar na cama, criar raízes lá. Novamente suas lembranças estavam esparramadas pelo quarto, assim como suas roupas, sua máscara. Apertou os dentes, botou as mãos no rosto, queria conforto mas não sabia onde achar. Queria chorar... chamava as lágrimas, porém elas não vinham. Estava desanimada, preocupada, se odiando, não suportava a idéia de ver a própria imagem novamente, queria morrer.
Não tinha nada como o olhar dele pra acabar com ela. E com risadas ela disfarça por quanto tempo der, e a dor faz parte dela de novo. E tudo lembra o passado, tudo a puxa de volta, quando ela tenta ele volta. Não estava pronta ainda.
Tinha nojo de si mesma por tudo. Se sentia suja. A pior sensação do mundo de novo. Suas lembranças, território perigoso. Ela se tortura, ela acha que merece."
Deu uma opinião, ficou com vontade de chorar, viu que podia ter morrido. Mas deu um sorriso verdadeiro antes de... Antes de...
Triste, fez sua alma rastejar atrás de seu corpo até sua caverna, olhou aquilo e bagunçou tudo, jogou as coisas no chão, e por mais incrível que pareça fez tudo silenciosamente, só na sua cabeça. Caiu num poço fundo, seu estômago arrancado, nas mãos do passado que o revirava constantemente. Em um ato de pura estúpidez, então uma série de palavras estúpidas se sucedeu.
Sonhou de novo, com coisas que não queria lembrar, então quando acordou esqueceu tudo o que havia sonhado. Não lembrava. Mas não se moveu, queria ficar na cama, criar raízes lá. Novamente suas lembranças estavam esparramadas pelo quarto, assim como suas roupas, sua máscara. Apertou os dentes, botou as mãos no rosto, queria conforto mas não sabia onde achar. Queria chorar... chamava as lágrimas, porém elas não vinham. Estava desanimada, preocupada, se odiando, não suportava a idéia de ver a própria imagem novamente, queria morrer.
Não tinha nada como o olhar dele pra acabar com ela. E com risadas ela disfarça por quanto tempo der, e a dor faz parte dela de novo. E tudo lembra o passado, tudo a puxa de volta, quando ela tenta ele volta. Não estava pronta ainda.
Tinha nojo de si mesma por tudo. Se sentia suja. A pior sensação do mundo de novo. Suas lembranças, território perigoso. Ela se tortura, ela acha que merece."
sábado, 25 de julho de 2009
Junto
Desde que eu me lembre, era assim. Eu me aninhando de qualquer jeito no corpão grande do papai. Sempre fui pequeninha, e ele sempre grandão, e os braços dele sempre foram onde eu encontrei conforto sem precisar dizer nada. Eu e ele somos desajeitados para nos expressarmos, mas o nosso abraço... é o melhor lugar. Desde que eu me lembre, tive junto dele. Apesar das ausências constantes, de não lembrar minha idade, e de algumas vezes me desapontar, papai sempre teve na minha mente como o melhor do munto. Um perfeito anti-herói. Meu, só meu anti-herói. Ele nunca foi de nenhuma de suas namoradas, de suas tias, talvez tenha sido um pouquinho de sua mãe e de minha mãe, mas definitivamente, é meu também. Coisas que fiz, fiz por ele, coisas que fiz pra magoar, fiz pra ele também. Poemas que escrevi foram pra ele, sonhos que tive, com ele, desenhos que ele guardou... foram pra mim.
Eu to junto com ele, desde que ele me pegou nos braços depois de eu nascer. To junto com ele pra sempre, a vida nos tira as coisas que ela pode, mas um laço assim ela não pode tirar. Papai foi meu exemplo pra vida, sempre me ensinou, tentou me ensinar, tudo que sabia, diz ele que muitas vezes eu ensino coisas para ele... Oh papai, você é um bobão mesmo.
Obrigada, pai. Obrigada por finalmente estar realmente aqui.
Eu to junto com ele, desde que ele me pegou nos braços depois de eu nascer. To junto com ele pra sempre, a vida nos tira as coisas que ela pode, mas um laço assim ela não pode tirar. Papai foi meu exemplo pra vida, sempre me ensinou, tentou me ensinar, tudo que sabia, diz ele que muitas vezes eu ensino coisas para ele... Oh papai, você é um bobão mesmo.
Obrigada, pai. Obrigada por finalmente estar realmente aqui.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Ah não...
Hoje sonhei com você. Foi tão irreal, no sonho eu tive tudo o que eu não tenho fazem meses... Já sonhei com você antes, e os sonhos eram semelhantes a esse último, nos outros voce fazia uma brincadeira, fingia que bão gostava de mim pra depois me abraçar e dizer que gostava sim. Tive esse tipo de sonho quatro vezes, até você falar que gostava de mim... Pensei de que algum modo meus sonhos estavam me avisando de algo.
Esse último sonho não foi muito diferente. Eu estava sentada, você me puxou pelas costas pra eu me levantar, e me deu um beijo. Diferentemente dos outros sonhos, eu te afastei e falei 'não', mas quando te olhei... eu só disse 'que bobagem, claro que sim', e te puxei de volta, mas dessa vez foi você quem me afastou, e sussurrou no meu ouvido...
'É só pra você não esquecer que...', só seus lábios se moveram. E você disse sorrindo, e bem devagar 'Eu te amo'. Eu sei que você não me ama, mas acho que esse sonho quer dizer algo, sabe? Ou... Ah não.
Esse último sonho não foi muito diferente. Eu estava sentada, você me puxou pelas costas pra eu me levantar, e me deu um beijo. Diferentemente dos outros sonhos, eu te afastei e falei 'não', mas quando te olhei... eu só disse 'que bobagem, claro que sim', e te puxei de volta, mas dessa vez foi você quem me afastou, e sussurrou no meu ouvido...
'É só pra você não esquecer que...', só seus lábios se moveram. E você disse sorrindo, e bem devagar 'Eu te amo'. Eu sei que você não me ama, mas acho que esse sonho quer dizer algo, sabe? Ou... Ah não.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Bloqueio.
Tem algo... me impedindo. Me impedindo de me sentir feliz de verdade. Eu não sei dizer o que é, se soubesse eu com certeza acabaria com isso, não é algo que você gosta de manter, não é mesmo? Mas eu não sei, de verdade. Quando eu sorrio de verdade, vejo algo que me faz muito feliz, que me faz esquecer os problemas bobos de uma adolecente, sinto um balde de gel gelado escorrendo pelos meus órgãos. Não chega a ser água, é mais viscoso... sabe? Não é rápido como a água, é lento, passa bem devagar pelo meu corpo a sensação de que eu não tenho autorização de sorrir, nem de ser feliz, nem de esquecer.
Apesar de ouvir brigas e choros constantes, apesar de pessoas pra quem eu nunca fiz mal algum insistirem em botarem outros que eu amo muito contra mim, apesar de eu seguir sem motivação alguns dias, de eu ser uma idiota sem razão alguma, de pensar que logo eu to indo ver minha vó... confesso, que tem alguns dias que eu ainda tenho esperança. Meus motivos pra não jogar tudo pra cima são tantos, e eu nunca admitiria isso em voz alta. (...)
Apesar de ouvir brigas e choros constantes, apesar de pessoas pra quem eu nunca fiz mal algum insistirem em botarem outros que eu amo muito contra mim, apesar de eu seguir sem motivação alguns dias, de eu ser uma idiota sem razão alguma, de pensar que logo eu to indo ver minha vó... confesso, que tem alguns dias que eu ainda tenho esperança. Meus motivos pra não jogar tudo pra cima são tantos, e eu nunca admitiria isso em voz alta. (...)
domingo, 19 de julho de 2009
Entendo?
Acho que deve ser divertido ignorar a minha existência, as pessoas adoram fazer isso. Fazem tanto que estou quase largando tudo que tenho pra voltar ao que eu era.
Mas minhas lembranças ainda permanecem, intactas, cuidei para ficar com aquelas que me fazem sorrir, que me fazem feliz e todas as outras eu joguei fora. Agora eu só penso que o que tiver que acontecer, vai acontecer. Como em Fevereiro. Se isolar uma semana daquela vez foi útil pra mim, me mostrou o que antes eu sabia mas não entendia. Apesar das lágrimas vazias, eu via quem realmente tava do meu lado. Eu escrevia exatamente o que se passava na minha cabeça nas páginas do passado, percebendo como as coisas mudam depressa, como a gente cresce... nós mudamos. 20 páginas frente e verso de soidão, 9 meses de confusão, dois anos de coração quebrado. Leio minhas páginas de vocês... foi tão rápido.
Por mais simples que tenha sido, mesmo que nada tenha acontecido, o dia 29/03/2009 me trás boas lembranças. Era a sensação, sabe? Era sorrir sem pensar, dormir tranquila, abraçar e fechar os olhos, beijar e respirar fundo. Era o que fazia meus dias menos piores. Eu suspirava, e estava me acostumando ás coisas, ao formato daquele novo modo.
Porque, me diz, porque a gente tá assim agora? Porque todo mundo tá assim agora?
É só triste...
Mas minhas lembranças ainda permanecem, intactas, cuidei para ficar com aquelas que me fazem sorrir, que me fazem feliz e todas as outras eu joguei fora. Agora eu só penso que o que tiver que acontecer, vai acontecer. Como em Fevereiro. Se isolar uma semana daquela vez foi útil pra mim, me mostrou o que antes eu sabia mas não entendia. Apesar das lágrimas vazias, eu via quem realmente tava do meu lado. Eu escrevia exatamente o que se passava na minha cabeça nas páginas do passado, percebendo como as coisas mudam depressa, como a gente cresce... nós mudamos. 20 páginas frente e verso de soidão, 9 meses de confusão, dois anos de coração quebrado. Leio minhas páginas de vocês... foi tão rápido.
Por mais simples que tenha sido, mesmo que nada tenha acontecido, o dia 29/03/2009 me trás boas lembranças. Era a sensação, sabe? Era sorrir sem pensar, dormir tranquila, abraçar e fechar os olhos, beijar e respirar fundo. Era o que fazia meus dias menos piores. Eu suspirava, e estava me acostumando ás coisas, ao formato daquele novo modo.
Porque, me diz, porque a gente tá assim agora? Porque todo mundo tá assim agora?
É só triste...
sábado, 18 de julho de 2009
Custo.
Tudo tem seu preço.
As coisas que você faz pra alguém, com certeza voltam pra você.
Machucada, aqui, me encontro. Não deitada, nem com sangue escorrendo. Só machucada, com feridas abertas. Elas não sangram, eu já passei por essa 'fase'. Fases...
E continuo sentada no chão, com os olhos vazios, sem vontade, sendo por ser, fazendo por fazer, sem prestar atenção em volta.
O que tem em volta? Só borrões, o tempo passa algumas vezes tão lento, e ás vezes tão rápido. Nunca presto atenção quando muda, quando vi já está diferente.
Ando tomando sustos seguidamente, o que me faz perceber o quão concentrada nos meus pensamentos estou... que pensamentos? Tô oca.
Pra mim já deu de sair machucada, me abandonei. De volta aos cigarros, aos vicios.
As coisas que você faz pra alguém, com certeza voltam pra você.
Machucada, aqui, me encontro. Não deitada, nem com sangue escorrendo. Só machucada, com feridas abertas. Elas não sangram, eu já passei por essa 'fase'. Fases...
E continuo sentada no chão, com os olhos vazios, sem vontade, sendo por ser, fazendo por fazer, sem prestar atenção em volta.
O que tem em volta? Só borrões, o tempo passa algumas vezes tão lento, e ás vezes tão rápido. Nunca presto atenção quando muda, quando vi já está diferente.
Ando tomando sustos seguidamente, o que me faz perceber o quão concentrada nos meus pensamentos estou... que pensamentos? Tô oca.
Pra mim já deu de sair machucada, me abandonei. De volta aos cigarros, aos vicios.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Mão.
Uma mãozinha, ás vezes a gente precisa de uma né não?
Pra perceber meu real estado de espírito, eu tive que sobreviver o dia de hoje. Percebi que queria rir e me divertir, vi que eu queria... eu queria. Mas não deu. Algo simplesmente me barrou, me prendeu ali atrás, enquanto todos riam e se divertiam lá na frente. E eu não tava pensando em absolutamente nada. Nada. Ali eu vi, o quão chata eu sou, o quão chata eu tô. Como eu envelheci nos últimos meses... como eu perdi algumas coisas, fui largando e esqueci onde.
E agora, meu amigo, o que você me diz? Esse mundo já é ruim, e nós insistimos em fazer ele ainda pior! E apesar de tudo, no final, só precisamos de uma mãozinha. Mas não acho que seja possivel alguém estender a mão sem perceber que tem algo errado. Mas se alguém te estende a mão sem saber as dificuldades, as coisinhas chatinhas que você anda passando, você deve aceitar, sem ser seletivo. Estou certa?
Aiai, tanto pra se pensar, pra se resolver...
Agora, imagino que você me conhece mais do que as pessoas que passam horas comigo. Até mais do que minha mãe. Você tá me lendo aqui, sou eu em palavras. O que é horrivel, pois uma amiga me disse que ela se deparou com tristeza ao ler as coisas aqui...
Não sei o que dizer mais, só sei que preciso seguir esse ciclo... me lembro de quando correr me fazia bem.
Pra perceber meu real estado de espírito, eu tive que sobreviver o dia de hoje. Percebi que queria rir e me divertir, vi que eu queria... eu queria. Mas não deu. Algo simplesmente me barrou, me prendeu ali atrás, enquanto todos riam e se divertiam lá na frente. E eu não tava pensando em absolutamente nada. Nada. Ali eu vi, o quão chata eu sou, o quão chata eu tô. Como eu envelheci nos últimos meses... como eu perdi algumas coisas, fui largando e esqueci onde.
E agora, meu amigo, o que você me diz? Esse mundo já é ruim, e nós insistimos em fazer ele ainda pior! E apesar de tudo, no final, só precisamos de uma mãozinha. Mas não acho que seja possivel alguém estender a mão sem perceber que tem algo errado. Mas se alguém te estende a mão sem saber as dificuldades, as coisinhas chatinhas que você anda passando, você deve aceitar, sem ser seletivo. Estou certa?
Aiai, tanto pra se pensar, pra se resolver...
Agora, imagino que você me conhece mais do que as pessoas que passam horas comigo. Até mais do que minha mãe. Você tá me lendo aqui, sou eu em palavras. O que é horrivel, pois uma amiga me disse que ela se deparou com tristeza ao ler as coisas aqui...
Não sei o que dizer mais, só sei que preciso seguir esse ciclo... me lembro de quando correr me fazia bem.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Segredo
Tenho um segredo. Toda vez que eu ando de carro, eu desejo secretamente que outro carro bata no em que eu estou. E me dá muita raiva quando nenhum bate.
Mas hoje um carro bateu na traseira do meu. Eu fiquei desapontada por ter dado um estouro tão alto, e não ter acontecido nada comigo. E nem com o carro. O carro ficou inteirinho, e eu também. Fiquei desapontada mesmo.
Talvez tenha sido um aviso, de que meus pensamentos negativos podem fazer coisas bem ruins se eu ficar repetindo eles na minha cabeça. Dae agora, vou voltar á aquela fase de pensar que vai ficar tudo bem, porque eu tenho uma cota de negatividade, quando essa cota é alcançada, eu começo a positividade, dae quando as coisas começam a ficar boas, eu puxo pro realismo, e logo volto a ser negativa.
O ruim desses pensamentos negativos, é que eles tem um poder ENORME, mas tipo, eu não vivo sem eles. Agora tenho que dar um jeito de não pensar de novo... É sempre desse modo, as coisas adoram se juntar, ficarem ruins ao mesmo tempo, tudo tudo. E eu sempre causo essas coisas, sempre eu mesma arrancando meus pedaços e jogando eles no chão, pisando em cima. Não sei como eu ainda tenho coisas pra arrancar. Eu queria não sentir, queria não gostar... esse é meu segredo. Eu não quero nada disso daqui.
Nós, pessoas como eu você, aceitamos as coisas boas, esperando as pancadas, as coisas pra machucar logo em seguida, não queremos ser pegos de surpresa, não é mesmo? Mas de qualquer modo, estando preparados pra cena seguinte, sempre ficamos tristes.
Sempre chega nesse ponto. Mas chega, acho que vou... não tem o que fazer. Odeio isso, mas vou ter que esperar o tempo passar. E ás vezes ele passa voando, mas tem vezes que...
Desejo muitas vezes fala mais alto. Cuidado, nem todo desejo faz bem.
Mas hoje um carro bateu na traseira do meu. Eu fiquei desapontada por ter dado um estouro tão alto, e não ter acontecido nada comigo. E nem com o carro. O carro ficou inteirinho, e eu também. Fiquei desapontada mesmo.
Talvez tenha sido um aviso, de que meus pensamentos negativos podem fazer coisas bem ruins se eu ficar repetindo eles na minha cabeça. Dae agora, vou voltar á aquela fase de pensar que vai ficar tudo bem, porque eu tenho uma cota de negatividade, quando essa cota é alcançada, eu começo a positividade, dae quando as coisas começam a ficar boas, eu puxo pro realismo, e logo volto a ser negativa.
O ruim desses pensamentos negativos, é que eles tem um poder ENORME, mas tipo, eu não vivo sem eles. Agora tenho que dar um jeito de não pensar de novo... É sempre desse modo, as coisas adoram se juntar, ficarem ruins ao mesmo tempo, tudo tudo. E eu sempre causo essas coisas, sempre eu mesma arrancando meus pedaços e jogando eles no chão, pisando em cima. Não sei como eu ainda tenho coisas pra arrancar. Eu queria não sentir, queria não gostar... esse é meu segredo. Eu não quero nada disso daqui.
Nós, pessoas como eu você, aceitamos as coisas boas, esperando as pancadas, as coisas pra machucar logo em seguida, não queremos ser pegos de surpresa, não é mesmo? Mas de qualquer modo, estando preparados pra cena seguinte, sempre ficamos tristes.
Sempre chega nesse ponto. Mas chega, acho que vou... não tem o que fazer. Odeio isso, mas vou ter que esperar o tempo passar. E ás vezes ele passa voando, mas tem vezes que...
Desejo muitas vezes fala mais alto. Cuidado, nem todo desejo faz bem.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Já.
Uma coisa estranha tem acontecido comigo ultimamente. Tenho acordado no meio da noite, sentindo dor, pois ou estou mordendo minha lingua, ou meu dedo, ou minha boca... algo assim. Apertando com força, eu só fico consciente a ponto de parar de morder e voltar a dormir. Começou á cerca de duas semanas. Engraçado né? Tudo indica, aponta, pras coisas que vêm acontecendo.
Essa noite acordei assim, mordendo com força meu dedo. Dessa vez foi com muita força. Se eu não acordo assim, me machucando, eu tenho aqueles sonhos perturbadores, com todos meus pensamentos misturados menos um. Uma única pessoa, nunca aparece nos meus sonhos.
Tenho tanta vontade de escrever sobre você... só de expressar essas coisas, parece que depois que escrevo, não sinto necessidade de falar. Assim é melhor. Então, aqui vai!
Eu reclamava, que não te via... agora que estamos separados, estou te vendo bem mais do que quando estávamos... qual a palavra, juntos? Mas te ver é muito pior. Te ver, com aquele ódio no olhar, aquela raiva, e pensar que tudo isso é pra mim. Isso quando você me olha, tem ainda o fato de você evitar passar os olhos pela minha imagem, descaradamente olhando pra qualquer coisa. Qualquer direção. Fazendo questão de mostrar. E ainda tenho que ouvir as pessoas me falando isso...
Me sinto horrivel, nojenta, suja, feia. Queria poder me desfazer do que me prende á essa realidade, onde teu olhar me fere. Quero voltar á realidade, de quando te ver me fazia sorrir, por mais que eu tentasse evitar. Mas agora... agora é tão triste. Eu fico tão triste. Por mais que eu queira reverter isso, eu sei que mereço e que é culpa minha. Me dá raiva o fato de que você parece confortável com essa situação. Eu sei que você não tá, mas você tá menos preocupado do que eu.
Eu vacilei na sua frente, eu tremi de nervosa, as palavras ficaram enrroladas, suei frio. O que você tá fazendo? Por favor, para! Vamos voltar á época em que eu tentava reprimir sorrisos, agora o que eu reprimo é choro. Deveria ter falado algo, alguma coisa, tanta coisa...
Você vem, e some, resolve voltar... não faz isso comigo, por favor. Ou vem e fica, ou vai e não volta. Não tá sendo divertido... acho que teu sentimento por mim não é mais o mesmo... claro que não é! O meu por ti também não é o mesmo. Antes era tão simples, agora é tão... grande.
Agora já foi. Já suei frio, já tremi de nervosismo, já quase esqueci o que falar, meus olhos já encheram de lágrimas, já fiquei surpresa, já passei pelas pessoas sem ver elas. Parece que meus olhos tem duas pedras penduradas, nao consigo parar de olhar pra baixo. Me sinto triste. O estrago já tá feito.
Não foi por você, não foi por ela, nem por ele, nem por eles. Não foi por quem já foi, não foi pelo passado, pelo presente. Foi por mim... eu já me quebrei. Me deixei quebrar.
Essa noite acordei assim, mordendo com força meu dedo. Dessa vez foi com muita força. Se eu não acordo assim, me machucando, eu tenho aqueles sonhos perturbadores, com todos meus pensamentos misturados menos um. Uma única pessoa, nunca aparece nos meus sonhos.
Tenho tanta vontade de escrever sobre você... só de expressar essas coisas, parece que depois que escrevo, não sinto necessidade de falar. Assim é melhor. Então, aqui vai!
Eu reclamava, que não te via... agora que estamos separados, estou te vendo bem mais do que quando estávamos... qual a palavra, juntos? Mas te ver é muito pior. Te ver, com aquele ódio no olhar, aquela raiva, e pensar que tudo isso é pra mim. Isso quando você me olha, tem ainda o fato de você evitar passar os olhos pela minha imagem, descaradamente olhando pra qualquer coisa. Qualquer direção. Fazendo questão de mostrar. E ainda tenho que ouvir as pessoas me falando isso...
Me sinto horrivel, nojenta, suja, feia. Queria poder me desfazer do que me prende á essa realidade, onde teu olhar me fere. Quero voltar á realidade, de quando te ver me fazia sorrir, por mais que eu tentasse evitar. Mas agora... agora é tão triste. Eu fico tão triste. Por mais que eu queira reverter isso, eu sei que mereço e que é culpa minha. Me dá raiva o fato de que você parece confortável com essa situação. Eu sei que você não tá, mas você tá menos preocupado do que eu.
Eu vacilei na sua frente, eu tremi de nervosa, as palavras ficaram enrroladas, suei frio. O que você tá fazendo? Por favor, para! Vamos voltar á época em que eu tentava reprimir sorrisos, agora o que eu reprimo é choro. Deveria ter falado algo, alguma coisa, tanta coisa...
Você vem, e some, resolve voltar... não faz isso comigo, por favor. Ou vem e fica, ou vai e não volta. Não tá sendo divertido... acho que teu sentimento por mim não é mais o mesmo... claro que não é! O meu por ti também não é o mesmo. Antes era tão simples, agora é tão... grande.
Agora já foi. Já suei frio, já tremi de nervosismo, já quase esqueci o que falar, meus olhos já encheram de lágrimas, já fiquei surpresa, já passei pelas pessoas sem ver elas. Parece que meus olhos tem duas pedras penduradas, nao consigo parar de olhar pra baixo. Me sinto triste. O estrago já tá feito.
Não foi por você, não foi por ela, nem por ele, nem por eles. Não foi por quem já foi, não foi pelo passado, pelo presente. Foi por mim... eu já me quebrei. Me deixei quebrar.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Disparo.
"Dois. É só disso que precisavam, ela sempre de joelhos e ele sempre estendendo a mão pra ajudá-la a levantar. Quando ele não estendeu mais a mão pra ela, quando ele mudou, ela viu que ás vezes amor não é o suficiente. Porque amor não é o suficiente?
Tem coisas que nublam nossa visão, algumas coisas acontecem e distorcem o que vemos em relação a quem amamos, não queremos sentir aquilo, mas fica martelando em nossas cabeças, imagens pulam na frente de nossos olhos, pensamentos que não conseguimos explicar.
Dispare. Dispare contra qualquer coisa, palavras duras e frias, menos contra o seu coração, não faça isso com ele. Dispare sua munição em forma de palavras, só não em quem ama.
Ela perdeu também a irmã, que era quem a abraçava quando ela precisava de um abraço. Ela não fez o que devia, ela descarregou um revolver em si mesma. Um por um, os que ela carregava com ela cairam e a abandonaram.
Ele não queria mais estender a mão, e hesitando, se virou pra ela uma ultima vez. Tarde de mais, ela conseguiu mais uma bala, e contra o próprio coração disparou. Ela se destruiu.
Sonhou que colia flores em algum lugar, sonhou que podia voar em uma moto. Quando acordou em um lugar estranho e branco, sem graça, percebeu que falhou. O coração ainda batia fraco, infeliz. A missão dela agora era viver eternamente naquele mundo de sonho."
Tem coisas que nublam nossa visão, algumas coisas acontecem e distorcem o que vemos em relação a quem amamos, não queremos sentir aquilo, mas fica martelando em nossas cabeças, imagens pulam na frente de nossos olhos, pensamentos que não conseguimos explicar.
Dispare. Dispare contra qualquer coisa, palavras duras e frias, menos contra o seu coração, não faça isso com ele. Dispare sua munição em forma de palavras, só não em quem ama.
Ela perdeu também a irmã, que era quem a abraçava quando ela precisava de um abraço. Ela não fez o que devia, ela descarregou um revolver em si mesma. Um por um, os que ela carregava com ela cairam e a abandonaram.
Ele não queria mais estender a mão, e hesitando, se virou pra ela uma ultima vez. Tarde de mais, ela conseguiu mais uma bala, e contra o próprio coração disparou. Ela se destruiu.
Sonhou que colia flores em algum lugar, sonhou que podia voar em uma moto. Quando acordou em um lugar estranho e branco, sem graça, percebeu que falhou. O coração ainda batia fraco, infeliz. A missão dela agora era viver eternamente naquele mundo de sonho."
Querer.
Não tem preço, não tem palavras, não tem tempo. O que quero está adiante, distante de mim, minhas mãos não podem alcançar, não posso sentir. Mas quero mesmo assim, e vou conseguir, ter em minhas mãos o que desejo, mesmo que não seja algo que você tem em suas mãos, que dê para segurar, mas com certeza você consegue ver. Eu quero. Eu quero até os ossos.
Consome, nubla, irrita, foge, some, aparece e leva tudo de volta. Lágrimas de felicidade são as coisas mais raras de se conseguir, mas eu as tenho guardadas em algum lugar dentro de mim só esperando pra eu me desfazer delas logo. Mas o olhar vazio não as deixa virem, a falta de uma coisa, e somente uma: querer.
Não quero continuar aqui, mas eu queria acima de tudo, querer. Até os ossos, alvos.
Quero querer ser melhor, quero gostar de mim, quero me ver bem, quero te ver bem, te quero bem, te quero... aqui. Em mim, em nós, em tudo. Minha cabeça acompanha a brisa, em lugares onde ninguém chega, meu coração não bate mais, ele dorme e só precisa de um empurrãozinho. Meu cigarro não acaba nunca, parece que as cinzas que caem no meu braço e queimam, fazem um ciclo de cair e voltar ao lugar, queimam, param, e voltam a queimar num lugar já machucado.
Minhas partes, pequenos fragmentos, caem atrás, atrás de tudo que era meu mas eu deixei passar. Atrás do que eu sentia que não chegava nem perto do vazio. Eu sentia tanta coisa, eu sentia tanto, sinto muito...
E a dor volta sempre de maneiras diferentes, é como um resfriado, seu corpo cria barreiras contra um tipo, de mais de 200 existentes. Coisas que vão te fazer sofrer, podem ser muito mais de 200.
É que é tão triste, viver nesse mundo. Ninguém pode mudar nada, mesmo que sacrifique-se uma vida por isso, de que irá adiantar?
Consome, nubla, irrita, foge, some, aparece e leva tudo de volta. Lágrimas de felicidade são as coisas mais raras de se conseguir, mas eu as tenho guardadas em algum lugar dentro de mim só esperando pra eu me desfazer delas logo. Mas o olhar vazio não as deixa virem, a falta de uma coisa, e somente uma: querer.
Não quero continuar aqui, mas eu queria acima de tudo, querer. Até os ossos, alvos.
Quero querer ser melhor, quero gostar de mim, quero me ver bem, quero te ver bem, te quero bem, te quero... aqui. Em mim, em nós, em tudo. Minha cabeça acompanha a brisa, em lugares onde ninguém chega, meu coração não bate mais, ele dorme e só precisa de um empurrãozinho. Meu cigarro não acaba nunca, parece que as cinzas que caem no meu braço e queimam, fazem um ciclo de cair e voltar ao lugar, queimam, param, e voltam a queimar num lugar já machucado.
Minhas partes, pequenos fragmentos, caem atrás, atrás de tudo que era meu mas eu deixei passar. Atrás do que eu sentia que não chegava nem perto do vazio. Eu sentia tanta coisa, eu sentia tanto, sinto muito...
E a dor volta sempre de maneiras diferentes, é como um resfriado, seu corpo cria barreiras contra um tipo, de mais de 200 existentes. Coisas que vão te fazer sofrer, podem ser muito mais de 200.
É que é tão triste, viver nesse mundo. Ninguém pode mudar nada, mesmo que sacrifique-se uma vida por isso, de que irá adiantar?
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