quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Simon e Glória I

"Glória, sinto sua falta. E você sabe disso. Mas na noite do teatro de marionetes, algo a assustou. Eu sei disso, mas não sei o que foi! Lembro-me de te olhar durante o teatro inteiro, tentando adivinhar o que você achava ou pensava à respeito do que via e ouvia.
Teve um momento em que sua expressão ficou fria, dura. Indecifrável. Começei a prestar atenção no que acontecia com os marionetes, mas não consegui encontrar o motivo para sua mudança de humor. Assim como não encontrei o motivo para sua saída sem dizer nada, sumindo na noite. Assim como não encontrei razão alguma para você me evitar nessas últimas semanas.
Por isso deixo essa carta à sua porta nesta manhã de fevereiro, quando completaríamos 3 meses juntos.
Por favor, me dê uma chance, não caminhe assim para longe de mim. A partir de hoje mandarei uma carta a cada dois dias para você, até o dia em que você me responder ou me der alguma explicação.
Glória, você é o amor da minha vida, não acho justo o que você está nos fazendo passar, pois sei que sou o amor da sua vida também. Volte para mim. O que quer que a tenha assustado, eu espanto. Eu sempre vou te defender dos seus fantasmas.
Espero que saiba disso. Estarei a espera, e eu realmente não tenho preguiça de escrever para você, portanto, não confie na possibilidade de eu desistir.
Te amo pra sempre.
Simon."

Glória leu a carta pacientemente. Duas lágrimas cairam na carta de Simon, então ela respirou fundo e guardou novamente a primeira carta das 14 que até hoje Simon havia lhe mandado, sem pular um dia sequer. Todas elas lindas, contando dos dias dele sem ela, com histórias e coisas que a faziam rir. Mas Glória não respondeu. Em dois dias Simon escreveria para ela de novo, a 15ª carta. E seu coração estava quase cedendo, e quase confessando à ele o que realmente havia acontecido naquela noite. Tinha até uma carta préviamente escrita, desde que Simon havia lhe mandado a primeira. Queria entregar à ele... deveria esperar a 15ª carta?
Com esses pensamentos ela deitou na cama e lá permaneceu por horas, sem ter noção de tempo. Sem ouvir o telefone, a campainha, a sirene, os gritos. Mas quando a fumaça invadiu o seu quarto ela acordou de seu transe.

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