Todo dia eu acordo e me lembro de meus sonhos. Muitas vezes eles são horríveis, e me deixam chateada, pois não mostram a realidade, mas sim, meus medos.
Isso me faz pensar nessa sensação que tenho, e quase sempre tive, de possuir o chaveiro mas não as chaves. Sabe como é? Você tem algo, que só é útil quando junto à outro algo. As duas coisas se completam. É como sentir amor, mas não ter quem amar. É ter a possibilidade de praticar o que você sabe, mas não saber nada. É como ser ouvido mas não saber o que falar, ter os motivos mas não saber quais são.
É difícil. Pois essa sensação me arranca os cobertores e a razão todo o dia, e leva tudo ao chão. É tão dificil quanto ser vista mas não ser notada.
E entre garrafas, choros e declarações me deito. O choro enche as garrafas e as declarações me matam.
E quando lentamente a saniedade se aproxima, mais uma garrafa de lágrimas vai ao chão, quebrando em milhares de cacos e lamúrias, me cortando dos pés a cabeça, me fazendo ver que sou apenas de carne e osso, um ser humano comum, com preocupações comuns, com uma vida comum. Mas com um coração dilacerado, perto de mais do cérebro, por ter sido arrancado de meu peito e jogado ao lado do meu corpo sem utilidade.
E mais tarde, com flashes e sorrisos a graciosidade tenta voltar, iluminando o que antes era como um breu, deixando visíveis as falhas que os olhos por si só não enxergam, escancarando a verdade sobre o sentimento. E a verdade é que o amor é procurado pela perfeição, e não por si.
A verdade é que tudo é mentira, e as cicatrizes nada provam, e as palavras nada dizem, e os gestos nada expressam.
Pois eu tenho apenas o chaveiro, mas as chaves...
domingo, 27 de dezembro de 2009
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