Eram 5 horas da manhã. Eu estava olhando pro teto. Branco, sem nenhuma mancha. Meus olhos pesavam mas eu não queria dormir, pelo menos não antes de ele chegar. O que aconteceu mais cedo não saía da minha cabeça... se ele tivesse ficado um pouco mais, talvez eu não estaria no hospital.
Eu fui uma idiota em pensar que seria uma boa idéia pendurar quadros no meio da noite, e fui mais idiota ainda quando pensei que o cachorro na rua era engraçadinho. Aquilo não era um cachorro. E porque minha janela tava aberta ás 4:20 da manhã? Eis o que aconteceu: Eu estava pendurando o segundo quadro na parede, em cima de uma escadinha, do lado da janela, então eu tava com o martelo na mão, e com o quadro que era bem pesado apoiado na escada. Pois então, ouvi um barulho do lado de fora, olhei pela janela e era um cachorro, parecia tão bonitinho tentando derrubar minha lata de lixo, eu chamei ele pra janela e sentei no parapeito. Quando o cachorro me viu, parece que os olhos dele ficaram vermelhos e ele começou a rosnar. Foi aí que eu vi que não era um cachorro normal, era um monstro sedento por sangue. Aquela coisa começou a correr na direção da minha casa, e eu me atrapalhei toda, toda mesmo. quebrei o quadro no chão, caí da escada no parapeito da janela, e quando aquele animal insano tava muito perto, eu fechei o vidro nos meus dedos. Mas não para por aí, o cachorro se ATIROU contra o vidro da janela, que quebrou e os pedaços de vidro me deixaram toda cortada nos braços. O cachorro ficou tontão com a batida e caiu duro no chão. Eu tava caída no chão, e quando fui levantar meu pé tava preso na escada, caí com a cabeça na moldura do quadro e cortei em cima da sobrancelha. Agora me diga, em que MUNDO alguém acreditaria em mim se eu contasse isso? Pois então, liguei para uma ambulância, eu tava muito tonta, tranquei o cachorro dentro da minha casa e caí na varanda. Lembro apenas de acordar no hospital.
- Su? Sunnie?!
- 3ª porta á esquerda moço!
Pela voz dele, ele parecia desesperado, e confesso que isso me deixou meio exaltada também.
- Du?!
Ele apareceu na porta do quarto e parou. Ficou me olhando, analizando meus ferimentos (cortes por toda parte visível do meu corpo, dedos enfaixados, pontos acima da sobrancelha e um roxo na maçã do rosto, de quando caí na varanda). Parecia que estava tentando entender o que havia acontecido, como se ele esperasse ver outra coisa. Acho que ele pensava que eu tava sem cabeça, algo do gênero. Ele chegou mais perto, parando do lado da cama.
- O que aconteceu? Foi procurar briga com alguma gangue de skinheads?
- Não, a MINHA gangue fez um motim, eles tinham tudo planejado, fui uma besta por não perceber logo. - Rolei os olhos e ele riu, sentou-se no sofá ao lado da cama e passou a mão na minha testa, onde não havia nenhum ferimento.
- Você vai me contar o que aconteceu depois... mas só pra deixar gravado, mesmo cortada, enfaixada, roxa e costurada, você é a mulher mais linda do mundo.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
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