Toda vez que eu ia na casa do Du eu me sentia como em algum seriado chique de mais, ou em algum filme irreal de mais. Essa situação toda parecia irreal.
Enquanto eu estava sentada com o braço imobilizado, apenas olhando para a televisão, e não assistindo. Enquanto isso algumas empregadas passavam apressadas por mim, com montes de toalhas e roupas, e de minuto em minuto elas passavam me distraindo enquanto eu tentava assistir algo na televisão. Não que tivesse nada muito interessante, então logo fiquei entediada. Como ninguém ali estava me dando muita atenção, resolvi mexer na caixa de dvd's do Eduardo. Eu sabia que ali, tinham muitos filmes que eu amava. E então encontrei: Casablanca.
Era quase hora do almoço, mas eu não me importava, o Du ia chegar atrasado mesmo. Até que a governanta, Leana, sentou ao meu lado, assistimos o início de Casablanca juntas, porém, em silêncio. Até que veio a cena em que alemães e franceses competem através da música, e mostra-se quem realmente está no comando em Casablanca. Na sequência, Ilsa olha para Victor, enquanto ele canta alto junto com os vários franceses dentro do bar do Rick. Então aparece Yvonne, cantando alto e chorando. O rosto de Yvonne enche a tela, me fez quase sentir o que ela sentia, toda vez que eu assistia aquela cena, meus olhos enchiam de água. Em seguida, aparece Ilsa novamente, olhando para Victor e suspirando. Aos poucos, ela muda a expressão, e dá pra ver um leve sorriso e pequenas covinhas. Mas nada, nada supera o olhar que ela alnça para Victor. É como se ela percebesse o verdadeiro motivo por ter se apaixonado por ele.
- Ambas sabemos como esse filme acaba, Sundance.
- Sabe porque a Ilsa vai dizer ao Richard que ainda o ama?
- Diga-me.
- Porque podemos estar apaixonadas por um Victor, ele pode ser o amor da nossa vida. Mas o Richard, o homem que vai nos fazer esquecer o Victor, pode sumir da nossa vida, mas ele vai voltar. E quando ele voltar, e nos disser eu te amo, nós diremos de volta. A Ilsa é uma colecionadora de 'eu te amo' sinceros. Assim como nós, Leana. Nós não cansamos de ouvir, só cansamos de ouvir da mesma pessoa.
Virei para a televisão novamente.
- O nosso Richard, vai nos mostrar o quanto ele nos ama. Mesmo que para isso, seja necessário irmos embora com o nosso Victor.
- Eu espero que você nem conheça o seu Richard Sun.
Tudo ficou em silêncio de novo. Não ousei retrucar o que ela comentou. Apenas assistimos a cena final enquanto Victor e Ilsa desapareciam na neblina.
- Casablanca garotas?
Olhamos para trás e lá estava o Du, de gravata torta e terno aberto.
- Passou por algum tornado Du? - Ele viu que eu tentava levantar e correu para o sofá, me segurando. Sim, eu estava totalmente machucada, e totalmente com dor.
- Acho que a Sundance deveria tomar algum comprimido, não acha, Eduardo?
- Não Lea, ela já tomou muitos medicamentos no hospital.
- É, estou bem Dona Leana.
O Eduardo não notava a ironia nas palavras da Leana, mas eu notava. E ele não notava também a hostilidade nas minhas palavras. Eu não sei se ele ignorava porque achava que a governanta dele estava com ciumes da namorada, ou se ele REALMENTE não percebia. Mas isso não mudava o fato de que eu e Leana tinhamos um passado. Um passado pelo qual ela me condenava, e do qual Eduardo não desconfiava.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
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