domingo, 26 de julho de 2009

Nojo

"Ela estava de volta, ria alto, falava alto, cantava, gritava, pulava, sorria... mas com uma tremenda vontade de sair correndo e chorar. Não entendia o que estava vendo e ouvindo, não queria entender. Mas a escuridão se apossou dela, tiraram o sorriso dela, então com um abraço e um ato estúpido, ela o pegou de volta, para disfarçar os pedaços que haviam caído. Não queria disfarçar, só queria ir embora, pra bem longe daquilo ali, não estava na hora ainda, e ela estava estúpida, sabia que algo de errado ia dar, sempre dá...
Deu uma opinião, ficou com vontade de chorar, viu que podia ter morrido. Mas deu um sorriso verdadeiro antes de... Antes de...
Triste, fez sua alma rastejar atrás de seu corpo até sua caverna, olhou aquilo e bagunçou tudo, jogou as coisas no chão, e por mais incrível que pareça fez tudo silenciosamente, só na sua cabeça. Caiu num poço fundo, seu estômago arrancado, nas mãos do passado que o revirava constantemente. Em um ato de pura estúpidez, então uma série de palavras estúpidas se sucedeu.
Sonhou de novo, com coisas que não queria lembrar, então quando acordou esqueceu tudo o que havia sonhado. Não lembrava. Mas não se moveu, queria ficar na cama, criar raízes lá. Novamente suas lembranças estavam esparramadas pelo quarto, assim como suas roupas, sua máscara. Apertou os dentes, botou as mãos no rosto, queria conforto mas não sabia onde achar. Queria chorar... chamava as lágrimas, porém elas não vinham. Estava desanimada, preocupada, se odiando, não suportava a idéia de ver a própria imagem novamente, queria morrer.
Não tinha nada como o olhar dele pra acabar com ela. E com risadas ela disfarça por quanto tempo der, e a dor faz parte dela de novo. E tudo lembra o passado, tudo a puxa de volta, quando ela tenta ele volta. Não estava pronta ainda.
Tinha nojo de si mesma por tudo. Se sentia suja. A pior sensação do mundo de novo. Suas lembranças, território perigoso. Ela se tortura, ela acha que merece."

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