segunda-feira, 13 de julho de 2009

Disparo.

"Dois. É só disso que precisavam, ela sempre de joelhos e ele sempre estendendo a mão pra ajudá-la a levantar. Quando ele não estendeu mais a mão pra ela, quando ele mudou, ela viu que ás vezes amor não é o suficiente. Porque amor não é o suficiente?
Tem coisas que nublam nossa visão, algumas coisas acontecem e distorcem o que vemos em relação a quem amamos, não queremos sentir aquilo, mas fica martelando em nossas cabeças, imagens pulam na frente de nossos olhos, pensamentos que não conseguimos explicar.
Dispare. Dispare contra qualquer coisa, palavras duras e frias, menos contra o seu coração, não faça isso com ele. Dispare sua munição em forma de palavras, só não em quem ama.
Ela perdeu também a irmã, que era quem a abraçava quando ela precisava de um abraço. Ela não fez o que devia, ela descarregou um revolver em si mesma. Um por um, os que ela carregava com ela cairam e a abandonaram.
Ele não queria mais estender a mão, e hesitando, se virou pra ela uma ultima vez. Tarde de mais, ela conseguiu mais uma bala, e contra o próprio coração disparou. Ela se destruiu.
Sonhou que colia flores em algum lugar, sonhou que podia voar em uma moto. Quando acordou em um lugar estranho e branco, sem graça, percebeu que falhou. O coração ainda batia fraco, infeliz. A missão dela agora era viver eternamente naquele mundo de sonho."

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