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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Quando Thief é agredido pela ruiva da bicicleta.

Virei a esquina, e após isso tudo pareceu surreal. Lá, ao invés de encontrar uma menina linda e pequeninha, encontrei um cão que parecia feroz de mais pra estar em um local tão tranquilo como aquela praia. Eu fiquei parado, encarando ele, enquanto ele rosnava de volta. Até que ele latiu e eu começei a correr. Todos que viam o cachorro davam gritos e se afastavam, deixando o centro da calçada para que eu pudesse fugir. Eu olhava pra trás e aquela fera continuava lá, a minha impressão era que nem se alguem se jogasse em cima dele, ou nem se dessem um pedaço de carne crua ele pararia de me perseguir.
O que aconteceu em seguida foi o que definiu todo aquele dia. Eu roubei uma bicicleta. Claro que logo eu ia cansar e aquele animal ia me fazer em pedaços, ele era grande, branco, e seus olhos pareciam totalmente negros. Definitivamente era algo que eu devia ter detectado antes. E aquela mulher estava dando bobeira com a bicicleta, seus cabelos vermelho (assim como a bicicleta), logo me chamaram a atenção. Então eu simplesmente gritei para ela se afastar.
- SAI! Em 30 minutos eu devolvo!
Nem a ouvi responder, só ouvi os gritos, certamente por causa do cachorro. Após algumas quadras e muita velocidade o despistei. Dei algumas voltas, fui até a praia e desci até o píer de novo, dei uma olhada no cpéu agora, sem sol, com uma cor meio roxa e lembrei que precisava devolver a bicicleta, a moça devia estar puta comigo.
Cheguei no local onde havia "roubado" o meu transporte de fuga (na frente de um mini-mercado) e não avistei a mulher, olhei para o outro lado da rua e me assustei. Lá estava a menininha loira, fazendo carinho no cachorro que agora parecia uma criatura dócil. Ela olhava pra mim, não era impressão minha. Então a pequena acenou e sorriu. Mas havia um pouco de cinismo naquele sorriso. O que era aquela coisa? E eu não estava me referindo ao cachorro.
- HEY!
Virei-me em direção a voz e senti apenas algo duro e frio bater em meu nariz, uma dor horrivel se espalhou pelo meu rosto e eu senti o sangue brotar. Nariz quebrado? Definitivamente. De tão forte que foi a pancada, tive que me apoiar em um poste de luz.
- AI, CARALHO, QUE MERDA É ESSA?
Com a mão no nariz, olhei pra mulher de quem eu havia roubado a bicicleta, lembra quando eu falei que ela provavelmente tava puta? É, ela tava. E muito. E acho que tava mais puta ainda porque agora a mão dela tava doendo.
- Desculpa moça, foi só por uns 40 minutos!
- Desculpa nada, seu idiota! Você fez eu me atrasar, agora vou perder o ônibus! E caramba, que crânio duro!
Olhei pra bicicleta dela e depois pra ela. Estava confuso.
- Pra que ônibus, se você tem uma bicicleta?
- Porque eu ia pra casa e depois ia pegar o...
Ela parou, fechou a cara e se virou para pegar a bicicleta.
- Eu não preciso ficar me justificando pra um idiota que foge de um pincher na rua e precisa de uma bicicleta pra isso.
- Pincher? A raça?
Olhei sem entender. Não, não era um pincher.
- É, a raça. De que mundo você vem?
Se aquilo era um pincher, não desse.
Não respondi, ela só revirou os olhos e montou na bicicleta.
- Hey, espere... qual o seu nome?
- Que?
- Seu nome.
Ela me olhou desconfiada.
- Ivy.
- Eu sou o Thief. Como posso recompensar a perda do seu ônibus?
Ela sorriu. entrou no mercado e logo voltou com uma dúzia de sacolas.
- Me ajude a levar isso pra casa.
Ela praticamente atirou as sacolas pra mim, as segurei com um pouco de dificuldade, e com uma vontade de rir. Meu nariz doía, minhas mãos e minha camisa estavam cheias de sangue, mas aquilo não pareceu sensibilizá-la.
- Cuidado, tem ovos aí.
Entao ela pagou a sacola dos ovos e mais uma, montou na bicicleta e a segui. Enquanto a seguia, olhei para o outro lado da rua e vi novamente a menininha. Ela agora dava risada, parecia que ria da minha situação. Franzi o cenho e ela moveu os lábios dizendo 'Até mais Thief'. Aquilo me gelou dos pés à cabeça. Precisava descobrir o que ela era. E algo me dizia que tinha a ver com a moça que andava à minha frente, Ivy.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Thief encontra o pequeno anjo.

Eu estava sentado no chão do píer, com as pernas balançando enquanto olhava o sol se por. Era a única coisa da qual eu não podia largar mão: assistir o pôr-do-sol. O cheiro do mar invadia minhas narinas e a brisa vinda do mar parecia um chamado, eu queria pular. Levantei, estava pronto para ir. Mas...
- Hey!
Parei, não olhei para trás.
- Oi você?
Suspirei e virei na direção de quem falava comigo. Era uma menina, de 12 ou 13 anos. Ela era quase 30 cm mais baixa que eu, tinha cachos loiros e estava com um vestido vermelho, de pés descalços. Era uma imagem que não fazia sentido naquele lugar.
- Sim?...
Ela sorriu, e sem falar nada saiu caminhando na direção oposta a mim. Foi estranho, pois ela parecia inocente de mais para parecer provocante, mas me chamava tanto quanto a brisa havia chamado, ela tinha um rosto de anjo, e eu não fazia idéia do que estava fazendo.
Mas a segui, eu tinha o pressentimento de que se não fizesse isso, estaria perdendo... algo. Aquele anjo se misturava com a multidão, me fazendo empurrar as pessoas, ela passava com facilidade, parecia que abriam caminho para ela. Quando saímos do tumulto, a garota começou a correr, e em um desespero repentino, corri atrás. Não podia perdê-la de vista, precisava alcançá-la. Então ela virou em uma esquina, e quando eu eu estava prestes dobrar, algo aconteceu.
Em questão de alguns segundos o curso da vida de duas pessoas mudou. Tudo por culpa de uma bicicleta e de um cachorro. Essa história é minha, de Ivy, e do nosso pequeno cupido e anjo da guarda.