quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Denegrida.

"Estou no carro. Eu e ela estamos. É Eduarda quem revira os olhos quando o ouve falar algo óbvio de mais. Eu a repreendo, só então ela percebe que tudo o que ela faz, ele consegue ver pelo retrovisor. Não fazemos absolutamente mais nada.
Descemos do carro em silêncio, mas então a discussão começa.
- Ele sempre teve boas intenções, nunca nos quis mal, você não precisa tratar ele dessa maneira.
- Sempre o tratei assim.
- Será que poderia parar então? Falar algo bom pra ele só pra variar?
- O que tem com você einh? Nunca reclamou, até concordava comigo a pouco tempo atrás.
Apresso o passo, fecho os olhos e respiro fundo.
- Que foi, não vai me responder?
- Eu percebi uma coisa...
Paro bruscamente. E ela também.
- Eu amo ele. Apesar de tudo, eu o amo. Você não. Isso me aborrece mais do que deveria.
- Eu o odeio.
- Eu sei.
- Tá cada vez mais visível a linha que nos separa, você percebeu isso?
- Uhum.
Passamos o resto do dia sem nos falarmos, cada uma imersa em seus próprios pensamentos. Mas quando chego em casa, sento na mesa da cozinha e o observo entrar com um largo sorriso no rosto, depois de um longo dia de trabalho. Me dá vontade de chorar. Percebo que divido o sentimento de ódio com Eduarda, assim como ela percebe que divide o sentimento de amor por ele, comigo. Nos dá uma tremenda vontade de chorar. Saio da mesa e a deixo sentada lá, em choque por perceber como confundimos as coisas na maioria das vezes.
Entro no meu quarto e sinto a escuridão se apossar dele quando Eduarda entra comigo. Nos encaramos e por um momento penso em matá-la. Mas sei que não vivo sem ela.
- Separadas não existimos, você sabe disso não?
- Sei. Precisamos uma da outra. Em nome do equilibrio, certo?
- Certo. Desculpa te deixar triste a maioria do tempo. Te impeço de mostrar o que você realmente sente. Desculpa.
- Tudo bem.
Sorrio para ela e deito na cama.
- Boa noite.
A luz se apaga."

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