Às vezes agradeço por não ser tão impulsiva quanto Eduarda. Ela me aborrece e pensa coisas horríveis para dizer e fazer. Tem vezes que parece que ela não se importa com os sentimentos dos outros, é como se ela lançasse uma bomba e saísse caminhando tranquilamente, sem senso de culpa, sem pensar em quem saiu ferido. Mas o pior de tudo é que na maioria dessas situações, Eduarda não mente, o pensamento dela está correto, ela me faz entender o conceito de "verdade dolorosa".
Sempre brigamos, pois nossos valores são diferentes, mas acabamos por nos completar, porque muitas vezes ela preenche o vazio de meus pensamentos, ela já indicou saídas para meus porblemas as quais eu nunca encontraria sozinha. A Eduarda não aparenta ter sentimentos profundos, é como se para ela as coisas simplesmente acontecessem. Eu sou tão diferente dela. Ela é tão radical, eu sou tão pateta. Ela consegue coisas que ela nem ao menos quer, ao contrário de mim, que perco o que quero antes de o ter. Por isso que preciso dela, por isso que quase não nos separamos. A minha insegurança precisa da confiança dela, minha covardia precisa de sua coragem, minha falta de graça precisa do brilho dela, meu negativismo necessita do positivismo dela. A impulsividade dela precisa dos meus freios, a insensibilidade aparente dela precisa do meu sentimentalismo escancarado, as mentiras dela precisam da minha repreensão, a loucura dela precisa da minha.
A única coisa, acredito eu, que nós duas temos em comum é que não sabemos falar o que sentimos de verdade, várias vezes libertamos pessoas pois achávamos que elas mereciam mais que aquilo. A Eduarda se ama, ela é cheia de si, ela é confiante, mas ainda temos esse ponto no qual nos encontramos, o nosso meio termo. Somos extremos, que se encontram.
A Eduarda é só aparência.
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