- Então, vamos? - perguntou Thomas, já de pé em frente a seu assento. - Wayne? A peça já terminou.
- Ah... sim. Vamos. - respondi, me levantado da confortável poltrona estofada.
Eu ainda estava zonzo e perdido em pensamentos. Será que este maldito estado de confusão iria demorar tanto para passar? E o pior de tudo é que eu ainda estava indeciso. Durante toda a peça pensei em Elle, em visitá-la para... conversarmos. Eu queria somente conversar com ela, me aproximar, me tornar uma espécie de... amigo. Eu sentia que ela precisava de mim tanto quanto eu precisava dela, mas, havia algo errado.
- Wayne, vamos para o carro. - disse Thomas, guiando-me para fora da casa de teatro. - Vamos passear pela cidade.
- Passear? Por acaso eu sou um cachorro com o qual se é preciso passear? - respondi.
- Wayne... somente entre no carro. Eu dirijo. - respondeu, com uma expressão azeda no rosto.
- Hallowd, cale a boca e sente na droga do banco do passageiro. - falei, enquanto me dirigia mais rapidamente para a porta do motorista.
Aparentemente ele havia gostado da súbita normalizada que eu havia tido em meu tom de voz e meu vocabulário, e creio ter visto Hallowd sorrir com o canto de sua boca. Abri a porta do motorista e sentei-me no banco, levando a chave até a ignição e ligando o carro.
- Ah, finalmente em algum lugar onde humanos não podem perceber nossos movimentos diferentes. - disse Hallowd. - Sinceramente, Wayne, eu gostaria de poder caminhar com a velocidade que costumo andar, mas, os humanos perceberiam.
- E eu gostaria de ter asas, agora cale-se, Hallowd.
- Wayne, a melhora em seu temperamento foi boa, mas não exagere. - disse ele, inexpressivo.
Seria melhor pensar ao invés de falar, pois Hallowd poderia ouvir meus pensamentos, então, eu não dava a mínima para o jeito com o qual eu me movia. Eu não conseguia ver beleza nisso, mas sim, praticidade. E isso não importava, afinal, eu estava em um momento decisivo. Eu iria até o apartamento dela? E, será que Hallowd não iria se opor? E o que eu diria a ela? Que eu a amava e queria que ela vivesse comigo?
Bobagem.
- Vamos, eu estou mesmo curioso para saber quem é essa tal Elle. Não que eu não a tenha visto em sua mente, mas, ao vivo é outra coisa, você sabe. - disse Hallowd, seu sotaque inglês totalmente ausente em sua fala. Ele mais parecia um vampiro americano.
Saí da casa de teatro e me dirigi para o bairro onde Elle morava. Não me lembrava exatamente do nome, e eu nunca fora tão bom com nomes, mas sabia lembrar muito bem das imagens. Acho que hoje em dia chamariam isso de memória fotográfica, mas, não faz real diferença. O ponto é que eu dirigia em alta velocidade pela cidade, buscando encontrar rapidamente o apartamento.
E consegui. Encontrei o apartamento com maior facilidade do que o esperado, e estacionei o carro bem em frente ao local. Ainda dentro do carro, desligado, olhei para Hallowd, e ele me encarou por algum tempo. Pensei tê-lo ouvido dizer um irônico "preparado?", mas acho que foi somente minha imaginação. Descemos do carro e Hallowd perguntou:
- Prefere entrar pela porta ou algo mais furtivo?
- Vamos entrar furtivamente. - respondi.
- Sabe qual é o apartamento? - perguntou.
- Sei, agora, me siga. - falei, enquanto corria e saltava a enorme grade que prevenia a entrada de pessoas não autorizadas, como nós.
Essa parte eu achava interessante. Pular e usufruir da gravidade era magnífico. Magnífico e simples, assim como correr ou manter o passo similar ao dos humanos. A parte seguinte era um pouco mais trabalhosa, mas nem por isso deixava de ser interessante, pois escalar uma parede enorme era algo... divertido. Hallowd tinha até mais facilidade que eu, mas isso também não importava.
Quando enfim chegamos na janela de sua cozinha arrebentei as armações de ferro e o vidro, causando um grande barulho dentro do apartamento. Por ali Hallowd e eu entramos no apartamento, e caminhamos calmamente para a sala de estar, enquanto Hallowd me criticava pela nossa "entrada triunfal".
- Se queria quebrar algo, poderíamos ter matado o porteiro. Além do mais, estamos sedentos. Deveríamos ter feito isso mesmo... - disse ele, enquanto eu tentava pensar em um meio de chamar Elle sem assustá-la.
Mas, o barulho do vidro não teria sido suficiente para chamar sua atenção? Provavelmente ela estava dormindo, e logo iria se levantar para ver o que havia acontecido. Então iria encontrar dois imortais bem vestidos em sua sala, esperando por ela, e provavelmente desmaiaria. Mas, eu queria que ela não desmaiasse, que pudéssemos conversar, e assim, nos tornarmos... amigos.
Era algo tremendamente infantil pensar em ser amigo da garota pela qual eu estava apaixonado, mas, eu queria algum tipo de aproximação amigável. Eu não queria que ela me visse como o "vampiro sanguinário que quer me transformar", e sim como uma espécie de conselheiro. Eu queria saber sobre o seu dia, queria notícias dela, queria fazer parte da vida dela.
- Wayne, sua amiga estará aqui em poucos segundos. - disse Hallowd, e suas palavras soaram como uma previsão, pois dali a alguns segundos Elle apareceu no corredor com cara de sono e um pouco assustada.
Ela nos olhou com medo, mas não disse nada. Eu pensei em algo para dizer, mas minha voz não saía. Hallowd deu um passo à frente e estendeu a mão para ela, que estava a uns 4m à sua frente. Ela não recuou, mas também não veio ao seu encontro. Então, por um instante pude perceber que ela estava vendo não a mim e Thomas na sala escura, mas sim duas figuras escuras.
- Elle? - disse Hallowd. - Não precisa ter medo. Eu e o Wayne não vamos te fazer nenhum mal.
- Viemos aqui para conversar. - falei, minha voz estava trêmula. - Elle... este é Thomas Hallowd, um companheiro de longa data.
- É um prazer conhecê-la, senhorita. E pode me chamar de Thomas. - disse ele, gesticulando com as mãos num gesto de cordialidade, algo muito usado na época que foi transformado.
Mas Elle não respondeu. Ela com certeza estava prestes a desmaiar, mas eu pedia fervorosamente em minha mente para isso não acontecer. Era um momento crucial, e nada podia sair errado. Mas, a grande verdade era que eu pensava que isso tudo fosse um plano, enquanto me deixei levar por meus impulsos. Ótimo, tenho o momento que eu queria, e não sei o que dizer.
Vamos Elle... diga algo...
Por Nathan Ritzel Dos Santos
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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Companhia.
Um inimigo natural da nossa raça é o sol. O sol pode destruir um vampiro completamente, queimando sua pele e transformando-o em cinzas. Até mesmo os raios de sol filtrados por uma cortina escura podem nos afligir, e por isso preferimos, quando acordamos ao dia, permanecer em cômodos escuros e esperar o sol se pôr, para que nossa caçada seja iniciada.
Hoje é um destes dias. Aquela maldita garota estava em meus sonhos novamente! Ela perambulava por minha morada trajando roupas molhadas e sujas, pois chovia naquela noite, e chorava. Resmungava ladainhas sem sentido e suplicava para que eu a transformasse em uma imortal. E foi na sala de estar que eu fui tomado pela raiva e acabei ferindo a garota, que ainda implorava pela imortalidade.
Mas eu não o fazia, eu não a transformava. Eu apenas olhava para ela, com seus cabelos desgrenhados, e mexia a cabeça negativamente, enquanto ela corria em minha direção, tentando me abraçar, aos prantos. E eu, num acesso de raiva, segurava seus pulsos com minhas mãos e os erguia na altura de seu belo rosto, onde as lágrimas haviam transformado seus delicados olhos nos olhos de uma sofredora que clama pelo seu objetivo.
Não sei por que isso me fez despertar mais cedo, mas, me encheu de ódio. Aquela garota, além de ter conquistado um bom espaço em minha mente, também me fazia levantar durante o dia. Maldita! Durante minha vida imortal eu raramente despertava antes do sol se pôr. Geralmente era nessa mesma hora crepuscular que os imortais despertavam, cada um em sua devida hora, mas todos após o crepúsculo.
Suas palavras não saíam da minha mente. "Wayne, você sabe o que tem que fazer...", dizia ela, "... eu preciso disso, eu preciso...". Seria meu poder mental que estava tentando me revelar algo? Não... provavelmente era mais um desejo reprimido. Ah, que se dane! Preciso para de pensar em coisas como essas.
- Wayne? - disse uma figura masculina, irrompendo da janela.
Me virei para a janela e vi Thomas parado em sua frente, ajeitando e limpando o fino paletó, que, pelos detalhes e pelo bordado, eu julguei ser italiano.
- Hallowd...? - perguntei, surpreso.
- Não me chame pelo meu sobrenome, você sabe que eu odeio isso. - disse ele, ainda passando as mãos sobre a fina camada de poeira sobre o paletó.
- Certo... - foi a única coisa que consegui dizer. Ah, eu parecia um cãozinho obediente. - Hallowd, por que você está parado na minha sala de estar sem ser convidado?
- Thomas. - corrigiu ele. - Quantas vezes terei de insistir?
- Dá pra responder a minha pergunta? - esbravejei.
- Hoje resolvi caçar com você, acabei de acordar e estou sedento. E, claro, eu pretendia ir ao teatro e assistir alguma peça, isso se você me acompanhar. - disse ele, calmamente.
Só então que percebi que na janela pela qual Hallowd entrara que o céu estava enegrecido. Eu havia passado tanto tempo perdido em pensamentos que nem vi o tempo passar.
- Que horas são? - perguntei.
- São... - disse ele, olhando para o relógio em seu pulso esquerdo. -... 20:27.
- Droga!
- O que houve? Tinha algum compromisso importante? - perguntou, com as mãos já livres e com o paletó aparentemente limpo.
- Eu despertei em torno das 17 horas. Droga! Passei três horas pensando naquela maldita garota!
E quando me dei conta estava gritando ofensas para o vazio da minha sala de estar. Thomas havia sumido, mas ele ainda estava na casa, pois eu podia ouvir algumas palavras de seus pensamentos. Mas, havia algo de diferente, pois eu conseguia ouvir com nitidez, mesmo que fossem apenas duas ou três palavras em cada frase, mas, os sussurros e chiados que eu ouvia antes agora eram nítidos. Sons limpos.
- Gostando de ler minha mente? - perguntou Thomas, enquanto subia as escadas que davam para a sala de estar.
- Você... também pode? - perguntei atônito.
- É claro. A leitura de pensamentos é uma habilidade inata dos vampiros. Eu não costumo usá-la, mas, é realmente útil às vezes. - explicou ele.
- Mas... eu pensei que fosse o único... - era algo aterrador ter meu grande dom reduzido a algo comum.
- Não. Você tem um dom único, você pode manipular a mente das pessoas, de fato, mas faz isso de uma forma que nem eu entendo...
Thomas caminhava de um lado ao outro da sala com a mão direita tocando seu queixo. Eu agora estava vendo que era apenas um simples vampiro, um vampiro antigo enfraquecido pelo sangue de um então vampiro jovem. Mas, por mais que o sangue de Hallowd tivesse me enfraquecido e que ele carregasse o sangue de Lillian em suas veias, eu não conseguia ter ódio dele, afinal, ele me fez companhia durante todos estes séculos.
Mas, meu dom divino, minha gloriosa manipulação mental tinha sido reduzida a uma mera habilidade comum. Eu nunca soube que os outros vampiros podiam invadir as mentes de imortais e mortais. E, na verdade, eu sempre acreditei que cada vampiro recebesse o dom das trevas de forma diferente, recebendo uma espécie de poder exclusivo que o tornava único. Mas, até isso foi desmentido... e, pelo visto, Hallowd tinha seu poder mental mais desenvolvido que o meu.
- Wayne? Está me ouvindo? - perguntou Thomas.
- Ah... desculpe, eu estava... - tentei me explicar. -... pensando.
- Wayne, você realmente não está normal. Percebe o que acabou de fazer? - perguntou. - Você se desculpou! Acho que está com sede... venha, vamos ao teatro, o espetáculo começará em meia hora.
- Vamos...
Saímos de minha morada e entramos em meu carro, que estava cuidadosamente estacionado ao lado do carro de Thomas. "Eu dirijo", disse ele, logo que entramos no carro, e eu realmente não estava em condições de dirigir. Minha mente há muito estava confusa, e eu já não conseguia pensar em nada com clareza. Será que eu estava aplicando o meu próprio poder em mim mesmo?
- Wayne. Somente pare de pensar. - disse Thomas, enquanto dirigia. - Você sabe que muitos de nós enlouquecem procurando respostas.
Mas, como vou saber o que eu posso fazer? Preciso conhecer minhas limitações! - falei.
- Então faça testes, mas saia do teórico. - falou, enquanto davas rápidas olhadas para mim e para a estrada, alternadamente. - Você tem perguntas, de fato, mas isso não significa que elas precisem ser respondidas. Podemos viver nos perguntando, mas jamais nos dando o luxo de achar razão para tudo.
- Entendo... mas, e quanto a garota? - já me sentia mais calmo, mas Elle continuava me preocupando.
- Se você a quer tanto quando teus sonhos lhe dizem, então vá conversar com ela.
- Eu já perguntei a ela se ela quer a vida eterna, e pretendo vê-la logo. - falei.
- Bom... então, chegamos no teatro. - disse ele, estacionando o carro no estacionamento ao lado da grande casa de teatro.
Permanecemos quietos naqueles momentos, até que descemos do carro e nos dirigimos para a entrada do teatro. Tudo parecia calmo ali, e eu pude compreender a mente do recepcionista com mais clareza que a de Hallowd. Ele percebeu que eu havia constatado isso e apenas assentiu com o olhar. Então entramos no grande teatro, sentamo-nos em duas poltronas vagas na primeira fila e esperamos o espetáculo começar.
Mas, mesmo tendo os olhos fixos no palco e o corpo relaxado na poltrona, minha mente estava inquieta. Minha mente era palco de uma peça sobre uma garota amada por um imortal enfraquecido que logo encontraria sua algoz, e talvez fosse isso que estivesse me deixando tão paranóico. Lillian iria voltar, e com certeza não se contentaria em machucar somente a mim...
- Wayne, preste atenção na peça, por favor. - disse Thomas, percebendo a agitação em minha mente.
- Ah, a peça... - e tentei limpar minha mente para absorver a peça. Até deu certo, mas, mesmo assim, minha mente permanecia preocupada. E minhas preocupações estavam somente começando...
Por Nathan Ritzel dos Santos
Hoje é um destes dias. Aquela maldita garota estava em meus sonhos novamente! Ela perambulava por minha morada trajando roupas molhadas e sujas, pois chovia naquela noite, e chorava. Resmungava ladainhas sem sentido e suplicava para que eu a transformasse em uma imortal. E foi na sala de estar que eu fui tomado pela raiva e acabei ferindo a garota, que ainda implorava pela imortalidade.
Mas eu não o fazia, eu não a transformava. Eu apenas olhava para ela, com seus cabelos desgrenhados, e mexia a cabeça negativamente, enquanto ela corria em minha direção, tentando me abraçar, aos prantos. E eu, num acesso de raiva, segurava seus pulsos com minhas mãos e os erguia na altura de seu belo rosto, onde as lágrimas haviam transformado seus delicados olhos nos olhos de uma sofredora que clama pelo seu objetivo.
Não sei por que isso me fez despertar mais cedo, mas, me encheu de ódio. Aquela garota, além de ter conquistado um bom espaço em minha mente, também me fazia levantar durante o dia. Maldita! Durante minha vida imortal eu raramente despertava antes do sol se pôr. Geralmente era nessa mesma hora crepuscular que os imortais despertavam, cada um em sua devida hora, mas todos após o crepúsculo.
Suas palavras não saíam da minha mente. "Wayne, você sabe o que tem que fazer...", dizia ela, "... eu preciso disso, eu preciso...". Seria meu poder mental que estava tentando me revelar algo? Não... provavelmente era mais um desejo reprimido. Ah, que se dane! Preciso para de pensar em coisas como essas.
- Wayne? - disse uma figura masculina, irrompendo da janela.
Me virei para a janela e vi Thomas parado em sua frente, ajeitando e limpando o fino paletó, que, pelos detalhes e pelo bordado, eu julguei ser italiano.
- Hallowd...? - perguntei, surpreso.
- Não me chame pelo meu sobrenome, você sabe que eu odeio isso. - disse ele, ainda passando as mãos sobre a fina camada de poeira sobre o paletó.
- Certo... - foi a única coisa que consegui dizer. Ah, eu parecia um cãozinho obediente. - Hallowd, por que você está parado na minha sala de estar sem ser convidado?
- Thomas. - corrigiu ele. - Quantas vezes terei de insistir?
- Dá pra responder a minha pergunta? - esbravejei.
- Hoje resolvi caçar com você, acabei de acordar e estou sedento. E, claro, eu pretendia ir ao teatro e assistir alguma peça, isso se você me acompanhar. - disse ele, calmamente.
Só então que percebi que na janela pela qual Hallowd entrara que o céu estava enegrecido. Eu havia passado tanto tempo perdido em pensamentos que nem vi o tempo passar.
- Que horas são? - perguntei.
- São... - disse ele, olhando para o relógio em seu pulso esquerdo. -... 20:27.
- Droga!
- O que houve? Tinha algum compromisso importante? - perguntou, com as mãos já livres e com o paletó aparentemente limpo.
- Eu despertei em torno das 17 horas. Droga! Passei três horas pensando naquela maldita garota!
E quando me dei conta estava gritando ofensas para o vazio da minha sala de estar. Thomas havia sumido, mas ele ainda estava na casa, pois eu podia ouvir algumas palavras de seus pensamentos. Mas, havia algo de diferente, pois eu conseguia ouvir com nitidez, mesmo que fossem apenas duas ou três palavras em cada frase, mas, os sussurros e chiados que eu ouvia antes agora eram nítidos. Sons limpos.
- Gostando de ler minha mente? - perguntou Thomas, enquanto subia as escadas que davam para a sala de estar.
- Você... também pode? - perguntei atônito.
- É claro. A leitura de pensamentos é uma habilidade inata dos vampiros. Eu não costumo usá-la, mas, é realmente útil às vezes. - explicou ele.
- Mas... eu pensei que fosse o único... - era algo aterrador ter meu grande dom reduzido a algo comum.
- Não. Você tem um dom único, você pode manipular a mente das pessoas, de fato, mas faz isso de uma forma que nem eu entendo...
Thomas caminhava de um lado ao outro da sala com a mão direita tocando seu queixo. Eu agora estava vendo que era apenas um simples vampiro, um vampiro antigo enfraquecido pelo sangue de um então vampiro jovem. Mas, por mais que o sangue de Hallowd tivesse me enfraquecido e que ele carregasse o sangue de Lillian em suas veias, eu não conseguia ter ódio dele, afinal, ele me fez companhia durante todos estes séculos.
Mas, meu dom divino, minha gloriosa manipulação mental tinha sido reduzida a uma mera habilidade comum. Eu nunca soube que os outros vampiros podiam invadir as mentes de imortais e mortais. E, na verdade, eu sempre acreditei que cada vampiro recebesse o dom das trevas de forma diferente, recebendo uma espécie de poder exclusivo que o tornava único. Mas, até isso foi desmentido... e, pelo visto, Hallowd tinha seu poder mental mais desenvolvido que o meu.
- Wayne? Está me ouvindo? - perguntou Thomas.
- Ah... desculpe, eu estava... - tentei me explicar. -... pensando.
- Wayne, você realmente não está normal. Percebe o que acabou de fazer? - perguntou. - Você se desculpou! Acho que está com sede... venha, vamos ao teatro, o espetáculo começará em meia hora.
- Vamos...
Saímos de minha morada e entramos em meu carro, que estava cuidadosamente estacionado ao lado do carro de Thomas. "Eu dirijo", disse ele, logo que entramos no carro, e eu realmente não estava em condições de dirigir. Minha mente há muito estava confusa, e eu já não conseguia pensar em nada com clareza. Será que eu estava aplicando o meu próprio poder em mim mesmo?
- Wayne. Somente pare de pensar. - disse Thomas, enquanto dirigia. - Você sabe que muitos de nós enlouquecem procurando respostas.
Mas, como vou saber o que eu posso fazer? Preciso conhecer minhas limitações! - falei.
- Então faça testes, mas saia do teórico. - falou, enquanto davas rápidas olhadas para mim e para a estrada, alternadamente. - Você tem perguntas, de fato, mas isso não significa que elas precisem ser respondidas. Podemos viver nos perguntando, mas jamais nos dando o luxo de achar razão para tudo.
- Entendo... mas, e quanto a garota? - já me sentia mais calmo, mas Elle continuava me preocupando.
- Se você a quer tanto quando teus sonhos lhe dizem, então vá conversar com ela.
- Eu já perguntei a ela se ela quer a vida eterna, e pretendo vê-la logo. - falei.
- Bom... então, chegamos no teatro. - disse ele, estacionando o carro no estacionamento ao lado da grande casa de teatro.
Permanecemos quietos naqueles momentos, até que descemos do carro e nos dirigimos para a entrada do teatro. Tudo parecia calmo ali, e eu pude compreender a mente do recepcionista com mais clareza que a de Hallowd. Ele percebeu que eu havia constatado isso e apenas assentiu com o olhar. Então entramos no grande teatro, sentamo-nos em duas poltronas vagas na primeira fila e esperamos o espetáculo começar.
Mas, mesmo tendo os olhos fixos no palco e o corpo relaxado na poltrona, minha mente estava inquieta. Minha mente era palco de uma peça sobre uma garota amada por um imortal enfraquecido que logo encontraria sua algoz, e talvez fosse isso que estivesse me deixando tão paranóico. Lillian iria voltar, e com certeza não se contentaria em machucar somente a mim...
- Wayne, preste atenção na peça, por favor. - disse Thomas, percebendo a agitação em minha mente.
- Ah, a peça... - e tentei limpar minha mente para absorver a peça. Até deu certo, mas, mesmo assim, minha mente permanecia preocupada. E minhas preocupações estavam somente começando...
Por Nathan Ritzel dos Santos
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Ameaça
Hallowd me fizera uma visita noite passada. Em geral, eu odiava suas visitas, porque ele sempre questionava alguns fatos de meu passado, afirmando que eu ainda estava vagando pelo mundo por sua causa. Ele me despertara, mas, eu o induzi a isso, pois meu controle mental era mais forte naquele tempo. Seu sangue me enfraqueceu, e ele sabe disso.
Mas, sua visita não fora tão desagradável quanto as outras. Desta vez ele trouxe à tona um fato que poderia ter incitado minha raiva, se eu não estivesse com meus pensamentos focados em Elle.
- Wayne... Lillian enviou-me uma carta. - disse ele. - Ela está pretendendo voltar pra cá e destruí-lo. Obviamente ela nem faz ideia que eu o visito regularmente. Se ela soubesse...
- Carta? Hoje em dia existe meios mais rápidos e práticos para contatar uma pessoa do outro lado do mundo, e ela manda uma carta? - falei, em tom de deboche e em meio a risadas. - Será que ela não se camufla com tecnologia?
- Wayne, a questão não é essa, e você sabe disso. Lillian já conseguiu mantê-lo preso debaixo da terra por alguns séculos. - disse Thomas, com severidade. - Não seria bom um novo contato com ela.
Hallowd estava completamente certo. Quando eu matei Balthier ela simplesmente fez a primeira e mais óbvia coisa que lhe veio à mente, e acabou me trancando dentro de um caixão num momento onde eu estava ferido demais para poder escapar. E isso foi uma estratégia extremamente sábia, pois ela conhecia as fraquezas de um imortal ferido e esfomeado.
- Mas eu consegui escapar, não consegui? - retruquei.
- Com a minha ajuda. Mas, meu sangue te enfraqueceu. - maldito Hallowd, sempre com a razão escorrendo por seus lábios. - E o resultado disso é visível hoje, afinal, você não consegue controlar a mente de um mero humano mais resistente, consegue?
Aquela conversa já estava me deixando nauseado. Hallowd tinha seu autocontrole exagerado, que o mantinha sempre são, não importando a situação na qual se encontrava, e eu tinha minha manipulação sobre a mente, que havia sido enfraquecida quando bebi do sangue de Hallowd para saciar minha sede há alguns anos atrás.
- Wayne Lynch Walters... - disse ele, enquanto caminhava de uma extremidade da sala até a outra. - ... estando em teu lugar, eu me preocuparia com a vinda de Lillian.
- Ela não ousaria erguer um dedo contra mim. - argumentei. - Além do mais, ela tem o sangue de Balthier correndo nas veias dela. Lembre-se que ela tinha um laço de sangue com ele.
- Isso só a torna mais poderosa.
- Errado. Isso a transforma numa forma de restaurar meu poder mental. - expliquei. - Não vê, Hallowd? Meu poder foi amplamente aumentado por causa de Balthier. Seu sangue me transformou num vampiro e aumentou muito minha capacidade de manipular as mentes alheias...
-... e Lillian tem o mesmo sangue correndo em suas veias. Portanto, se você beber dela antes que ela realize qualquer ato para lhe ferir, você pode ter alguma chance contra ela. - completou. - Porém, por mais que seja forte, Wayne, eu duvido que tenha a chance de beber dela antes de ser eliminado. - continuou falando, calmamente. - Apenas com a minha ajuda você conseguiria, pois eu poderia imobilizá-la para que você bebesse. Porém, eu seria cúmplice... e isso não me agrada...
- Oh, quem diria... o ilustre Thomas Hallowd tramando contra sua criadora. - provoquei, esperando obter, no mínimo, uma resposta ofensiva.
-... Ou, você pode recrutar algumas crianças para ajudá-lo. - continuou. Hallowd realmente tinha seu autocontrole super desenvolvido, o que o mantinha frio em qualquer situação.
- Vampiros novos? - perguntei. - Não. Eles são fracos demais, não tem o sangue antigo que corre em nossas veias. Muitas vezes é melhor confiar num único punho milenar do que em milhares de garras infantis.
Hallowd me olhou pensativo. Com certeza estava pensando seriamente em se voltar contra sua criadora, afinal, ela havia abandonado Thomas quando ouviu rumores de que Balthier poderia estar vivo, deixando-o à mercê dos vampiros desordeiros e sem valor que vagavam por Londres. Mas, somente agora eu tinha me dado conta de que minha mente, até agora, estava captando algumas palavras-chave dos pensamentos dele.
Meu poder estava retornando lentamente...
Por Nathan Ritzel Dos Santos
Mas, sua visita não fora tão desagradável quanto as outras. Desta vez ele trouxe à tona um fato que poderia ter incitado minha raiva, se eu não estivesse com meus pensamentos focados em Elle.
- Wayne... Lillian enviou-me uma carta. - disse ele. - Ela está pretendendo voltar pra cá e destruí-lo. Obviamente ela nem faz ideia que eu o visito regularmente. Se ela soubesse...
- Carta? Hoje em dia existe meios mais rápidos e práticos para contatar uma pessoa do outro lado do mundo, e ela manda uma carta? - falei, em tom de deboche e em meio a risadas. - Será que ela não se camufla com tecnologia?
- Wayne, a questão não é essa, e você sabe disso. Lillian já conseguiu mantê-lo preso debaixo da terra por alguns séculos. - disse Thomas, com severidade. - Não seria bom um novo contato com ela.
Hallowd estava completamente certo. Quando eu matei Balthier ela simplesmente fez a primeira e mais óbvia coisa que lhe veio à mente, e acabou me trancando dentro de um caixão num momento onde eu estava ferido demais para poder escapar. E isso foi uma estratégia extremamente sábia, pois ela conhecia as fraquezas de um imortal ferido e esfomeado.
- Mas eu consegui escapar, não consegui? - retruquei.
- Com a minha ajuda. Mas, meu sangue te enfraqueceu. - maldito Hallowd, sempre com a razão escorrendo por seus lábios. - E o resultado disso é visível hoje, afinal, você não consegue controlar a mente de um mero humano mais resistente, consegue?
Aquela conversa já estava me deixando nauseado. Hallowd tinha seu autocontrole exagerado, que o mantinha sempre são, não importando a situação na qual se encontrava, e eu tinha minha manipulação sobre a mente, que havia sido enfraquecida quando bebi do sangue de Hallowd para saciar minha sede há alguns anos atrás.
- Wayne Lynch Walters... - disse ele, enquanto caminhava de uma extremidade da sala até a outra. - ... estando em teu lugar, eu me preocuparia com a vinda de Lillian.
- Ela não ousaria erguer um dedo contra mim. - argumentei. - Além do mais, ela tem o sangue de Balthier correndo nas veias dela. Lembre-se que ela tinha um laço de sangue com ele.
- Isso só a torna mais poderosa.
- Errado. Isso a transforma numa forma de restaurar meu poder mental. - expliquei. - Não vê, Hallowd? Meu poder foi amplamente aumentado por causa de Balthier. Seu sangue me transformou num vampiro e aumentou muito minha capacidade de manipular as mentes alheias...
-... e Lillian tem o mesmo sangue correndo em suas veias. Portanto, se você beber dela antes que ela realize qualquer ato para lhe ferir, você pode ter alguma chance contra ela. - completou. - Porém, por mais que seja forte, Wayne, eu duvido que tenha a chance de beber dela antes de ser eliminado. - continuou falando, calmamente. - Apenas com a minha ajuda você conseguiria, pois eu poderia imobilizá-la para que você bebesse. Porém, eu seria cúmplice... e isso não me agrada...
- Oh, quem diria... o ilustre Thomas Hallowd tramando contra sua criadora. - provoquei, esperando obter, no mínimo, uma resposta ofensiva.
-... Ou, você pode recrutar algumas crianças para ajudá-lo. - continuou. Hallowd realmente tinha seu autocontrole super desenvolvido, o que o mantinha frio em qualquer situação.
- Vampiros novos? - perguntei. - Não. Eles são fracos demais, não tem o sangue antigo que corre em nossas veias. Muitas vezes é melhor confiar num único punho milenar do que em milhares de garras infantis.
Hallowd me olhou pensativo. Com certeza estava pensando seriamente em se voltar contra sua criadora, afinal, ela havia abandonado Thomas quando ouviu rumores de que Balthier poderia estar vivo, deixando-o à mercê dos vampiros desordeiros e sem valor que vagavam por Londres. Mas, somente agora eu tinha me dado conta de que minha mente, até agora, estava captando algumas palavras-chave dos pensamentos dele.
Meu poder estava retornando lentamente...
Por Nathan Ritzel Dos Santos
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terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Ansiedade.
Às vezes eu só queria ter um motivo para tudo o que faço, um significado para tudo isso. De que adianta respirar e caminhar se estou morto? Mas é a ridícula e óbvia realidade vampiresca. Hoje podemos nos camuflar facilmente entre as pessoas, podemos nos passar por qualquer mortal comum, podemos beber nos locais mais movimentados. A "vida" se tornou entediante, e permanece piorando na ausência de companhia.
Hallowd dizia que eu precisava de um par, mas eu nunca me dei bem em relacionamentos. Em geral, eles acabavam antes de começar, e eu nunca cheguei a lutar por um romance. Ah! Por que estou pensando em tais coisas?
- Maldita garota! Atormenta-me durante meu sono com sonhos e me faz acordar de dia! -gritei, e ouvi os batimentos de alguém na casa vizinha se tornarem mais frenéticos. Com certeza eu havia assustado alguém.
Eu não notei que ela havia me enfeitiçado de tal forma, a garota. Ela conseguiu cativar minha atenção naquela noite, mas, eu deveria tê-la matado. Deveria ter sugado seu sangue até a última gota, como fiz com o motorista que estava com ela.
Quando caiu a noite peguei meu conversível, um belo Peugeot 207 CC preto, e saí pelo centro da cidade... de repente alguma festa iria aparecer como mágica em minha frente, ou algo assim. Mas, um aroma peculiar invadiu o ar. Um cheiro familiar... tão familiar, mas tão diferente, tão... exótico... e logo me lembrei, era o sangue da garota.Então fiz uma curva absurda com meu carro e entrei na próxima rua à direita, seguindo aquele cheiro. Ela não estava longe, mas, havia muitos outros ao redor dela. Certamente ela estava numa festa ou algo assim.
As luzes da cidade brilhavam e ofuscavam meus olhos, mas, seu rastro permanecia intocado, quase chegando a ser visível. Numa das ruas nas quais entrei acabei me deparando com um belo local que mais parecia uma pequena cidade, pois ali haviam diversos restaurantes, agências bancárias, livrarias e ainda grandes construções intituladas "Blocos". Eu estava na universidade local.
O ar estava carregado de aromas diferentes, mas eu ainda conseguia sentir o cheiro dela, e logo a vi... saindo da biblioteca da universidade com algumas pilhas de livros nas mãos. Obviamente, andei em meio a multidão para evitar qualquer tumulto em público, mas pude ver quando ela deixou a faculdade e pegou um táxi. E eu a segui. Mas, resolvi deixar que o cheiro dela me guiasse, ignorando que o táxi estava sumindo de vista.
Logo cheguei até a casa, onde o doce perfume de seu vitae incendiava minhas narinas. Estacionei meu carro em frente à casa e entrei, saltando com facilidade para dentro da casa através de uma janela. Foi uma entrada silenciosa, que me deu o elemento surpresa.Mas, a casa estava uma completa bagunça. A garota mais parecia uma anarquista, pois havia chegado com inúmeros livros nas mãos e não foi capaz de guardá-los, apenas atirou-os no chão. E eu, como qualquer ser organizado, tratei de empilhá-los em cima da mesa, bem como abrir um de seus cadernos, somente por curiosidade.
Mas, faltava algo... ela com certeza não agüentaria ficar a noite inteira acordada discutindo sobre imortalidade, então, tratei de ir até a cozinha e preparar um café, que depois depositei em uma caneca, a qual coloquei em cima da mesa, junto aos cadernos. Entretanto, quando a caneca pousou na mesa, ouvi uma porta se abrir e o vapor do banheiro emitir um leve chiado.
Ouvi passos e um botão ser pressionado. Ela havia ligado a secretária eletrônica. "Elle? Onde você anda? Fazem dias que não ouço de você, poderia me ligar? Val."
Elle... esse era seu nome. Ah, a bela garota de olhos azuis chamava-se Elle...
"Senhorita Wess, você perdeu seu horário com o Doutor Richard na quarta-feira, gostaria de remarcar? Ligue-nos o mais rápido possível, temos boas notícias!"
"Elle, é o Jet, porque não responde às minhas ligações? Precisamos conversar, acho que isso não está funcionando..."
Algo nesse último recado incitou minha raiva, pois o jeito deste tal de Jet falar era... afetuoso. E sua voz ostentava preocupação, receio.
"Filha, você me deve explicações para esse sumiço..."
Ela deu mais alguns passos em direção à sala, provavelmente pensando em pegar algum dos livros. Ela iria se deparar com a visão de um imortal parado em sua sala, e isso poderia... não sei se impressioná-la seria a palavra certa, mas, iria impressioná-la. Aí que resolvi ir para a cozinha, de onde eu poderia ver seus longos e cacheados cabelos castanhos.
"Elle, porque o Jet me ligou perguntando de você? Porque a mamãe me perguntou de você? Porque TODO MUNDO me liga querendo saber de você? O que tá acontecendo einh?..."
Seu coração disparou.
- Vampiro... Wayne? - disse ela, e, em resposta, eu apareci na sala, no lado oposto ao que ela estava.
- Chamou, milady? - perguntei com um sorriso de escárnio. - Já tenho uma resposta sua? Já sabe se quer se tornar imortal? Pelo visto o assunto a interessou... - e apontei para os inúmeros livros na mesa com a cabeça.
Estavam diminuindo. Seus batimentos estavam diminuindo, e ela empalideceu e desmaiou. Felizmente eu fui rápido e pude segurá-la, impedindo uma violenta colisão de sua cabeça com a mesa. Oh, seu rosto, tão belo e doce, agora dormia, e eu me aproveitei da situação para passar a mão por entre seus sedosos cabelos. Senti uma vontade incontrolável de beijá-la, mas, minha resistência foi maior, e eu a carreguei para sua cama, onde deitei-a e puxei algumas cobertas para cima de seu corpo.
Fui até a porta, onde o som de passos tumultuou a minha mente e logo cessou para dar lugar às batidas incessantes na porta e aos toques frenéticos na campainha.
- Elle! Precisamos conversar! Abre a porta! - gritava uma voz masculina, que me convenceu a abrir a porta para matar minha curiosidade.
- Quem gostaria de conversar com ela? - perguntei ao belo rapaz que estava parado na soleira.
- Ah... - disse, confuso. - Você, quem é? - perguntou.
- Eu faço as perguntas aqui. Quem é você?
- Sou o Jet. O namorado da Elle. E você? - perguntou ele, desconfiado. Sua mente articulava alguma traição ou algum problema maior, enquanto a raiva crescia dentro de mim.
- Suma da minha frente.
- Como é? Você tá na casa da MINHA namorada e me manda "sumir da sua frente"? - gritou ele.
- Não falarei duas vezes. Saia daqui ou sofra as conseqüências. - a raiva já havia me dominado, e era somente uma questão de tempo para que um estrago maior fosse feito.
Jet apenas me fulminou com os olhos. Ele sabia que eu era alguém perigoso, ou, pelo menos, tinha uma leve idéia, afinal, seu coração estava acelerado demais, mesmo para quem estava com raiva, e eu diria que ele batia num misto de raiva e medo.
- Vai se ferrar! - gritou ele, e partiu para cima de mim.
Seu punho fechado acertou meu rosto, mas a dor foi mínima, ao contrário de sua mão, que, pela sua expressão facial, havia sido ferida. Rapidamente levei minha mão direita até seu pescoço e o ergui no ar, apertando com força. Suas mãos se agitavam freneticamente tentando, em vão, remover minha mão de seu pescoço. Sua respiração começou a se alterar, e tive certeza de que ele respirava com dificuldade. Ele agora se debatia ferozmente e ainda bufava de raiva e terror.
- Já teve o suficiente? - perguntei friamente.
- Já... já... - resmungou, então o soltei.
Jet emitiu um ganido desesperado, e respirou profundamente para obter o ar que antes estava lhe sendo negado. Seu pescoço ostentava uma escura e profunda marca roxa.
- Wayne.
- O... que? - perguntou ele.
- Meu nome. - falei calmamente. - Wayne Lynch Walters. - e voltei para o meu carro.
Por Nathan Ritzel dos Santos
Hallowd dizia que eu precisava de um par, mas eu nunca me dei bem em relacionamentos. Em geral, eles acabavam antes de começar, e eu nunca cheguei a lutar por um romance. Ah! Por que estou pensando em tais coisas?
- Maldita garota! Atormenta-me durante meu sono com sonhos e me faz acordar de dia! -gritei, e ouvi os batimentos de alguém na casa vizinha se tornarem mais frenéticos. Com certeza eu havia assustado alguém.
Eu não notei que ela havia me enfeitiçado de tal forma, a garota. Ela conseguiu cativar minha atenção naquela noite, mas, eu deveria tê-la matado. Deveria ter sugado seu sangue até a última gota, como fiz com o motorista que estava com ela.
Quando caiu a noite peguei meu conversível, um belo Peugeot 207 CC preto, e saí pelo centro da cidade... de repente alguma festa iria aparecer como mágica em minha frente, ou algo assim. Mas, um aroma peculiar invadiu o ar. Um cheiro familiar... tão familiar, mas tão diferente, tão... exótico... e logo me lembrei, era o sangue da garota.Então fiz uma curva absurda com meu carro e entrei na próxima rua à direita, seguindo aquele cheiro. Ela não estava longe, mas, havia muitos outros ao redor dela. Certamente ela estava numa festa ou algo assim.
As luzes da cidade brilhavam e ofuscavam meus olhos, mas, seu rastro permanecia intocado, quase chegando a ser visível. Numa das ruas nas quais entrei acabei me deparando com um belo local que mais parecia uma pequena cidade, pois ali haviam diversos restaurantes, agências bancárias, livrarias e ainda grandes construções intituladas "Blocos". Eu estava na universidade local.
O ar estava carregado de aromas diferentes, mas eu ainda conseguia sentir o cheiro dela, e logo a vi... saindo da biblioteca da universidade com algumas pilhas de livros nas mãos. Obviamente, andei em meio a multidão para evitar qualquer tumulto em público, mas pude ver quando ela deixou a faculdade e pegou um táxi. E eu a segui. Mas, resolvi deixar que o cheiro dela me guiasse, ignorando que o táxi estava sumindo de vista.
Logo cheguei até a casa, onde o doce perfume de seu vitae incendiava minhas narinas. Estacionei meu carro em frente à casa e entrei, saltando com facilidade para dentro da casa através de uma janela. Foi uma entrada silenciosa, que me deu o elemento surpresa.Mas, a casa estava uma completa bagunça. A garota mais parecia uma anarquista, pois havia chegado com inúmeros livros nas mãos e não foi capaz de guardá-los, apenas atirou-os no chão. E eu, como qualquer ser organizado, tratei de empilhá-los em cima da mesa, bem como abrir um de seus cadernos, somente por curiosidade.
Mas, faltava algo... ela com certeza não agüentaria ficar a noite inteira acordada discutindo sobre imortalidade, então, tratei de ir até a cozinha e preparar um café, que depois depositei em uma caneca, a qual coloquei em cima da mesa, junto aos cadernos. Entretanto, quando a caneca pousou na mesa, ouvi uma porta se abrir e o vapor do banheiro emitir um leve chiado.
Ouvi passos e um botão ser pressionado. Ela havia ligado a secretária eletrônica. "Elle? Onde você anda? Fazem dias que não ouço de você, poderia me ligar? Val."
Elle... esse era seu nome. Ah, a bela garota de olhos azuis chamava-se Elle...
"Senhorita Wess, você perdeu seu horário com o Doutor Richard na quarta-feira, gostaria de remarcar? Ligue-nos o mais rápido possível, temos boas notícias!"
"Elle, é o Jet, porque não responde às minhas ligações? Precisamos conversar, acho que isso não está funcionando..."
Algo nesse último recado incitou minha raiva, pois o jeito deste tal de Jet falar era... afetuoso. E sua voz ostentava preocupação, receio.
"Filha, você me deve explicações para esse sumiço..."
Ela deu mais alguns passos em direção à sala, provavelmente pensando em pegar algum dos livros. Ela iria se deparar com a visão de um imortal parado em sua sala, e isso poderia... não sei se impressioná-la seria a palavra certa, mas, iria impressioná-la. Aí que resolvi ir para a cozinha, de onde eu poderia ver seus longos e cacheados cabelos castanhos.
"Elle, porque o Jet me ligou perguntando de você? Porque a mamãe me perguntou de você? Porque TODO MUNDO me liga querendo saber de você? O que tá acontecendo einh?..."
Seu coração disparou.
- Vampiro... Wayne? - disse ela, e, em resposta, eu apareci na sala, no lado oposto ao que ela estava.
- Chamou, milady? - perguntei com um sorriso de escárnio. - Já tenho uma resposta sua? Já sabe se quer se tornar imortal? Pelo visto o assunto a interessou... - e apontei para os inúmeros livros na mesa com a cabeça.
Estavam diminuindo. Seus batimentos estavam diminuindo, e ela empalideceu e desmaiou. Felizmente eu fui rápido e pude segurá-la, impedindo uma violenta colisão de sua cabeça com a mesa. Oh, seu rosto, tão belo e doce, agora dormia, e eu me aproveitei da situação para passar a mão por entre seus sedosos cabelos. Senti uma vontade incontrolável de beijá-la, mas, minha resistência foi maior, e eu a carreguei para sua cama, onde deitei-a e puxei algumas cobertas para cima de seu corpo.
Fui até a porta, onde o som de passos tumultuou a minha mente e logo cessou para dar lugar às batidas incessantes na porta e aos toques frenéticos na campainha.
- Elle! Precisamos conversar! Abre a porta! - gritava uma voz masculina, que me convenceu a abrir a porta para matar minha curiosidade.
- Quem gostaria de conversar com ela? - perguntei ao belo rapaz que estava parado na soleira.
- Ah... - disse, confuso. - Você, quem é? - perguntou.
- Eu faço as perguntas aqui. Quem é você?
- Sou o Jet. O namorado da Elle. E você? - perguntou ele, desconfiado. Sua mente articulava alguma traição ou algum problema maior, enquanto a raiva crescia dentro de mim.
- Suma da minha frente.
- Como é? Você tá na casa da MINHA namorada e me manda "sumir da sua frente"? - gritou ele.
- Não falarei duas vezes. Saia daqui ou sofra as conseqüências. - a raiva já havia me dominado, e era somente uma questão de tempo para que um estrago maior fosse feito.
Jet apenas me fulminou com os olhos. Ele sabia que eu era alguém perigoso, ou, pelo menos, tinha uma leve idéia, afinal, seu coração estava acelerado demais, mesmo para quem estava com raiva, e eu diria que ele batia num misto de raiva e medo.
- Vai se ferrar! - gritou ele, e partiu para cima de mim.
Seu punho fechado acertou meu rosto, mas a dor foi mínima, ao contrário de sua mão, que, pela sua expressão facial, havia sido ferida. Rapidamente levei minha mão direita até seu pescoço e o ergui no ar, apertando com força. Suas mãos se agitavam freneticamente tentando, em vão, remover minha mão de seu pescoço. Sua respiração começou a se alterar, e tive certeza de que ele respirava com dificuldade. Ele agora se debatia ferozmente e ainda bufava de raiva e terror.
- Já teve o suficiente? - perguntei friamente.
- Já... já... - resmungou, então o soltei.
Jet emitiu um ganido desesperado, e respirou profundamente para obter o ar que antes estava lhe sendo negado. Seu pescoço ostentava uma escura e profunda marca roxa.
- Wayne.
- O... que? - perguntou ele.
- Meu nome. - falei calmamente. - Wayne Lynch Walters. - e voltei para o meu carro.
Por Nathan Ritzel dos Santos
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009
A criatura.
"Esplêndida", foi a única coisa que pensei quando a vi. Fazia pouco tempo que havia despertado, e a bela visão daquela garota despertou-me um interesse descomunal. Hallowd chamaria isso de "paixão vampiresca", mas isso é um termo muito ridículo, e prefiro dizer que sua beleza exterior era similar ao aroma de seu sangue, que me convidava, debochando.
Havia um homem, o motorista, junto com ela no carro. Creio ter ouvido o nome "Jaime" em minha mente, e certamente o homem calvo se chamava assim. Mas a bela dama ofuscava minha visão, sua beleza era radiante, uma beleza que eu não via há séculos. E eu a segui.
Quando o carro parou, em frente a uma construção abandonada, tratei de vigiar de cima de uma árvore, e vi Jaime sair pela porta do motorista e abrir o capô do carro. Provavelmente estava verificando algum defeito no motor, pois o ouvi dizer à garota:
- O motor está muito quente, teremos que esperar a temperatura baixar um pouco se quisermos seguir.
Suas palavras incitaram meu desejo de agir, e me aproximei rapidamente do carro, parando ao lado da porta do passageiro, para onde a garota permanecia olhando. Então, ela me viu - uma pálida figura de longos cabelos cacheados cor de mel - e tentou gritar.
Entretanto, seu grito foi abafado por minha fria mão, que agora tocava suavemente seus lábios, ah, o doce dom das trevas. Os sublimes poderes que cada um recebia de forma diferente, e que foram de grande utilidade quando meu olhar penetrante fez a bela donzela ficar inconsciente, pendendo sua cabeça para o lado.
Jaime avistou-me e gritou algumas ofensas, mas o medo rugia em seus batimentos cardíacos, e ele não conseguiu sair do local onde estava. Foi extremamente fácil me aproximar de seu rosto e proferir em seu ouvido as últimas palavras que ele ouviria outro ser dizer, e acredito ter falado algo como "bons sonhos" ou "durma bem", mas isso é irrelevante.
Seu coração assumiu um tamborilar frenético, e o impulso de sentir esse ritmo correr por minhas veias tomou conta de meus instintos, fazendo-me cravar meus caninos em seu pescoço, sugando suave e lentamente o seu sangue quente e atraindo toda a minha atenção para o vitæ que corria por minha boca.
Jaime agora jazia no chão, morto e frio. Drenei totalmente seu sangue, enquanto a garota, inconsciente, permanecia no banco do passageiro, esperando por seu destino. Mas, fiquei em dúvida se iria realmente matá-la, pois ela parecia um alvo perfeito para um momento de terror.
Resolvi então carregá-la para dentro da antiga pousada abandonada e deixá-la atrás de uma porta, e assim o fiz, abrindo, posteriormente, todas as portas da antiga pousada.Achei um isqueiro no chão e o coloquei no bolso, e o acendi quando a garota acordou, desnorteada.
Oh, o ruflar de seu coração soou como música em meus ouvidos, e tratei de apagar o isqueiro, fazendo a penumbra inundar aquele cômodo. A garota estava em um estado de desespero tão inocente, tão doce, que acabei não resistindo e falei carinhosamente em seu ouvido:
- Corra.
Como um pobre animal assustado ela virou-se, mas minha velocidade sobrenatural era tremendamente superior à velocidade mortal dela, e pude me locomover rapidamente enquanto via ela correr pela pousada. Corri de sala em sala, de quarto em quarto enquanto ela olhava para o interior dos mesmos, e pude assim atormentá-la com a mesma visão de uma criatura não-humana.
Suas passadas largas e seus movimentos bruscos ocasionaram na queda de um de seus brincos, uma peça que parecia valiosa, e eu peguei este belo artefato rubro. A garota, assustada, encontrou a porta da frente e correu de volta para o carro, onde eu já a aguardava no banco do passageiro, com seu brinco em mãos.
Então, ela riu. Gargalhou de seu momento de terror, e ouvi em minha mente que aqueles minutos foram a ilusão mais banal que ela já tinha vivido. Isso me afetou como uma espécie de insulto, e a raiva cresceu dentro de mim.
"Wayne, as pessoas não nos vêem mais como figuras sombrias, como seres que se alimentam de vida, a idéia humana de hoje em dia é ridícula", dizia Hallowd, mas eu nunca acreditei em suas palavras lamuriosas, afinal, se temos a imortalidade, devemos usá-la da maneira que melhor nos serve, certo? E o que mais gosto é atormentar e torturas os mortais.
- Você deixou cair esse brinco.
Seus olhos se arregalaram, e ela não pôde produzir o grito que sua mente comandava.
- Não quero que se assuste, minha cara. - menti. - Eu me chamo Wayne, e vim fazer-lhe um pedido. - eu disse, esperando despertar o interesse naquela jovem beldade. - Eu gostaria que você se juntasse a mim nesta caminhada, afinal, sua beleza me encantou, devo admitir.
Pela primeira vez em minha vida imortal eu estava dizendo palavras sem pensar. Estaria eu apaixonado pela mortal? Não. Eu jamais me apaixonaria por um ser inferior. Seria ridículo.
- Minha cara, estou lhe oferecendo um presente, um dom. Gostaria de ser imortal? - perguntei, e não obtive resposta, pois seu medo a dominava. - Pois bem, eu volto quando estiveres mais calma, então poderemos conversar melhor. Tenha uma boa noite, milady.
E saí do carro, rumando a noite.
Por Nathan Ritzel dos Santos
Havia um homem, o motorista, junto com ela no carro. Creio ter ouvido o nome "Jaime" em minha mente, e certamente o homem calvo se chamava assim. Mas a bela dama ofuscava minha visão, sua beleza era radiante, uma beleza que eu não via há séculos. E eu a segui.
Quando o carro parou, em frente a uma construção abandonada, tratei de vigiar de cima de uma árvore, e vi Jaime sair pela porta do motorista e abrir o capô do carro. Provavelmente estava verificando algum defeito no motor, pois o ouvi dizer à garota:
- O motor está muito quente, teremos que esperar a temperatura baixar um pouco se quisermos seguir.
Suas palavras incitaram meu desejo de agir, e me aproximei rapidamente do carro, parando ao lado da porta do passageiro, para onde a garota permanecia olhando. Então, ela me viu - uma pálida figura de longos cabelos cacheados cor de mel - e tentou gritar.
Entretanto, seu grito foi abafado por minha fria mão, que agora tocava suavemente seus lábios, ah, o doce dom das trevas. Os sublimes poderes que cada um recebia de forma diferente, e que foram de grande utilidade quando meu olhar penetrante fez a bela donzela ficar inconsciente, pendendo sua cabeça para o lado.
Jaime avistou-me e gritou algumas ofensas, mas o medo rugia em seus batimentos cardíacos, e ele não conseguiu sair do local onde estava. Foi extremamente fácil me aproximar de seu rosto e proferir em seu ouvido as últimas palavras que ele ouviria outro ser dizer, e acredito ter falado algo como "bons sonhos" ou "durma bem", mas isso é irrelevante.
Seu coração assumiu um tamborilar frenético, e o impulso de sentir esse ritmo correr por minhas veias tomou conta de meus instintos, fazendo-me cravar meus caninos em seu pescoço, sugando suave e lentamente o seu sangue quente e atraindo toda a minha atenção para o vitæ que corria por minha boca.
Jaime agora jazia no chão, morto e frio. Drenei totalmente seu sangue, enquanto a garota, inconsciente, permanecia no banco do passageiro, esperando por seu destino. Mas, fiquei em dúvida se iria realmente matá-la, pois ela parecia um alvo perfeito para um momento de terror.
Resolvi então carregá-la para dentro da antiga pousada abandonada e deixá-la atrás de uma porta, e assim o fiz, abrindo, posteriormente, todas as portas da antiga pousada.Achei um isqueiro no chão e o coloquei no bolso, e o acendi quando a garota acordou, desnorteada.
Oh, o ruflar de seu coração soou como música em meus ouvidos, e tratei de apagar o isqueiro, fazendo a penumbra inundar aquele cômodo. A garota estava em um estado de desespero tão inocente, tão doce, que acabei não resistindo e falei carinhosamente em seu ouvido:
- Corra.
Como um pobre animal assustado ela virou-se, mas minha velocidade sobrenatural era tremendamente superior à velocidade mortal dela, e pude me locomover rapidamente enquanto via ela correr pela pousada. Corri de sala em sala, de quarto em quarto enquanto ela olhava para o interior dos mesmos, e pude assim atormentá-la com a mesma visão de uma criatura não-humana.
Suas passadas largas e seus movimentos bruscos ocasionaram na queda de um de seus brincos, uma peça que parecia valiosa, e eu peguei este belo artefato rubro. A garota, assustada, encontrou a porta da frente e correu de volta para o carro, onde eu já a aguardava no banco do passageiro, com seu brinco em mãos.
Então, ela riu. Gargalhou de seu momento de terror, e ouvi em minha mente que aqueles minutos foram a ilusão mais banal que ela já tinha vivido. Isso me afetou como uma espécie de insulto, e a raiva cresceu dentro de mim.
"Wayne, as pessoas não nos vêem mais como figuras sombrias, como seres que se alimentam de vida, a idéia humana de hoje em dia é ridícula", dizia Hallowd, mas eu nunca acreditei em suas palavras lamuriosas, afinal, se temos a imortalidade, devemos usá-la da maneira que melhor nos serve, certo? E o que mais gosto é atormentar e torturas os mortais.
- Você deixou cair esse brinco.
Seus olhos se arregalaram, e ela não pôde produzir o grito que sua mente comandava.
- Não quero que se assuste, minha cara. - menti. - Eu me chamo Wayne, e vim fazer-lhe um pedido. - eu disse, esperando despertar o interesse naquela jovem beldade. - Eu gostaria que você se juntasse a mim nesta caminhada, afinal, sua beleza me encantou, devo admitir.
Pela primeira vez em minha vida imortal eu estava dizendo palavras sem pensar. Estaria eu apaixonado pela mortal? Não. Eu jamais me apaixonaria por um ser inferior. Seria ridículo.
- Minha cara, estou lhe oferecendo um presente, um dom. Gostaria de ser imortal? - perguntei, e não obtive resposta, pois seu medo a dominava. - Pois bem, eu volto quando estiveres mais calma, então poderemos conversar melhor. Tenha uma boa noite, milady.
E saí do carro, rumando a noite.
Por Nathan Ritzel dos Santos
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