segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A presa

Eu estava atrás da porta, tentando respirar devagar e sem fazer muito barulho, tudo estava escuro naquele momento. Mas ao longe uma luz acendeu. Meus olhos se arregalaram e eu ouvi uma risada, que trouxe lágrimas aos meus olhos, minha mão imediatamente estava sobre minha boca, me impedindo de gritar. E então eu comecei a tremer quando a luz apagou. Eu não sabia o que estava acontecendo. Minutos antes eu estava com Jaime no carro, e agora estava dentro dessa espécie de pousada abandonada fugindo de alguém. Alguém? Não, de alguma coisa, o que quer que fosse não era humano.
Tanto tempo se passou que a minha tremedeira diminuiu e não ouvi nada. Nenhuma risada, nenhum passo, nenhuma voz. Engoli em seco e saí de trás da porta, olhando para todos os lados, me certificando de que não tinha ninguém lá.
- Corra.
A voz foi tão baixa e parecia estar tão próxima que naquele silêncio eu gritei mais alto do que achava possível. Dei um salto e virei para trás para encontrar o vazio. Como se tivesse obedecendo a voz comecei a correr nos corredores, buscando uma saída. Nada além da minha respiração, do meu coração e de minha passada rápida e cheia de medo. Quando virei no corredor da saída, por cada porta que eu passava correndo eu tinha a impressão de ver alguém. E não eram pessoas diferentes, era sempre a mesma. “Pessoas?”, pensei comigo novamente.
Quando minha mão tocou na maçaneta dourada da porta eu senti algo pegajoso. Pensei ter ouvido algo atrás de mim e por isso não parei para ver o que tinha na maçaneta, só abri a porta e corri em direção ao campo vazio para longe daquela casa estranha amaldiçoada. Quando cheguei no carro novamente comecei a rir. Rir alto. Mas ao olhar para o banco do passageiro meu riso se transformou em um grito de horror.
- Você deixou cair esse brinco.
Meus olhos ficaram mais arregalados do que haviam ficado instantes antes. Minhas mãos travaram no volante, e a mão pálida daquela criatura encostou em mim. Um filete rubro se esticava do canto de sua boca até seu queixo. Então minha boca só abria e fechava, sem emitir som algum.
A criatura sorriu apenas com o canto dos lábios

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