sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Mochila

Tudo o que vemos não é, tudo o que sabemos não é, tudo o que sentimos, o que é? Vejo o olho na boca, o cabelo no rosto, a roupa no chão. Se eu pegar tudo e por na minha mochila, isso acaba agora.
Vejo mão no rosto, pé no chão, ouvido no peito. Coração. Estamos com o olho nele, com a mente nele, queremos ter um em nossas mãos, mas não sabemos o que faríamos até te-lo.
Olho no céu, cabeça no travesseiro, lágrima no olho. Saudade. E a poesia se torna impossivel, e os ouvidos se tornam insaciáveis assim como as mãos se tornam desesperadas.
A luz apaga, a música começa e os movimentos param. Sempre em caixa, sempre em aquário. A alma e o corpo, o desejo e o dever, se separando e se desencontrando, cortando. Lentamente some o brilho do que se torna opaco, e o nítido fica fosco e tosco. E absurdamente lindo.
E entra a mochila de novo. Não é uma mochila, é só aquele símbolo de que eu posso ir embora, de que eu posso agarrar aquilo e partir. Pro lugar onde o lindo é simplesmente lindo, onde beleza não se explica, onde ninguém menciona nome de maquiagem, marca de roupa, pó para rosto.
Mas a questão, não é o lugar, são as pessoas. É você e a sua mochila. É você e o seu lugar.
É o olho no seguinte, a cabeça no que vier, o ouvido no vento. O vento que sopra e com ele vem todos os desejos jogados, todas as palavras proferidas, todas as energias transmitidas.
Olho na boca, cabeça no travesseiro, ouvido no coração.

Nenhum comentário:

Postar um comentário