terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Vida.

Ando nervosa.
Penso de mais nas nuvens e sonho com quartos grandes, pelos quais caminho como se os conhecesse, mas nunca os vi.
Gosto de fitar o vazio, acho que poderia fazer isso por horas e horas, decorando cada detalhe. Mas por enquanto eu só observo sem razão.
Minhas mãos tremem e eu não me reconheço mais. Meus olhos começam a pesar e ando sempre cansada. Pelo cansaço ela me vence. Por isso ela me prende.
Me vejo tentada todos os dias, a fazer o que faz mal, a tentar o que quero. Mas o que quero seria o que ela me guarda? O que penso mudaria?
Até amanhã eu não percebo a realidade, até amanhã eu me engano. Amanhã chegou, lentamente mostrando que ele sempre chega, se arrastando em minha direção, como algum animal pronto pra me abater, algum animal que não deveria estar lá, aquele que dá o bote e te engole vivo, sabe? Ele te engole vivo e te mata devagar.
E eu sinto eles, eu sinto ela. Eu sinto a sujeira. Os números mentem, todos eles. Acho que só não mentem mais que as pessoas, que quebram promessas quando as fazem.
Talvez eu esteja fugindo, me traindo, traindo ela. Traindo a maravilhosa Vida. Se ao menos eu pudesse a ver com outros olhos, se ao menos eu conseguisse desejá-la, amá-la... Se pudesse senti-la, talvez assim conseguiria entender que coisas que conseguem manter uma conversa. Seria o modo que a boca se mexe? Seria um detalhe na mesa? Seria um sorriso ou o cabelo na frente dos olhos?
No escuro minhas mãos ficam inquietas procurando, procurando a minha Vida que ficou perdida por aí, em algum lugar.
Torça para eu conseguir achá-la.

Nenhum comentário:

Postar um comentário