Hallowd me fizera uma visita noite passada. Em geral, eu odiava suas visitas, porque ele sempre questionava alguns fatos de meu passado, afirmando que eu ainda estava vagando pelo mundo por sua causa. Ele me despertara, mas, eu o induzi a isso, pois meu controle mental era mais forte naquele tempo. Seu sangue me enfraqueceu, e ele sabe disso.
Mas, sua visita não fora tão desagradável quanto as outras. Desta vez ele trouxe à tona um fato que poderia ter incitado minha raiva, se eu não estivesse com meus pensamentos focados em Elle.
- Wayne... Lillian enviou-me uma carta. - disse ele. - Ela está pretendendo voltar pra cá e destruí-lo. Obviamente ela nem faz ideia que eu o visito regularmente. Se ela soubesse...
- Carta? Hoje em dia existe meios mais rápidos e práticos para contatar uma pessoa do outro lado do mundo, e ela manda uma carta? - falei, em tom de deboche e em meio a risadas. - Será que ela não se camufla com tecnologia?
- Wayne, a questão não é essa, e você sabe disso. Lillian já conseguiu mantê-lo preso debaixo da terra por alguns séculos. - disse Thomas, com severidade. - Não seria bom um novo contato com ela.
Hallowd estava completamente certo. Quando eu matei Balthier ela simplesmente fez a primeira e mais óbvia coisa que lhe veio à mente, e acabou me trancando dentro de um caixão num momento onde eu estava ferido demais para poder escapar. E isso foi uma estratégia extremamente sábia, pois ela conhecia as fraquezas de um imortal ferido e esfomeado.
- Mas eu consegui escapar, não consegui? - retruquei.
- Com a minha ajuda. Mas, meu sangue te enfraqueceu. - maldito Hallowd, sempre com a razão escorrendo por seus lábios. - E o resultado disso é visível hoje, afinal, você não consegue controlar a mente de um mero humano mais resistente, consegue?
Aquela conversa já estava me deixando nauseado. Hallowd tinha seu autocontrole exagerado, que o mantinha sempre são, não importando a situação na qual se encontrava, e eu tinha minha manipulação sobre a mente, que havia sido enfraquecida quando bebi do sangue de Hallowd para saciar minha sede há alguns anos atrás.
- Wayne Lynch Walters... - disse ele, enquanto caminhava de uma extremidade da sala até a outra. - ... estando em teu lugar, eu me preocuparia com a vinda de Lillian.
- Ela não ousaria erguer um dedo contra mim. - argumentei. - Além do mais, ela tem o sangue de Balthier correndo nas veias dela. Lembre-se que ela tinha um laço de sangue com ele.
- Isso só a torna mais poderosa.
- Errado. Isso a transforma numa forma de restaurar meu poder mental. - expliquei. - Não vê, Hallowd? Meu poder foi amplamente aumentado por causa de Balthier. Seu sangue me transformou num vampiro e aumentou muito minha capacidade de manipular as mentes alheias...
-... e Lillian tem o mesmo sangue correndo em suas veias. Portanto, se você beber dela antes que ela realize qualquer ato para lhe ferir, você pode ter alguma chance contra ela. - completou. - Porém, por mais que seja forte, Wayne, eu duvido que tenha a chance de beber dela antes de ser eliminado. - continuou falando, calmamente. - Apenas com a minha ajuda você conseguiria, pois eu poderia imobilizá-la para que você bebesse. Porém, eu seria cúmplice... e isso não me agrada...
- Oh, quem diria... o ilustre Thomas Hallowd tramando contra sua criadora. - provoquei, esperando obter, no mínimo, uma resposta ofensiva.
-... Ou, você pode recrutar algumas crianças para ajudá-lo. - continuou. Hallowd realmente tinha seu autocontrole super desenvolvido, o que o mantinha frio em qualquer situação.
- Vampiros novos? - perguntei. - Não. Eles são fracos demais, não tem o sangue antigo que corre em nossas veias. Muitas vezes é melhor confiar num único punho milenar do que em milhares de garras infantis.
Hallowd me olhou pensativo. Com certeza estava pensando seriamente em se voltar contra sua criadora, afinal, ela havia abandonado Thomas quando ouviu rumores de que Balthier poderia estar vivo, deixando-o à mercê dos vampiros desordeiros e sem valor que vagavam por Londres. Mas, somente agora eu tinha me dado conta de que minha mente, até agora, estava captando algumas palavras-chave dos pensamentos dele.
Meu poder estava retornando lentamente...
Por Nathan Ritzel Dos Santos
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
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