Acordei com um estardalhaço enorme vindo da cozinha. Minha cabeça estava doendo muito, e aquele barulho não havia ajudado em nada. Saí debaixo das cobertas e senti um calafrio.
Oops, mal sinal. Será que era um assassino que gostaria de encurtar ainda mais a minha vida? Ou um ladrão idiota que tentou não fazer barulho sem sucesso? Muito improvável, quem quer que fosse, queria que eu soubesse que estava lá. Eu torcia para que fosse um sonho, ou efeito colateral de algum remédio, eu não estava em condições para lutar pela minha vida no momento.
Respirei fundo e saí da cama, mas ao fazer isso bati o dedinho do pé no criado mudo, e reprimi um gemido de dor. Ótima hora pra ser desastrada. OK, deixei o dedinho pra lá e com cuidado segui em direção à sala que era iluminada por um grande letreiro do super mercado que havia em frente ao prédio. Menos mal, pelo menos na sala eu conseguia ver por onde andava. A atravessei, e ao chegar à porta da cozinha fiquei paralisada e arregalei os olhos.
Infelizmente a luz do letreiro não chegava a invadir a cozinha. A única coisa que invadia a minha cozinha naquele momento, eram duas figuras altas e desconhecidas.
Engoli em seco. Sim, eu estava com medo e MUITO puta. Conseguia ver os estilhaços da janela, iluminados pela luz da lua que passava pela janela quebrada, mas eu ainda assim não conseguia identificar os invasores.
Uma das figuras se aproximou e estendeu a mão.
- Elle? Não precisa ter medo. Eu e o Wayne não vamos te fazer nenhum mal.
Espera aí, Wayne?
- Viemos aqui para conversar. Elle... este é Thomas Hallowd, um companheiro de longa data.
- É um prazer conhecê-la, senhorita. E pode me chamar de Thomas.
Só podia ser uma alucinação, sabia que não devia ter tomado tantos remédios. Só podia ser um sonho MUITO louco.
Ou não.
Minha respiração começou a falhar, tentei me apoiar na parede. Eles queriam conversar. O que diabos dois vampiros queriam conversar comigo?
- Ok. Eu... vou me trocar... e...
Comecei a correr em direção ao meu quarto. Não faço IDÉIA do porque, já que a porta ficava na COZINHA.
Cheguei na porta do quarto e parei de novo. Aquilo não podia ser real.
Wayne estava parado, com uma expressão serena, olhando pela janela, enquanto o seu amigo, Thomas 'algo que eu não entendi' mexia em minhas coisas.
- HEY! - Protestei, mas nenhum deles deu bola.
- Rice, Laurell, Nobre... belíssima escolha. Então, o que acha de nós, os imortais? - Perguntou o desconhecido com os livros que eu havia adquirido recentemente em mãos.
Ok, eu estava tremendo. Era um ataque de nervos, definitivamente. Dificuldade para respirar, suando frio. Nada, nada, nada bom.
- O que é isso? Qual o motivo disso tudo? - Perguntei com a voz trêmula.
Eu olhava de Wayne pra Thomas, e de Thomas pra Wayne. E foi ele quem respondeu.
- Elle, acalme-se - ele começou a vir em minha direção, colocou uma mão em meu ombro e com a outra gesticulou em direção a minha cama. - Sente-se aqui.
Seu toque me acalmou um pouco, ao mesmo tempo que me deixou alarmada. Aquilo era BEM real, e não me restava nada a não ser fazer o que eles pediam. E sim, eu queria me sentar.
Sentei e encarei o chão, Wayne estava perto de mim enquanto Thomas folheava 'Irmãs de Sangue'.
- Quais destes você já leu? - Ergui o rosto para olhá-lo e ele sorriu para mim.
- Hallowd, cale-se.
- Wayne, ao invés de me criticar você poderia falar o que está pensando, não é? E sim, sua ideia é boa.
Wayne revirou os olhos.
- Elle, tem calmantes em casa?
Assenti com a cabeça. Eles iam me dopar? Iam me matar depois disso? Poxa, eu já tinha um prazo de validade curto, eles não podiam ser bonzinhos comigo? De qualquer modo, indiquei o armário dos remédios dentro do banheiro.
- Frasco laranja grande. Ele tá bem na frente, eu acho.
Quando olhei ao redor, percebi que Thomas não estava mais lá.
Wayne voltava do banheiro com o frasco na mão, e quando olhei pra frente Thomas havia se materializado com um copo de água na mão. Uau, bem que eu gostaria de um desses 24h por dia.
Wayne botou uma capsula na mão e a estendeu para mim. Fiquei olhando para a mão dele e mordi meu lábio inferior.
- Dois? - Me perguntou arqueando as sobrancelhas. Dei de ombros e ri nervosa. Ele estendeu as duas cápsulas e Thomas me alcançou o copo. Pronto, agora era só esperar...
E enquanto esperava, olhei para minha escrivaninha e para a prateleira de livros e senti um arrepio.
- Quando que ...?
Estava tudo inacreditavelmente organizado, como nunca havia estado antes. Acho que nem Valerie conseguiria organizar minhas coisas daquele modo. Thomas apenas sorria, como se estivesse achando graça. Eu só estava achando macabro.
Quando me virei para Wayne, tive uma sensação muito estranha, ele olhava pra mim de um modo que me deixava confusa, sem saber se eu continuava olhando ou se desviava o olhar. Mas eu queria continuar olhando... Afastei esses pensamentos e percebi como isso era estranho.
- Wayne? Pare de me olhar assim! É... é... estranho - Botei minha mão nos olhos dele. Percebi que eu tinha sido grossa com ele, então, olhei pra ele, enquanto Thomas ria. - E você! Thomas, não?
- Sim. - Respondeu com um sorriso. Aquilo estava me dando nos nervos, ele simplesmente não conseguia parar!
- O que é sempre tão engraçado pra você? Eu não vejo merda de graça nenhuma!
- O que é tão engraçado é ver que você ganhou um mascote, garota.
Franzi a testa e olhei para Wayne.
- Hallowd, porque você não se cala e some da minha frente?
- Wayne, perto dela você parece estar doente.
Doente. Desviei o olhar de Wayne e me senti um pouco mal. Desde que os vi, esqueci completamente da MINHA doença. Pareciam dois mundos diferentes, que não coexistiam. Leucemia e vampiros?
Ergui o rosto e Thomas me olhava sério, fiquei meio espantada com a capacidade que ele tinha de mudar, de uma expressão zombeteira, para tamanha seriedade.
Não pense nisso.
Ouvi a voz de Thomas claramente, mas os lábios dele não se mexeram. Ele estava... dentro da minha mente.
Agora ele falava com Wayne.
- Acho que é hora de deixá-los a sós. Devem ter assuntos interessantes para conversar, não é, Elle? - Olhos em mim novamente e deu aquele sorriso que me dava vontade de socar a cara dele. Virou de costas em direção à saída, mas parou na porta.
- Te espero no carro.
Então eu estava sozinha com Wayne em meu quarto
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
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