Ok, eu definitivamente não tinha habilidades na cozinha.
Val estava me ajudando a fazer um prato francês, muito chique, que eu não fazia IDÉIA de como se comia. Parecia algo bonito de mais pra se mastigar.
- Val pode me ajudar aqui?
- Problemas com a marinada agora, Elle?
- Com a mari o que?!
Olhava para minha irmã com uma cara desesperada. Ela riu, terminou de dourar as sobre coxas de frango.
- É só por na panela Elle, eu fiz a marinada ontem.
- Ok desculpa, mas eu não sei cozinhar, nunca precisei saber muita coisa. O Jet sabe. E meus limites são panquecas e arroz.
- Ok, eu termino, dá isso aqui. Você me alcança os ingredientes.
Fora três queimaduras no braço, me saí bem cozinhando Coq au vin pela primeira vez. Nunca tinha cozinhado algo assim antes. Queria aprender, antes de... Bom, não poder mais cozinhar.
Jet que estava na sala, ao sentir o cheiro da comida correu para a cozinha.
- O que teremos hoje?
- Coq au vin! - Respondeu Val, com um francês impecável. Jet fez uma cara de quem não entende nada, e eu só dei de ombros e virei para pegar os talheres. Os Quatro pratos já estavam na mesa, e Kent, meu colega na faculdade, veio da sala para se juntar à nós.
A única pessoa que conseguia comer normalmente era Val, nós três (Eu, Jet e Kent) nos encarávamos, espetávamos o garfo na mini galinha e logo desistíamos.
- Qual o problema? Vocês nem tocaram na comida!
- Eu não sei comer isso Val, desculpa. - Kent se acusou e ergueu os braços. Encarei a galinha no meu prato, respirei fundo e a peguei com as mãos, comendo ela feito um animal. Os homens da mesa riram e me imitaram. Val me olhou perplexa com tamanha 'falta de civilização', mas não deram 10 segundos e começou a nos imitar.
- Elle, você já fez o trabalho do professor Hidley? Sei que é só pro mês que vem, mas tem que se adiantar, não?
Olhei para Kent sem expressão alguma em meu rosto, Jet e Val pararam de comer. Eu já havia contado para eles sobre a notícia que o médico havia me dado. Eles estavam tentando fingir que nada havia mudado, mas naquele instante eles vacilaram, deixando Kent constrangido. Ele não sabia da doença.
- Vou sim Kent, Tá quase pronto. Sobre o que vai ser sua história?
- Acho que vou fazer algo parecido com Fup, a fábula da pata, sabe?
- Uhum, interessante.
- E você?
- Vampiros. - Falei encarando meu prato. O silêncio foi tanto que tive que erguer meus olhos. Os três me olhavam com uma expressão estranha.
Depois disso, tentei não falar muito. O jantar seguiu normalmente, até Kent ir embora e Jet vir falar comigo enquanto Val tirava a mesa.
- Elle, podemos conversar?
- Claro. - Cruzei os braços.
- A Val me disse que você continua falando durante o sono. Sobre Jaime e... bem, vampiros?
Engoli em seco.
- Você acha que um vampiro atacou o Jaime, Elle?
Jet estava tentando segurar o riso, e aquilo me irritou muito. Ele estava sendo um idiota. Queria ver o que ele diria, apenas afirmei com a cabeça.
- Elle, foi algum animal que atacou o Jaime, e com todos esses remédios você deve estar confundindo sonhos e realidade. Você tem lido muito Crepúsculo.
- Eu não li Crepúsculo, se eu quisesse ler sobre vampiros eu leria Anne Rice.
Ele se assustou com a rispidez que transparecia na minha voz.
- Ok, o que eu realmente queria dizer era que você não precisa fazer trabalho para a faculdade.
- Que?
- Pra que se estressar em uma hora dessas, Elle? Com trabalhos e provas? Porque você não abandona a faculdade e vamos fazer uma viagem? Sua mãe ia gostar disso.
- Minha mãe ia amar qualquer plano que me levasse pra longe dela, Jet.
- Não fale assim da sua mãe... - Ele falou baixo, o ignorei e continuei.
- E você tem o que na cabeça? Viajarmos juntos? Não se sabe quanto tempo eu ainda vou viver! A cada dia que passa eu me sinto pior.
- Hey Elle, porque tá gritando? - Val entrou na sala com cara de preocupada.
- Você apóia essa idéia de viagem Valerie?
Silêncio.
- Sim, ela apóia, e até queria vir junto.
Fechei os olhos e trinquei meus dentes, eu estava furiosa. Eles não conseguiam enxergar o que estavam sugerindo.
- Sua mãe já foi na faculdade e...
Isso foi a gota d'água.
- Desde quando você tem mantido contato com a minha mãe sem que eu soubesse Jet?
- ...
- Ok, não precisa responder. Mas querem saber de uma coisa? Eu não vou abandonar porra de faculdade nenhuma, não vou viajar com ninguém, não pra vocês acordarem algum dia e verem que meu corpo está frio e sem vida. Eu NÃO quero isso, e eu vou concluir meus trabalhos até onde eu conseguir, e agora eu vou pra MINHA casa, e não quero NINGUÉM me ligando ou me seguindo. Vocês já me aborreceram o suficiente pra um dia. Vocês queriam me poupar, mas adivinhem só, não adiantou NADA!
Peguei minha bolsa, praticamente marchei em direção à porta e fui a pé para casa, uma caminhada de 15 minutos só com meus pensamentos seria tortura, eles haviam tramado tudo pelas minhas costas, Jet sugeria contando com o fato de que eu iria aceitar esse convite ridículo, e como Valerie podia concordar com isso? Respirei fundo e ascendi um cigarro.
Cheguei ao prédio me sentindo mais calma, subi às escadas e parei em frente à minha porta. Estava me sentindo terrivelmente fraca, entrei e peguei meus remédios, os engoli a seco e caí na cama.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
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