quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Tempus

Com passadas largas, atravessei a ponte que antes parecia um obstáculo, obstáculo que me impedia de chegar até meus pensamentos. Agora vejo com clareza o que acontece e o que faço, o que penso e o que pretendo.
Com um sorriso de malícia olhei para a escultura de um ser humano perfeito que ele era, e o que quis foi detruí-lo. Nada poderia ser tão belo, nada poderia fazer tanto sentido quanto aquele rosto, naquele corpo, naquele lugar. Era simplesmente fora da realidade que eu conhecia pra quem está acostumado com o mundo real.
Mas destruí-lo seria um pecado. Não que eu acreditasse que seria punida por cometer tal ato. Mas achei melhor deixar o tempo passar, e ele passou. Poderia dizer que nunca o meu deus grego mostrou defeitos, mas a verdade é que o tempo o tornou feio, sem graça e sem brilho. E não havia mais desejo, mais cobiça. Ele simplesmente passou a se tornar mais um. O tempo deu conta de o destruir, e eu apenas levantei e fui embora, o que já deveria ter feito antes. Eu deveria ter ido embora e guardado sua imagem perfeita pelo resto de minha vida.
Mas não o fiz. E agora ele jás imperfeito na minha memória.
Mas isso não mudará o fato de que, por um momento, enquanto seu encanto durou, eu o amei. Eu o amei.

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