terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Sem palavras.

Você chorou na minha frente, você me mostrou que até os mais fortes caem e podem quebrar. Meu maior pilar, o que fica bem no centro, quebrou, e agora os outros estão custando pra segurar tudo, aos poucos eles vão se quebrando, rachando... até que... caem. Como as lágrimas caíram do seu rosto, de repente e sem aviso, fazendo uma enorme sujeira, uma coisa horrivel de se ver, é como se o que eu visse me fizesse perder o foco, me deixou sem palavras, me deixou arrependida. Não tenho mais casa, não tenho mais abrigo, não mereço amor nem perdão, muito menos a verdade. Te deixar sem ninguém foi meu maior crime, meu maior erro, te deixar somente com as lágrimas foi a pior coisa que já fiz, e agora sinto que cada lágrima que cai do seu rosto, é um corte profundo e fino, fatal pra mim. Fui covarde e fugi, fugi e nem vi para aonde estava correndo, eu continuo correndo, mas eu olho pra trás, não pense que não olho, quero ver se você está lá precisando de mim. E você está. E onde eu estou? Onde eu fico nisso? Parada, parada com medo de ir pra frente, com medo de voltar... eu faria tudo pra não te ver sofrer, mas não consigo fazer nada pra tirar a sua dor. Muito menos a minha.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Sol.

Olhem em volta, e vejam que absurdos somos obrigados á ver, ouvir, e que realidade é a nossa, é para isso que lutamos? É para isso que vivemos? Eu vivo porque quero mudar tudo, o jovem tem essa mania de querer mudar o mundo, e nós queremos, mas a sociedade que não sofre cala e fecha os olhos, é como se todos olhassem em direção ao sol. O que nós temos nas nossas mãos, o que vamos fazer com o que temos nelas? Abram os olhos, abram as mentes, alguém precisa de vocês, alguém clama por ajuda enquanto você olha pro sol, e quando você desvia o olhar dele, está tão cego que não sabe pra onde ir, porque todos seus sentidos ficam confusos, e nem a sua audição, seu tato, seu olfato, e muito menos seu paladar vão poder te ajudar. Não se cegue, não deixe de assumir seu papel, não deixe que outros caiam quando você pode evitar isso, e se você nao pode evitar, pelo menos os ajude a levantar.

domingo, 21 de setembro de 2008

Matar você?

"Eu não me sinto querendo matar você hoje, não quando os recursos acabaram, não quando me restam apenas dois cigarros e nenhuma vontade de lutar. Esgotaram-se meus esforços das ultimas vezes que insisti em te matar. Todas as noites. Todos os dias. A cada respiração. Eu simplesmente, não me sinto querendo matar você hoje. Não hoje."

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Alucinações.

"Ela estava rindo, rindo e falando o máximo de bobagens que podia, tinha que aproveitar já que nada parecia real á seu ver. Ela se virava e cuidava para não bater nas pessoas, e não sabia porque estava daquele jeito, não compreeendia o que acontecia. Tudo parecia tão certo, pronto para acontecer, mas a dor era tão grande que a fazia delirar, era tão grande que cada passo dava a sensação de que alguém martelava na sua cabeça com um prego de cada lado. 'Eu ainda amo ele... eu sei disso.'. Ela sabia, e aquilo a consumia. Só implorava por alguém que a ajudasse a sair daquele buraco, não pai, não mãe, não psicólogas, não amigas... nada mais restava á ela. E ela viu, novamente que tudo não passava de um ciclo, que se tornava vicioso. Nada mudava, e tudo mudava ao mesmo tempo. A vida, a vida que ela queria, era pior que a dela, parecia que ela queria sofrer, mas certamente era efeito da dor, da dor latejante em sua cabeça, a dor que havia feito ela perder toda a fé, mas que a mantinha de pé e rindo, rindo como se estivesse bebada com a dor, com os remédios, com as mentiras. Ela TINHA de se manter de pé, ela TINHA que gritar, rir, chorar, mudar. Não sentia vergonha, não pediria desculpas, apesar de que não tinha para onde correr, não tinha onde se esconder, a não ser dentro de si, dentro do seu mundo pequeno e amplo, de dois modos totalmente iguais e diferentes. Não fazia mais sentido o que ela pensava, nem o que ela amava. Ela se via exatamente como ela era, e pensava exatamente o que falava... mas falava de um jeito diferente do que o jeito que pensava. Até para o mais forte, dói ouvir a verdade sobre si mesmo, até para o mais perigoso tem perigo, até para a maior dor tem remédio. Mas a dor, quando era muita, provocava alucinações semelhantes ás das drogas. Ás da droga, a única que consumia. Sociedade, televisão, consumismo, controle, capitalismo, burocracia, hierarquia, ética, música mal feita, com melodia e letras ruins. As drogas da sociedade, as que provocavam alucinações como o amor, como a tristeza, como a satisfação. Tudo ao redor delas não passavam de alucinações, e quando ela percebeu isso, parou de temer os filmes de terror, e a viver em uma realidade nada realista, passou a chorar e a rir por motivos diferentes, gritava por motivos diferentes, lutando por motivos diferentes. Não havia nascido pra ser só mais uma, não havia chegado até onde estava, pensado o que havia pensado para que suas idéias fossem descartadas. Iria lutar, mesmo que não tivesse ninguem do seu lado. Não aguentaria mais o que não queria, não aguentava mais."

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Deslocada.

"Onde? Quando? Embaixo de uma árvore, á quase um ano atrás. Ela estava lá, de olhos fechados na sombra daquela grande árvore, rindo e conversando com sangue do seu sangue, sua melhor amiga até então. Elas aproveitaram o dia, vendo as nuvens passarem, se coçando por causa de formigas, ouvindo as musicas que elas amavam. Cantando. Mal, mas cantando, fazendo confissões... elas se amavam como irmãs, e passavam o melhor tempo do mundo juntas, e aquele dia ficou pra sempre na memória... de quem? Dela, e somente dela aparentemente.
E sempre que escutava a mesma canção, se lembrava daqueles tempos confusos que traziam lembranças nubladas, mas que mesmo nessas condições, eram bons, eram encantadores e inspiradores. Não era como o vazio que se instalava nela, e se desinstalava várias e várias vezes, deixando as cicatrizes cada vez maiores. Ela queria ver amor, porque não tinha nenhum. Ela queria ler histórias interessantes, pois a sua continuava sempre igual. Ela queria escrever coisas novas, porque em sua vida, ela não via mais graça em ser ela mesma, e o que poderia ser melhor do que criar o personagem que você quer ser? Mas ela não conseguia... lhe fugiam as idéias. O que ela realmente queria, era mostrar como se sentia, mas nunca tinha sucesso nisso, pois odiava falar de seus sentimentos, e de que outro modo mostraria a verdade, se os outros modos não são levados á sério? Se as pessoas que lhe interessam, não prestavam atenção nesses outros modos?
Então ela olhava pra cima, e a criatividade esvaia entre seus dedos como areia, e ela tentava pegá-la inutilmente. Mas ela continuava procurando algo que talvez a deixaria viva de novo, que talvez a deixasse sorridente de novo. Contando os dias para chegar na sexta feira, e ser quem ela quer ser, era assim que as semanas passavam mais rápido, era assim que ela deixava de dar valor ás pessoas ao seu redor. Com a cabeça explodindo e todo o resto girando, ela gritava por dentro, e sentia a cabeça pesar... caindo... escuro...
E todos se foram, e não resta mais nada a não ser suas próprias mãos, seu próprio coração, que continua sabendo como bater, batendo em um ritmo descompassado. Ela estava adormecida á um bom tempo, sem ligar pra nada, esperando algo acontecer... mas estava ciente o tempo todo de que se ficasse sentada, nada aconteceria. Mesmo assim ela não levantava. Mas levantaria, daquele dia adiante, levantaria e ergueria a cabeça, iria atras, e iria achar. Ia encontrar o seu lugar, por mais dificil que fosse, e por mais que soubesse que estava deslocada, e que não tinha abrigo nem casa, ela encontraria seu verdadeiro eu, e pararia de tentar falar que era o seu eu-lírico... eram seus sentimentos mais puros e verdadeiros aqueles que ela tentava mostrar."

sábado, 6 de setembro de 2008

Puxe o gatilho.

Procurar ao seu redor o que nunca está nem estará lá, faz você ficar triste. Tentar ser alguém que você acha que pode, ou que você preferia ser, te deixa triste, porque você nunca será essa pessoa, nunca sentirá o mesmo que ela. Pensar sobre o que aconteceu te puxa para baixo, pensar sobre o que acontece te põe na escuridão? Você só está tendo os pensamentos errados,só está pensando o que não deveria. Seus olhos não veêm mais nada a não ser aquela única pessoa que põe um sorriso no seu rosto? Seus sonhos te deixam confuso? Você não se acha o suficiente para estar no exato lugar que você está? Se você não fosse, nao estaria em tal lugar, talvez nada seja por acaso, ou talvez completamente tudo seja por acaso.
Seu coração bate por alguém, e o coração desse alguém bate em outro ritmo, diferente do seu, então você tenta se segurar á qualquer coisa, por ver o ritmo do coração de quem você ama, bater por alguém que não pode corresponder à ele.
Você quer gritar? Quer trair os seus sentimentos secretos e falar a verdade? Quer chorar? Cantar? O que você quer fazer, e o que te impede de fazê-lo? Você não precisa deixar tudo em uma gaiola com barras gigantes, não precisa impedir nada de sair, não precisa pensar no que acontece depois. Porque o que acontece depois, nem sempre depende de você, você fez o que podia, você fez o que queria. Mas como você vai saber?! Puxe o gatilho, veja o que acontece depois. Feche os olhos se você quiser, mas fique ciente de que quando você abri-los, eles vão continuar vendo as mesmas coisas. Se concentre nas coisas que não te deixam triste, que te fazem sorrir. Você não consegue?
...
Nem eu.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

10 motivos para não sorrir.

Eu não ando sorrindo mais, porque não vejo mais cores nas flores,
Porque as coisas estão em preto e branco, e tons de cinza,
E os amores,
Não são mais os mesmos que costumavam ser;
Porque eu não consigo mais segurar as lágrimas quando acordo,
Quando encaro todo mundo,
Quando não vejo você lá,
Porque quando eu preciso de um abraço, eu não tenho o seu,
Porque quando eu grito ninguém ouve,
Pois eu grito com o coração,
Com o olhar,
E porque meus sonhos estavam em uma redoma de vidro,
Que começou a rachar;
E acima de tudo, porque dentro de mim, eu perdi o pouco que eu tinha de você, de mim mesma, de tudo que eu precisava pra respirar, pra não chorar de tristesa e sim de alegria,
Pra acreditar que você vai voltar...
Para a redoma de vidro, nunca se rachar.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

...

"os dois andavam de mãos dadas por todo lugar, ela e o seu x... ele era o x para o seu solitário coração y. E eles continuavam andando de mãos dadas mostrando pra todos sua felicidade, era o que ela queria ter sonhado a muito tempo, mas não só isso, ela queria que aquele fosse seu unico sonho que tivesse se tornado realidade. O seu x era so o que ela precisava, e aquele nome continuava a pulsar na sua cabeça ('x, x, x, x, x, x, x!'). Quando ela abriu os olhos ainda nao havia percebido que nao era real, pensava que tinha acontecido, e quando percebeu que nao era real, fechou os olhos e começou a chorar. porque seu subconciente tinha que provoca-la assim? Porque todos tinham que provoca-la assim? Era como segurar areia nas mãos, mas invés de areia é todo o amor que ela tinha. Todo amor que ela queria. E as coisas que ela queria de volta, que foram tiradas seu concentimento? Por exemplo, seu orgulho e integridade. Oh céus, estava caindo ainda mais, aos poucos, parte por parte, pois ela tinha agora, duas preocupações, o seu Ele e o seu X... e ela via no horizonte de suas preocupações, mais um surgir... e era um antigo que havia a deixado em pedaços que ela nao conseguia colar até hoje..."

terça-feira, 12 de agosto de 2008

'Ele está tão perdido. É como uma criança no meio de uma multidão. Ele quer tanto que todos amem as coisas que ele ama, assim como ele as ama. Ele está desesperado por ter que ficaá sem uma parte das pessoas que ama. Uma parte que pesa, porque são as pessoas que ele mais ama. Então ele vê que assim como os outros estavam indo, ele estava também.
É quase a hora de partir bebê, você está confortável?
Não, ainda dói.
E a dor que ele sente é física, mas ele a transforma em psicológica, a cabeça lateja... Porque ele não ouviu ninguém antes? Antes daquela dor horrivel se instalar dentro dele? Era como um parasita que tirava deles, noites de sono, que o fazia querer compartilhar com todos ao seu redor o que estava acontecendo. Ele falava pra quem desejasse ouvir, ele tinha medo de se despedir, de falar o que era inadiável. Mas ele repetia pra ela,e só pra ela 'Não posso te deixar sozinha, como você vai ficar sem mim?'. Ela não seria nada sem ele. Ela o via perdido, não conseguia amar o que ele amava tanto quanto ele queria que ela amasse, via o desespero dele e o dela surgirem simultâneamente. A pessoa quem ela mais amava e quem ela mais precisava ia simplesmente...
'Não consigo ver a solução.'
'Se acalme bebê, a noite já vai chegar pra tirar de você o seu motivo para abrir os olhos de manhã. Está preparada bebê?'
'Não, ainda dói'.
A dor dela é apenas psicológica, mas ela a transforma em física. O coração na mão, doendo. Porque ele não a ouviu? Ela o via sofrer, o ouvia contar várias vezes sobre o seu sofrimento... Sobre a sua dor. A dor dele, era a dor dela, e ela não queria se despedir. Não agora. Ele é ela, ela é ele. Eram duas metades de um só, cresceram juntos, e a dor de se separar pode ser maior do que eles mesmos imaginam. Um não existe sem o outro.'

domingo, 27 de julho de 2008

Girando.

"Girando, tudo girando de novo. Parecia uma roda da sorte, ela tinha apostado em um numero entre um milhão, quais eram as chances? Faltava pouco pra ela finalmente se libertar de uma das coisas que a trazia para baixo, que a afogava em todas as lágrimas que já havia derramado. Olhava pros lados e não via saida de modo algum, a unica saida era a mais desesperada, e não era a mais eficaz. Não queria ninguem vendo o que ela realmente sentia, e ao mesmo tempo gritava para que vissem. Viu que o que acontecera nao mudara nada, que tudo continuava igual e ia continuar por um bom tempo, pois estava sendo deixada pra trás e parando de sonhar de novo, mas a verdade era só uma, apenas uma: Queria estar em qualquer lugar que não fosse aquele, com qualquer pessoa capa de reconfortá-la, qualquer pessoa capaz de não ver malicia em seus gestos, uma pessoa que a entendia pelo menos um pouco.A música que continuava a tocar em sua cabeça era a pior que podia estar tocando, mas a mais linda que seus ouvidos já escutaram. Aquela musica fazia ela querer rasgar as roupas, quebrar os vasos, dar socos nos espelhos, gritar, gritar...Ninguém se sentia daquele jeito naquele momento, a mente dela havia esvaziado, e ela não conseguia pensar em uma saída, apenas aquela trágica que ela não queria. E seus pensamentos não eram normais, eram todos em outra lingua. Embaixo das cobertas ficou em formato de concha até aquela dor passar, até perceber que estava realmente sozinha, e aquela vontade de não acordar mais sumir, porque ela precisava fazer alguma coisa apesar de seus olhos estarem pesados como nunca antes. Parecia que TUDO queria que ela dormisse... dormisse pra não acordar mais. A cabeça começou a latejar de novo. Ela só estava adiando o que realmente tinha que fazer, mas não queria fazer. Não queria, mas não importava o quanto reclamasse, o quanto esperneasse, ia ter que fazer. Queria que algo acontessesse para poder se livrar das coisas que a irritavam e a assombravam. Se ela não se entendia, quem a entenderia? Era uma espécie de ciclo, em que a ficção era tão melhor que a realidade, em que ela ficava presa sem saber o que fazer, a não ser esperar passar. Ninguém ensinou a ela o que devia fazer, e o que ela fez? Levantou, se olhou no espelho de novo, abriu a janela e viu que era o dia mais feio da história dos dias. Precisava de um banho... precisava morrer. Desceu para o primeiro andar e foi ouvir música. Ah, como sua vida seria melhor se nenhuma daquelas coisas tivesse acontecido. Mas elas eram pra acontecer, então o universo daria um jeito para elas acontecerem. Ia ser assim pra sempre, só tinha que se acostumar. Abriu o armarinho do banheiro, escovou os dentes, desceu e parou ao pé da escada, subiu de novo, decidiu que naquele dia, não faria mais nada. Mas que dia era mesmo? Deitou novamente na cama olhando pra pilha de roupas no canto do quarto, quis gritar, sabia que era ela quem tinha que arrumar aquilo, olhou para o teto e ficou pensando, até decidir que olharia o filme da noite anterior de novo. Tudo para adiar o óbvio."

terça-feira, 22 de julho de 2008

Cavalos.

"Sentou-se, estava feliz por comprar o que queria, mas o problema era conseguir botar aquilo. Olhou pra frente e depois pra rua. Lá estava uma mulher mais velha, de cor, conversando com um homem que trabalhava em uma obra. Aparentemente eles eram amigos, e enquanto eles conversavam o filho da mulher pegava pedaços de papelão da obra e os organizava na carroça deles. O homem que estava na obra gritou que 'esse eu nao conhecia' e riu alto. Mas não era isso que chamava a sua atenção, que começou a irritá-la. Ela viu como estava o cavalo que puxava a carroça. Doentio. Era isso que pensava daquele tipo de coisa. Em algumas religiões cavalos são sagrados, mas a sua visão mostrava um cavalo sendo escravizado. Ele estava com o pelo mal cuidado, com a aparência horrivel, e carregava todo dia 3 ou 4 pessoas pela cidade, e ainda por cima alguns quilos de papelão. Ela pensava porque um cavalo deveria carregar aquilo? Ele simplesmente não tinha escolha, os homens fazem o que querem com quem quer que seja mais fraco que eles. Abusam da ilusão do seu poder, da ilusão de que são donos do mundo. Enquanto ficava irritada e observava a cena em camera lenta dos meninos jogando papelão na carroça e o cavalo piscando a cada papelão que caía bruscamente puxando seu corpo mais pra baixo, ela viu um homem passando com uma carroça cheia de papelão e riu. Ele mesmo estava puxando a sua carroça."

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Anjos.

"Ela riu de mais, riu tanto que sentiu sua barriga doer. Ainda gargalhando, olhou para o lado e viu quem estava do seu lado. Se chamou de burra, porque naquele instante viu o que era uma amizade verdadeira, aquelas pessoas que estavam lá, eram com quem ela podia contar sempre. Eram simplesmente seus anjos."

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Pesadelo.

"Estava saindo da escola, começou caminhar em qualquer direção e se encontrou em uma casa estranha, mas que já havia visto antes. Demorou um pouco mas viu seu pai saindo dela, cambaleando, bêbado. Lágrimas, ela chorou como se tivessem arrancado todos os seus órgãos, como se a pessoa que mais amava tivesse morrido, e ele repitia as mesmas palavras, dizendo coisas que ela nao entendia, enquanto ela perguntava 'PORQUE VOCE FEZ ISSO?' desesperada. Não sabia o que fazer, para ela, ele ia morrer.
Acordou assustada, quase chorando. Foi o pior pesadelo de toda a sua vida. Isso ficou em sua cabeça pelo resto do dia. A ultima pessoa que queria perder era ele, tentou desviar o pensamento.
Ele era sua base, seu forte, era tudo que ela mais amava. Talvez o sonho só mostrasse o passado e o quanto ela se preocupava com ele. Não queria que aquilo fosse verdade de novo, jamais."

segunda-feira, 14 de julho de 2008

O melhor que você já teve.

"Dor de cabeça. Uma enorme dor de cabeça. Mesmo assim ela acordou, e fez o que sempre fazia. Mas dessa vez era diferente, se sentia mais leve. Menos corroída. O dia passou e ela nem viu, o ano passou e ela nem viu.
-Você faz isso pra chamar atenção?
Oh, você faz?
-Eu te amo, e sempre , sempre vou estar aqui por ti ok?
-Ok, eu te amo também. Desculpa.
Não são coisas que a gente esquece...
-Vamos jogar futebol?
-NÃO! Eu nao jogo futebol!
É, mas 5 minutos depois estava jogando.
Não são coisas que a gente esquece... e sim, coisas que vão ficar guardadas pra sempre no mais importante lugar dos nossos corações, das nossas mentes. Ela sabia de tudo isso e de um pouco mais, ela sentia que aquilo era especial e que ela devia guardar cada segundo. Queria chorar de novo, mas desssa vez de alívio, porque a preocupação por maior que fosse, perdera no mínimo uns 50 kg, só faltava mais 50kg! Apesar de saber que a sua felicidade não era pra sempre, estava sabendo aproveitar ela enquanto durava.
Como naquele dia havia chegado com sono de mais em casa, não tivera tempo de pensar, de raciocinar sobre o que havia acontecido. Preferia assim, ter agido um pouco irracional, porque fechava os olhos e sorria. A quanto tempo não fazia isso? Céus, pareciam séculos! E o ano passava tão rápido, dando uma rasteira nela. O medo de ficar velha de mais, mesmo sendo ridículo, estava pairando sobre a sua cabeça. 'Olha o bob dylan, como será que é pra ele ver os videos e as fotos de quando ele era mais novo?'.
Tinha muito o que fazer ainda, e mesmo sabendo que nem tudo estava absolutamente bem, tinha arrumado motivos pra continuar de novo. Suas decisões ainda não haviam cicatrizado, a ferida estava exposta á tudo, e ela se expôs a todos, mas soube controlar. Mesmo não tendo controle nenhum sobre nada, mesmo não tendo auto-controle. Tudo que ela sabia era nada, o que ela não sabia era tudo assim como o que ela queria mas não sabia, o que ela sonhava mas não tinha prestado atenção. Assim como o retrato estava no baú de prata, no de ouro, como o casal extraterrestre era misto. Nem ela entendia mais os próprios pensamentos. E você acha que ela desistiu de pensar?
Aquele desejo de ter o passado de volta, veio, e veio com força, aquelas lagrimas valeram a pena, pois depois veio o abraço do qual ela precisava e tinha vergonha de pedir. Não, ela não pararia de pensar, porque pensando ela formulava opinião, mesmo não expresando-a na hora, sempre chegava a hora, e ela via que a espera valera a pena. Pensar a fazia bem."

domingo, 13 de julho de 2008

Almoço.

"Estava pensando, olhando para o seu prato. Estava cansada, deu mais uma garfada. Sabia que o dia anterior fora uma espécie de sinal, sabia que aquilo não foi por acaso. A fez bem, mesmo não tendo durado muito. Almoço de família hoje não parecia tão ruim. Se não fosse a família de seu pai...
-Você vai querer esse frango?
-Não, ela tem ainda no prato dela.
Ela olhou pra ele e cruzou os braços.
-Eu tenho minha própria boca sabia?
Ele sabia que o que mais a irritava era ele respondendo coisas por ela. Ainda mais na frente dos outros. Por isso que não gostava de almoçar lá, ele sempre arrumava um jeito de mostrar que mandava na frente dos pais dele.
-Não, obrigada vó, eu tenho ainda.
Continuaram o almoço, mesmo ela ficando realmente brava, tentava acreditar que ele não fazia por mal, ele só queria provar mais e mais, que era bom o suficiente. Uau.
-Vai querer ovo?
-Não, ela não vai.
Ela se virou pra ele e deu um tapa em sua barriga. Ele a olhou e entendeu, baixando a cabeça. Ela o entendia, ela sabia o porque das manias dele. Incrivel como conseguia conseguir entender a cabeça dos outros.
Terminaram o almoço, ela olhou para o sol lá fora, parecia atrativo. Quando percebeu estava deitada nas pedras, voltou e pegou um colchão porque aparentemente, segundo sua avó podia ficar com cancer nos ovários, rins, e esses órgãos das costas. Deitou, sentindo o sol, cada raio em sua pele, amava aquilo porque conseguia pensar assim, só ouvia os barulhos ao redor, e ouvia de longe seu pai tentando mostrar o quanto era bom para os pais dele. Ele nao tinha culpa, todos buscam a aprovação dos pais, nem que seja em uma ÚNICA coisa. Ela mesma buscava, mesmo não dando muita bola pra isso. Ficou imaginando galinhas, não sabia porque. Viu que as coisas estavam tornando ao seu curso natural, mas era diferente, ela nao estava acostumada com isso, afinal, faziam anos... anos.
Imagens estranhas começaram a se formular em sua mente, sentiu seu subconciente tomar conta da sua cabeça, era a parte que mais gostava de dormir, quando sua mente viajava por si própria.
Quando acordou, nem percebeu que havia dormido uma hora, viu um mosquito morto no seu braço e se perguntou se havia o matado sem querer. Droga. Olhou pra tras e viu seu pai saindo da casa dos avós. Como as coisas haviam mudado em questão de pouco tempo. Talvez fosse só por pouco tempo mesmo. Mas aqueles momentos de felicidade eram tão bons que podiam durar pelos próximos meses. Estava feliz.
-Querida, quer sobremesa?
-Não ela não quer."

sábado, 12 de julho de 2008

Amor?

"-Ele é o típico cidadão brasileiro, acredita em tudo que passa na televisão, ama futebol, e tá sempre apostando na mega sena"
-Pois é, e como eu fui me apaixonar por ele?
-... não sei...
Ela coçou a cabeça com a pergunta da mãe, entraram na livraria.
-Ele parecia atraente na época, diferente...
-Ele era diferente?
-Não...
As duas se olharam. Ela podia ver que por trás daquelas palavras que sua mãe dizia tinha amor, mas medo também. Se ela, sua mãe, não ficasse com ele, seu padrasto, com quem ficaria? Eles aprenderam a se suportar, ela aprendeu a sofrer em silêncio, ele se desligou do mundo inteiro, olhando televisão e novelas, e absorvendo tudo de lá, aplicando o que via em sua própria vida, afastando ás duas, mãe e filha.
Mas vamos voltar á mãe e filha. A filha ama a mãe, odeia a mãe, despreza a mãe, idolatra a mãe... é inexplicável. Ela vê a dor no rosto da própria mãe, do seu próprio futuro.
-Eu nunca me apaixonaria por um cara assim...
-Mas filha...
-Eu sei, ele é uma boa pessoa. Eu nao desgosto dele.
E isso ficou em sua cabeça por um bom tempo. Começou a perceber como a companhia da mãe era boa, e como a deixava com vontade de não fazer mais nada além daquilo, além de ficar lá falando. O amor da mãe por aquele homem era algo inexplicável, mas o que os unia era a certeza de que queriam passar os restos de suas vidas juntos. Não era necessáriamente amor, isso se chama companherismo.
A cabeça dela girou, e parou como sempre em si mesma. De que modo isso a afetaria? Não queria mais pensar nisso, queria aproveitar o momento, queria gritar. Coçou a cabeça de novo.
Em casa tudo é diferente, naquela casa era. O nó na garganta havia voltado simplesmente por estar lá, se perguntou se a escolha que havia tomado era certa, se devia mesmo ter ido embora. A resposta relutante que veio do fundo de sua mente foi 'sim, voce fez isso por um motivo maior'. Fechou os olhos e continuou o teatro. E cada cena daquele filme que elas olhavam juntas, ela absorvia totalmente. Tudo ao seu redor indicava que devia mudar, que devia querer mudar. Ela estava em pânico, continuava sem saber como. As limitações do ator principal nao o impediram de fazer o que amava. O que ela amava?! Não sabia, queria saber, mas se ela nao soubesse, quem iria lhe dizer? Nenhum livro, nenhuma música, nenhum perfume, nenhum filme, nenhuma foto, nenhuma flor. Ela achava que conhecia tudo, mas quando na verdade, não conhecia nem a si mesma, nem a ponto de saber o que realmente amava. "Eu não sei tudo, eu tenho que parar de agir como se soubesse". E assim, se apaixonou pelas imagens que via, observou bem os formatos, sentiu o gosto como nunca antes, ouviu os sons como jamais ouvira. Não sabia o que amava ainda, não sabia o que queria, mas começou a perceber um pouco mais das coisas, começou a tentar descobrir mais sobre si mesma, mesmo quando o ácido voltava a corroe-la, levantava-se e fazia uma das coisas que ela tinha CERTEZA que amava: Ouvir música e fechar os olhos, imaginando coisas inimagináveis."

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Monstro.

Parou um minuto, e olhou para as próprias mãos. "O que eu estou fazendo?". Aquilo continuava a consumindo como um câncer, um tumor se alastrando. Esfregou os olhos mais uma vez, queria que as lágrimas viessem, mas elas não vinham, não sabia como fazê-las virem, mesmo naquele mesmo dia recebendo uma das noticias mais dolorosas que já havia recebido. "Bobagem, é só mais uma coisinha". Mas mesmo sendo mais uma 'coisinha' ela queria chorar, ver se o tumor diminuía, mas começou a perguntar o que havia de errado, porque as lágrimas continuavam presas, o ácido continuava corroendo. Não era assim antes, antes bastava uma palavra mal intencionada, uma decepção simples, uma briga boba. Cansou de definhar e levantou, foi se olhar no espelho. Então foi aí que chorou, sentiu as lágrimas queimarem seus olhos, descerem pelas suas bochechas até seu queixo e maxilar. Viu seus olhos ficarem de uma cor diferente e parou, segurou o choro. Percebeu que aquilo que a corroia, aquilo que a matava aos poucos, era ninguem menos do que ela mesma. Ela mesma havia destruído seus sonhos, seus porquês, tudo o que ela odiava naquele momento em que se olhava no espelho, estava concentrado em apenas uma coisa: em si mesma. Ela se odiava, ela queria sair do próprio corpo, arrancar sua pele, deixar o ácido corroer tudo por dentro até as coisas se tornarem impossiveis de funcionar para mantê-la. Ela desejava nao viver mais. Mas ela nao sabia o que queria, porque o que a possuía era nada menos do que a raiva, a dor e a surpresa, por descobrir a pessoa que mais queria longe de si. Não podia fugir de si mesma. Então viu que teria que mudar, teria que correr atras da sua paz de espírito. Mas as vezes é dificil quando a gente não faz idéia do como. Não aguentou se olhar no espelho por muito tempo, simplesmente se virou e segurou as lágrimas pelo resto do dia. Mais um dia. "Por favor, eu quero chorar, por favor". O nó na garganta foi aumentando, a dor fez sua cabeça girar, quando se deu conta estava perdendo o juízo pela terceira vez.


mazzyxx

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Àcido.

Começou pelo seu coração, tirando tudo dele, deixando-o mais fraco e vunerável, tirou os motivos do mesmo para bater, fez ele derreter e ela não o encontrar mais, por mais que segurasse tudo em suas mãos com força, as coisas sempre acabavam esvaindo por entre seus dedos, por mais que ela chorasse, gritasse, era o passado que se passava pelas frestas de suas feridas palmas, era a vida que lhe foi tirada e que ela queria de volta, era o que ela havia sentido e vivido e ela queria de volta, era do que ela reclamava, mas queria. As palmas das mãos suavam, as lágrimas escorriam como ácido, doendo, ardendo, corroendo. Era necessário tirar tudo aquilo de dentro, largar tudo pro mundo, ia enlouquecer se mantesse aquilo dentro de si, e era melhor aquele ácido em forma de lágrimas, do que em forma de loucura. E o pior de tudo, é que depois do seu coração, consumiu também a sua mente, seus pensamentos, sua alma. Ela estava fraca, rastejando e implorando por razão, implorando por felicidade. Mas aos poucos ela ia se desintoxicando, e ela sentia que faltava pouco pra tudo aquilo acabar, e simplesmente nao importava o como, mas sim o quando, o quanto mais ela teria que aguentar, sorrindo sem querer sorrir, falando sem querer falar, fingindo que nada está sangrando por dentro, quando ela sente todos seus órgãos falecerem aos poucos. Ela estava começando a procurar desesperadamente por algo que a conectasse de volta, que a prendesse no mundo, não queria desistir por nada, mas aquela doença consumia aos poucos o seu cérebro, o seu coração já falecido, sua alma já cansada de tão pouco. O que a consome tanto? Ela vai perecer?

mazzyxx

domingo, 6 de julho de 2008

Espelho.

o que você vê quando se olha no espelho?
você nao se intriga, pra saber se o mundo que o espelho reflete é melhor do que o em que você está? o espelho é uma das coisas que mais nos atrae, ele nos mostra o nosso reflexo. mas é apenas por fora. tem gente que nao consegue ficar menos que 10 minutos se olhando no espelho, mas pode ser por motivos diferentes, tanto pra ver o quão bonitas sao, pra se apreciar, quanto pra tentar ver o que realmente é. eu me olho no espelho muito, pra tentar encontrar lá nem que seja uma pontinha de quem eu realmente sou, mas mais do que tudo eu tento desesperadamente achar algo bonito em mim, algo que me prenda ao mundo dos outros, que me faça ser acieta fácilmente. Porque? Essa é a natureza do ser humano? Procurar a perfeição para agradar os outros? Padrões de beleza são inúteis, eles mudam o tempo todo, a moda é inútil, ela oscila o tempo todo. O que realmente queremos, quem queremos impressionar, será que tudo isso é por amor mesmo? amor a quem? á nós mesmos ou aos outros? ou é medo de nao ser aceito? O QUE REALMENTE QUEREMOS?! Nao me excluo desse grupo, nao sou melhor nem pior que NINGUEM aqui, mas acho que devíamos rever nossos valores e olhar em volta, parar de nos admirarmos no espelho, e de tentar saber como é o mundo do reflexo, que parece melhor que o nosso na maioria das vezes. o mundo do reflexo é aquele que nao tem sentimentos, nao tem sentidos, é uma cópia da aparencia, do sorriso, mas nao do que a gente sente quando sorri, ou o que a gente pensa. o reflexo é a mentira, é como os outros nos veem, eles veem apenas o que aparenta, nao o que realmente é. Voces querem viver pra sempre como reflexos? Querem ser vistos sempre como reflexos?