"Onde? Quando? Embaixo de uma árvore, á quase um ano atrás. Ela estava lá, de olhos fechados na sombra daquela grande árvore, rindo e conversando com sangue do seu sangue, sua melhor amiga até então. Elas aproveitaram o dia, vendo as nuvens passarem, se coçando por causa de formigas, ouvindo as musicas que elas amavam. Cantando. Mal, mas cantando, fazendo confissões... elas se amavam como irmãs, e passavam o melhor tempo do mundo juntas, e aquele dia ficou pra sempre na memória... de quem? Dela, e somente dela aparentemente.
E sempre que escutava a mesma canção, se lembrava daqueles tempos confusos que traziam lembranças nubladas, mas que mesmo nessas condições, eram bons, eram encantadores e inspiradores. Não era como o vazio que se instalava nela, e se desinstalava várias e várias vezes, deixando as cicatrizes cada vez maiores. Ela queria ver amor, porque não tinha nenhum. Ela queria ler histórias interessantes, pois a sua continuava sempre igual. Ela queria escrever coisas novas, porque em sua vida, ela não via mais graça em ser ela mesma, e o que poderia ser melhor do que criar o personagem que você quer ser? Mas ela não conseguia... lhe fugiam as idéias. O que ela realmente queria, era mostrar como se sentia, mas nunca tinha sucesso nisso, pois odiava falar de seus sentimentos, e de que outro modo mostraria a verdade, se os outros modos não são levados á sério? Se as pessoas que lhe interessam, não prestavam atenção nesses outros modos?
Então ela olhava pra cima, e a criatividade esvaia entre seus dedos como areia, e ela tentava pegá-la inutilmente. Mas ela continuava procurando algo que talvez a deixaria viva de novo, que talvez a deixasse sorridente de novo. Contando os dias para chegar na sexta feira, e ser quem ela quer ser, era assim que as semanas passavam mais rápido, era assim que ela deixava de dar valor ás pessoas ao seu redor. Com a cabeça explodindo e todo o resto girando, ela gritava por dentro, e sentia a cabeça pesar... caindo... escuro...
E todos se foram, e não resta mais nada a não ser suas próprias mãos, seu próprio coração, que continua sabendo como bater, batendo em um ritmo descompassado. Ela estava adormecida á um bom tempo, sem ligar pra nada, esperando algo acontecer... mas estava ciente o tempo todo de que se ficasse sentada, nada aconteceria. Mesmo assim ela não levantava. Mas levantaria, daquele dia adiante, levantaria e ergueria a cabeça, iria atras, e iria achar. Ia encontrar o seu lugar, por mais dificil que fosse, e por mais que soubesse que estava deslocada, e que não tinha abrigo nem casa, ela encontraria seu verdadeiro eu, e pararia de tentar falar que era o seu eu-lírico... eram seus sentimentos mais puros e verdadeiros aqueles que ela tentava mostrar."
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
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