"Estava pensando, olhando para o seu prato. Estava cansada, deu mais uma garfada. Sabia que o dia anterior fora uma espécie de sinal, sabia que aquilo não foi por acaso. A fez bem, mesmo não tendo durado muito. Almoço de família hoje não parecia tão ruim. Se não fosse a família de seu pai...
-Você vai querer esse frango?
-Não, ela tem ainda no prato dela.
Ela olhou pra ele e cruzou os braços.
-Eu tenho minha própria boca sabia?
Ele sabia que o que mais a irritava era ele respondendo coisas por ela. Ainda mais na frente dos outros. Por isso que não gostava de almoçar lá, ele sempre arrumava um jeito de mostrar que mandava na frente dos pais dele.
-Não, obrigada vó, eu tenho ainda.
Continuaram o almoço, mesmo ela ficando realmente brava, tentava acreditar que ele não fazia por mal, ele só queria provar mais e mais, que era bom o suficiente. Uau.
-Vai querer ovo?
-Não, ela não vai.
Ela se virou pra ele e deu um tapa em sua barriga. Ele a olhou e entendeu, baixando a cabeça. Ela o entendia, ela sabia o porque das manias dele. Incrivel como conseguia conseguir entender a cabeça dos outros.
Terminaram o almoço, ela olhou para o sol lá fora, parecia atrativo. Quando percebeu estava deitada nas pedras, voltou e pegou um colchão porque aparentemente, segundo sua avó podia ficar com cancer nos ovários, rins, e esses órgãos das costas. Deitou, sentindo o sol, cada raio em sua pele, amava aquilo porque conseguia pensar assim, só ouvia os barulhos ao redor, e ouvia de longe seu pai tentando mostrar o quanto era bom para os pais dele. Ele nao tinha culpa, todos buscam a aprovação dos pais, nem que seja em uma ÚNICA coisa. Ela mesma buscava, mesmo não dando muita bola pra isso. Ficou imaginando galinhas, não sabia porque. Viu que as coisas estavam tornando ao seu curso natural, mas era diferente, ela nao estava acostumada com isso, afinal, faziam anos... anos.
Imagens estranhas começaram a se formular em sua mente, sentiu seu subconciente tomar conta da sua cabeça, era a parte que mais gostava de dormir, quando sua mente viajava por si própria.
Quando acordou, nem percebeu que havia dormido uma hora, viu um mosquito morto no seu braço e se perguntou se havia o matado sem querer. Droga. Olhou pra tras e viu seu pai saindo da casa dos avós. Como as coisas haviam mudado em questão de pouco tempo. Talvez fosse só por pouco tempo mesmo. Mas aqueles momentos de felicidade eram tão bons que podiam durar pelos próximos meses. Estava feliz.
-Querida, quer sobremesa?
-Não ela não quer."
domingo, 13 de julho de 2008
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