domingo, 27 de julho de 2008

Girando.

"Girando, tudo girando de novo. Parecia uma roda da sorte, ela tinha apostado em um numero entre um milhão, quais eram as chances? Faltava pouco pra ela finalmente se libertar de uma das coisas que a trazia para baixo, que a afogava em todas as lágrimas que já havia derramado. Olhava pros lados e não via saida de modo algum, a unica saida era a mais desesperada, e não era a mais eficaz. Não queria ninguem vendo o que ela realmente sentia, e ao mesmo tempo gritava para que vissem. Viu que o que acontecera nao mudara nada, que tudo continuava igual e ia continuar por um bom tempo, pois estava sendo deixada pra trás e parando de sonhar de novo, mas a verdade era só uma, apenas uma: Queria estar em qualquer lugar que não fosse aquele, com qualquer pessoa capa de reconfortá-la, qualquer pessoa capaz de não ver malicia em seus gestos, uma pessoa que a entendia pelo menos um pouco.A música que continuava a tocar em sua cabeça era a pior que podia estar tocando, mas a mais linda que seus ouvidos já escutaram. Aquela musica fazia ela querer rasgar as roupas, quebrar os vasos, dar socos nos espelhos, gritar, gritar...Ninguém se sentia daquele jeito naquele momento, a mente dela havia esvaziado, e ela não conseguia pensar em uma saída, apenas aquela trágica que ela não queria. E seus pensamentos não eram normais, eram todos em outra lingua. Embaixo das cobertas ficou em formato de concha até aquela dor passar, até perceber que estava realmente sozinha, e aquela vontade de não acordar mais sumir, porque ela precisava fazer alguma coisa apesar de seus olhos estarem pesados como nunca antes. Parecia que TUDO queria que ela dormisse... dormisse pra não acordar mais. A cabeça começou a latejar de novo. Ela só estava adiando o que realmente tinha que fazer, mas não queria fazer. Não queria, mas não importava o quanto reclamasse, o quanto esperneasse, ia ter que fazer. Queria que algo acontessesse para poder se livrar das coisas que a irritavam e a assombravam. Se ela não se entendia, quem a entenderia? Era uma espécie de ciclo, em que a ficção era tão melhor que a realidade, em que ela ficava presa sem saber o que fazer, a não ser esperar passar. Ninguém ensinou a ela o que devia fazer, e o que ela fez? Levantou, se olhou no espelho de novo, abriu a janela e viu que era o dia mais feio da história dos dias. Precisava de um banho... precisava morrer. Desceu para o primeiro andar e foi ouvir música. Ah, como sua vida seria melhor se nenhuma daquelas coisas tivesse acontecido. Mas elas eram pra acontecer, então o universo daria um jeito para elas acontecerem. Ia ser assim pra sempre, só tinha que se acostumar. Abriu o armarinho do banheiro, escovou os dentes, desceu e parou ao pé da escada, subiu de novo, decidiu que naquele dia, não faria mais nada. Mas que dia era mesmo? Deitou novamente na cama olhando pra pilha de roupas no canto do quarto, quis gritar, sabia que era ela quem tinha que arrumar aquilo, olhou para o teto e ficou pensando, até decidir que olharia o filme da noite anterior de novo. Tudo para adiar o óbvio."

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