segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Alucinações.

"Ela estava rindo, rindo e falando o máximo de bobagens que podia, tinha que aproveitar já que nada parecia real á seu ver. Ela se virava e cuidava para não bater nas pessoas, e não sabia porque estava daquele jeito, não compreeendia o que acontecia. Tudo parecia tão certo, pronto para acontecer, mas a dor era tão grande que a fazia delirar, era tão grande que cada passo dava a sensação de que alguém martelava na sua cabeça com um prego de cada lado. 'Eu ainda amo ele... eu sei disso.'. Ela sabia, e aquilo a consumia. Só implorava por alguém que a ajudasse a sair daquele buraco, não pai, não mãe, não psicólogas, não amigas... nada mais restava á ela. E ela viu, novamente que tudo não passava de um ciclo, que se tornava vicioso. Nada mudava, e tudo mudava ao mesmo tempo. A vida, a vida que ela queria, era pior que a dela, parecia que ela queria sofrer, mas certamente era efeito da dor, da dor latejante em sua cabeça, a dor que havia feito ela perder toda a fé, mas que a mantinha de pé e rindo, rindo como se estivesse bebada com a dor, com os remédios, com as mentiras. Ela TINHA de se manter de pé, ela TINHA que gritar, rir, chorar, mudar. Não sentia vergonha, não pediria desculpas, apesar de que não tinha para onde correr, não tinha onde se esconder, a não ser dentro de si, dentro do seu mundo pequeno e amplo, de dois modos totalmente iguais e diferentes. Não fazia mais sentido o que ela pensava, nem o que ela amava. Ela se via exatamente como ela era, e pensava exatamente o que falava... mas falava de um jeito diferente do que o jeito que pensava. Até para o mais forte, dói ouvir a verdade sobre si mesmo, até para o mais perigoso tem perigo, até para a maior dor tem remédio. Mas a dor, quando era muita, provocava alucinações semelhantes ás das drogas. Ás da droga, a única que consumia. Sociedade, televisão, consumismo, controle, capitalismo, burocracia, hierarquia, ética, música mal feita, com melodia e letras ruins. As drogas da sociedade, as que provocavam alucinações como o amor, como a tristeza, como a satisfação. Tudo ao redor delas não passavam de alucinações, e quando ela percebeu isso, parou de temer os filmes de terror, e a viver em uma realidade nada realista, passou a chorar e a rir por motivos diferentes, gritava por motivos diferentes, lutando por motivos diferentes. Não havia nascido pra ser só mais uma, não havia chegado até onde estava, pensado o que havia pensado para que suas idéias fossem descartadas. Iria lutar, mesmo que não tivesse ninguem do seu lado. Não aguentaria mais o que não queria, não aguentava mais."

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