terça-feira, 22 de julho de 2008
Cavalos.
"Sentou-se, estava feliz por comprar o que queria, mas o problema era conseguir botar aquilo. Olhou pra frente e depois pra rua. Lá estava uma mulher mais velha, de cor, conversando com um homem que trabalhava em uma obra. Aparentemente eles eram amigos, e enquanto eles conversavam o filho da mulher pegava pedaços de papelão da obra e os organizava na carroça deles. O homem que estava na obra gritou que 'esse eu nao conhecia' e riu alto. Mas não era isso que chamava a sua atenção, que começou a irritá-la. Ela viu como estava o cavalo que puxava a carroça. Doentio. Era isso que pensava daquele tipo de coisa. Em algumas religiões cavalos são sagrados, mas a sua visão mostrava um cavalo sendo escravizado. Ele estava com o pelo mal cuidado, com a aparência horrivel, e carregava todo dia 3 ou 4 pessoas pela cidade, e ainda por cima alguns quilos de papelão. Ela pensava porque um cavalo deveria carregar aquilo? Ele simplesmente não tinha escolha, os homens fazem o que querem com quem quer que seja mais fraco que eles. Abusam da ilusão do seu poder, da ilusão de que são donos do mundo. Enquanto ficava irritada e observava a cena em camera lenta dos meninos jogando papelão na carroça e o cavalo piscando a cada papelão que caía bruscamente puxando seu corpo mais pra baixo, ela viu um homem passando com uma carroça cheia de papelão e riu. Ele mesmo estava puxando a sua carroça."
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