quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Novo.

Acho que apesar de não fazer sentido, tudo se renova. Depois da meia-noite, é uma nova fase, um novo sentimento. Eu sinto medo, um medo que não faz muito sentido. Medo do futuro, que tem tudo pra ser bom.
Vamos nos juntar, em copos cheios de expectativa brindaremos rumo ao incerto, transitando de 31 de dezembro para 1º de janeiro, esperando sempre que as coisa melhorem.
Meus desejos são de felicidades para todos, felicidade de modos únicos, felicidade de qualquer modo.

Feliz 2010.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Ansiedade.

Às vezes eu só queria ter um motivo para tudo o que faço, um significado para tudo isso. De que adianta respirar e caminhar se estou morto? Mas é a ridícula e óbvia realidade vampiresca. Hoje podemos nos camuflar facilmente entre as pessoas, podemos nos passar por qualquer mortal comum, podemos beber nos locais mais movimentados. A "vida" se tornou entediante, e permanece piorando na ausência de companhia.
Hallowd dizia que eu precisava de um par, mas eu nunca me dei bem em relacionamentos. Em geral, eles acabavam antes de começar, e eu nunca cheguei a lutar por um romance. Ah! Por que estou pensando em tais coisas?
- Maldita garota! Atormenta-me durante meu sono com sonhos e me faz acordar de dia! -gritei, e ouvi os batimentos de alguém na casa vizinha se tornarem mais frenéticos. Com certeza eu havia assustado alguém.
Eu não notei que ela havia me enfeitiçado de tal forma, a garota. Ela conseguiu cativar minha atenção naquela noite, mas, eu deveria tê-la matado. Deveria ter sugado seu sangue até a última gota, como fiz com o motorista que estava com ela.
Quando caiu a noite peguei meu conversível, um belo Peugeot 207 CC preto, e saí pelo centro da cidade... de repente alguma festa iria aparecer como mágica em minha frente, ou algo assim. Mas, um aroma peculiar invadiu o ar. Um cheiro familiar... tão familiar, mas tão diferente, tão... exótico... e logo me lembrei, era o sangue da garota.Então fiz uma curva absurda com meu carro e entrei na próxima rua à direita, seguindo aquele cheiro. Ela não estava longe, mas, havia muitos outros ao redor dela. Certamente ela estava numa festa ou algo assim.
As luzes da cidade brilhavam e ofuscavam meus olhos, mas, seu rastro permanecia intocado, quase chegando a ser visível. Numa das ruas nas quais entrei acabei me deparando com um belo local que mais parecia uma pequena cidade, pois ali haviam diversos restaurantes, agências bancárias, livrarias e ainda grandes construções intituladas "Blocos". Eu estava na universidade local.
O ar estava carregado de aromas diferentes, mas eu ainda conseguia sentir o cheiro dela, e logo a vi... saindo da biblioteca da universidade com algumas pilhas de livros nas mãos. Obviamente, andei em meio a multidão para evitar qualquer tumulto em público, mas pude ver quando ela deixou a faculdade e pegou um táxi. E eu a segui. Mas, resolvi deixar que o cheiro dela me guiasse, ignorando que o táxi estava sumindo de vista.
Logo cheguei até a casa, onde o doce perfume de seu vitae incendiava minhas narinas. Estacionei meu carro em frente à casa e entrei, saltando com facilidade para dentro da casa através de uma janela. Foi uma entrada silenciosa, que me deu o elemento surpresa.Mas, a casa estava uma completa bagunça. A garota mais parecia uma anarquista, pois havia chegado com inúmeros livros nas mãos e não foi capaz de guardá-los, apenas atirou-os no chão. E eu, como qualquer ser organizado, tratei de empilhá-los em cima da mesa, bem como abrir um de seus cadernos, somente por curiosidade.
Mas, faltava algo... ela com certeza não agüentaria ficar a noite inteira acordada discutindo sobre imortalidade, então, tratei de ir até a cozinha e preparar um café, que depois depositei em uma caneca, a qual coloquei em cima da mesa, junto aos cadernos. Entretanto, quando a caneca pousou na mesa, ouvi uma porta se abrir e o vapor do banheiro emitir um leve chiado.
Ouvi passos e um botão ser pressionado. Ela havia ligado a secretária eletrônica. "Elle? Onde você anda? Fazem dias que não ouço de você, poderia me ligar? Val."
Elle... esse era seu nome. Ah, a bela garota de olhos azuis chamava-se Elle...
"Senhorita Wess, você perdeu seu horário com o Doutor Richard na quarta-feira, gostaria de remarcar? Ligue-nos o mais rápido possível, temos boas notícias!"
"Elle, é o Jet, porque não responde às minhas ligações? Precisamos conversar, acho que isso não está funcionando..."
Algo nesse último recado incitou minha raiva, pois o jeito deste tal de Jet falar era... afetuoso. E sua voz ostentava preocupação, receio.
"Filha, você me deve explicações para esse sumiço..."
Ela deu mais alguns passos em direção à sala, provavelmente pensando em pegar algum dos livros. Ela iria se deparar com a visão de um imortal parado em sua sala, e isso poderia... não sei se impressioná-la seria a palavra certa, mas, iria impressioná-la. Aí que resolvi ir para a cozinha, de onde eu poderia ver seus longos e cacheados cabelos castanhos.
"Elle, porque o Jet me ligou perguntando de você? Porque a mamãe me perguntou de você? Porque TODO MUNDO me liga querendo saber de você? O que tá acontecendo einh?..."
Seu coração disparou.
- Vampiro... Wayne? - disse ela, e, em resposta, eu apareci na sala, no lado oposto ao que ela estava.
- Chamou, milady? - perguntei com um sorriso de escárnio. - Já tenho uma resposta sua? Já sabe se quer se tornar imortal? Pelo visto o assunto a interessou... - e apontei para os inúmeros livros na mesa com a cabeça.
Estavam diminuindo. Seus batimentos estavam diminuindo, e ela empalideceu e desmaiou. Felizmente eu fui rápido e pude segurá-la, impedindo uma violenta colisão de sua cabeça com a mesa. Oh, seu rosto, tão belo e doce, agora dormia, e eu me aproveitei da situação para passar a mão por entre seus sedosos cabelos. Senti uma vontade incontrolável de beijá-la, mas, minha resistência foi maior, e eu a carreguei para sua cama, onde deitei-a e puxei algumas cobertas para cima de seu corpo.
Fui até a porta, onde o som de passos tumultuou a minha mente e logo cessou para dar lugar às batidas incessantes na porta e aos toques frenéticos na campainha.
- Elle! Precisamos conversar! Abre a porta! - gritava uma voz masculina, que me convenceu a abrir a porta para matar minha curiosidade.
- Quem gostaria de conversar com ela? - perguntei ao belo rapaz que estava parado na soleira.
- Ah... - disse, confuso. - Você, quem é? - perguntou.
- Eu faço as perguntas aqui. Quem é você?
- Sou o Jet. O namorado da Elle. E você? - perguntou ele, desconfiado. Sua mente articulava alguma traição ou algum problema maior, enquanto a raiva crescia dentro de mim.
- Suma da minha frente.
- Como é? Você tá na casa da MINHA namorada e me manda "sumir da sua frente"? - gritou ele.
- Não falarei duas vezes. Saia daqui ou sofra as conseqüências. - a raiva já havia me dominado, e era somente uma questão de tempo para que um estrago maior fosse feito.
Jet apenas me fulminou com os olhos. Ele sabia que eu era alguém perigoso, ou, pelo menos, tinha uma leve idéia, afinal, seu coração estava acelerado demais, mesmo para quem estava com raiva, e eu diria que ele batia num misto de raiva e medo.
- Vai se ferrar! - gritou ele, e partiu para cima de mim.
Seu punho fechado acertou meu rosto, mas a dor foi mínima, ao contrário de sua mão, que, pela sua expressão facial, havia sido ferida. Rapidamente levei minha mão direita até seu pescoço e o ergui no ar, apertando com força. Suas mãos se agitavam freneticamente tentando, em vão, remover minha mão de seu pescoço. Sua respiração começou a se alterar, e tive certeza de que ele respirava com dificuldade. Ele agora se debatia ferozmente e ainda bufava de raiva e terror.
- Já teve o suficiente? - perguntei friamente.
- Já... já... - resmungou, então o soltei.
Jet emitiu um ganido desesperado, e respirou profundamente para obter o ar que antes estava lhe sendo negado. Seu pescoço ostentava uma escura e profunda marca roxa.
- Wayne.
- O... que? - perguntou ele.
- Meu nome. - falei calmamente. - Wayne Lynch Walters. - e voltei para o meu carro.



Por Nathan Ritzel dos Santos

domingo, 27 de dezembro de 2009

Sobre chaves e chaveiros.

Todo dia eu acordo e me lembro de meus sonhos. Muitas vezes eles são horríveis, e me deixam chateada, pois não mostram a realidade, mas sim, meus medos.
Isso me faz pensar nessa sensação que tenho, e quase sempre tive, de possuir o chaveiro mas não as chaves. Sabe como é? Você tem algo, que só é útil quando junto à outro algo. As duas coisas se completam. É como sentir amor, mas não ter quem amar. É ter a possibilidade de praticar o que você sabe, mas não saber nada. É como ser ouvido mas não saber o que falar, ter os motivos mas não saber quais são.
É difícil. Pois essa sensação me arranca os cobertores e a razão todo o dia, e leva tudo ao chão. É tão dificil quanto ser vista mas não ser notada.
E entre garrafas, choros e declarações me deito. O choro enche as garrafas e as declarações me matam.
E quando lentamente a saniedade se aproxima, mais uma garrafa de lágrimas vai ao chão, quebrando em milhares de cacos e lamúrias, me cortando dos pés a cabeça, me fazendo ver que sou apenas de carne e osso, um ser humano comum, com preocupações comuns, com uma vida comum. Mas com um coração dilacerado, perto de mais do cérebro, por ter sido arrancado de meu peito e jogado ao lado do meu corpo sem utilidade.
E mais tarde, com flashes e sorrisos a graciosidade tenta voltar, iluminando o que antes era como um breu, deixando visíveis as falhas que os olhos por si só não enxergam, escancarando a verdade sobre o sentimento. E a verdade é que o amor é procurado pela perfeição, e não por si.
A verdade é que tudo é mentira, e as cicatrizes nada provam, e as palavras nada dizem, e os gestos nada expressam.
Pois eu tenho apenas o chaveiro, mas as chaves...

sábado, 26 de dezembro de 2009

E eles diziam...

Que não saberíamos lidar com essas mudanças, que não saberíamos o que fazer com essa liberdade. Mas sinceramente? Acho que nos saímos bem, acho que nos saímos melhor do que imaginávamos.
Apesar de não termos conquistado nossas próprias vidas, estamos cuidando delas do modo que nos agrada, e então eles apontam seus dedos compridos e nos acusam de irresponsabilidade, falta de caráter e de originalidade. E quando lhes mostramos um espelho eles enxergam no reflexo que todos tem os mesmos empregos, as mesmas roupas, o mesmo corte de cabelo, os mesmos sapatos, e a mesma opinião. Então seus gritos agudos quebram os mil espelhos que estão em volta, e resta a todos apenas juntar os cacos de suas imagens, tão importantes e tão comuns.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Simon e Glória I

"Glória, sinto sua falta. E você sabe disso. Mas na noite do teatro de marionetes, algo a assustou. Eu sei disso, mas não sei o que foi! Lembro-me de te olhar durante o teatro inteiro, tentando adivinhar o que você achava ou pensava à respeito do que via e ouvia.
Teve um momento em que sua expressão ficou fria, dura. Indecifrável. Começei a prestar atenção no que acontecia com os marionetes, mas não consegui encontrar o motivo para sua mudança de humor. Assim como não encontrei o motivo para sua saída sem dizer nada, sumindo na noite. Assim como não encontrei razão alguma para você me evitar nessas últimas semanas.
Por isso deixo essa carta à sua porta nesta manhã de fevereiro, quando completaríamos 3 meses juntos.
Por favor, me dê uma chance, não caminhe assim para longe de mim. A partir de hoje mandarei uma carta a cada dois dias para você, até o dia em que você me responder ou me der alguma explicação.
Glória, você é o amor da minha vida, não acho justo o que você está nos fazendo passar, pois sei que sou o amor da sua vida também. Volte para mim. O que quer que a tenha assustado, eu espanto. Eu sempre vou te defender dos seus fantasmas.
Espero que saiba disso. Estarei a espera, e eu realmente não tenho preguiça de escrever para você, portanto, não confie na possibilidade de eu desistir.
Te amo pra sempre.
Simon."

Glória leu a carta pacientemente. Duas lágrimas cairam na carta de Simon, então ela respirou fundo e guardou novamente a primeira carta das 14 que até hoje Simon havia lhe mandado, sem pular um dia sequer. Todas elas lindas, contando dos dias dele sem ela, com histórias e coisas que a faziam rir. Mas Glória não respondeu. Em dois dias Simon escreveria para ela de novo, a 15ª carta. E seu coração estava quase cedendo, e quase confessando à ele o que realmente havia acontecido naquela noite. Tinha até uma carta préviamente escrita, desde que Simon havia lhe mandado a primeira. Queria entregar à ele... deveria esperar a 15ª carta?
Com esses pensamentos ela deitou na cama e lá permaneceu por horas, sem ter noção de tempo. Sem ouvir o telefone, a campainha, a sirene, os gritos. Mas quando a fumaça invadiu o seu quarto ela acordou de seu transe.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Reencontro.

As duas semanas que se passaram depois daquele episódio aterrorizante na beira da estrada foram maçantes. Eu não comia, não conseguia me concentrar na faculdade, não conseguia falar direito com ninguém.
Eu havia abandonado o corpo de Jaime na estrada aquela noite, e o mais estranho foi que nada sobre o corpo foi divulgado em lugar nenhum. Talvez aquele homem, aquele ser tivesse dado um jeito de escondê-lo. Ou talvez ninguém soubesse o que havia acontecido e preferiam ocultar toda a história. Eu não fui ao encontro das autoridades, nem de ninguém.
Toda vez que eu pensava em recordar o modo como Jaime havia morrido para poder relatar à alguém, as coisas que eu havia imaginado ou visto... eu desatava a chorar. E era essa a questão. Eu não sabia se aquilo tudo havia sido real ou apenas fruto da minha imaginação. Será que eu estava me transformando em um Tyler Durden? Dois em um? Que espécie de mente doente imaginaria algo desse tipo?
Não, aquilo HAVIA acontecido. Era impossível Jaime sumir assim, e ainda mais impossível que eu tivesse o matado. Sem rastro nenhum, sem sangue.
Wayne. Esse era o nome que me assombrava noite após noite, sorrindo para mim e estendendo meu brinco, me convidando a me juntar à ele. Algo em mim dizia que sim, Wayne existia, e ele era algo extraordinário que me intrigava, mas do qual eu deveria manter distância.
“- Minha cara, estou lhe oferecendo um presente, um dom. Gostaria de ser imortal?”
- Senhorita Wess? Algo errado?
Olhei em volta, todos me encaravam preocupados, então percebi que eu estava rangendo os dentes e chorando. Limpei meu rosto e levantei.
- Desculpe Senhor Rigged, mas eu poderia tomar um ar?
- Claro, vá vá.
Saí da sala e fui até o banheiro, me olhei no espelho e revirei os olhos.
- Ridícula.
Liguei a torneira e joguei água no rosto, mas quando sequei-o e abri os olhos novamente, vi a imagem do misterioso Wayne no lugar da minha, refletido no espelho, e mais uma vez gritei. Mas bastou piscar para a imagem desaparecer.
- RIDÍCULA RIDÍCULA! - Chutei a lata de lixo do banheiro e saí com pressa. Estava ficando maluca, no dia seguinte mesmo procuraria algum profissional, algum psiquiatra ou psicanalista, caso contrário começaria a arrancar meus cabelos. Resolvi ir até a biblioteca e procurar algum livro, mas o que eu encontrei foi algum tipo de feira de quadrinhos, pessoas vestidas de Superman, The Flash e outros super heróis. Até que algo chamou minha atenção.
'WAYNE'. Na verdade dizia 'BRUCE WAYNE'. Era um cartaz grande, muito bem feito, com o milionário Wayne e o herói Batman desenhados, a metade de cada um. Foi então que as coisas pareceram se conectar.
O homem morcego.
Isso me fez correr em direção à biblioteca, me xingando baixinho o caminho todo. Claro, porque não? Quem disse que vampiros não existem? Fazia perfeito sentido, não sabia como não tinha pensado naquilo antes. Me direcionei ao balcão da bibliotecária.
- Vocês tem alguma sessão sobre vampiros?
A mulher me olhou estranho, e indicou uma prateleira. Olhei naquela direção e vi que era a parte de ficção.
- Não não, eu digo, aquele tipo de livro que vemos nos filmes sabe? Grandes, antigos, sobre a suposta história da origem de vampiros, lobisomens, unicórnios...?
Sorri para fazer graça, mas não adiantou nada.
- Desculpa, mas não estamos em um filme.
Com isso suspirei e fui até a prateleira de ficção vampiresca. O que fiz foi retirar três livros de autores diferentes, queria ver o que eu conseguia espremer da ficção, se seria algo parecido com o qual eu havia passado duas semanas antes.
Resolvi reler o romance de Anne Rice, 'Entrevista com o Vampiro', 'Prazeres Malditos' me chamou atenção por seu título, de Laurell K. Hamilton, e por fim, 'Irmãs de Sangue', de Rick Nobre. Não sei o que esperava encontrar nesses livros, mas logo que os retirei fui direto para casa. Quando cheguei larguei tudo no chão e fui direto para o banho.
Quando saí já vestida, apertei o botão da secretária para ouvir os recados. A maioria deles eram iguais.
"Elle? Onde você anda? Fazem dias que não ouço de você, poderia me ligar? Val."
"Senhorita Wess, você perdeu seu horário com o Doutor Richard na quarta-feira, gostaria de remarcar? Ligue-nos o mais rápido possível, temos boas notícias!"
"Elle, é o Jet, porque não responde às minhas ligações? Precisamos conversar, acho que isso não está funcionando..."
"Filha, você me deve explicações para esse sumiço..."
Enquanto ouvia fui em direção à porta, onde havia deixado minhas coisas. Agora era minha irmã que falava na secretária.
"Elle, porque o Jet me ligou perguntando de você? Porque a mamãe me perguntou de você? Porque TODO MUNDO me liga querendo saber de você? O que tá acontecendo einh?..."
Meu sangue gelou. Minhas coisas não estavam mais no chão. Fiquei 5 segundos parada, olhando para o mesmo lugar. Então engoli em seco e olhei em volta. Estava tudo em cima da mesa, organizado. Livros empilhados, materiais organizados com a matéria do dia aberta, e ainda uma xícara cheia do que, pelo cheiro, eu suspeitava ser café.
- Vampiro... Wayne?
Sussurrei. Como que ouvindo ao meu chamado, ele praticamente se materializou na outra extremidade da sala.
- Chamou, milady?
Mais uma vez, aquele sorriso zombeteiro estava em minha frente. As lembranças me atingiram em cheio como um bastão de baseball.
- Já tenho uma resposta sua? Já sabe se quer se tornar imortal? Pelo visto o assunto a interessou...
Ele apontou os livros em cima da mesa e eu acompanhei com o olhar. Muda. Estarrecida.
Comecei a me sentir fraca e a tremer. Então tudo ficou escuro.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A criatura.

"Esplêndida", foi a única coisa que pensei quando a vi. Fazia pouco tempo que havia despertado, e a bela visão daquela garota despertou-me um interesse descomunal. Hallowd chamaria isso de "paixão vampiresca", mas isso é um termo muito ridículo, e prefiro dizer que sua beleza exterior era similar ao aroma de seu sangue, que me convidava, debochando.
Havia um homem, o motorista, junto com ela no carro. Creio ter ouvido o nome "Jaime" em minha mente, e certamente o homem calvo se chamava assim. Mas a bela dama ofuscava minha visão, sua beleza era radiante, uma beleza que eu não via há séculos. E eu a segui.
Quando o carro parou, em frente a uma construção abandonada, tratei de vigiar de cima de uma árvore, e vi Jaime sair pela porta do motorista e abrir o capô do carro. Provavelmente estava verificando algum defeito no motor, pois o ouvi dizer à garota:
- O motor está muito quente, teremos que esperar a temperatura baixar um pouco se quisermos seguir.
Suas palavras incitaram meu desejo de agir, e me aproximei rapidamente do carro, parando ao lado da porta do passageiro, para onde a garota permanecia olhando. Então, ela me viu - uma pálida figura de longos cabelos cacheados cor de mel - e tentou gritar.
Entretanto, seu grito foi abafado por minha fria mão, que agora tocava suavemente seus lábios, ah, o doce dom das trevas. Os sublimes poderes que cada um recebia de forma diferente, e que foram de grande utilidade quando meu olhar penetrante fez a bela donzela ficar inconsciente, pendendo sua cabeça para o lado.
Jaime avistou-me e gritou algumas ofensas, mas o medo rugia em seus batimentos cardíacos, e ele não conseguiu sair do local onde estava. Foi extremamente fácil me aproximar de seu rosto e proferir em seu ouvido as últimas palavras que ele ouviria outro ser dizer, e acredito ter falado algo como "bons sonhos" ou "durma bem", mas isso é irrelevante.
Seu coração assumiu um tamborilar frenético, e o impulso de sentir esse ritmo correr por minhas veias tomou conta de meus instintos, fazendo-me cravar meus caninos em seu pescoço, sugando suave e lentamente o seu sangue quente e atraindo toda a minha atenção para o vitæ que corria por minha boca.
Jaime agora jazia no chão, morto e frio. Drenei totalmente seu sangue, enquanto a garota, inconsciente, permanecia no banco do passageiro, esperando por seu destino. Mas, fiquei em dúvida se iria realmente matá-la, pois ela parecia um alvo perfeito para um momento de terror.
Resolvi então carregá-la para dentro da antiga pousada abandonada e deixá-la atrás de uma porta, e assim o fiz, abrindo, posteriormente, todas as portas da antiga pousada.Achei um isqueiro no chão e o coloquei no bolso, e o acendi quando a garota acordou, desnorteada.
Oh, o ruflar de seu coração soou como música em meus ouvidos, e tratei de apagar o isqueiro, fazendo a penumbra inundar aquele cômodo. A garota estava em um estado de desespero tão inocente, tão doce, que acabei não resistindo e falei carinhosamente em seu ouvido:
- Corra.
Como um pobre animal assustado ela virou-se, mas minha velocidade sobrenatural era tremendamente superior à velocidade mortal dela, e pude me locomover rapidamente enquanto via ela correr pela pousada. Corri de sala em sala, de quarto em quarto enquanto ela olhava para o interior dos mesmos, e pude assim atormentá-la com a mesma visão de uma criatura não-humana.
Suas passadas largas e seus movimentos bruscos ocasionaram na queda de um de seus brincos, uma peça que parecia valiosa, e eu peguei este belo artefato rubro. A garota, assustada, encontrou a porta da frente e correu de volta para o carro, onde eu já a aguardava no banco do passageiro, com seu brinco em mãos.
Então, ela riu. Gargalhou de seu momento de terror, e ouvi em minha mente que aqueles minutos foram a ilusão mais banal que ela já tinha vivido. Isso me afetou como uma espécie de insulto, e a raiva cresceu dentro de mim.
"Wayne, as pessoas não nos vêem mais como figuras sombrias, como seres que se alimentam de vida, a idéia humana de hoje em dia é ridícula", dizia Hallowd, mas eu nunca acreditei em suas palavras lamuriosas, afinal, se temos a imortalidade, devemos usá-la da maneira que melhor nos serve, certo? E o que mais gosto é atormentar e torturas os mortais.
- Você deixou cair esse brinco.
Seus olhos se arregalaram, e ela não pôde produzir o grito que sua mente comandava.
- Não quero que se assuste, minha cara. - menti. - Eu me chamo Wayne, e vim fazer-lhe um pedido. - eu disse, esperando despertar o interesse naquela jovem beldade. - Eu gostaria que você se juntasse a mim nesta caminhada, afinal, sua beleza me encantou, devo admitir.
Pela primeira vez em minha vida imortal eu estava dizendo palavras sem pensar. Estaria eu apaixonado pela mortal? Não. Eu jamais me apaixonaria por um ser inferior. Seria ridículo.
- Minha cara, estou lhe oferecendo um presente, um dom. Gostaria de ser imortal? - perguntei, e não obtive resposta, pois seu medo a dominava. - Pois bem, eu volto quando estiveres mais calma, então poderemos conversar melhor. Tenha uma boa noite, milady.
E saí do carro, rumando a noite.


Por Nathan Ritzel dos Santos

Dias Quentes.

É estranho passar por esse tipo de dia. Dia quente que me dá uma sensação de nostalgia. Uma saudade que contagia. Essa loucura que me dá arrepios e me enche os olhos de dor.
Os dias quentes que me fazem pensar em tudo que eu deveria fazer naquele instante, em tudo o que eu poderia fazer. Os dias quentes que me entristecem.
Nas nuvens medo, curiosidade, divertimento, enquanto o sol me impede de ver, enquanto eu derreto em lágrimas, enquanto eu derretia em mãos e me fundia com uma espécie de vazio.
Dias quentes me fazem andar sem razão, me fazem girar e pedir perdão. Confissões. Seriedade.
Tudo isso, seria o que? Tudo isso, significa algo?

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A presa

Eu estava atrás da porta, tentando respirar devagar e sem fazer muito barulho, tudo estava escuro naquele momento. Mas ao longe uma luz acendeu. Meus olhos se arregalaram e eu ouvi uma risada, que trouxe lágrimas aos meus olhos, minha mão imediatamente estava sobre minha boca, me impedindo de gritar. E então eu comecei a tremer quando a luz apagou. Eu não sabia o que estava acontecendo. Minutos antes eu estava com Jaime no carro, e agora estava dentro dessa espécie de pousada abandonada fugindo de alguém. Alguém? Não, de alguma coisa, o que quer que fosse não era humano.
Tanto tempo se passou que a minha tremedeira diminuiu e não ouvi nada. Nenhuma risada, nenhum passo, nenhuma voz. Engoli em seco e saí de trás da porta, olhando para todos os lados, me certificando de que não tinha ninguém lá.
- Corra.
A voz foi tão baixa e parecia estar tão próxima que naquele silêncio eu gritei mais alto do que achava possível. Dei um salto e virei para trás para encontrar o vazio. Como se tivesse obedecendo a voz comecei a correr nos corredores, buscando uma saída. Nada além da minha respiração, do meu coração e de minha passada rápida e cheia de medo. Quando virei no corredor da saída, por cada porta que eu passava correndo eu tinha a impressão de ver alguém. E não eram pessoas diferentes, era sempre a mesma. “Pessoas?”, pensei comigo novamente.
Quando minha mão tocou na maçaneta dourada da porta eu senti algo pegajoso. Pensei ter ouvido algo atrás de mim e por isso não parei para ver o que tinha na maçaneta, só abri a porta e corri em direção ao campo vazio para longe daquela casa estranha amaldiçoada. Quando cheguei no carro novamente comecei a rir. Rir alto. Mas ao olhar para o banco do passageiro meu riso se transformou em um grito de horror.
- Você deixou cair esse brinco.
Meus olhos ficaram mais arregalados do que haviam ficado instantes antes. Minhas mãos travaram no volante, e a mão pálida daquela criatura encostou em mim. Um filete rubro se esticava do canto de sua boca até seu queixo. Então minha boca só abria e fechava, sem emitir som algum.
A criatura sorriu apenas com o canto dos lábios

domingo, 20 de dezembro de 2009

Facilidade.

Tão fácil quanto ficar feliz. Tão fácil quanto parecer morta.
Tão fácil quanto chegar ao extremo, ou quanto à ser o mínimo que se pode.
É fácil sorrir, é fácil chorar, é fácil trair e é fácil amar. É fácil gritar ou ficar em silêncio. É fácil de mais retribuir um sorriso ou usar uma máscara.
Mais fácil ainda é abraçar, beijar, dançar.
O difícil mesmo, quando gostamos da sensação ou precisamos de tudo isso, é parar.

Não começe algo que você acha que não vai conseguir terminar.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Labirinto?

Aqui novamente. Como sempre, volto ao ponto de partida onde entre lágrimas e arranhões me entrego ao vazio da falta de vontade. A solidão às vezes parece ser muito melhor, principalmente quando me sinto presa.
Fiquei aqui estagnada, presa aos motivos errados e aos quereres errados. Sempre pensei muito mais que isso, e me esqueci porque esse meu "sempre", essa pessoa que eu sou de verdade, ama. E amar não é fácil para mim. Acredito que não seja fácil para ninguem.
Me atraí a idéia de andar sem rumo, de sempre procurar por algo em algum lugar, e quando nao acho, vou para o próximo. Sempre. Sem nunca chegar ao ponto do qual parti. Sempre sentido algo novo em algum lugar novo. Sofrendo mudanças tão rápidas que nem dá tempo de sentir. Que nem dá tempo de doer.
Porque sempre volto pra cá? Se meu destino é sair pra não mais voltar?

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

1000 crônicas

"1000 crônicas de uma vida, dia após dia o mundo a enche de novidades e de mais bagagem.
O questionamento da saniedade permanece forte, e as mentiras pairam em volta, porque elas não vêm de dentro pra fora. É de fora pra dentro.
O questionamento da inteligência também se mantêm firme, e a promessa sempre é quebrada pela vontade de quebrar a si mesma.
Saindo do corpo ela consegue ver tudo de cima, manipular a situação como quiser, como se não fosse ela lá. Mas ninguém pode bancar o deus por muito tempo sem ser atingido.
Ela foi atingida em cheio. Em lágrimas de chuva ela deita, em lamentos de solidão ela fica, e lá permanece. Aos poucos perdendo o fio de vida que lhe resta, de olhos abertos e expressão serena. Em uma mão, o coração, na outra, sua mente. Quando o tempo acabar, ela escolherá um dos dois. Os dois machucam, tem seus prós e contras.
Desfaleceu.
Aos poucos os olhos se fecham, os olhos derretem, a pele cai. E então ela sorri. Não esperava nada mais, nem nada menos de si."

domingo, 13 de dezembro de 2009

Shh!

Uma vez eu queria ganhar. Só queria ser diferente. Só queria sonhar e sentir de novo.
Esqueci do mundo, e fui por ele esquecida.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Você está bonita hoje...

"Inspiração vem da onde a gente menos espera, carinho brota nas horas mais inesperadas, e um pensamento triste pode ser afastado. Elas me ensinaram isso. Me fizeram aprender, e em cada dia acrescentaram coisas diferentes em mim. Tiraram o chato, substituiram pelo alegre. Eu só tenho mesmo é que agradecer, e que dizer que se eu sou feliz, é porque todo dia vocês me fizeram e me fazem feliz, vocês me põem pra cima, me fazem rir e esquecer o que me incomoda. Vocês são as melhores que poderiam ser , e sinto que despertam o meu melhor. Depois de tanto tempo, posso afirmar SIM que é amor. Vocês me entendem nos dias que eu estou incompreensível. Me aproximam nos dias que eu quero repelir todo mundo. Me respeitam quando é tudo o que preciso. E sempre, sempre mesmo, me fazem sorrir quando estão por perto, mesmo que eu queira chorar. E quando eu quero chorar, me abraçam antes que eu começe. Obrigada minhas guardiãs, sem vocês eu não seria nada, sem vocês eu não sentiria felicidade."

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Água.

Não entendo como sempre tenta se mostrar a verdade toda, mas nunca se consegue. Parece que a verdade muda constantemente, deixando para trás a antiga verdade, transformada em mentira pelo presente. Em palavras simples, as coisas mudam.
Andei despreocupada pois me foquei em algo, mas a angústia e a dor de ver minha imagem refletida no espelho não vão embora. A sensação de estar presa a qualquer coisa me irrita, quero fechar os olhos e sair de mim. Muitas vezes nem lembro o que acontece então.
A verdade é que ninguém sabe, mas eu quero muito falar, aquele motivo que é só meu, aquele motivo que me mata um pouquinho cada dia. Tem nome, endereço, data e hora. Mas agora que o motivo desapareceu o que me resta? A não ser a solidão e a ânsia por mais?
Beijar e não sentir os lábios. Tocar só por desespero, ansiedade das mãos, dor do corpo.
Lágrimas não vem quando eu chamo, elas vem quando são difíceis de explicar.
As coisas mudam, mas a minha maldita essência continua aqui, minha certeza reforçada pela rotina, meus motivos transformados em coisas vazias. Quem sabe assim, tudo não melhora? Quem sabe assim...
Meu quarto inundou.