domingo, 27 de julho de 2008
Girando.
"Girando, tudo girando de novo. Parecia uma roda da sorte, ela tinha apostado em um numero entre um milhão, quais eram as chances? Faltava pouco pra ela finalmente se libertar de uma das coisas que a trazia para baixo, que a afogava em todas as lágrimas que já havia derramado. Olhava pros lados e não via saida de modo algum, a unica saida era a mais desesperada, e não era a mais eficaz. Não queria ninguem vendo o que ela realmente sentia, e ao mesmo tempo gritava para que vissem. Viu que o que acontecera nao mudara nada, que tudo continuava igual e ia continuar por um bom tempo, pois estava sendo deixada pra trás e parando de sonhar de novo, mas a verdade era só uma, apenas uma: Queria estar em qualquer lugar que não fosse aquele, com qualquer pessoa capa de reconfortá-la, qualquer pessoa capaz de não ver malicia em seus gestos, uma pessoa que a entendia pelo menos um pouco.A música que continuava a tocar em sua cabeça era a pior que podia estar tocando, mas a mais linda que seus ouvidos já escutaram. Aquela musica fazia ela querer rasgar as roupas, quebrar os vasos, dar socos nos espelhos, gritar, gritar...Ninguém se sentia daquele jeito naquele momento, a mente dela havia esvaziado, e ela não conseguia pensar em uma saída, apenas aquela trágica que ela não queria. E seus pensamentos não eram normais, eram todos em outra lingua. Embaixo das cobertas ficou em formato de concha até aquela dor passar, até perceber que estava realmente sozinha, e aquela vontade de não acordar mais sumir, porque ela precisava fazer alguma coisa apesar de seus olhos estarem pesados como nunca antes. Parecia que TUDO queria que ela dormisse... dormisse pra não acordar mais. A cabeça começou a latejar de novo. Ela só estava adiando o que realmente tinha que fazer, mas não queria fazer. Não queria, mas não importava o quanto reclamasse, o quanto esperneasse, ia ter que fazer. Queria que algo acontessesse para poder se livrar das coisas que a irritavam e a assombravam. Se ela não se entendia, quem a entenderia? Era uma espécie de ciclo, em que a ficção era tão melhor que a realidade, em que ela ficava presa sem saber o que fazer, a não ser esperar passar. Ninguém ensinou a ela o que devia fazer, e o que ela fez? Levantou, se olhou no espelho de novo, abriu a janela e viu que era o dia mais feio da história dos dias. Precisava de um banho... precisava morrer. Desceu para o primeiro andar e foi ouvir música. Ah, como sua vida seria melhor se nenhuma daquelas coisas tivesse acontecido. Mas elas eram pra acontecer, então o universo daria um jeito para elas acontecerem. Ia ser assim pra sempre, só tinha que se acostumar. Abriu o armarinho do banheiro, escovou os dentes, desceu e parou ao pé da escada, subiu de novo, decidiu que naquele dia, não faria mais nada. Mas que dia era mesmo? Deitou novamente na cama olhando pra pilha de roupas no canto do quarto, quis gritar, sabia que era ela quem tinha que arrumar aquilo, olhou para o teto e ficou pensando, até decidir que olharia o filme da noite anterior de novo. Tudo para adiar o óbvio."
terça-feira, 22 de julho de 2008
Cavalos.
"Sentou-se, estava feliz por comprar o que queria, mas o problema era conseguir botar aquilo. Olhou pra frente e depois pra rua. Lá estava uma mulher mais velha, de cor, conversando com um homem que trabalhava em uma obra. Aparentemente eles eram amigos, e enquanto eles conversavam o filho da mulher pegava pedaços de papelão da obra e os organizava na carroça deles. O homem que estava na obra gritou que 'esse eu nao conhecia' e riu alto. Mas não era isso que chamava a sua atenção, que começou a irritá-la. Ela viu como estava o cavalo que puxava a carroça. Doentio. Era isso que pensava daquele tipo de coisa. Em algumas religiões cavalos são sagrados, mas a sua visão mostrava um cavalo sendo escravizado. Ele estava com o pelo mal cuidado, com a aparência horrivel, e carregava todo dia 3 ou 4 pessoas pela cidade, e ainda por cima alguns quilos de papelão. Ela pensava porque um cavalo deveria carregar aquilo? Ele simplesmente não tinha escolha, os homens fazem o que querem com quem quer que seja mais fraco que eles. Abusam da ilusão do seu poder, da ilusão de que são donos do mundo. Enquanto ficava irritada e observava a cena em camera lenta dos meninos jogando papelão na carroça e o cavalo piscando a cada papelão que caía bruscamente puxando seu corpo mais pra baixo, ela viu um homem passando com uma carroça cheia de papelão e riu. Ele mesmo estava puxando a sua carroça."
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Anjos.
"Ela riu de mais, riu tanto que sentiu sua barriga doer. Ainda gargalhando, olhou para o lado e viu quem estava do seu lado. Se chamou de burra, porque naquele instante viu o que era uma amizade verdadeira, aquelas pessoas que estavam lá, eram com quem ela podia contar sempre. Eram simplesmente seus anjos."
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Pesadelo.
"Estava saindo da escola, começou caminhar em qualquer direção e se encontrou em uma casa estranha, mas que já havia visto antes. Demorou um pouco mas viu seu pai saindo dela, cambaleando, bêbado. Lágrimas, ela chorou como se tivessem arrancado todos os seus órgãos, como se a pessoa que mais amava tivesse morrido, e ele repitia as mesmas palavras, dizendo coisas que ela nao entendia, enquanto ela perguntava 'PORQUE VOCE FEZ ISSO?' desesperada. Não sabia o que fazer, para ela, ele ia morrer.
Acordou assustada, quase chorando. Foi o pior pesadelo de toda a sua vida. Isso ficou em sua cabeça pelo resto do dia. A ultima pessoa que queria perder era ele, tentou desviar o pensamento.
Ele era sua base, seu forte, era tudo que ela mais amava. Talvez o sonho só mostrasse o passado e o quanto ela se preocupava com ele. Não queria que aquilo fosse verdade de novo, jamais."
Acordou assustada, quase chorando. Foi o pior pesadelo de toda a sua vida. Isso ficou em sua cabeça pelo resto do dia. A ultima pessoa que queria perder era ele, tentou desviar o pensamento.
Ele era sua base, seu forte, era tudo que ela mais amava. Talvez o sonho só mostrasse o passado e o quanto ela se preocupava com ele. Não queria que aquilo fosse verdade de novo, jamais."
segunda-feira, 14 de julho de 2008
O melhor que você já teve.
"Dor de cabeça. Uma enorme dor de cabeça. Mesmo assim ela acordou, e fez o que sempre fazia. Mas dessa vez era diferente, se sentia mais leve. Menos corroída. O dia passou e ela nem viu, o ano passou e ela nem viu.
-Você faz isso pra chamar atenção?
Oh, você faz?
-Eu te amo, e sempre , sempre vou estar aqui por ti ok?
-Ok, eu te amo também. Desculpa.
Não são coisas que a gente esquece...
-Vamos jogar futebol?
-NÃO! Eu nao jogo futebol!
É, mas 5 minutos depois estava jogando.
Não são coisas que a gente esquece... e sim, coisas que vão ficar guardadas pra sempre no mais importante lugar dos nossos corações, das nossas mentes. Ela sabia de tudo isso e de um pouco mais, ela sentia que aquilo era especial e que ela devia guardar cada segundo. Queria chorar de novo, mas desssa vez de alívio, porque a preocupação por maior que fosse, perdera no mínimo uns 50 kg, só faltava mais 50kg! Apesar de saber que a sua felicidade não era pra sempre, estava sabendo aproveitar ela enquanto durava.
Como naquele dia havia chegado com sono de mais em casa, não tivera tempo de pensar, de raciocinar sobre o que havia acontecido. Preferia assim, ter agido um pouco irracional, porque fechava os olhos e sorria. A quanto tempo não fazia isso? Céus, pareciam séculos! E o ano passava tão rápido, dando uma rasteira nela. O medo de ficar velha de mais, mesmo sendo ridículo, estava pairando sobre a sua cabeça. 'Olha o bob dylan, como será que é pra ele ver os videos e as fotos de quando ele era mais novo?'.
Tinha muito o que fazer ainda, e mesmo sabendo que nem tudo estava absolutamente bem, tinha arrumado motivos pra continuar de novo. Suas decisões ainda não haviam cicatrizado, a ferida estava exposta á tudo, e ela se expôs a todos, mas soube controlar. Mesmo não tendo controle nenhum sobre nada, mesmo não tendo auto-controle. Tudo que ela sabia era nada, o que ela não sabia era tudo assim como o que ela queria mas não sabia, o que ela sonhava mas não tinha prestado atenção. Assim como o retrato estava no baú de prata, no de ouro, como o casal extraterrestre era misto. Nem ela entendia mais os próprios pensamentos. E você acha que ela desistiu de pensar?
Aquele desejo de ter o passado de volta, veio, e veio com força, aquelas lagrimas valeram a pena, pois depois veio o abraço do qual ela precisava e tinha vergonha de pedir. Não, ela não pararia de pensar, porque pensando ela formulava opinião, mesmo não expresando-a na hora, sempre chegava a hora, e ela via que a espera valera a pena. Pensar a fazia bem."
-Você faz isso pra chamar atenção?
Oh, você faz?
-Eu te amo, e sempre , sempre vou estar aqui por ti ok?
-Ok, eu te amo também. Desculpa.
Não são coisas que a gente esquece...
-Vamos jogar futebol?
-NÃO! Eu nao jogo futebol!
É, mas 5 minutos depois estava jogando.
Não são coisas que a gente esquece... e sim, coisas que vão ficar guardadas pra sempre no mais importante lugar dos nossos corações, das nossas mentes. Ela sabia de tudo isso e de um pouco mais, ela sentia que aquilo era especial e que ela devia guardar cada segundo. Queria chorar de novo, mas desssa vez de alívio, porque a preocupação por maior que fosse, perdera no mínimo uns 50 kg, só faltava mais 50kg! Apesar de saber que a sua felicidade não era pra sempre, estava sabendo aproveitar ela enquanto durava.
Como naquele dia havia chegado com sono de mais em casa, não tivera tempo de pensar, de raciocinar sobre o que havia acontecido. Preferia assim, ter agido um pouco irracional, porque fechava os olhos e sorria. A quanto tempo não fazia isso? Céus, pareciam séculos! E o ano passava tão rápido, dando uma rasteira nela. O medo de ficar velha de mais, mesmo sendo ridículo, estava pairando sobre a sua cabeça. 'Olha o bob dylan, como será que é pra ele ver os videos e as fotos de quando ele era mais novo?'.
Tinha muito o que fazer ainda, e mesmo sabendo que nem tudo estava absolutamente bem, tinha arrumado motivos pra continuar de novo. Suas decisões ainda não haviam cicatrizado, a ferida estava exposta á tudo, e ela se expôs a todos, mas soube controlar. Mesmo não tendo controle nenhum sobre nada, mesmo não tendo auto-controle. Tudo que ela sabia era nada, o que ela não sabia era tudo assim como o que ela queria mas não sabia, o que ela sonhava mas não tinha prestado atenção. Assim como o retrato estava no baú de prata, no de ouro, como o casal extraterrestre era misto. Nem ela entendia mais os próprios pensamentos. E você acha que ela desistiu de pensar?
Aquele desejo de ter o passado de volta, veio, e veio com força, aquelas lagrimas valeram a pena, pois depois veio o abraço do qual ela precisava e tinha vergonha de pedir. Não, ela não pararia de pensar, porque pensando ela formulava opinião, mesmo não expresando-a na hora, sempre chegava a hora, e ela via que a espera valera a pena. Pensar a fazia bem."
domingo, 13 de julho de 2008
Almoço.
"Estava pensando, olhando para o seu prato. Estava cansada, deu mais uma garfada. Sabia que o dia anterior fora uma espécie de sinal, sabia que aquilo não foi por acaso. A fez bem, mesmo não tendo durado muito. Almoço de família hoje não parecia tão ruim. Se não fosse a família de seu pai...
-Você vai querer esse frango?
-Não, ela tem ainda no prato dela.
Ela olhou pra ele e cruzou os braços.
-Eu tenho minha própria boca sabia?
Ele sabia que o que mais a irritava era ele respondendo coisas por ela. Ainda mais na frente dos outros. Por isso que não gostava de almoçar lá, ele sempre arrumava um jeito de mostrar que mandava na frente dos pais dele.
-Não, obrigada vó, eu tenho ainda.
Continuaram o almoço, mesmo ela ficando realmente brava, tentava acreditar que ele não fazia por mal, ele só queria provar mais e mais, que era bom o suficiente. Uau.
-Vai querer ovo?
-Não, ela não vai.
Ela se virou pra ele e deu um tapa em sua barriga. Ele a olhou e entendeu, baixando a cabeça. Ela o entendia, ela sabia o porque das manias dele. Incrivel como conseguia conseguir entender a cabeça dos outros.
Terminaram o almoço, ela olhou para o sol lá fora, parecia atrativo. Quando percebeu estava deitada nas pedras, voltou e pegou um colchão porque aparentemente, segundo sua avó podia ficar com cancer nos ovários, rins, e esses órgãos das costas. Deitou, sentindo o sol, cada raio em sua pele, amava aquilo porque conseguia pensar assim, só ouvia os barulhos ao redor, e ouvia de longe seu pai tentando mostrar o quanto era bom para os pais dele. Ele nao tinha culpa, todos buscam a aprovação dos pais, nem que seja em uma ÚNICA coisa. Ela mesma buscava, mesmo não dando muita bola pra isso. Ficou imaginando galinhas, não sabia porque. Viu que as coisas estavam tornando ao seu curso natural, mas era diferente, ela nao estava acostumada com isso, afinal, faziam anos... anos.
Imagens estranhas começaram a se formular em sua mente, sentiu seu subconciente tomar conta da sua cabeça, era a parte que mais gostava de dormir, quando sua mente viajava por si própria.
Quando acordou, nem percebeu que havia dormido uma hora, viu um mosquito morto no seu braço e se perguntou se havia o matado sem querer. Droga. Olhou pra tras e viu seu pai saindo da casa dos avós. Como as coisas haviam mudado em questão de pouco tempo. Talvez fosse só por pouco tempo mesmo. Mas aqueles momentos de felicidade eram tão bons que podiam durar pelos próximos meses. Estava feliz.
-Querida, quer sobremesa?
-Não ela não quer."
-Você vai querer esse frango?
-Não, ela tem ainda no prato dela.
Ela olhou pra ele e cruzou os braços.
-Eu tenho minha própria boca sabia?
Ele sabia que o que mais a irritava era ele respondendo coisas por ela. Ainda mais na frente dos outros. Por isso que não gostava de almoçar lá, ele sempre arrumava um jeito de mostrar que mandava na frente dos pais dele.
-Não, obrigada vó, eu tenho ainda.
Continuaram o almoço, mesmo ela ficando realmente brava, tentava acreditar que ele não fazia por mal, ele só queria provar mais e mais, que era bom o suficiente. Uau.
-Vai querer ovo?
-Não, ela não vai.
Ela se virou pra ele e deu um tapa em sua barriga. Ele a olhou e entendeu, baixando a cabeça. Ela o entendia, ela sabia o porque das manias dele. Incrivel como conseguia conseguir entender a cabeça dos outros.
Terminaram o almoço, ela olhou para o sol lá fora, parecia atrativo. Quando percebeu estava deitada nas pedras, voltou e pegou um colchão porque aparentemente, segundo sua avó podia ficar com cancer nos ovários, rins, e esses órgãos das costas. Deitou, sentindo o sol, cada raio em sua pele, amava aquilo porque conseguia pensar assim, só ouvia os barulhos ao redor, e ouvia de longe seu pai tentando mostrar o quanto era bom para os pais dele. Ele nao tinha culpa, todos buscam a aprovação dos pais, nem que seja em uma ÚNICA coisa. Ela mesma buscava, mesmo não dando muita bola pra isso. Ficou imaginando galinhas, não sabia porque. Viu que as coisas estavam tornando ao seu curso natural, mas era diferente, ela nao estava acostumada com isso, afinal, faziam anos... anos.
Imagens estranhas começaram a se formular em sua mente, sentiu seu subconciente tomar conta da sua cabeça, era a parte que mais gostava de dormir, quando sua mente viajava por si própria.
Quando acordou, nem percebeu que havia dormido uma hora, viu um mosquito morto no seu braço e se perguntou se havia o matado sem querer. Droga. Olhou pra tras e viu seu pai saindo da casa dos avós. Como as coisas haviam mudado em questão de pouco tempo. Talvez fosse só por pouco tempo mesmo. Mas aqueles momentos de felicidade eram tão bons que podiam durar pelos próximos meses. Estava feliz.
-Querida, quer sobremesa?
-Não ela não quer."
sábado, 12 de julho de 2008
Amor?
"-Ele é o típico cidadão brasileiro, acredita em tudo que passa na televisão, ama futebol, e tá sempre apostando na mega sena"
-Pois é, e como eu fui me apaixonar por ele?
-... não sei...
Ela coçou a cabeça com a pergunta da mãe, entraram na livraria.
-Ele parecia atraente na época, diferente...
-Ele era diferente?
-Não...
As duas se olharam. Ela podia ver que por trás daquelas palavras que sua mãe dizia tinha amor, mas medo também. Se ela, sua mãe, não ficasse com ele, seu padrasto, com quem ficaria? Eles aprenderam a se suportar, ela aprendeu a sofrer em silêncio, ele se desligou do mundo inteiro, olhando televisão e novelas, e absorvendo tudo de lá, aplicando o que via em sua própria vida, afastando ás duas, mãe e filha.
Mas vamos voltar á mãe e filha. A filha ama a mãe, odeia a mãe, despreza a mãe, idolatra a mãe... é inexplicável. Ela vê a dor no rosto da própria mãe, do seu próprio futuro.
-Eu nunca me apaixonaria por um cara assim...
-Mas filha...
-Eu sei, ele é uma boa pessoa. Eu nao desgosto dele.
E isso ficou em sua cabeça por um bom tempo. Começou a perceber como a companhia da mãe era boa, e como a deixava com vontade de não fazer mais nada além daquilo, além de ficar lá falando. O amor da mãe por aquele homem era algo inexplicável, mas o que os unia era a certeza de que queriam passar os restos de suas vidas juntos. Não era necessáriamente amor, isso se chama companherismo.
A cabeça dela girou, e parou como sempre em si mesma. De que modo isso a afetaria? Não queria mais pensar nisso, queria aproveitar o momento, queria gritar. Coçou a cabeça de novo.
Em casa tudo é diferente, naquela casa era. O nó na garganta havia voltado simplesmente por estar lá, se perguntou se a escolha que havia tomado era certa, se devia mesmo ter ido embora. A resposta relutante que veio do fundo de sua mente foi 'sim, voce fez isso por um motivo maior'. Fechou os olhos e continuou o teatro. E cada cena daquele filme que elas olhavam juntas, ela absorvia totalmente. Tudo ao seu redor indicava que devia mudar, que devia querer mudar. Ela estava em pânico, continuava sem saber como. As limitações do ator principal nao o impediram de fazer o que amava. O que ela amava?! Não sabia, queria saber, mas se ela nao soubesse, quem iria lhe dizer? Nenhum livro, nenhuma música, nenhum perfume, nenhum filme, nenhuma foto, nenhuma flor. Ela achava que conhecia tudo, mas quando na verdade, não conhecia nem a si mesma, nem a ponto de saber o que realmente amava. "Eu não sei tudo, eu tenho que parar de agir como se soubesse". E assim, se apaixonou pelas imagens que via, observou bem os formatos, sentiu o gosto como nunca antes, ouviu os sons como jamais ouvira. Não sabia o que amava ainda, não sabia o que queria, mas começou a perceber um pouco mais das coisas, começou a tentar descobrir mais sobre si mesma, mesmo quando o ácido voltava a corroe-la, levantava-se e fazia uma das coisas que ela tinha CERTEZA que amava: Ouvir música e fechar os olhos, imaginando coisas inimagináveis."
-Pois é, e como eu fui me apaixonar por ele?
-... não sei...
Ela coçou a cabeça com a pergunta da mãe, entraram na livraria.
-Ele parecia atraente na época, diferente...
-Ele era diferente?
-Não...
As duas se olharam. Ela podia ver que por trás daquelas palavras que sua mãe dizia tinha amor, mas medo também. Se ela, sua mãe, não ficasse com ele, seu padrasto, com quem ficaria? Eles aprenderam a se suportar, ela aprendeu a sofrer em silêncio, ele se desligou do mundo inteiro, olhando televisão e novelas, e absorvendo tudo de lá, aplicando o que via em sua própria vida, afastando ás duas, mãe e filha.
Mas vamos voltar á mãe e filha. A filha ama a mãe, odeia a mãe, despreza a mãe, idolatra a mãe... é inexplicável. Ela vê a dor no rosto da própria mãe, do seu próprio futuro.
-Eu nunca me apaixonaria por um cara assim...
-Mas filha...
-Eu sei, ele é uma boa pessoa. Eu nao desgosto dele.
E isso ficou em sua cabeça por um bom tempo. Começou a perceber como a companhia da mãe era boa, e como a deixava com vontade de não fazer mais nada além daquilo, além de ficar lá falando. O amor da mãe por aquele homem era algo inexplicável, mas o que os unia era a certeza de que queriam passar os restos de suas vidas juntos. Não era necessáriamente amor, isso se chama companherismo.
A cabeça dela girou, e parou como sempre em si mesma. De que modo isso a afetaria? Não queria mais pensar nisso, queria aproveitar o momento, queria gritar. Coçou a cabeça de novo.
Em casa tudo é diferente, naquela casa era. O nó na garganta havia voltado simplesmente por estar lá, se perguntou se a escolha que havia tomado era certa, se devia mesmo ter ido embora. A resposta relutante que veio do fundo de sua mente foi 'sim, voce fez isso por um motivo maior'. Fechou os olhos e continuou o teatro. E cada cena daquele filme que elas olhavam juntas, ela absorvia totalmente. Tudo ao seu redor indicava que devia mudar, que devia querer mudar. Ela estava em pânico, continuava sem saber como. As limitações do ator principal nao o impediram de fazer o que amava. O que ela amava?! Não sabia, queria saber, mas se ela nao soubesse, quem iria lhe dizer? Nenhum livro, nenhuma música, nenhum perfume, nenhum filme, nenhuma foto, nenhuma flor. Ela achava que conhecia tudo, mas quando na verdade, não conhecia nem a si mesma, nem a ponto de saber o que realmente amava. "Eu não sei tudo, eu tenho que parar de agir como se soubesse". E assim, se apaixonou pelas imagens que via, observou bem os formatos, sentiu o gosto como nunca antes, ouviu os sons como jamais ouvira. Não sabia o que amava ainda, não sabia o que queria, mas começou a perceber um pouco mais das coisas, começou a tentar descobrir mais sobre si mesma, mesmo quando o ácido voltava a corroe-la, levantava-se e fazia uma das coisas que ela tinha CERTEZA que amava: Ouvir música e fechar os olhos, imaginando coisas inimagináveis."
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Monstro.
Parou um minuto, e olhou para as próprias mãos. "O que eu estou fazendo?". Aquilo continuava a consumindo como um câncer, um tumor se alastrando. Esfregou os olhos mais uma vez, queria que as lágrimas viessem, mas elas não vinham, não sabia como fazê-las virem, mesmo naquele mesmo dia recebendo uma das noticias mais dolorosas que já havia recebido. "Bobagem, é só mais uma coisinha". Mas mesmo sendo mais uma 'coisinha' ela queria chorar, ver se o tumor diminuía, mas começou a perguntar o que havia de errado, porque as lágrimas continuavam presas, o ácido continuava corroendo. Não era assim antes, antes bastava uma palavra mal intencionada, uma decepção simples, uma briga boba. Cansou de definhar e levantou, foi se olhar no espelho. Então foi aí que chorou, sentiu as lágrimas queimarem seus olhos, descerem pelas suas bochechas até seu queixo e maxilar. Viu seus olhos ficarem de uma cor diferente e parou, segurou o choro. Percebeu que aquilo que a corroia, aquilo que a matava aos poucos, era ninguem menos do que ela mesma. Ela mesma havia destruído seus sonhos, seus porquês, tudo o que ela odiava naquele momento em que se olhava no espelho, estava concentrado em apenas uma coisa: em si mesma. Ela se odiava, ela queria sair do próprio corpo, arrancar sua pele, deixar o ácido corroer tudo por dentro até as coisas se tornarem impossiveis de funcionar para mantê-la. Ela desejava nao viver mais. Mas ela nao sabia o que queria, porque o que a possuía era nada menos do que a raiva, a dor e a surpresa, por descobrir a pessoa que mais queria longe de si. Não podia fugir de si mesma. Então viu que teria que mudar, teria que correr atras da sua paz de espírito. Mas as vezes é dificil quando a gente não faz idéia do como. Não aguentou se olhar no espelho por muito tempo, simplesmente se virou e segurou as lágrimas pelo resto do dia. Mais um dia. "Por favor, eu quero chorar, por favor". O nó na garganta foi aumentando, a dor fez sua cabeça girar, quando se deu conta estava perdendo o juízo pela terceira vez.
mazzyxx
mazzyxx
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Àcido.
Começou pelo seu coração, tirando tudo dele, deixando-o mais fraco e vunerável, tirou os motivos do mesmo para bater, fez ele derreter e ela não o encontrar mais, por mais que segurasse tudo em suas mãos com força, as coisas sempre acabavam esvaindo por entre seus dedos, por mais que ela chorasse, gritasse, era o passado que se passava pelas frestas de suas feridas palmas, era a vida que lhe foi tirada e que ela queria de volta, era o que ela havia sentido e vivido e ela queria de volta, era do que ela reclamava, mas queria. As palmas das mãos suavam, as lágrimas escorriam como ácido, doendo, ardendo, corroendo. Era necessário tirar tudo aquilo de dentro, largar tudo pro mundo, ia enlouquecer se mantesse aquilo dentro de si, e era melhor aquele ácido em forma de lágrimas, do que em forma de loucura. E o pior de tudo, é que depois do seu coração, consumiu também a sua mente, seus pensamentos, sua alma. Ela estava fraca, rastejando e implorando por razão, implorando por felicidade. Mas aos poucos ela ia se desintoxicando, e ela sentia que faltava pouco pra tudo aquilo acabar, e simplesmente nao importava o como, mas sim o quando, o quanto mais ela teria que aguentar, sorrindo sem querer sorrir, falando sem querer falar, fingindo que nada está sangrando por dentro, quando ela sente todos seus órgãos falecerem aos poucos. Ela estava começando a procurar desesperadamente por algo que a conectasse de volta, que a prendesse no mundo, não queria desistir por nada, mas aquela doença consumia aos poucos o seu cérebro, o seu coração já falecido, sua alma já cansada de tão pouco. O que a consome tanto? Ela vai perecer?
mazzyxx
mazzyxx
domingo, 6 de julho de 2008
Espelho.
o que você vê quando se olha no espelho?
você nao se intriga, pra saber se o mundo que o espelho reflete é melhor do que o em que você está? o espelho é uma das coisas que mais nos atrae, ele nos mostra o nosso reflexo. mas é apenas por fora. tem gente que nao consegue ficar menos que 10 minutos se olhando no espelho, mas pode ser por motivos diferentes, tanto pra ver o quão bonitas sao, pra se apreciar, quanto pra tentar ver o que realmente é. eu me olho no espelho muito, pra tentar encontrar lá nem que seja uma pontinha de quem eu realmente sou, mas mais do que tudo eu tento desesperadamente achar algo bonito em mim, algo que me prenda ao mundo dos outros, que me faça ser acieta fácilmente. Porque? Essa é a natureza do ser humano? Procurar a perfeição para agradar os outros? Padrões de beleza são inúteis, eles mudam o tempo todo, a moda é inútil, ela oscila o tempo todo. O que realmente queremos, quem queremos impressionar, será que tudo isso é por amor mesmo? amor a quem? á nós mesmos ou aos outros? ou é medo de nao ser aceito? O QUE REALMENTE QUEREMOS?! Nao me excluo desse grupo, nao sou melhor nem pior que NINGUEM aqui, mas acho que devíamos rever nossos valores e olhar em volta, parar de nos admirarmos no espelho, e de tentar saber como é o mundo do reflexo, que parece melhor que o nosso na maioria das vezes. o mundo do reflexo é aquele que nao tem sentimentos, nao tem sentidos, é uma cópia da aparencia, do sorriso, mas nao do que a gente sente quando sorri, ou o que a gente pensa. o reflexo é a mentira, é como os outros nos veem, eles veem apenas o que aparenta, nao o que realmente é. Voces querem viver pra sempre como reflexos? Querem ser vistos sempre como reflexos?
você nao se intriga, pra saber se o mundo que o espelho reflete é melhor do que o em que você está? o espelho é uma das coisas que mais nos atrae, ele nos mostra o nosso reflexo. mas é apenas por fora. tem gente que nao consegue ficar menos que 10 minutos se olhando no espelho, mas pode ser por motivos diferentes, tanto pra ver o quão bonitas sao, pra se apreciar, quanto pra tentar ver o que realmente é. eu me olho no espelho muito, pra tentar encontrar lá nem que seja uma pontinha de quem eu realmente sou, mas mais do que tudo eu tento desesperadamente achar algo bonito em mim, algo que me prenda ao mundo dos outros, que me faça ser acieta fácilmente. Porque? Essa é a natureza do ser humano? Procurar a perfeição para agradar os outros? Padrões de beleza são inúteis, eles mudam o tempo todo, a moda é inútil, ela oscila o tempo todo. O que realmente queremos, quem queremos impressionar, será que tudo isso é por amor mesmo? amor a quem? á nós mesmos ou aos outros? ou é medo de nao ser aceito? O QUE REALMENTE QUEREMOS?! Nao me excluo desse grupo, nao sou melhor nem pior que NINGUEM aqui, mas acho que devíamos rever nossos valores e olhar em volta, parar de nos admirarmos no espelho, e de tentar saber como é o mundo do reflexo, que parece melhor que o nosso na maioria das vezes. o mundo do reflexo é aquele que nao tem sentimentos, nao tem sentidos, é uma cópia da aparencia, do sorriso, mas nao do que a gente sente quando sorri, ou o que a gente pensa. o reflexo é a mentira, é como os outros nos veem, eles veem apenas o que aparenta, nao o que realmente é. Voces querem viver pra sempre como reflexos? Querem ser vistos sempre como reflexos?
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