quinta-feira, 30 de julho de 2009

Carta.

" 'Lembra de quando pensar em ti machucava? Não machuca mais, querido, estou melhor, você não fica feliz por mim? Gostaria que perdoasse todas as minhas bobeiras, geralmente estou fora de mim quando as faço, você sabe, eu sou uma besta! Mas meu querido, meu amigo, estou muito feliz por você não se tornar uma lembrança dolorosa! Agora sei que quando te ver, posso sorrir, e não mais chorar depois. Isso não te deixa feliz? E sim, ainda gosto de você como sempre disse que gostava, só acho que eu amadureci e que esse sentimento se tornou mais maduro, sabe? E eu queria saber como você está, o que anda fazendo, como está sua saúde física e mental, haha! Realmente queria querido, realmente queria. Eu to esperando, de qualquer maneira, simplesmente esperando. Com todo o meu carinho... Giovanna.'
Essa foi a última carta que ela trocou comigo, á dois anos atrás. Eu ainda a leio, e nunca tive coragem de respondê-la, mas o que eu queria mesmo dizer, minha Giovanna, é que fico na esperança de que você continue me esperando, pois sei que alguma hora irei até você, e lamento por depois dessa carta não termos nos visto mais, queria lhe proporcionar sorrisos novamente. Eu lembro de tudo, Giovanna, e não acabou minha querida. Espere por mim, preciso disto. Eu te amo"

terça-feira, 28 de julho de 2009

Apartamento

"Os dois estavam deitados, em silêncio. Cabeças lado a lado, corações na mão. Enquanto ele observava o apartamento vazio, ela o observava. Ela sempre o observava em silêncio, pensando no que ele poderia estar pensando, o que ele poderia estar imaginando. Não conseguia saber se ele pensava tantas besteiras quanto ela, se ele tinha tanto medo quanto ela. Jenn morria de medo de perdê-lo de novo. Com esse pensamento ela virou para a parede, e olhou pela janela.
- Jenn?
Se virou séria para Joe. Tinha esquecido de como o olhar dele podia derrete-la.
- Sim Joe?
Ele riu e aproximou o rosto do dela.
- Já te disse que você fica bem melhor sorrindo?
Jenn abriu um sorriso gigante, ela e Joe riram. Eram momentos como esses que amedontravam a menina, porque neles parecia que nada podia tirar a alegria dela, que nada podia estragar aquilo que eles tinham. Queria muito acreditar que isso era verdade.
- Já Joe, você sempre diz.
E com um beijo no nariz dele, eles seguraram as mãos e ficaram mais um pouco, no apartamento sem móveis, só olhando, um do lado do outro, cada um com seus próprios pensamentos confusos. Juntos. Sim, juntos."

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Ali.

Ali. Tá ali tudo o que ela quer ser, ver, ouvir, sentir, tudo tudo tudo. Ela daria tudo pra saber, como seria a vida sem as escolhas que tomou, sem as ridiculas depressões e discussões, sem que ela tivesse que puxar sua alma pra que ela acompanhasse seu corpo... Era aquela parte ali. Bem ali.

domingo, 26 de julho de 2009

Nojo

"Ela estava de volta, ria alto, falava alto, cantava, gritava, pulava, sorria... mas com uma tremenda vontade de sair correndo e chorar. Não entendia o que estava vendo e ouvindo, não queria entender. Mas a escuridão se apossou dela, tiraram o sorriso dela, então com um abraço e um ato estúpido, ela o pegou de volta, para disfarçar os pedaços que haviam caído. Não queria disfarçar, só queria ir embora, pra bem longe daquilo ali, não estava na hora ainda, e ela estava estúpida, sabia que algo de errado ia dar, sempre dá...
Deu uma opinião, ficou com vontade de chorar, viu que podia ter morrido. Mas deu um sorriso verdadeiro antes de... Antes de...
Triste, fez sua alma rastejar atrás de seu corpo até sua caverna, olhou aquilo e bagunçou tudo, jogou as coisas no chão, e por mais incrível que pareça fez tudo silenciosamente, só na sua cabeça. Caiu num poço fundo, seu estômago arrancado, nas mãos do passado que o revirava constantemente. Em um ato de pura estúpidez, então uma série de palavras estúpidas se sucedeu.
Sonhou de novo, com coisas que não queria lembrar, então quando acordou esqueceu tudo o que havia sonhado. Não lembrava. Mas não se moveu, queria ficar na cama, criar raízes lá. Novamente suas lembranças estavam esparramadas pelo quarto, assim como suas roupas, sua máscara. Apertou os dentes, botou as mãos no rosto, queria conforto mas não sabia onde achar. Queria chorar... chamava as lágrimas, porém elas não vinham. Estava desanimada, preocupada, se odiando, não suportava a idéia de ver a própria imagem novamente, queria morrer.
Não tinha nada como o olhar dele pra acabar com ela. E com risadas ela disfarça por quanto tempo der, e a dor faz parte dela de novo. E tudo lembra o passado, tudo a puxa de volta, quando ela tenta ele volta. Não estava pronta ainda.
Tinha nojo de si mesma por tudo. Se sentia suja. A pior sensação do mundo de novo. Suas lembranças, território perigoso. Ela se tortura, ela acha que merece."

sábado, 25 de julho de 2009

Junto

Desde que eu me lembre, era assim. Eu me aninhando de qualquer jeito no corpão grande do papai. Sempre fui pequeninha, e ele sempre grandão, e os braços dele sempre foram onde eu encontrei conforto sem precisar dizer nada. Eu e ele somos desajeitados para nos expressarmos, mas o nosso abraço... é o melhor lugar. Desde que eu me lembre, tive junto dele. Apesar das ausências constantes, de não lembrar minha idade, e de algumas vezes me desapontar, papai sempre teve na minha mente como o melhor do munto. Um perfeito anti-herói. Meu, só meu anti-herói. Ele nunca foi de nenhuma de suas namoradas, de suas tias, talvez tenha sido um pouquinho de sua mãe e de minha mãe, mas definitivamente, é meu também. Coisas que fiz, fiz por ele, coisas que fiz pra magoar, fiz pra ele também. Poemas que escrevi foram pra ele, sonhos que tive, com ele, desenhos que ele guardou... foram pra mim.
Eu to junto com ele, desde que ele me pegou nos braços depois de eu nascer. To junto com ele pra sempre, a vida nos tira as coisas que ela pode, mas um laço assim ela não pode tirar. Papai foi meu exemplo pra vida, sempre me ensinou, tentou me ensinar, tudo que sabia, diz ele que muitas vezes eu ensino coisas para ele... Oh papai, você é um bobão mesmo.
Obrigada, pai. Obrigada por finalmente estar realmente aqui.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ah não...

Hoje sonhei com você. Foi tão irreal, no sonho eu tive tudo o que eu não tenho fazem meses... Já sonhei com você antes, e os sonhos eram semelhantes a esse último, nos outros voce fazia uma brincadeira, fingia que bão gostava de mim pra depois me abraçar e dizer que gostava sim. Tive esse tipo de sonho quatro vezes, até você falar que gostava de mim... Pensei de que algum modo meus sonhos estavam me avisando de algo.
Esse último sonho não foi muito diferente. Eu estava sentada, você me puxou pelas costas pra eu me levantar, e me deu um beijo. Diferentemente dos outros sonhos, eu te afastei e falei 'não', mas quando te olhei... eu só disse 'que bobagem, claro que sim', e te puxei de volta, mas dessa vez foi você quem me afastou, e sussurrou no meu ouvido...
'É só pra você não esquecer que...', só seus lábios se moveram. E você disse sorrindo, e bem devagar 'Eu te amo'. Eu sei que você não me ama, mas acho que esse sonho quer dizer algo, sabe? Ou... Ah não.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Bloqueio.

Tem algo... me impedindo. Me impedindo de me sentir feliz de verdade. Eu não sei dizer o que é, se soubesse eu com certeza acabaria com isso, não é algo que você gosta de manter, não é mesmo? Mas eu não sei, de verdade. Quando eu sorrio de verdade, vejo algo que me faz muito feliz, que me faz esquecer os problemas bobos de uma adolecente, sinto um balde de gel gelado escorrendo pelos meus órgãos. Não chega a ser água, é mais viscoso... sabe? Não é rápido como a água, é lento, passa bem devagar pelo meu corpo a sensação de que eu não tenho autorização de sorrir, nem de ser feliz, nem de esquecer.
Apesar de ouvir brigas e choros constantes, apesar de pessoas pra quem eu nunca fiz mal algum insistirem em botarem outros que eu amo muito contra mim, apesar de eu seguir sem motivação alguns dias, de eu ser uma idiota sem razão alguma, de pensar que logo eu to indo ver minha vó... confesso, que tem alguns dias que eu ainda tenho esperança. Meus motivos pra não jogar tudo pra cima são tantos, e eu nunca admitiria isso em voz alta. (...)

domingo, 19 de julho de 2009

Entendo?

Acho que deve ser divertido ignorar a minha existência, as pessoas adoram fazer isso. Fazem tanto que estou quase largando tudo que tenho pra voltar ao que eu era.
Mas minhas lembranças ainda permanecem, intactas, cuidei para ficar com aquelas que me fazem sorrir, que me fazem feliz e todas as outras eu joguei fora. Agora eu só penso que o que tiver que acontecer, vai acontecer. Como em Fevereiro. Se isolar uma semana daquela vez foi útil pra mim, me mostrou o que antes eu sabia mas não entendia. Apesar das lágrimas vazias, eu via quem realmente tava do meu lado. Eu escrevia exatamente o que se passava na minha cabeça nas páginas do passado, percebendo como as coisas mudam depressa, como a gente cresce... nós mudamos. 20 páginas frente e verso de soidão, 9 meses de confusão, dois anos de coração quebrado. Leio minhas páginas de vocês... foi tão rápido.
Por mais simples que tenha sido, mesmo que nada tenha acontecido, o dia 29/03/2009 me trás boas lembranças. Era a sensação, sabe? Era sorrir sem pensar, dormir tranquila, abraçar e fechar os olhos, beijar e respirar fundo. Era o que fazia meus dias menos piores. Eu suspirava, e estava me acostumando ás coisas, ao formato daquele novo modo.
Porque, me diz, porque a gente tá assim agora? Porque todo mundo tá assim agora?
É só triste...

sábado, 18 de julho de 2009

Custo.

Tudo tem seu preço.
As coisas que você faz pra alguém, com certeza voltam pra você.
Machucada, aqui, me encontro. Não deitada, nem com sangue escorrendo. Só machucada, com feridas abertas. Elas não sangram, eu já passei por essa 'fase'. Fases...
E continuo sentada no chão, com os olhos vazios, sem vontade, sendo por ser, fazendo por fazer, sem prestar atenção em volta.
O que tem em volta? Só borrões, o tempo passa algumas vezes tão lento, e ás vezes tão rápido. Nunca presto atenção quando muda, quando vi já está diferente.
Ando tomando sustos seguidamente, o que me faz perceber o quão concentrada nos meus pensamentos estou... que pensamentos? Tô oca.
Pra mim já deu de sair machucada, me abandonei. De volta aos cigarros, aos vicios.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Mão.

Uma mãozinha, ás vezes a gente precisa de uma né não?
Pra perceber meu real estado de espírito, eu tive que sobreviver o dia de hoje. Percebi que queria rir e me divertir, vi que eu queria... eu queria. Mas não deu. Algo simplesmente me barrou, me prendeu ali atrás, enquanto todos riam e se divertiam lá na frente. E eu não tava pensando em absolutamente nada. Nada. Ali eu vi, o quão chata eu sou, o quão chata eu tô. Como eu envelheci nos últimos meses... como eu perdi algumas coisas, fui largando e esqueci onde.
E agora, meu amigo, o que você me diz? Esse mundo já é ruim, e nós insistimos em fazer ele ainda pior! E apesar de tudo, no final, só precisamos de uma mãozinha. Mas não acho que seja possivel alguém estender a mão sem perceber que tem algo errado. Mas se alguém te estende a mão sem saber as dificuldades, as coisinhas chatinhas que você anda passando, você deve aceitar, sem ser seletivo. Estou certa?
Aiai, tanto pra se pensar, pra se resolver...
Agora, imagino que você me conhece mais do que as pessoas que passam horas comigo. Até mais do que minha mãe. Você tá me lendo aqui, sou eu em palavras. O que é horrivel, pois uma amiga me disse que ela se deparou com tristeza ao ler as coisas aqui...
Não sei o que dizer mais, só sei que preciso seguir esse ciclo... me lembro de quando correr me fazia bem.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Segredo

Tenho um segredo. Toda vez que eu ando de carro, eu desejo secretamente que outro carro bata no em que eu estou. E me dá muita raiva quando nenhum bate.
Mas hoje um carro bateu na traseira do meu. Eu fiquei desapontada por ter dado um estouro tão alto, e não ter acontecido nada comigo. E nem com o carro. O carro ficou inteirinho, e eu também. Fiquei desapontada mesmo.
Talvez tenha sido um aviso, de que meus pensamentos negativos podem fazer coisas bem ruins se eu ficar repetindo eles na minha cabeça. Dae agora, vou voltar á aquela fase de pensar que vai ficar tudo bem, porque eu tenho uma cota de negatividade, quando essa cota é alcançada, eu começo a positividade, dae quando as coisas começam a ficar boas, eu puxo pro realismo, e logo volto a ser negativa.
O ruim desses pensamentos negativos, é que eles tem um poder ENORME, mas tipo, eu não vivo sem eles. Agora tenho que dar um jeito de não pensar de novo... É sempre desse modo, as coisas adoram se juntar, ficarem ruins ao mesmo tempo, tudo tudo. E eu sempre causo essas coisas, sempre eu mesma arrancando meus pedaços e jogando eles no chão, pisando em cima. Não sei como eu ainda tenho coisas pra arrancar. Eu queria não sentir, queria não gostar... esse é meu segredo. Eu não quero nada disso daqui.
Nós, pessoas como eu você, aceitamos as coisas boas, esperando as pancadas, as coisas pra machucar logo em seguida, não queremos ser pegos de surpresa, não é mesmo? Mas de qualquer modo, estando preparados pra cena seguinte, sempre ficamos tristes.
Sempre chega nesse ponto. Mas chega, acho que vou... não tem o que fazer. Odeio isso, mas vou ter que esperar o tempo passar. E ás vezes ele passa voando, mas tem vezes que...
Desejo muitas vezes fala mais alto. Cuidado, nem todo desejo faz bem.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Já.

Uma coisa estranha tem acontecido comigo ultimamente. Tenho acordado no meio da noite, sentindo dor, pois ou estou mordendo minha lingua, ou meu dedo, ou minha boca... algo assim. Apertando com força, eu só fico consciente a ponto de parar de morder e voltar a dormir. Começou á cerca de duas semanas. Engraçado né? Tudo indica, aponta, pras coisas que vêm acontecendo.
Essa noite acordei assim, mordendo com força meu dedo. Dessa vez foi com muita força. Se eu não acordo assim, me machucando, eu tenho aqueles sonhos perturbadores, com todos meus pensamentos misturados menos um. Uma única pessoa, nunca aparece nos meus sonhos.
Tenho tanta vontade de escrever sobre você... só de expressar essas coisas, parece que depois que escrevo, não sinto necessidade de falar. Assim é melhor. Então, aqui vai!
Eu reclamava, que não te via... agora que estamos separados, estou te vendo bem mais do que quando estávamos... qual a palavra, juntos? Mas te ver é muito pior. Te ver, com aquele ódio no olhar, aquela raiva, e pensar que tudo isso é pra mim. Isso quando você me olha, tem ainda o fato de você evitar passar os olhos pela minha imagem, descaradamente olhando pra qualquer coisa. Qualquer direção. Fazendo questão de mostrar. E ainda tenho que ouvir as pessoas me falando isso...
Me sinto horrivel, nojenta, suja, feia. Queria poder me desfazer do que me prende á essa realidade, onde teu olhar me fere. Quero voltar á realidade, de quando te ver me fazia sorrir, por mais que eu tentasse evitar. Mas agora... agora é tão triste. Eu fico tão triste. Por mais que eu queira reverter isso, eu sei que mereço e que é culpa minha. Me dá raiva o fato de que você parece confortável com essa situação. Eu sei que você não tá, mas você tá menos preocupado do que eu.
Eu vacilei na sua frente, eu tremi de nervosa, as palavras ficaram enrroladas, suei frio. O que você tá fazendo? Por favor, para! Vamos voltar á época em que eu tentava reprimir sorrisos, agora o que eu reprimo é choro. Deveria ter falado algo, alguma coisa, tanta coisa...
Você vem, e some, resolve voltar... não faz isso comigo, por favor. Ou vem e fica, ou vai e não volta. Não tá sendo divertido... acho que teu sentimento por mim não é mais o mesmo... claro que não é! O meu por ti também não é o mesmo. Antes era tão simples, agora é tão... grande.
Agora já foi. Já suei frio, já tremi de nervosismo, já quase esqueci o que falar, meus olhos já encheram de lágrimas, já fiquei surpresa, já passei pelas pessoas sem ver elas. Parece que meus olhos tem duas pedras penduradas, nao consigo parar de olhar pra baixo. Me sinto triste. O estrago já tá feito.
Não foi por você, não foi por ela, nem por ele, nem por eles. Não foi por quem já foi, não foi pelo passado, pelo presente. Foi por mim... eu já me quebrei. Me deixei quebrar.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Disparo.

"Dois. É só disso que precisavam, ela sempre de joelhos e ele sempre estendendo a mão pra ajudá-la a levantar. Quando ele não estendeu mais a mão pra ela, quando ele mudou, ela viu que ás vezes amor não é o suficiente. Porque amor não é o suficiente?
Tem coisas que nublam nossa visão, algumas coisas acontecem e distorcem o que vemos em relação a quem amamos, não queremos sentir aquilo, mas fica martelando em nossas cabeças, imagens pulam na frente de nossos olhos, pensamentos que não conseguimos explicar.
Dispare. Dispare contra qualquer coisa, palavras duras e frias, menos contra o seu coração, não faça isso com ele. Dispare sua munição em forma de palavras, só não em quem ama.
Ela perdeu também a irmã, que era quem a abraçava quando ela precisava de um abraço. Ela não fez o que devia, ela descarregou um revolver em si mesma. Um por um, os que ela carregava com ela cairam e a abandonaram.
Ele não queria mais estender a mão, e hesitando, se virou pra ela uma ultima vez. Tarde de mais, ela conseguiu mais uma bala, e contra o próprio coração disparou. Ela se destruiu.
Sonhou que colia flores em algum lugar, sonhou que podia voar em uma moto. Quando acordou em um lugar estranho e branco, sem graça, percebeu que falhou. O coração ainda batia fraco, infeliz. A missão dela agora era viver eternamente naquele mundo de sonho."

Querer.

Não tem preço, não tem palavras, não tem tempo. O que quero está adiante, distante de mim, minhas mãos não podem alcançar, não posso sentir. Mas quero mesmo assim, e vou conseguir, ter em minhas mãos o que desejo, mesmo que não seja algo que você tem em suas mãos, que dê para segurar, mas com certeza você consegue ver. Eu quero. Eu quero até os ossos.
Consome, nubla, irrita, foge, some, aparece e leva tudo de volta. Lágrimas de felicidade são as coisas mais raras de se conseguir, mas eu as tenho guardadas em algum lugar dentro de mim só esperando pra eu me desfazer delas logo. Mas o olhar vazio não as deixa virem, a falta de uma coisa, e somente uma: querer.
Não quero continuar aqui, mas eu queria acima de tudo, querer. Até os ossos, alvos.
Quero querer ser melhor, quero gostar de mim, quero me ver bem, quero te ver bem, te quero bem, te quero... aqui. Em mim, em nós, em tudo. Minha cabeça acompanha a brisa, em lugares onde ninguém chega, meu coração não bate mais, ele dorme e só precisa de um empurrãozinho. Meu cigarro não acaba nunca, parece que as cinzas que caem no meu braço e queimam, fazem um ciclo de cair e voltar ao lugar, queimam, param, e voltam a queimar num lugar já machucado.
Minhas partes, pequenos fragmentos, caem atrás, atrás de tudo que era meu mas eu deixei passar. Atrás do que eu sentia que não chegava nem perto do vazio. Eu sentia tanta coisa, eu sentia tanto, sinto muito...
E a dor volta sempre de maneiras diferentes, é como um resfriado, seu corpo cria barreiras contra um tipo, de mais de 200 existentes. Coisas que vão te fazer sofrer, podem ser muito mais de 200.
É que é tão triste, viver nesse mundo. Ninguém pode mudar nada, mesmo que sacrifique-se uma vida por isso, de que irá adiantar?

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Sonho.

Sabe, tem uma coisa engraçada em relação aos meus sonhos. Neles, eu vejo todas as coisas nas quais eu pensei no meu dia, todos pensamentos misturados de um jeito engraçado, de um modo que eu não imaginava eles. Mas não é isso o realmente engraçado neles... o realmente engraçado, é que todas coisas em que eu penso mesmo aparecem nele, menos você. Então eu me pergunto o que isso quer dizer... e acho que minha mente tá sendo boazinha comigo. Acho que se eu te visse todo dia nos meus sonhos, eu acordaria chorando. Já basta a confusão na minha mente. Mas confesso, se te visse... não imagino qual seria a minha reação. Provavelmente eu fugiria, porque prefiro não te ver do que te ver e ter que lembrar que você não tá comigo.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Não.

Hoje não. Chega de pesadelos por favor, cansei de acordar sem ar, cansei de acordar suando frio, cansei dessas imagens que me assombram. Chega de andar com medo, como se tivesse uma arma na nuca. Não quero mais isso, não.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Estações

"Por um ano eu fiquei no vazio. Na tristeza de viver sem motivo, na mentira de que era só esperar o tempo passar. O tempo passou, e acontecimentos importantes também, mas onde me encontro? Você vai perceber o exagero em minhas palavras nem tão exageradas agora.
A realidade, é que eu nunca vi aqueles olhos como havia visto durante o verão. E nunca havia me visto como eu [b]me[/b] via no verão. Minha vida não tinha mudado, mas agora podia sentir a pulsação constante vinda do meu coração. O sangue circulava direito, meus membros funcionavam perfeitamente, e minha cabeça... ela foi a que mais ficou diferente, ela passou a acreditar em mim. Nunca o vi como o vi no outono, mesmo lutando contra todo e qualquer sentimento, eu sei que nunca o vi daquele modo, quando ficar longe não doía porque ele se fazia presente mesmo sem querer e sem saber. Nunca me vi assim, tentando mudar de qualquer modo, me rendendo com dificuldade e lutando com o que me restava, apenas me restavam pedaços. Mas foi entre o outono e o inverno que eu nos vi. Vi nós dois como nunca havia visto, dois corações partidos, um tentando ajudar o outro a bater, se esforçando ao máximo. Mas acho que um coração quebrado não funciona bem com outro, a não ser que desista de bater. Eu desistiria do meu coração se isso fosse te fazer feliz. A verdade é que você veio e destruiu a minha barreira, a barreira mais forte que eu tinha construído e eu nunca vou te perdoar por isso. Você só destruiu e foi entrando, e foi tão necessário. Tão vital. Você conseguiu o que eu pensei que ninguém poderia fazer, parabéns, você abriu compartimentos secretos, desconhecidos á mim. Eu nunca soube que poderia ter algo desse tipo dentro de mim mesma. E desculpa não poder fazer o mesmo por você, talvez seja até melhor assim, pois felizmente sei que você não se sente como eu. Mas eu só agradeço, e se teu silêncio quer dizer uma possivel felicidade, então assim o mantenha. Assim que o outono acaba, vem o inverno, onde minhas lembranças não são as melhores, tanto de você quanto de todos... mas então vem a primavera... não lembro de você na primavera, mas sinto que as lembranças dessa estação vão durar até que o pra sempre acabe. Eu vou tentar curar meu coração partido, pra assim, tentar ajudar o seu a bater com mais eficiência. Você já é um buraquinho dentro do meu, você já faz parte da minha vida, de que adianta lutar contra isso?"

terça-feira, 7 de julho de 2009

Voltou.

"Ela estava parada, em pé. Respirou fundo, cruzou os braços.
-Não era assim que devia ter ficado.
Fechou os olhos e virou de costas. Virou de costas pro espelho. Não queria ter ficado daquele jeito, odiava o reflexo, queria quebrar todos os espelhos do mundo, queria se quebrar, se destruir. Ela á um tempo atrás fazia isso, não tinha medo, só queria sumir, encolher até desaparecer. Não fazia sentido essa senação agora, antes ela tinha motivos. Agora simplesmente se sentia assim sem motivo algum. Lembrava do passado, do ácido corroendo, do vazio. Não queria se sentir assim, mas parecia um ciclo de acontecimentos, não sabia se um novo ciclo havia começado, ou se nem havia terminado ainda. Pensando em todas essas coisas, ela se virou novamente para o espelho, soluçando, chamando as lágrimas sem conseguir fazê-las virem. E sussurrou:
- Te odeio."

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Injustiça

"A prova de que a vida é injusta, é o que eu vejo, é o que eu ouço. Todo dia penso como será que você tá, em quantas lembranças você ainda mantêm, penso se você estaria fazendo o que queria. Me pergunto essas coisas e quando percebo, paro. É simplesmente invevitável, não consigo não pegar 10 minutinhos do meu dia pra imaginar a vida com você. Ou pra imaginar ela, como era antes. E então a injustiça da qual eu tava falando antes, aparece, vestida de rosa fluorescente, e me diz "Eu o vi ontem...", por do sol após por do sol. Aí que eu me pergunto, porque sou a única que não te vê mais? Porque não posso mais ouvir a tua voz, receber as broncas, ver a sua preocupação estampada bem clara no seu rosto? Porque tanta gente tem direito de ver isso, de ter isso, e eu não? Porque outras tem teus abraços, tem teus beijos, teus sorrisos? Porque me dói tanto? Você sabe que o que eu desejo se encontra do outro lado do espelho no qual sua imagem te encara. Quando era pequena, eu acreditava que do outro lado do espelho, havia um mundo que era o contrário do qual a gente vive. Quero atravessar o espelho e ver se estou com você. Porque injustiça é a única palavra que se destaca toda vez que alguém fala pra mim que te viu. Injustiça, é o que eu sinto quando nós decidimos seguir caminhos diferentes. Eu não entendia que o meu sorriso muitas vezes era sustentado pelo teu. Eu não entendia o que era isso, que me fazia pensar que algo estava diferente. Não mudei sua vida, não te fiz tão feliz quanto deveria fazer. Mas em cada momento, em cada instante do seu lado, eu sorria e esquecia o que era estar sozinha."

domingo, 5 de julho de 2009

Revolução.

Uma revolução explodiu em casa. Tudo para um bem maior, mas que bem? Se machucam, insensíveis. Não passa do inevitável. Quando o frio faz necessário o fogo, mas não se tem uma faísca de esperança pra ascender ele. Então, perdidos na escuridão os amantes choram, suplicam por algo.
Ele não consegue ver nada além de si, ele não consegue ver que sua vida pode ser mais do que isso. Todos podem, ninguém diz. Enquanto ela, machucada centenas de vezes, mais uma vez, vai ao chão. Eu avisei, que o dia em que ela faria as malas e diria ‘estou partindo’, poderia estar mais próximo do que ele imaginava. Mas quem ouve uma adolescente?
Ela não se sente amada, e acho que essa é a pior sensação do mundo quando estamos com alguém, e parece que estamos sozinhos. Acho que vou mudar todo o rumo de uma vida por ela, porque ela não merece isso, e ela SABE que a vida dela É BEM MAIS DO QUE ISSO AQUI!
Á dois anos, eu escrevia textos que poderiam ser encarados como fictícios, mas eram tão reais, que se eu os mostrasse como reais, seriam muito tristes pra se ler. Acho que eu sempre estive certa, felicidade não é assim, não é essa vida.
Mais uma conversa é necessária entre dois extremos, somos muito diferentes mas eu digo, repito, que não perco nada falando. Não perco absolutamente nada, só ganho. Mas não ganho nada bom, eu fico com pena de alguém que é tão fraco… e sozinho, afinal de contas. Temo por ele, não é como se ele não significasse nada, afinal, são 10 anos!
E é aí que eu me encontro. Assisstindo uma espécie de casamento infeliz. Tudo o que eu não quero tanto pra mim, quando pra ela. Não é justo alguém que sofreu tanto viver na infelicidade, não acha, mãe? ‘Tu não vai chorar, né?’, você me pergunta, ‘Não mãe, você tá chorando por mim’, eu te respondo.
Eu sempre achei que quando a gente vê uma revolução explodir na nossa frente, a gente tem que se mexer. No meu caso, foi atrás da porta da cozinha que eu escutei, pronta pra entrar, mas com medo de piorar tudo. Agora já se foi, as coisas não vão mudar, como ele disse. Eu preciso dar um jeito. É impossivel, mas eu preciso fazer alguma coisa. Eu preciso de ajuda. Eu me segurava nessa família, e ela tá caindo. Alguém me ajuda, por favor?