sábado, 31 de outubro de 2009

E te falo com quem converso quando estou sozinha.

Às vezes agradeço por não ser tão impulsiva quanto Eduarda. Ela me aborrece e pensa coisas horríveis para dizer e fazer. Tem vezes que parece que ela não se importa com os sentimentos dos outros, é como se ela lançasse uma bomba e saísse caminhando tranquilamente, sem senso de culpa, sem pensar em quem saiu ferido. Mas o pior de tudo é que na maioria dessas situações, Eduarda não mente, o pensamento dela está correto, ela me faz entender o conceito de "verdade dolorosa".
Sempre brigamos, pois nossos valores são diferentes, mas acabamos por nos completar, porque muitas vezes ela preenche o vazio de meus pensamentos, ela já indicou saídas para meus porblemas as quais eu nunca encontraria sozinha. A Eduarda não aparenta ter sentimentos profundos, é como se para ela as coisas simplesmente acontecessem. Eu sou tão diferente dela. Ela é tão radical, eu sou tão pateta. Ela consegue coisas que ela nem ao menos quer, ao contrário de mim, que perco o que quero antes de o ter. Por isso que preciso dela, por isso que quase não nos separamos. A minha insegurança precisa da confiança dela, minha covardia precisa de sua coragem, minha falta de graça precisa do brilho dela, meu negativismo necessita do positivismo dela. A impulsividade dela precisa dos meus freios, a insensibilidade aparente dela precisa do meu sentimentalismo escancarado, as mentiras dela precisam da minha repreensão, a loucura dela precisa da minha.
A única coisa, acredito eu, que nós duas temos em comum é que não sabemos falar o que sentimos de verdade, várias vezes libertamos pessoas pois achávamos que elas mereciam mais que aquilo. A Eduarda se ama, ela é cheia de si, ela é confiante, mas ainda temos esse ponto no qual nos encontramos, o nosso meio termo. Somos extremos, que se encontram.
A Eduarda é só aparência.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

27/10/2009

E eles voam para longe, onde não é possivel alcançá-los. Pensamentos somem, idéias surgem, a revolta cresce. A revolta de um coração perdido, de uma infância roubada, de um amor derrubado.
Mas o que se sabe do amor, a não ser que ele pode construir ou demolir? O que se sabe? Não defina amor, não defina alguém, não defina seu ponto de vista. Definir é limitar, e alguns nasceram para serem livres. A idéia de pensamentos sempre soltos, é a possibilidade de mudar quando não me agrado de mim.
A paixão pelas palavras está embaixo da minha pele, está em mim, nas minhas mãos. Papel e caneta passaram a ser essenciais para mim, aprende-se a calar a boca, porém as mãos se tornaram inquietas, junto com as pernas.
Acontece pois a alma procura saída, ser prisioneira não agrada. Prender é matar. Amar é morrer.
Quando um toque basta, quando um beijo sacia, quando você sabe o que o frio na barriga, conhece a sensação de ter o estômago revirado por medo, quando se tem medo ao mesmo tempo que se quer descobrir. Esse é o meu amor.
Meu amor não aparece, é tímido. É triste, pois não o sinto. Sinto falta de ver alguém sorrir e sentir felicidade por essa pessoa. Dá saudades.
E milhares de coisas passam pela sua cabeça durante o dia, e durante a noite as principais idéias permanecem ali. Intactas. Mas hoje, só consigo expressar de maneira confusa o que flutuou em minha frente quando fechei os olhos. E a triste realidade quando os abri.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Poeira.

Estamos girando. Mas no sentido contrário, estamos voltando no tempo. E de algum modo isso nos faz viver mais depressa. Começamos no final, terminamos no mesmo lugar. Talvez essa vida não tenha sentido, podemos ser um monte de poeira cósmica, assumimos um formato e muitas vezes não o queremos.
Nossos ossos, alvos. Me reduzo a poeira para melhor transitar, ao vento flutuo junto com frases prontas, com risadas verdadeiras e gritos de dor. Eu viajo na velocidade do desejo, que depende do ser humano. E só com um desejo eu me transfomo, os osssos viram poeira, a poeira vira o sonho, o sonho se torna intocável. Para sempre vento e desejo, sempre me movendo e movendo o mundo. Por entre dedos escapo e dou risada, mas quando minha necessidade e desejo surgem, não são meus. Quando meu querer aparece, ele passa a não me pertencer, pois escolhi abdicar disso para ser do mundo.
Mas com um desejo, um querer, passo a ser sua.

domingo, 25 de outubro de 2009

Vida.

(...) Felicidade não é dificil de fingir. Sabe quando acordamos sentindo que não poderiamos estar mais tristes, nos sentindo para baixo? Acontece de vez enquando, não?... Quando começa a acontecer com mais frequência você percebe algo sem saber o que está acontecendo. Os dias só passam. Você se olha no espelho e não consegue ver nada de bom, então fica deprimido. Cada um trata suas depressões ao seu jeito. Sua postura muda. Seu cabelo, as cores, coisas que significavam muito passam a ser só coisas. Você pensa mais na morte do que antes. Esquece coisas importantes. Sente saudades. Se repete, se torna egocêntrico. Se sente encolhido. Chora por nada, absolutamente nada. Você acaba na cama, abraçado no cobertor e acorda com seu cachorro lambendo a sua mão. Você senta na sua cama, olha por quarto e tenta descobrir de onde vem toda aquela bagunça. E um milhão e coisas passam pela sua cabeça, enquanto seu cachorro chora por carinho, te olhando com os olhos arregalados. Até que ele desiste e vai embora. Todos desistem e vão embora. Aí que você percebe que tá morto, e que é o único quem nota. (...)

sábado, 24 de outubro de 2009

Tá tudo certo.

Tudo bem. Tudo certo. Melhor, entende? Mais resolvido, mais claro. E esse é o pior de tudo. Fico reclamando em monólogos internos sobre tudo, tem coisas que não gosto, tem coisas que odeio. Tem muitas coisas que odeio. Mas elas não seriam diferentes se minha vida fosse. Eis o problema: Mesmo se tudo fosse diferente, eu não me sentiria diferente, por mais que eu tente mudar eu sempre me sinto igual, e não consigo sair desse buraco, não me sinto confortável. Eu só quero ir. Por favor me deixem ir sem culpa, sozinha. Nada que vocês fizerem vai melhorar as coisas pra mim. Nada que disserem vai me fazer sentir melhor. Eu sei o que tô fazendo, e não tenho medo. Não mais. E se eu conseguir o que eu quero, pra mim tá tudo certo. Tudo certo.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Só uma teoria.

Eu já amei. Amei de verdade, com todas as minhas forças e com toda a minha sinceridade, era algo que me deixava feliz, era um amor impossivel, e hoje percebo que era. Mas era um amor impossivel que me fazia sentir viva, amada, feliz. E agora eu já não sei mais o significado disso, eu não lembro mais como é me sentir amada, me sentir bem comigo mesma. Eu ando arrasada, pois sei que o que eu senti nunca vai voltar, apesar de aquilo não ter sido um grande amor, foi o meu maior amor. O mais estranho, o mais necessário, o mais bonito. E quando eu percebi que podia ser mais do que era, eu destruí ele. Eu, com toda minha crueldade me destruí e abri novas portas, que me proporcionaram dores que aquele amor nunca me proporcionaria. E já se passaram 2 anos agora. Depois disso, toda chance que eu tive de amar de novo era exposta na minha frente, só que um vidro espesso me separava da possibilidade. Era um vidro impossivel de quebrar, mas quando percebi que aquele vidro não tava mais lá, quando eu tinha o que queria ao meu alcançe, era de mais pra mim, era de mais assumir um compromisso como aquele. Eu não era capaz de segurar um sentimento daquele tamanho dentro de mim. Então eu dei um jeito de fugir e ser odiada, dei um jeito de afastar todos, de me afastar de todos.
Alguém não simplesmente começa a te amar, você FAZ alguém te amar. Assim como você faz alguém desistir de você. Você faz suas chances. Você faz a sua própria depressão. Só uma teoria de nada que leva a nenhuma conclusão.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Fuck it.

Hoje comprei uma escova de dentes super legal, sabe? É, foi o auge do meu dia, porque eu nunca comprei uma escova de dentes com cerdas brancas e azuis nas pontas. Tipo, cara é Deep Clean! 360°! É uma escova de dente do caramba! Mas não é disso que eu queria falar. Eu queria falar sobre esse lance, de se imaginar daqui a 5, 10 anos... Não consigo. Queria realmente conseguir, mas não dá. Não desse jeito, não da maneira que eu tenho levado a vida. É por isso que eu decidi ir embora. Porque não aguenta a vida assim, não vai funcionar se continuar dessa maneira. Eu to brincando de morta, e não é divertido. Quero mudar a brincadeira pra variar. Quero começar já, agora, o quanto antes, quebrar tudo e por em vários sacos de lixo, manter apenas o que considero importante. E sabe, foda-se, eu parei de falar, e to feliz assim, eu parei de criticar e to feliz assim, passei a observar e aprendi assim. Já acho que é possivel tomar minhas próprias decisões, e ficar sentada só observando é uma bosta, uma grande bosta, e ninguém vai fazer o que eu faria, o que eu fiz, o que eu vou fazer. É um 'bang', certo? Você pensa, você age. Você só pensa, ninguém age por você. É um mundo realmente ferrado, e você acaba ficando ferrado também se ficar insistindo no que vê que te trás pra baixo. Não to dizendo que vou melhorar minha vida, não to dizendo que vou melhorar a vida dos outros. Eu só vou agir. Fazer. E só porque eu posso. E quando eu descobrir o que eu quero, eu vou fazer porque vai ser pelo que quero. E eu queria que todos lessem isso, eu queria que vocês vissem, entendessem que com o tempo parece que cansamos das pessoas, das músicas, parece que precisamos dizer adeus. Eu acho que não, a gente só tem que tentar ver de uma maneira diferente. Outro ângulo. E se a gente não tentar, a gente perde tudo que a gente conquistou, e eu já perdi várias vezes várias coisas que eu conquistei, e assim aprendi a baixar a cabeça pra variar, e tentei manter o que me restava. No momento eu não tenho nada, daqui a 5 anos, acho que não vou ter nada também. Tudo o que eu tenho tá na minha cabeça, no meu corpo, em mim, e eu decidi que vou fazer o que eu quiser com isso.
E eu decido não ficar essa noite.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Fortaleza

Encontrei forças em algo maior, encontrei incentivo e ídolos. Sei o que seguir e admito que essa força é minha fraqueza, e que o que tenho é tudo que posso e provavelmente irei perder. Para me lembrar disso eu tenho as músicas no rádio, as lembranças nas ruas, as cicatrizes na mente. E eu não vou desistir, de me ter como quero e de me ver como quero. E a gente não vai deixar que nos digam que é errado, ou que é burrice, muito menos que não sabemos o que estamos fazendo. Sabemos, e aqueles que nos advertem, não sabem que a nossa intenção é auto-destruição. É um vício, e não nos livramos de vícios assim tão facilmente. Não vejo quem consegue como um traidor, mas como alguém que se curou dessa doença que é o nosso realismo. Não procuro libertação, não procuro amor, nem esperança. Eu só procuro o vácuo das palavras, o breu da insaniedade.
E mil anos vão se passar, e mil pessoas vão se amar, mil viverão e morrerão, e garanto que nenhuma delas terá um motivo como eu tive, um sonho como eu tive, e uma gratidão como eu tive. Nenhuma delas te terá como eu tive.