terça-feira, 29 de setembro de 2009

Clareza

Mudei meu pensamento, mudei o que eu achava e mudei o que eu queria. Mas não consigo mudar o que sinto.
Agora consigo pensar na verdade, e não na ilusão. Ver alguém sem um manto de adoração em cima é muito melhor, muito mais claro.
Não paro de pensar que as coisas que aconteceram foram um acidente. Eram coisas que queriam estar juntas, ao mesmo tempo, em um mesmo lugar. Dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço, ao mesmo tempo. Então eles se repelem. É só ver um acidente de carro, entre dois carros que se chocaram de frente. Observe o que restou de cada carro. É no estado em que me encontro. Eu tentei ir contra o mundo, por alguns segundos parecia que eu ia conseguir. Mas não, eu não consegui. Foi do jeito errado. Duas pessoas não podem ocupar o mesmo espaço no coração de uma pessoa ao mesmo tempo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Here's looking at you, kid. ~ V

Toda vez que eu ia na casa do Du eu me sentia como em algum seriado chique de mais, ou em algum filme irreal de mais. Essa situação toda parecia irreal.
Enquanto eu estava sentada com o braço imobilizado, apenas olhando para a televisão, e não assistindo. Enquanto isso algumas empregadas passavam apressadas por mim, com montes de toalhas e roupas, e de minuto em minuto elas passavam me distraindo enquanto eu tentava assistir algo na televisão. Não que tivesse nada muito interessante, então logo fiquei entediada. Como ninguém ali estava me dando muita atenção, resolvi mexer na caixa de dvd's do Eduardo. Eu sabia que ali, tinham muitos filmes que eu amava. E então encontrei: Casablanca.
Era quase hora do almoço, mas eu não me importava, o Du ia chegar atrasado mesmo. Até que a governanta, Leana, sentou ao meu lado, assistimos o início de Casablanca juntas, porém, em silêncio. Até que veio a cena em que alemães e franceses competem através da música, e mostra-se quem realmente está no comando em Casablanca. Na sequência, Ilsa olha para Victor, enquanto ele canta alto junto com os vários franceses dentro do bar do Rick. Então aparece Yvonne, cantando alto e chorando. O rosto de Yvonne enche a tela, me fez quase sentir o que ela sentia, toda vez que eu assistia aquela cena, meus olhos enchiam de água. Em seguida, aparece Ilsa novamente, olhando para Victor e suspirando. Aos poucos, ela muda a expressão, e dá pra ver um leve sorriso e pequenas covinhas. Mas nada, nada supera o olhar que ela alnça para Victor. É como se ela percebesse o verdadeiro motivo por ter se apaixonado por ele.
- Ambas sabemos como esse filme acaba, Sundance.
- Sabe porque a Ilsa vai dizer ao Richard que ainda o ama?
- Diga-me.
- Porque podemos estar apaixonadas por um Victor, ele pode ser o amor da nossa vida. Mas o Richard, o homem que vai nos fazer esquecer o Victor, pode sumir da nossa vida, mas ele vai voltar. E quando ele voltar, e nos disser eu te amo, nós diremos de volta. A Ilsa é uma colecionadora de 'eu te amo' sinceros. Assim como nós, Leana. Nós não cansamos de ouvir, só cansamos de ouvir da mesma pessoa.
Virei para a televisão novamente.
- O nosso Richard, vai nos mostrar o quanto ele nos ama. Mesmo que para isso, seja necessário irmos embora com o nosso Victor.
- Eu espero que você nem conheça o seu Richard Sun.
Tudo ficou em silêncio de novo. Não ousei retrucar o que ela comentou. Apenas assistimos a cena final enquanto Victor e Ilsa desapareciam na neblina.
- Casablanca garotas?
Olhamos para trás e lá estava o Du, de gravata torta e terno aberto.
- Passou por algum tornado Du? - Ele viu que eu tentava levantar e correu para o sofá, me segurando. Sim, eu estava totalmente machucada, e totalmente com dor.
- Acho que a Sundance deveria tomar algum comprimido, não acha, Eduardo?
- Não Lea, ela já tomou muitos medicamentos no hospital.
- É, estou bem Dona Leana.
O Eduardo não notava a ironia nas palavras da Leana, mas eu notava. E ele não notava também a hostilidade nas minhas palavras. Eu não sei se ele ignorava porque achava que a governanta dele estava com ciumes da namorada, ou se ele REALMENTE não percebia. Mas isso não mudava o fato de que eu e Leana tinhamos um passado. Um passado pelo qual ela me condenava, e do qual Eduardo não desconfiava.

domingo, 20 de setembro de 2009

Negação.

Negue. Negue até quando é verdade, quando todos sabem. Negue a si mesmo, tampe seus olhos e sorria, finga que não aconteceu. Afinal, não é muito mais fácil desse modo? Negando tudo, até a negação, ser você.

sábado, 19 de setembro de 2009

Sells ~ Du e Su - parte IV

Assinei alguns papéis no hospital e levei Sunnie para meu apartamento, já que ela morava sozinha e estava com medo do cachorro, e eu tinha uma "governanta" que poderia cuidar dela e fazê-la companhia. Após isso decidi passar na casa da Su, ver o estrago que o tal ataque havia causado, ver se poderia fazer alguma coisa. Sim, eu entrei na casa e vi que eu DEVIA fazer alguma coisa. O cachorro estava deitado num canto da sala, quando eu abri a porta ele acordou e veio correndo em minha direção, mas fechei a porta e ouvi um baque contra a madeira. Pelo visto esse cachorro não era muito inteligente e estava com fome. Então liguei para o controle de animais, e pronto, problema resolvido, 4 homens foram necessários para pegar o cachorro, e um deles foi mordido. Então, comecei a analizar os danos. Cacos de vidro pelo chão, sangue (não sei se dela ou do cachorro), dois quadros no chão, a escada derrubada, e curiosamente alguns móveis estavam roídos. Realmente, o cão estava faminto.

Limpei o que era necessário e pendurei os quadros para a Su. Eu já havia falado a ela, que eu faria o trabalho pesado se ela precisasse, mas parecia que ela queria mostrar que conseguia sozinha.

"Foi uma tentativa de dizer que eu não preciso de você, mas acho que preciso mais do que pensava..."

Suas exatas palavras enquanto saíamos do hospital. Terminado tudo, tranquei a casa e saí. Mais tarde compraria móveis novos para ela. Sim, a Su ia dar um ataque, reclamar e bater pé, mas eu não me importava. Eu tinha dinheiro e queria gastar com ela.

Enquanto eu estava dirigindo, o sonho de algumas horas atrás passou pela minha cabeça. Eu não sabia o que queria dizer, mas me dava medo. Será que a Sunnie algum dia chegaria a ponto de tentar suicídio? Ou eu simplesmente sentia quando ela se machucava e precisava de mim? A possibilidade de ambas perguntas terem resposta positiva me deixava um pouco preocupado. Se ela se suicidasse, eu não aguentaria. Não seria o primeiro suicidio em minha vida. E o fato de eu sentir se ela não estivesse bem, significa que nossa conexão é maior do que deveria.

De fato, minha relação com a Su é mais séria do que deveria. Nos conhecemos a apenas 3 anos, mas parece que nos conhecemos á 150. Eu simplesmente iria para o inferno por ela.

- Senhos Sells?

Mas no momento, precisava trabalhar. Tinha uma empresa inteira para administrar.

Orgulho.

Lágrimas de dever cumprido, de orgulho, de compreensão. Te entendo, e me mantenho fiel. Pessoas como nós nunca ficam de fato, felizes. Pessoas como nós não conhecem satisfação. Somos vermelhas e brancas, doentes na cabeça. E nossa doença é um vício, mas é necessária. É tudo o que temos, e tudo o que somos

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

5h ~ Du e Su - parte III

Eram 5 horas da manhã. Eu estava olhando pro teto. Branco, sem nenhuma mancha. Meus olhos pesavam mas eu não queria dormir, pelo menos não antes de ele chegar. O que aconteceu mais cedo não saía da minha cabeça... se ele tivesse ficado um pouco mais, talvez eu não estaria no hospital.
Eu fui uma idiota em pensar que seria uma boa idéia pendurar quadros no meio da noite, e fui mais idiota ainda quando pensei que o cachorro na rua era engraçadinho. Aquilo não era um cachorro. E porque minha janela tava aberta ás 4:20 da manhã? Eis o que aconteceu: Eu estava pendurando o segundo quadro na parede, em cima de uma escadinha, do lado da janela, então eu tava com o martelo na mão, e com o quadro que era bem pesado apoiado na escada. Pois então, ouvi um barulho do lado de fora, olhei pela janela e era um cachorro, parecia tão bonitinho tentando derrubar minha lata de lixo, eu chamei ele pra janela e sentei no parapeito. Quando o cachorro me viu, parece que os olhos dele ficaram vermelhos e ele começou a rosnar. Foi aí que eu vi que não era um cachorro normal, era um monstro sedento por sangue. Aquela coisa começou a correr na direção da minha casa, e eu me atrapalhei toda, toda mesmo. quebrei o quadro no chão, caí da escada no parapeito da janela, e quando aquele animal insano tava muito perto, eu fechei o vidro nos meus dedos. Mas não para por aí, o cachorro se ATIROU contra o vidro da janela, que quebrou e os pedaços de vidro me deixaram toda cortada nos braços. O cachorro ficou tontão com a batida e caiu duro no chão. Eu tava caída no chão, e quando fui levantar meu pé tava preso na escada, caí com a cabeça na moldura do quadro e cortei em cima da sobrancelha. Agora me diga, em que MUNDO alguém acreditaria em mim se eu contasse isso? Pois então, liguei para uma ambulância, eu tava muito tonta, tranquei o cachorro dentro da minha casa e caí na varanda. Lembro apenas de acordar no hospital.
- Su? Sunnie?!
- 3ª porta á esquerda moço!
Pela voz dele, ele parecia desesperado, e confesso que isso me deixou meio exaltada também.
- Du?!
Ele apareceu na porta do quarto e parou. Ficou me olhando, analizando meus ferimentos (cortes por toda parte visível do meu corpo, dedos enfaixados, pontos acima da sobrancelha e um roxo na maçã do rosto, de quando caí na varanda). Parecia que estava tentando entender o que havia acontecido, como se ele esperasse ver outra coisa. Acho que ele pensava que eu tava sem cabeça, algo do gênero. Ele chegou mais perto, parando do lado da cama.
- O que aconteceu? Foi procurar briga com alguma gangue de skinheads?
- Não, a MINHA gangue fez um motim, eles tinham tudo planejado, fui uma besta por não perceber logo. - Rolei os olhos e ele riu, sentou-se no sofá ao lado da cama e passou a mão na minha testa, onde não havia nenhum ferimento.
- Você vai me contar o que aconteceu depois... mas só pra deixar gravado, mesmo cortada, enfaixada, roxa e costurada, você é a mulher mais linda do mundo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

4:35 ~ Du e Su - parte II

Ela era incrível. A Sunnie sempre fazia isso comigo, me deixava sem palavras quando mostrava o que estava pensando. O que eu queria, era só abraçar ela com força, naquele momento mesmo, enquanto ela saía do meu carro, parava na porta da própria casa e acenava, sorrindo. Eu observei ela espiar por uma festra entre as cotinas, pela janela, pra garantir de que eu ainda estava lá. Então ela saiu de casa, correndo até meu carro e abrindo a porta do motorista.
- Você tem que tomar um banho, também tá encharcado! Vem!
Ela me puxou pelo braço e fechou a porta, me arrastando até a casa dela embaixo da chuva. Não, a gente não se beijou na chuva como nos filmes, ela tinha feito eu prometer que nunca tentaria fazer isso.
Então, enquanto eu fui pro banho, fiquei pensando nessas coisas sobre a Sunnie que eu não entendia, as coisas que ela não me falava porque, ou só falava sem me dar oportunidade de perguntar. Ela me deixava tonto, e mulheres assim você não quer dexar tão rápido. Mas elas amam fugir.
Cheguei na cozinha e ela havia feito café, dava pra sentir o cheiro. Mas quando cheguei na cozinha, eu não consegui pegar meu café, não tive nem vontade de pegar ele. Eu queria é que alguém me acordasse daquele pesadelo.
- Su...
- Du... eu...
Havia uma faca em cima do balcão, e os pulsos dela estavam cortados, pingando sangue por toda a cozinha, como se la tivesse feito um caminho de sangue pra eu seguir.
- Desculpa Du.
Foi então que eu acordei. O telefone tocou, eram 04:35 da manhã, e era do hospital. Sunnie tinha sofrido um acidente, não me especificaram nada, eu só peguei as chaves do carro e pisei fundo no acelerador. A Su precisava de mim. Não me importava se eu tinha trabalho no dia seguinte, ou se em 2 horas eu precisava estar no escritório. Simplesmente não importava

sábado, 12 de setembro de 2009

Eduardo. ~ Du e Su - parte I

Eu estava caminhando na chuva, esperando que ele passasse por mim. Como sempre ele estava atrasado, e como sempre ele só se atrasava quando chovia.
- Sai da chuva e entra no carro Su.
Continuei caminhando, enquanto ele acompanhava ao meu lado de carro.
- Você tá toda molhada, vai ficar doente, e você sabe Su, quando você fica doente é sempre doente pra caramba.
- Vai se ferrar Eduardo.
Continuei caminhando sem olhar pra trás, ele tinha parado o carro. Ouvi o barulho da porta fechando com força e apressei o passo. Foi então que senti ele segurar meu braço.
- Você pode por favor, entrar no carro Sunnie? Me desculpa estar atrasado ainda mais porque tá chovendo, mas se você não entrar no carro eu vou ter que te por lá dentro á força.
Dei uma risada baixa e virei de frente pra ele. Instantaneamente a chuva começou a ficar mais forte, ele sorriu pra mim. Idiota. Suspirei e revirei os olhos, tirando a mão dele do meu braço, então corri pro carro.
- Porque você sempre tem que ser tão difícil?
- Por isso.
- Isso o que?
- Pra ouvir você pedir desculpas, Du. Se você não quisesse que eu entrasse no carro de verdade, teria me deixado caminhar na chuva. Ainda mais por minha casa estar a cerca de 20 metros daqui. Se você não me quisesse aqui, agora, dentro do seu carro, eu não estaria onde estou.
Ele me olhou como se eu fosse maluca, mas ainda assim pegou minha mão e a beijou. Por mais que eu parecesse louca, por mais que eu tivesse molhada e com a maquiagem borrada, com o cabelo totalmente bagunçado, ele conseguia me fazer sentir a mulher mais bonita do mundo.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Cristal.

O simples se torna necessário, o necessário se torna vital. Mas a dúvida permanece quando o dia amanhece, deixando nada além de pedaços de cristal, cristal de mim. Com eles vai o brilho dos olhos, com eles vai o sorriso verdadeiro.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Então.

Só pra constar, que não parei de sonhar, só pra lembrar que deixei de acreditar. Com o real e o irreal se misturando, então, o passado parece não ter estado lá e o futuro apenas não existe. Então você se vê destruindo o que construiu, simplesmente porque ficou louco. Louco sem aviso, sem sentido e sem sintomas. Louco sem sorriso... Então faz sentido falar que não aguenta, e faz mais sentido ainda falar que não importa e que entende. E a realidade da rotina te pega e te torçe, te expreme e drena o que de bom você tem. E só resta hostilidade e saudade, e só resta burrice e falta de coragem.
A gente tenta, então, e acredito que seja esforçado... não sei o que tá errado, mas não vai. A gente tentou, então, acreditando que era pro bem, somos pessoas que nada tem, e o que nos resta é o que sentimos, e você pega no sono querendo fazer o que sabe que nunca irá. Você se despede de novo da nostalgia fingindo alegria por ter de morrer, fingindo ser normal se arrastar pra cova. Então?

sábado, 5 de setembro de 2009

Esperança.

Descobri meu erro, que era te esperar o tempo inteiro, noite após noite. Mas agora eu percebo realmente o que aconteceu. Aconteceu que antes de você chegar, antes de tudo acontecer, eu não lembro de uma coisa em especial. Não foi amor, não foi paixão, não foi um gancho que me tirou de uma "depressão", o que você me deu foi bem simples, algo que eu não lembro de sentir. Esperança. E eu agradeço. Quebrei de novo minha promessa á mim mesma, de não escrever nada sobre ti. Mas é algo que eu acho que você deveria saber, mesmo que voce não vá saber a não ser que eu te fale. Você sabe que não vou falar. E finalmente ter percebido isso me deixa feliz. Mas assim como você trouxe a esperança com você quando chegou, você afastou ela quando foi embora. O texto acaba aqui, eu acabo aqui. Te acabo aqui.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Fita

Amarra-se tudo, se joga dentro da mala, fecha-se bem. Se sabe que a dor espera do outro lado da porta, se sabe que na outra sala se encontram cadeiras de metal pretas, frias, que te sugam de uma maneira inexplicável. Mãos que te seguram ou mãos que te levam pra te destruir? O choro inexplicável pode ser explicado afinal? Vocâ quer só se deixar levar, acreditar que aquilo que antes era tudo agora não é nada. Mas o choro não avisa quando chega, música entra e estralhaça tudo, a mão amiga aparece e te faz relembrar o que voce lembra todo o dia. E como andar entre os carros era legal, como se esconder de todos era uma aventura, como viajar de ônibus sozinha se tornou algo necessário de tempos em tempos. Como alguém faz falta quando voce sabe que não tem volta.
Por isso que você chora. E você pega a fita e enrrola tudo isso, joga numa parede elástica e tudo volta pra você, te lançando longe, voando e fazendo seus pensamentos se embaralharem. Tudo é sempre o mesmo, por mais que mude.