segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Claro.

Quando se quebra e não se concerta, ou nem se tenta, é porque não quer mais. Quando os olhos perdem o foco é porque deu. Chega! Está mais do que claro, mais do que óbvio a troca, a mudança, o intercâmbio.
Então me quebra e depois me deixa, mas me quebra de um jeito que não dê pra colar de volta, de um jeito irreal e animal, me faz desejar mais, me deixa sangrar até que não sobre mais nada a não ser um sopro. O sopro.
E fica claro que solidão não me cai bem, o que me cai bem é o coração quebrado que eu sempre tento concertar, mas ninguém tenta por mim. E me apego a ilusões, me apego ao irreal. Eu simplesmente não desejo partir agora.

Rosto

Cansada do rosto, cansada da pessoa, cansada da falta de presença. Uma agulha pode limpar, uma pinça pode limpar, e o espelho pode matar... Ou simplesmente mover tudo de lugar. A chuva lacra e o tempo cala, as palavras jamais proferidas, nunca mais mencionadas, guardadas onde servem apenas para machucar. Se o céu fecha, me sinto presa. Se o céu abre não sei o que fazer com a liberdade. Não se sabe se ama ou odeia, não se sabe se quer ouvir ou ser ouvida.
E quando se aprende pra que tipo de limpeza serve a agulha, e pra que tipo de limpeza serve a pinça?
Abra o peito, tire o que dói e custure de volta depois. Abra a mente, arranque o rosto e feche depois.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Mochila

Tudo o que vemos não é, tudo o que sabemos não é, tudo o que sentimos, o que é? Vejo o olho na boca, o cabelo no rosto, a roupa no chão. Se eu pegar tudo e por na minha mochila, isso acaba agora.
Vejo mão no rosto, pé no chão, ouvido no peito. Coração. Estamos com o olho nele, com a mente nele, queremos ter um em nossas mãos, mas não sabemos o que faríamos até te-lo.
Olho no céu, cabeça no travesseiro, lágrima no olho. Saudade. E a poesia se torna impossivel, e os ouvidos se tornam insaciáveis assim como as mãos se tornam desesperadas.
A luz apaga, a música começa e os movimentos param. Sempre em caixa, sempre em aquário. A alma e o corpo, o desejo e o dever, se separando e se desencontrando, cortando. Lentamente some o brilho do que se torna opaco, e o nítido fica fosco e tosco. E absurdamente lindo.
E entra a mochila de novo. Não é uma mochila, é só aquele símbolo de que eu posso ir embora, de que eu posso agarrar aquilo e partir. Pro lugar onde o lindo é simplesmente lindo, onde beleza não se explica, onde ninguém menciona nome de maquiagem, marca de roupa, pó para rosto.
Mas a questão, não é o lugar, são as pessoas. É você e a sua mochila. É você e o seu lugar.
É o olho no seguinte, a cabeça no que vier, o ouvido no vento. O vento que sopra e com ele vem todos os desejos jogados, todas as palavras proferidas, todas as energias transmitidas.
Olho na boca, cabeça no travesseiro, ouvido no coração.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Noite.

Eis um atestado de um fraco, eis aqui palavras de um morto. Aqui estamos mostrando as mentiras e as verdades, e as verdades por trás das mentiras, e as mentiras escondidas nas verdades. Aqui está o testemunho de quem não mais deseja viver, de quem não mais vê além de mentiras. A noite consome o dia, e ela vem linda, pena temos que ter dos que não apreciam sua real beleza, sua real magia. Mas ainda digo, aqui está o testemunho de quem já não deseja mais nada, de quem apenas deseja silêncio, vontade, de quem deseja querer. Quero querer. A noite vem sempre úmida, com água do mar que banha minha cama, meu quarto, minha cabeça. Sinto a alma inundada, sinto o sangue querendo sair. Sinto tanto novamente, ao mesmo tempo que nada consigo sentir. E a solidão da noite, essa sim me entende. E meus filmes, meus livros e minhas músicas. Todos me entendem. Minha vontade não vai me procurar, minha vontade não vem me buscar.

domingo, 23 de agosto de 2009

Diferença

Gostaria de repetir aqui, tudo o que ela me disse. Apesar das repetições, das palavras erradas e da falta de sentido, eu gostaria muito de ter tudo o que ela me disse gravado. Foi tanto, pesou tanto, tocou tanto. Me arrancou tudo, me deixou totalmente sem defesas! Ela acabou comigo sem saber, ela soube me ler e soube o que falar. Quando a gente fala coisas porque estamos bêbados, por mais que digamos que não lembramos, e por mais que realmente não se lembre, apenas falamos porque pensamos naquilo por mais tempo do que deveríamos.
" -Tudo vai ser diferente agora, não quero mais coisas pequenas! Eu aprendi muito contigo, coisas que eu nem dava bola... tu é muito especial, e eu não to falando isso por causa da bebida, e sim porque eu fiquei horas pensando nisso, horas... Me perdoa? Por mim?"
Então me encontrei desarmada, destroçada, acabada no chão, vi quem era o real culpado, vi quem merecia aquele meu sentimento de mágoa.
" -Eu te quero aqui, Marina. Só tu pode me ajudar, e tu sabe como. Pra eu ser feliz com teu pai, com a tua mãe, volta. Vem pra cá. É a tua casa..."
Todas as suas declarações, tudo o que você disse me deixou tão indefesa, como podem duas pessoas tão diferentes como nós, nos entendermos desse modo, quando pessoas parecidas comigo, ou parecidas com você não entendem? Como você conseguiu, finalmente admitir um erro? Como eu não consegui entender a dificuldade pela qual você passava? Não precisa perguntar se te perdoô, quem tem que perguntar isso sou eu, você me perdoa? Gostei tanto de me ver pelos teus olhos, aqueles mesmos que me olharam com lágrimas pedindo perdão, pedindo algo, pedindo tudo.
Sim, amadureci rápido de mais por questões que não convém mencionar, sim pareço ser forte ás vezes, e com certeza to pronta pro que vier. Eu só queria que você não fosse a única que me vê assim, mas por ser, obrigada. Obrigada mesmo, por se mostrar alguém que quer melhorar mesmo depois de tanto tempo. Obrigada por me fazer ter esperança. Você tá fazendo a diferença na minha vida.
E agora eu tanto quero, e agora, eu tanto sinto.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Meu Sorriso.

Leio no meu passado o medo do futuro que se consumou. Sabe quando lutamos contra um acontecimento impossivel de ser contrariado, perdemos, e quando perdemos não pensamos no que pode acontecer depois, acabamos estagnados no pior?
Estive abraçada com o meu sorriso uma última vez. Foi perfeito, foi um dia perfeito, e creio que tenha sido um fim perfeito. O calor dele me assustarva, o encaixe do nosso abraço me confortava. Nosso andar juntos me fazia feliz, o jeito que ele estendia a mão pra mim, seu velho jeito de ser, seu jeito velho de ser. Como ele me olhava, como eu queria guardar tudo aquilo, aquele dia, daquele modo. Duas vezes ele pôs as duas mãos em minhas bochechas, duas vezes dando um beijo de adeus, duas vezes me dando duas sensações que se resumiam em uma. "Não vou ver ele de novo", seguido de "eu quero, mas não vou".
Não, não daquele modo, não com aqueles olhos. Dei adeus ao meu sorriso sem nem pensar se algum dia ele voltaria. Antes meu abraço não se encaixava no dele... o tempo passou e lá passou a ser o lugar onde eu mais me sentia confortável. Meu sorriso me fez esquecer. Me fez aprender a guardar somente uma memória, e ela valeu por todas as outras.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Ouvindo.

"Seu grande amor é pra sempre, e acredito que quando mais tarde você vive ele, melhor. Seu grande amor, é provavelmente a pessoa com quem você vai ter filhos, se algum dia você tiver. Provavelmente, seu grande amor é o que vai te fazer chorar, mesmo que você já o tenha superado, é aquele que vai te dar as lembranças mais lindas, e possivelmente as mais dolorosas. Ele vai segurar a sua mão sem hesitar, vai te olhar nos olhos e te falar toda a verdade. Mas ele vai conseguir te olhar nos olhos e mentir também se necessário. Você vai sentir quando ele for a pessoa certa para você, mas provavelmente depois que tudo terminar, torça para perceber logo de cara. Seu grande amor vai ser seu melhor amigo, a pessoa que vai lhe mostrar como ela realmente é. Eu acho que o nosso grande amor, é aquele que nos faz viver, querer viver, e nos sentirmos vivos. Nosso grande amor é quem nos tira da escuridão e nos põe num mundo diferente. É aquele que nos ouve, e que nos faz ouvir. É quem ás vezes, é a única pessoa que nos faz abrir os olhos, e nos faz ver que a vida pode ser difícil, ou pode ser simplesmente vivida. As lembranças desse grande amor, serão um eterno filme em sua mente, com os momentos que você mais ama, com os instantes mais vitais.
Se assim for, eu quero muito ser o grande amor de alguém."

domingo, 9 de agosto de 2009

Poxa.

Poxa, dessa vez minhas palavras realmente fugiram de mim, agora me restam algumas perguntas... responder elas vai levar um tempo, eu sei que vai. Bom que leve mesmo. As coisas precisam de tempo. Poxa, tantas ações evitadas poderiam previnir tanta coisa... ser impulsivo ás vezes atrapalha.
- Filho, sabe o que foi? Você se afastou de Deus, você precisa estudar mais a bíblia. Deus não nos procura, a gente que tem que procurar ele, aceitar ele na nossa vida.
Será? Será que isso ajudaria? Não concordo com essas palavras... Tanta coisa que poderia dizer, mas não acredito que as coisas dêem errado por nos afastarmos do "caminho de Deus", não existe tal ser, tal imagem. Se fosse por isso, muita gente que vive na miséria e acredita Nele com todo seu coração, taria melhor, então temos a desculpa de que 'era pra ser assim'. Ninguém é predestinado á miséria, a infelicidade, á solidão. O poder das pessoas é muito maior do que o poder de qualquer outra coisa que exista. Mas esses são meus pensamentos escritos, nada mais!
Poxa...

sábado, 8 de agosto de 2009

Referente à 'Nothing else fit here'

"Me contradisse nessas palavras, me transformei em mais uma de várias, me fiz comum. Quase desisti, penso em desistir todos os dias. Acho que você esqueceu. Eu queria te esquecer. Parei de calcular as coisas que faço. Eu mudei. Muita coisa mudou. O que não muda é que eu sinto saudades, e preciso aprender a lembrar com carinho, e não com saudade. O que não muda, é que ninguém mais se encaixa aqui. Só você.
Mas se não fosse desse jeito, de que jeito seria?
Pensamos que o certo seria um caminho... já imaginou que aquele caminho pode ser certo pra um, e errado pra outro?
Você já quis simplesmente ser abraçado? Só abraçado enquanto dorme, pra sentir companhia, e não ter que ficar pensando em um fantasma?
Essa é a última coisa sincera que escrevo sobre nós, porque talvez aqui eu sele tudo. É necessário, entende? Você tá tão adiante e eu to tão empacada. Então vou cortar essa cordão de espinhos que me liga a você. Essas coisas já estão me cansando, e como já falei, é bom ficar nesse mar de nada um pouco. Tem uma placa bem grande piscando pra mim "BEM VINDA AO MAR DE NADA!". To indo, to indo, eu disse que eu ia e eu vou.
To partindo, tá na minha hora, obrigada por assistir ao meu show, mas as cortinas tão se fechando e o coração também. Quando você quiser eu estarei aqui, quando você chamar eu irei. Mas eu não faço, não falo nem tento mais. Não depende de mim, nunca dependeu.
Obrigada obrigada, pelas rosas e pelos tomates, obrigada!"

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Aparência.

Aparento sempre estar feliz, aparento estar sempre falando besteira, aparento sempre me sentir bem, aparento me divertir a noite inteira, aparento gostar, aparento ser insensível, aparento tudo que é possível. A gente aparenta tanta coisa, sabe?
Nós chegamos tão perto, sabe? Agora certas lembranças são zona proibida pra mim. Agora não me importo mais de ficar aqui, assim. A culpa foi minha e de vocês, a culpa foi de quem não soube o que quis. Nossa culpa, nossos monstros, carregamos eles junto com coisas alegres... Por isso é bom parar de pensar, parar de lembrar, de sentir saudades. É bom simplesmente parar por um tempo, entrar num mar de nada e ficar ali um pouquinho. Mas só um pouquinho, porque se acostumar com a solidão machuca, meu amigo. Mas a culpa é de vocês, é minha, a culpa é totalmente nossa. E ao fim, digo que as vezes o que aparenta nem sempre é... mas acredite, na maioria das vezes, só é. Mesmo assim, a culpa, é sempre nossa.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Vamos.

"Olhe pra mim, vamos partir desse campo de batalha. É uma guerra e eu e você, eu e você podemos fugir.
A Lua, tão linda, me prende o olhar e me faz crer que assim seremos felizes, ela seduz e me faz acreditar... vamos embora?
É, acho que tô partindo... logo eu to partindo."

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Loucura

To ficando louca, e não preciso de ninguém pra me afirmar isso. Eu sei porque a loucura diária já não me serve mais, eu preciso de uma quantidade maior. Então eu fico assim. Sabe quando você faz as coisas, vê que é errado, mas faz mesmo assim? Pois é...
Loucura me faz lembrar filmes, me faz lembrar que aprendo muito com filmes, e geralmente o personagem mais louco é o que mais fala coisas que me atingem...
"Seus olhos não se movem sempre para as coisas que você quer?"
Tantas citações, de tantos lugares, de tantos loucos. Loucos por cinema, loucos por amor, loucos pelas imagens e pela sensação. Somos todos loucos, impossivel negar meu amigo, olhe para si mesmo. Nos dias de hoje precisamos ter a mente aberta, e os olhos mais abertos ainda.
E veja as coisas que escrevo, que falo e que penso. Ah se você pudesse ver minha mente... entenderia do que falo. Depois disso tenho certeza da afirmação que fiz alguns dias atrás: Minhas palavras tão cansando de mim.
Se isso não são inúteis palavras jogadas aos seus olhos, o que são? Se essa não é minha loucura, o que é isso?
Minhas palavras cansam de mim, você cansa de mim, eu canso de mim... alguém ainda acredita nessa pessoa que aqui se encontra, sempre insatisfeita e reclamona, sempre procurando algo a mais, sempre tentando quando não deveria? Alguém acredita nessa pessoa que acredita em todo mundo? Que não quer ver maldade nem acreditar nela, que tá ali, beirando largar tudo de mão mas sabe que isso seria suicido, e pensa que pode adiar isso mais um pouco. Alguém acredita em mim? Pessoa dependente que não tem auto-confiança? Desculpem, desculpem.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Verdade...

- Não.
- Como assim 'não'?
- Simplesmente não.
- Você... Eu tenho o direito a uma resposta!
Os dois se olhavam fixamente.
- Não, não tem. Desista.
Lágrimas deixaram os olhos arregalados de Gabrielle marejados. Ela cerrou os punhos.
- Pra que fazer isso? Você sabe que estou quase desistindo, não faça isso, por favor!
- Eu não posso te dar a verdade. Seria pior assim, você não entende?!
- NÃO! Não entendo esse segredo, seria a verdade tão dolorosa assim?
- A verdade seria pior.
Gabrielle saiu da posição ofensiva em que se encontrava, aquelas palavras simplesmente a convenceram.
- De qualquer modo, eu desisto, certo?
- Certo.
Gabrielle arrastou seus pés até sua cama, se deitou e ficou olhando para o quarto vazio, com lágrimas contornando seu rosto em silêncio.
- Se ao menos eu pudesse ouvir de você e não da minha imaginação...
Então fechou os olhos fingindo desistir, mas sabendo que no dia seguinte tentaria de novo. Não conseguia acreditar em suas ilusões por muito tempo, precisava de algo sólido. Algo de verdade.