domingo, 21 de setembro de 2008

Matar você?

"Eu não me sinto querendo matar você hoje, não quando os recursos acabaram, não quando me restam apenas dois cigarros e nenhuma vontade de lutar. Esgotaram-se meus esforços das ultimas vezes que insisti em te matar. Todas as noites. Todos os dias. A cada respiração. Eu simplesmente, não me sinto querendo matar você hoje. Não hoje."

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Alucinações.

"Ela estava rindo, rindo e falando o máximo de bobagens que podia, tinha que aproveitar já que nada parecia real á seu ver. Ela se virava e cuidava para não bater nas pessoas, e não sabia porque estava daquele jeito, não compreeendia o que acontecia. Tudo parecia tão certo, pronto para acontecer, mas a dor era tão grande que a fazia delirar, era tão grande que cada passo dava a sensação de que alguém martelava na sua cabeça com um prego de cada lado. 'Eu ainda amo ele... eu sei disso.'. Ela sabia, e aquilo a consumia. Só implorava por alguém que a ajudasse a sair daquele buraco, não pai, não mãe, não psicólogas, não amigas... nada mais restava á ela. E ela viu, novamente que tudo não passava de um ciclo, que se tornava vicioso. Nada mudava, e tudo mudava ao mesmo tempo. A vida, a vida que ela queria, era pior que a dela, parecia que ela queria sofrer, mas certamente era efeito da dor, da dor latejante em sua cabeça, a dor que havia feito ela perder toda a fé, mas que a mantinha de pé e rindo, rindo como se estivesse bebada com a dor, com os remédios, com as mentiras. Ela TINHA de se manter de pé, ela TINHA que gritar, rir, chorar, mudar. Não sentia vergonha, não pediria desculpas, apesar de que não tinha para onde correr, não tinha onde se esconder, a não ser dentro de si, dentro do seu mundo pequeno e amplo, de dois modos totalmente iguais e diferentes. Não fazia mais sentido o que ela pensava, nem o que ela amava. Ela se via exatamente como ela era, e pensava exatamente o que falava... mas falava de um jeito diferente do que o jeito que pensava. Até para o mais forte, dói ouvir a verdade sobre si mesmo, até para o mais perigoso tem perigo, até para a maior dor tem remédio. Mas a dor, quando era muita, provocava alucinações semelhantes ás das drogas. Ás da droga, a única que consumia. Sociedade, televisão, consumismo, controle, capitalismo, burocracia, hierarquia, ética, música mal feita, com melodia e letras ruins. As drogas da sociedade, as que provocavam alucinações como o amor, como a tristeza, como a satisfação. Tudo ao redor delas não passavam de alucinações, e quando ela percebeu isso, parou de temer os filmes de terror, e a viver em uma realidade nada realista, passou a chorar e a rir por motivos diferentes, gritava por motivos diferentes, lutando por motivos diferentes. Não havia nascido pra ser só mais uma, não havia chegado até onde estava, pensado o que havia pensado para que suas idéias fossem descartadas. Iria lutar, mesmo que não tivesse ninguem do seu lado. Não aguentaria mais o que não queria, não aguentava mais."

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Deslocada.

"Onde? Quando? Embaixo de uma árvore, á quase um ano atrás. Ela estava lá, de olhos fechados na sombra daquela grande árvore, rindo e conversando com sangue do seu sangue, sua melhor amiga até então. Elas aproveitaram o dia, vendo as nuvens passarem, se coçando por causa de formigas, ouvindo as musicas que elas amavam. Cantando. Mal, mas cantando, fazendo confissões... elas se amavam como irmãs, e passavam o melhor tempo do mundo juntas, e aquele dia ficou pra sempre na memória... de quem? Dela, e somente dela aparentemente.
E sempre que escutava a mesma canção, se lembrava daqueles tempos confusos que traziam lembranças nubladas, mas que mesmo nessas condições, eram bons, eram encantadores e inspiradores. Não era como o vazio que se instalava nela, e se desinstalava várias e várias vezes, deixando as cicatrizes cada vez maiores. Ela queria ver amor, porque não tinha nenhum. Ela queria ler histórias interessantes, pois a sua continuava sempre igual. Ela queria escrever coisas novas, porque em sua vida, ela não via mais graça em ser ela mesma, e o que poderia ser melhor do que criar o personagem que você quer ser? Mas ela não conseguia... lhe fugiam as idéias. O que ela realmente queria, era mostrar como se sentia, mas nunca tinha sucesso nisso, pois odiava falar de seus sentimentos, e de que outro modo mostraria a verdade, se os outros modos não são levados á sério? Se as pessoas que lhe interessam, não prestavam atenção nesses outros modos?
Então ela olhava pra cima, e a criatividade esvaia entre seus dedos como areia, e ela tentava pegá-la inutilmente. Mas ela continuava procurando algo que talvez a deixaria viva de novo, que talvez a deixasse sorridente de novo. Contando os dias para chegar na sexta feira, e ser quem ela quer ser, era assim que as semanas passavam mais rápido, era assim que ela deixava de dar valor ás pessoas ao seu redor. Com a cabeça explodindo e todo o resto girando, ela gritava por dentro, e sentia a cabeça pesar... caindo... escuro...
E todos se foram, e não resta mais nada a não ser suas próprias mãos, seu próprio coração, que continua sabendo como bater, batendo em um ritmo descompassado. Ela estava adormecida á um bom tempo, sem ligar pra nada, esperando algo acontecer... mas estava ciente o tempo todo de que se ficasse sentada, nada aconteceria. Mesmo assim ela não levantava. Mas levantaria, daquele dia adiante, levantaria e ergueria a cabeça, iria atras, e iria achar. Ia encontrar o seu lugar, por mais dificil que fosse, e por mais que soubesse que estava deslocada, e que não tinha abrigo nem casa, ela encontraria seu verdadeiro eu, e pararia de tentar falar que era o seu eu-lírico... eram seus sentimentos mais puros e verdadeiros aqueles que ela tentava mostrar."

sábado, 6 de setembro de 2008

Puxe o gatilho.

Procurar ao seu redor o que nunca está nem estará lá, faz você ficar triste. Tentar ser alguém que você acha que pode, ou que você preferia ser, te deixa triste, porque você nunca será essa pessoa, nunca sentirá o mesmo que ela. Pensar sobre o que aconteceu te puxa para baixo, pensar sobre o que acontece te põe na escuridão? Você só está tendo os pensamentos errados,só está pensando o que não deveria. Seus olhos não veêm mais nada a não ser aquela única pessoa que põe um sorriso no seu rosto? Seus sonhos te deixam confuso? Você não se acha o suficiente para estar no exato lugar que você está? Se você não fosse, nao estaria em tal lugar, talvez nada seja por acaso, ou talvez completamente tudo seja por acaso.
Seu coração bate por alguém, e o coração desse alguém bate em outro ritmo, diferente do seu, então você tenta se segurar á qualquer coisa, por ver o ritmo do coração de quem você ama, bater por alguém que não pode corresponder à ele.
Você quer gritar? Quer trair os seus sentimentos secretos e falar a verdade? Quer chorar? Cantar? O que você quer fazer, e o que te impede de fazê-lo? Você não precisa deixar tudo em uma gaiola com barras gigantes, não precisa impedir nada de sair, não precisa pensar no que acontece depois. Porque o que acontece depois, nem sempre depende de você, você fez o que podia, você fez o que queria. Mas como você vai saber?! Puxe o gatilho, veja o que acontece depois. Feche os olhos se você quiser, mas fique ciente de que quando você abri-los, eles vão continuar vendo as mesmas coisas. Se concentre nas coisas que não te deixam triste, que te fazem sorrir. Você não consegue?
...
Nem eu.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

10 motivos para não sorrir.

Eu não ando sorrindo mais, porque não vejo mais cores nas flores,
Porque as coisas estão em preto e branco, e tons de cinza,
E os amores,
Não são mais os mesmos que costumavam ser;
Porque eu não consigo mais segurar as lágrimas quando acordo,
Quando encaro todo mundo,
Quando não vejo você lá,
Porque quando eu preciso de um abraço, eu não tenho o seu,
Porque quando eu grito ninguém ouve,
Pois eu grito com o coração,
Com o olhar,
E porque meus sonhos estavam em uma redoma de vidro,
Que começou a rachar;
E acima de tudo, porque dentro de mim, eu perdi o pouco que eu tinha de você, de mim mesma, de tudo que eu precisava pra respirar, pra não chorar de tristesa e sim de alegria,
Pra acreditar que você vai voltar...
Para a redoma de vidro, nunca se rachar.