segunda-feira, 28 de junho de 2010

Difícil

É difícil acordar, e estranho respirar. Amar dói, e ser julgado por quem se ama é pior ainda. Acordar e respirar, numa situação dessas, se tornam coisas insuportáveis. Não se pode mudar quem se é, você não pode se forçar a ser, mesmo que virem as costas pra você.
Não te entendem? Lamento, mas você não pode esperar de mais das pessoas. O ruim, é que mesmo assim elas esperarão mais e mais de você. Parece injusto? Bom, e é. Parece de mais? Talvez seja...
Olhar dói, o cérebro encolhe, as mãos tremem e as pernas não são mais firmes. Cada passo é a possibilidade de cair, mas não se pode segurar os corrimãos, não se pode mostrar. É feio vacilar, é feio bambear, é fraco se mostrar. E acima de tudo, machuca. Machuca se manter forte, machuca fingir, nos destrói esconder. Apesar de ser necessário enquanto estamos acordados.
É difícil o coração bater em dias assim.

domingo, 20 de junho de 2010

(...)





E tudo que sinto já foi sentido por outro, e tudo que penso já passou pela mente de outro, e tudo o que falo já saiu da bouca de outro. Eu já existi, antes mesmo de ter consciência do que sou. Você já me tocou antes mesmo de se aproximar. Tudo isso é uma repetição do passado, nada é novo, é uma sequência pré-ditada de nossas vidas, que parecem tão diferentes, mas não passam de uma eterna dança, sempre os mesmos passos, só com dançarinos diferentes

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Só.




Eu acho que não poderia me sentir mais incomodada e confusa. Porque o distante é sempre mais atraente? Porque o sorriso perde a graça? Por que tudo perde a cor com tanta facilidade em certos dias?
Eu penso errado, eu faço errado, eu vejo errado. Sempre, tudo errado.
Meu problema é meu reflexo. Meu problema são os olhos. Meu problema é a mente.
Eu não tenho espaço pra mais ninguém, é só eu e ela. Você não se encaixa aqui. Jamais alguém poderá se aproximar tanto.
E eu não amo se não sou amada, e eu não desprezo sem ser desprezada, e eu não odeio sem ser odiada.
Nem tudo que reluz é ouro, nem todo mundo que consente concorda, nem todos que dão risada acham engraçado.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Thief encontra o pequeno anjo.

Eu estava sentado no chão do píer, com as pernas balançando enquanto olhava o sol se por. Era a única coisa da qual eu não podia largar mão: assistir o pôr-do-sol. O cheiro do mar invadia minhas narinas e a brisa vinda do mar parecia um chamado, eu queria pular. Levantei, estava pronto para ir. Mas...
- Hey!
Parei, não olhei para trás.
- Oi você?
Suspirei e virei na direção de quem falava comigo. Era uma menina, de 12 ou 13 anos. Ela era quase 30 cm mais baixa que eu, tinha cachos loiros e estava com um vestido vermelho, de pés descalços. Era uma imagem que não fazia sentido naquele lugar.
- Sim?...
Ela sorriu, e sem falar nada saiu caminhando na direção oposta a mim. Foi estranho, pois ela parecia inocente de mais para parecer provocante, mas me chamava tanto quanto a brisa havia chamado, ela tinha um rosto de anjo, e eu não fazia idéia do que estava fazendo.
Mas a segui, eu tinha o pressentimento de que se não fizesse isso, estaria perdendo... algo. Aquele anjo se misturava com a multidão, me fazendo empurrar as pessoas, ela passava com facilidade, parecia que abriam caminho para ela. Quando saímos do tumulto, a garota começou a correr, e em um desespero repentino, corri atrás. Não podia perdê-la de vista, precisava alcançá-la. Então ela virou em uma esquina, e quando eu eu estava prestes dobrar, algo aconteceu.
Em questão de alguns segundos o curso da vida de duas pessoas mudou. Tudo por culpa de uma bicicleta e de um cachorro. Essa história é minha, de Ivy, e do nosso pequeno cupido e anjo da guarda.