quinta-feira, 23 de abril de 2009

Tempo.

"Cabeça girando e ela empacada no meio da sala. seus olhos estavam arregalados e o telefone estava na mão. Sentiu que perdeu o chão. O que sentiu a seguir foi raiva, uma raiva muito grande crescendo dentro de si. Lembrou de cada momento que gastou tentando fazer tudo dar certo, cada momento que persistiu e tentou mudar, tentou de mais. Ela não queria deixar pra lá, mas não via outra saída. Se machucaria e machucaria sua amiga também, mas de que jeito ela aprenderia? Tem gente que só aprende quando sente na pele...
Correu. Saiu de casa e só correu, pra qualquer lugar, qualquer direção. E as coisas caiam atrás dela mais rápido. E quando ela percebeu isso parou de correr e olhou pra trás.
'OH CÉUS! Meus pedaços estão caindo!'
Voltou caminhando juntando todos eles, tentando achar quem já tinha sido um dia. Não sabia mais. Não achava mais.
Voltou pra casa e se atirou em sua cama, deixando seu corpo cair, e seus pedaços caírem em volta. Acharia seus respectivos lugares, mas precisava de tempo."

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Sem lar.

Não pertencia áquele lugar. Aquela não era a sua vida, nada daquilo era seu. E sua mente voltava a girar, mas não parava. Era um constante giro. Ácido? Não... a fase do ácido já havia passado á muito tempo, já estava tudo corroído, não tinha como recuperar-se disso, aquela fase a havia moldado para fazer dela a pessoa que ela era hoje. Sem esperança. Ela perdia o foco, perdia a razão e a vontade por onde passava, mas não fazia questão de tentar recuperar. Se perdeu totalmente, e inutilmente tentava juntar os pedaços desesperada, se cortava sem querer nas palmas com as próprias memórias, até que viu que não sangrava mais... e desistiu. Podia não sangrar, mas machucava de qualquer maneira. Não a fazia chorar, a puxava de volta para aquela escuridão. Estava vivendo algo que não mais conhecia, não sabia como era viver daquela maneira. Odiava cada segundo no qual não se sentia ao lugar que pertencia... não pertencia a lugar algum. Era uma alma perdida em um quarto branco infinito. O que precisava para se recuperar? Talvez de uma conversa, esclarecimentos... mas sabia que estava na ponta de um penhasco, e o abismo parecia alto de mais em algumas horas, porém em outras parecia ter apenas 2 metros... o máximo que podia acontecer era ela torçer o pé... ou morrer. Não podia adiar pra sempre, precisava descobrir, precisava saber o que vinha depois de tudo! Ao mesmo tempo que queria adiar, queria desesperadamente que revelassem tudo para ela. Mas até onde pudesse adiaria. Evitaria. Continuaria quieta. Continuaria tentando. Torcia para a queda ser apenas de 2 metros. Ou menos.